FHC e Lula da Silva se parecem

Comentários desativados em FHC e Lula da Silva se parecem
Compartilhar

“O problema (do PSDB como do PT) não é o de cantar melhor o que fazem, mas o oposto: deveriam ouvir mais sobre o que não fazem ou sobre o que fazem mal. Até nisso os governos FHC e Lula se parecem. Na gestão anterior, o debate era interditado, porque, a cada crítica, o crítico era desqualificado como “neobobo”, “jurássico” etc. Nem os críticos internos, que reclamavam, por exemplo, do câmbio fixo, eram ouvidos. Deu no que deu: o colapso do real em 1999 e um segundo mandato que foi mera administração da crise. No governo Lula, mudou o sambinha, mas a nota é uma só: qualquer crítica é coisa da “direita” ou da “conspiração”.

O espírito é o mesmo, qual seja, a incapacidade de conviver com a crítica, de fazer autocrítica, de entender que governar um país como o Brasil é complexo demais para que qualquer um se arrogue a fórmula acabada, perfeita e única para fazê-lo. Os críticos internos também não são ouvidos. Veja-se o que Frei Betto, então assessor especial do presidente Lula, anotou em seu diário no dia 9 de janeiro de 2003, apenas uma semana depois da posse, ao tomar conhecimento do “contingenciamento” de R$ 14 bilhões “em prol do superávit primário, ídolo venerado no templo do mercado financeiro”: “[É] corte de recursos para necessidades vitais da nação, como saúde e educação, de modo a engordar a cesta de ovos de ouro dos credores da dívida pública”.

( do Editorial da Folha)

OPINIÃO: Depois de aderir sem-cerimoniosamente ao neoliberalismo, traindo o eleitorado esclarecido que o elegeu, Lula da Silva renegou também os princípios defendidos durante 25 anos pelo PT-partido. Causou mal-estar entre os muitos militantes que se deram conta disso logo no começo, mas continuou encandeando a vista dos menos dotados de inteligência e, por isso, elegem um “guia” para conduzi-los. Para quem tem olhos de ver, Lula é um FhC sem verniz. Tornaram-se semelhantes na traição nacional; um pedindo para esquecer o que escreveu e outro confessando que seus discursos eram bravatas. A parecença se acentuou pela falta de autocrítica e usar o ataque aos opositores, como defesa das suas debilidades. MIRANDA SÁ

Os comentários estão fechados.