Juros altos

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Cartilha de combate à inflação pode não funcionar agora

As vendas no varejo cresceram 10,7% no primeiro trimestre desse ano em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento foi mais forte no varejo especializado, como eletrônicos e automóveis, que dependem de crédito. Este setor cresceu 13,5% do ano passado para este ano. Os dados mostram que o país continua num período de crescimento e o consumo continua forte mesmo com juros altíssimos em toda a cadeia, principalmente à pessoa física.

Isso significa que o aumento de juros de 0,5 pontos não vai mudar a decisão do brasileiro de parar de comprar. Estamos acostumados a gastar mesmo com juros altos. A situação da política monetária no Brasil é mais complicada do que parece. O que está pressionando a inflação não são os produtos financiados, como eletrônicos e automóveis, mas sim alimentos que vêm de fora.
Seguir a cartilha agora, como fez o Banco Central, não é garantia de que haverá um efeito de queda nos preços.

A natureza desta inflação é outra, e o efeito colateral do remédio pode ser contrário, caso os juros inibam investimentos e com isso a oferta seja reduzida.
Nosso problema de inflação vem de fora, com a alta dos alimentos pelo mundo. O trigo está 227% mais caro do que há pouco mais de dois anos; a soja, no período, subiu 132%, e o milho, 157%.
Os preços do arroz dobraram em poucos meses. Isso terá impacto internamente. O Brasil exporta arroz, os produtores vão querer um preço maior para manter o produto aqui dentro.

O que pessoas ligadas ao Banco Central dizem é que o aumento dos alimentos estava começando a contaminar outros preços. Eles defendem que um impacto maior agora nos juros pode fazer com que o aperto monetário seja mais curto.
A questão é que esta inflação é diferente das outras e é preciso estudar melhor a inflação brasileira para saber o que fazer. Mas, certamente, nas próximas reuniões do Copom, teremos outros aumentos.

Ouça aqui na CBN.

Fonte: Míriam Leitão

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