Guilherme Fiúza comenta

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A melhor notícia dos últimos dias foi a volta do crescimento da aprovação a Lula entre os brasileiros. A pior também.

Lula não é mais apenas um presidente. É um índice. Esqueçam o que os especialistas dizem e desdizem todos os dias sobre a crise financeira. Se estamos indo para o buraco, o índice Lula cai. Se não estamos, o índice Lula sobe.

Mesmo com seu governo precário, perdulário e trapalhão, Lula faz bem ao Brasil. É um símbolo forte, vai se tornando uma instituição segura para os brasileiros. Sobre todos os conflitos político-partidários, ele unifica o país. É o nosso dólar.

O lado ruim da notícia é o homem que existe por trás do símbolo.

Lula evoluiu como estadista, e como cidadão não é mais nem menos respeitável do que qualquer brasileiro. Mas seus arroubos pessoais nas horas críticas são constrangedores.

Em plena comoção mundial com o desastre do vôo 447 da Air France, Luiz Inácio tinha que deixar sua marca. Presidente do país de onde o avião saiu, e em cujas águas a aeronave caiu, ele monitora a tragédia da Guatemala, por celular. E achou que era hora de um dos brados nacionalistas mais patéticos da crônica política.

No momento em que gente de vários países vive a aflição da busca pelos corpos de parentes, amigos e pessoas queridas, Lula vem com uma de suas analogias de botequim: “Um país que pode achar petróleo a 6 mil metros de profundidade, pode achar um avião a 2 mil metros”.

Algum assessor precisa avisar a Lula, urgentemente, que alguns momentos não são próprios para seus panfletos pré-sal.

Feito isso, é preciso explicar ao presidente que prospectar petróleo não tem nada a ver com procurar restos mortais de seres humanos, seja a 2 mil metros, 6 mil metros ou qualquer profundidade alcançável pelos robôs da Petrobras ou pelas bravatas presidenciais. Não para quem sente a dor da perda mais abissal.

Um pouco de compostura nessa hora faz bem a um líder. Que aliás deveria estar no Brasil, e não mandando pitacos panfletários por celular.

Em vez de arroubos ufanistas e exibicionismos tecnológicos, seria interessante se Lula se limitasse a extrair eficiência máxima da Marinha e da Aeronáutica na busca pelo avião da Air France, e garantisse dignidade às famílias das vítimas em sua terrível espera.

Que o índice Lula continue subindo, e que seu índice de impropérios despenque o quanto antes.

 Guilherme Fiúza é jornalista e escritor

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