Míriam Leitão comenta

Comentários desativados em Míriam Leitão comenta
Compartilhar

Papéis conflitantes de candidato e presidente do BC

Não é comum presidentes de bancos centrais serem candidatos a cargos. Ontem, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, esteve em Goiás. Falou sobre economia, mas não parou no tema. Comentou os serviços públicos do estado e entrou em outros assuntos próprios de um candidato a governador.

Não é segredo que Meirelles teve uma vida partidária que foi deixada para trás quando assumiu o BC. Ele se desvinculou do PSDB e fez um trabalho que muita gente elogia. Mas situação agora é um pouco diferente. Ele quer voltar para a carreira política, algo de difícil conciliação com a função de presidente do BC.

É legítimo que Meirelles queira disputar o voto do cidadão de Goiás e concorrer ao cargo de governador do estado. A questão é como ele vai conciliar funções no período em que será pré-candidato e presidente do Banco Central.

O governo tem dito que Gustavo Franco, presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, era filiado ao PSDB. Só que ele não tinha a intenção de disputar voto do cidadão, o que é completamente diferente.

Meirelles tem até outubro deste ano para se filiar a um partido, o PT. E tem até março do ano que vem para sair do BC. Mas será possível exercer esse duplo papel em meio a uma crise econômica mundial?

Ele precisará tomar muito cuidado, ou pode parecer que está usando o Banco Central para se eleger. Também não pode deixar o Banco Central de lado. A crise está menos forte, mas ainda não terminou.

Os comentários estão fechados.