Cartão – Oposição admite ficar de fora da CPI
De público, nenhum dos pesos pesados do PSDB admite. Mas no escurinho dos gabinetes e em cochichos nos corredores do Congresso, eles só falam mal do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento para a criação da CPI Mista do Cartão Corporativo.
O mínimo que dizem de Sampaio é que ele é um desastrado. Na ânsia de emplacar sua CPI, foi longe de mais, atropelou as cabeças coroadas do partido e criou um fato consumado ao negociar sua instalação diretamente com Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado.
É improvável que Sampaio tenha procedido por sua conta e risco com tamanha autonomia. Ele jura que consultou antes o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB. E que foi autorizado por ele a conversar com Jucá. O acordo para a criação da CPI saiu depois de um encontro que durou menos de 20 minutos.
Ao aceitar rapidinho a proposta de Sampaio para que a CPI reunisse deputados e senadores ao invés de apenas esses últimos, Jucá deixou a impressão de que era justamente isso o que o governo sempre desejou. Será mais fácil para o governo controlar uma CPI mista do que uma CPI restrita ao Senado.
E agora? E agora que o governo insiste em indicar o presidente e o relator da CPI? Como ficará a oposição? É verdade que o governo indicou o presidente (Delcídio Amaral, PT-MS) e o relator (Osmar Serraglio, PMDB-PR) da CPI do Correio. E ao fim e ao cabo o resultado da CPI foi péssimo para ele.
Mas isso não quer dizer que a história se repetirá. O que diferencia o homem dos demais animais é que ele pode aprender com os próprios erros. O governo talvez tenha aprendido. E se aprendeu não será mais pego de surpresa em um caso desses.
A oposição (PSDB e DEM) ainda tem esperança de que o governo concorde em ceder para ela a presidência da CPI. O cargo de relator, nem pensar. É o mais importante. Se o governo não ceder, ela começa a a examinarr a hipótese de ficar de fora da CPI e de denunciá-la como uma farsa.
Fonte: Noblat
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