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Teste fatal para o fim da impunidade

Começou nos meados da semana a avaliação da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o caso do mensalão. Para isso, o Supremo Tribunal Federal – STF agendou a realização de três sessões plenárias para decidir sobre o acatamento ou a rejeição do pedido do Ministério Público Federal.
Observadores das esferas judiciais comentam que a tendência da alta corte é de que a denúncia será acatada embora numa decisão inusitada o STF emitiu uma nota ressaltando que a apreciação se trata de “um inquérito complexo” e que seus membros só expressarão seus votos “exclusivamente durante o julgamento”.
O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, abrirá a sessão seguido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defenderá a denúncia contra os 40 acusados de participar do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares em troca de apoio político e votos em favor de projetos do governo. Este ritual será, sem dúvida alguma, um teste fatal para o fim da impunidade.
A sociedade brasileira anseia pela condenação dos culpados principalmente dos que escaparam por jogadas políticas ou interesse corporativo da Câmara Federal de um castigo exemplar o que, entretanto, não ocorreu. Entre os que foram punidos somente dois medalhões, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu e o acusador do esquema criminoso, Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB e deputado cassado. Apesar de terem perdido os mandatos ambos mantiveram poder político nas respectivas áreas.
Além das prerrogativas políticas mantidas, José Dirceu e Roberto Jefferson mantiveram seus patrimônios e o de Dirceu, por exemplo, multiplicou-se por muitas vezes mil, pois seu prestígio no PT-governo favoreceu a atividade de lobista com um rendimento invejável. Os outros “companheiros” do PT também vão bem, obrigado. O ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares é uma personalidade respeitável em Goiás e fazendeiro na sua cidade natal, Buriti Alegre.
Silvinho Pereira, o ex-secretário nacional do PT, que adquiriu o cognome de “Land-Hover” por causa do carro que ganhou por intermediar negócios na Petrobras, está construindo uma pousada e é dono de uma empresa que realiza eventos artísticos e políticos tendo a Petrobras no rol dos seus clientes. O presidente do partido, José Genoíno, flagrado ao lado do irmão, José Nobre Guimarães, deputado estadual no Ceará, antes de um assessor deste ser pilhado pela polícia com dólares escondidos na cueca, elegeu-se deputado federal.
Os demais quadrilheiros de pouca importância na hierarquia do partido ou corrompidos pelo esquema para votar no PT-governo e/ou trocar de legenda partidária, não contam. Somente duas outras personalidades, pelo valor dos seus bens, devem ser listados como mantenedores do mesmo status sócio-político e elevado padrão de vida, o publicitário Duda Mendonça e o extraordinário agente corruptor Marcos Valério.
Este é o quadro dos protagonistas do mensalão. Os procuradores federais querem a condenação dos suspeitos a ressarcir a União de cerca de R$ 55 milhões, que percam os direitos políticos por até 10 anos e sejam destituídos dos cargos públicos que ocupam. É esta a sentença que os brasileiros também querem.

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