CPI com acordo?
O senador Romero Jucá estava radiante na manhã desta segunda-feira depois de celebrar acordo com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) para instalação da CPI mista que vai investigar os gastos com cartões corporativos. Por duas razões: a primeira, é que as investigações serão a partir de 98, portanto, do governo Fernando Henrique; e a segunda, é que Sampaio concordou com a idéia de não detalhar os gastos referentes ao presidente da República.
Portanto, até onde se vê, Lula e Fernando Henrique não terão seus gastos esmiuçados.
– Ninguém quer saber o tipo de carne que come o presidente da República, mas como os funcionários públicos usam o dinheiro público – disse Jucá.
Foi dele a iniciativa de fazer acordo com Carlos Sampaio, um deputado atuante na Câmara e que fez sua vida como procurador da República, portanto, com experiência em investigações. Carlos Sampaio foi um dos principais nomes do PSDB na CPI dos Correios. Ao firmar acordo com Sampaio, Jucá escanteia os dois principais oposicionistas no Senado – Arthur Virgílio e Agripino Maia.
Antes de fazer o acordo com o tucano, Romero Jucá conversou com o articulador político do governo, ministro José Múcio Monteiro, que o incentivou a ir adiante. A avaliação de Jucá é a mesma de Múcio: não adiantaria o governo manobrar para evitar a CPI porque ela sairia de qualquer maneira, ainda que fosse só no Senado.
E a tentativa de barrar a sua instalação passaria a idéia de que o governo teme a investigação.
Resta saber se o acordo com Carlos Sampaio vai valer para o DEM e o PSDB como um todo.
Fonte: Cristiana Lôbo
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