HISTÓRIA – há 39 anos…
20/04/1969 – Morreu Ataulfo, fica a sua obra
Ataulfo Alves de Sousa; mineiro de Miraí, ia fazer 60 anos. Desde pequeno cantava e lia os folhetos populares que apareciam em sua terra, muitas vezes modificando as letras para o seu estilo. Foi engraxate, marmiteiro, leiteiro, menino de recado, condutor de boi e plantador de café, arroz e milho. Seu pai, o velho Severino foi um grande violeiro e repentista.
Ataulfo tinha 10 anos quando ele morreu em 1919. Em 1927 decidiu vir para o Rio com um médico que fora amigo de seu pai. No Rio, emprega-se em uma farmácia na Rua São José. Conhece então uma ‘mocinha irrequieta’, amiga das filhas do patrão, e voltou a vê-la nos estúdios da RCA no dia da gravação de Tempo Perdido, sua primeira música em disco. A moça também ficaria famosa: Carmem Miranda.
Seu primeiro sucesso foi Saudade do Meu Barracão, em 1935 , gravado por Floriano Belham. Suas músicas logo começaram a fazer sucesso de crítica e de público. Em 1942, Mário Lago entrega a Ataulfo uma letra para serem musicadas, resultando em grande sucesso popular a música Amélia, “que não me fez rico, apenas me deu fama”. Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais Felicidade. Criou seu primeiro grupo de pastoras, que não demorou em se dissolver.
Um outro seria formado 10 anos mais tarde, para acabar em 1961. A partir daí, Ataulfo seguiu sozinho. Depois de realizar em 1964 uma temporada no Top Club, do Rio de Janeiro, decidiu em 1965 passar o titulo de General do Samba para seu filho, Ataulfo Alves Júnior. Em decorrência do agravamento da úlcera, morreu após uma intervenção cirúrgica.
Casado, pai de cinco filhos, Ataulfo vestia-se de uma maneira impecável, estando sempre na lista dos 10 mais elegantes. Jamais abandonou a noite, e dela fazia seu campo de luta pelo melhor samba. Sua musicografia ultrapassa 320 canções, sendo uma das maiores da música popular brasileira. Para dar o último adeus a Ataulfo, numerosos artistas do Rio e de São Paulo foram ao cemitério, que se tornou pequeno demais para conter a multidão. Um choque da Polícia Militar e mais três viaturas da Polícia de Vigilância foram chamados para proteger os artistas e salvar o patrimônio do cemitério.
Fonte: CPDoc/JB
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