Artigo

INDIFERENÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O pior pecado contra nosso semelhante não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles ” (Bernard Shaw)

No noticiário televisivo da Record, assistimos um casal sendo assaltado por bandidos e pessoas passando indiferentemente do outro lado da calçada; também não faz muito tempo que lemos uma matéria sobre automobilistas que corriam na pista sem se perturbar com um cadáver estirado no chão.

Parece vivermos nestes começos do século 21 um doentio desvio moral dos homens, em todos os níveis da vida cotidiana, principalmente nos círculos religiosos. Entre nós, os auto-assumidos cristãos, com bíblias de bolso condensadas, escapulários, cruzes, imagens e medalhinhas, trocam a crença em Deus pela adoração a políticos e o discurso de ódio contra os que não seguem a sua crença….

Esquecem da onisciência divina que Jesus Cristo pregou. Não distinguem que o Deus dos cristãos é a bondade personificada enquanto o Deus dos judeus é vingativo: basta lembrar das sete pragas do Egito, em que Jeová com suas pragas não poupou sequer as crianças, condenando-as à morte.

Mais odiento ainda é Zeus, deus supremo da mitologia grega, que mandou um abutre dilacerar o fígado de Prometeu para puni-lo por sua bondade com a humanidade dando-lhe o fogo roubado do Olimpo.

O amor e a bondade pregados pelo Cristo diferem das ações dos deuses mitológicos, e talvez por isto sofram o alheamento das seitas fraudulentas que lutam pelo poder político. Que coisa triste! Como pode uma pessoa que se diz seguidora dos Mandamentos, desconhecer o Sermão das Beatitudes?

Porque não gritam “Excelsior! ”, ou façam como Napoleão, que no exílio de Santa Helena releu o Sermão e comentou com seu ajudante-de-ordens: – “Acredite-me; eu conheço os homens e vejo que este discurso não pode ser de nenhum deles. São palavras de um Deus”.

O falso cristão, ambicioso e sedento de privilégios foi capaz de trocar a crença no Eterno por um transitório governante. Sua consciência conservará a memória do próprio fanatismo político desdenhando da pandemia que matou mais de 700 mil vidas. Jamais esquecerá que naquele momento doloroso, ajoelhou-se para personalidades e não para o seu deus.

Recordando este “crente”, não é difícil afirmar que o “cristão negacionista” não é uma pessoa de fé. Não segue o Cristo, que disse: – “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida”, e que pelo Messias o caminho é o comportamento social que valoriza a humanidade; a verdade será a honra individual que repugna a falsidade; e a Vida é a generosidade divina, que deverá ser preservada em qualquer circunstância.

Diante das repetidas fraudes religiosas, achamos que as chamadas ciências ocultas valem mais do que uma bíblia impressa com a fotografia de um ministro e de pastores corruptos que muitos seguem por ignorância ou indiferença.

Na famosa Tábua da Esmeralda, Hermes Trismegisto – Três Vezes Grande -, definiu Deus dizendo que “é uma esfera, cujo centro se acha em toda parte e a circunferência em nenhum lugar”.

O Deus de Trismegisto não tem o rosto que muitos querem dar-Lhe, criando-O à imagem e semelhança do homem por elementar egoísmo…. Com a cara de um político, é o deus adotado pelos mercadores do templo, obscurantistas, negativistas e agora provando serem fascistas, desrespeitando o resultado da eleição e a Constituição.

Da minha parte não tenho o menor respeito por um deus modelado na imagem de homem; e combato, como os cristãos primitivos, a idolatria. Faço-o diante do Arquiteto da harmonia universal, que não me é indiferente. Receberá sempre a minha reverência e o meu agradecimento pela vida! …

 

 

 

O TEMPO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

”Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai elucidar tudo” (Chaplin)

A melhor vacina contra o stress está em nossas mãos sem que saibamos. É a espera do tempo passar e recuperar-se a cada hora que passa. Vai-se tranquilamente lubrificando o corpo e a mente para tudo ficar bem.

Sujeita ao autocontrole, a ansiedade passa, mas é preciso ter paciência porque, como escreveu Shakespeare, “o tempo é muito lento para os que esperam; muito rápido para os que tem medo; muito longo para os que lamentam; muito curto para os que festejam; mas, para os que amam, o tempo é eterno”.

Ocorre, porém, que ao mesmo tempo em que o tempo traz benefícios, corrói a memória. Hoje trago o número do meu celular anotado, enquanto 70 anos atrás, da minha turma de 90 alunos no curso de Direito, eu tinha de cor o nome de quase todos os colegas, sua origem geográfica e o número de quem tinha telefone….

Assim, pela memória enfraquecer, já não me lembro se publiquei anteriormente a fantasiosa definição do tempo que o poeta persa Saadi Musarriff, descreveu-o para o filho adolescente; por via das dúvidas, faço-o de novo:

“Existe uma ilha montanhosa no meio do oceano. De mil em mil anos pousa-lhe um pássaro pela madrugada e bica o solo rochoso durante todo o dia, e volta à noite para onde veio com um grão de areia no bico. Mil anos depois, retorna cumprindo a mesma tarefa, e quando tiver assolado toda ilha, terá transcorrido o primeiro dia da eternidade”.

Citei o pensamento como a memória guardou como a Esperança no fundo da caixinha de Pandora depois de todos males do mundo se derramarem nos ares, mas sei que o recado está dado para os que desdenham do tempo num permanente feriado da mente.

Para estes, a visão do Eterno é um ouro de tolo que reluz sem nenhum valor. Embora muitos tenham decorado versículos inteiros da Bíblia, ignoram que o Deus que dizem adorar exige o cumprimento de Suas leis, o que não fazem por fanatismo partidário, fechando os olhos para a violência política e aplaudindo a tortura ditatorial.

Aos falsos cristãos (vendilhões do templo ou crentes de butique) nunca é demais lembrar que não se pode esconder a verdade, nem varrer para debaixo do tapete o que se faz, porque o tempo revelará tudo.

O arrependimento tardio pouco adiantará para o castigo que vem da consciência e fustiga o transgressor que não ouvirá a harmonia celestial. O Deus dos judeus e dos cristãos é um guardião feroz (está nos textos sagrados) de suas diretrizes e castiga quem os despreza.

Para cada um de nós, o tempo é uma fortuna que devemos amealhar do mesmo jeito como a plena atividade física e mental e o amor à vida. Gastar o tempo de graça é uma bobagem imperdoável. O tempo deve ser aproveitado ao máximo, como eu refleti nas 72 horas que passei numa UTI fazendo testes para ver como está funcionando o coração….

Nunca imaginei que ao sair – como um refém liberto do cativeiro – me deparasse com a insanidade golpista posta em prática pelo psicopata Bob Jeff. Nada me afasta a ideia de que tudo foi planejado e felizmente não deu certo.

O vanguardeiro desastrado do bolsotrumpismo golpista mantinha em casa um arsenal com metralhadoras e granadas; e convocou seus sabujos para apoiá-lo. Esses apoiadores não são cúmplices? De onde vieram as armas mortíferas e munições?

A investigação deve ser acurada. Não devemos desistir de apurar a verdade embutida na condenável resistência â uma medida judicial e no enfrentamento criminosos contra a Polícia Federal, cumpridora do mandato.

VERDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde” (Nietzsche)

A cada dia que se passa nos meus 89 anos de existência mais eu me convenço de que a Verdade não é um campo de treino para acrobatas, dançarinos, nem uma sala de estudos para romancistas e poetas. Fica melhor na estante dos filósofos….

A origem deste substantivo feminino é muito antiga; vem do grego (aletheia), do latim (veritāte) e do hebraico (emunah): “Aletheia se refere ao que as coisas são; veritas mostra os fatos como ocorreram; e, emunah sugere ações e coisas reais.

O significado de Verdade exprime a coisa certa, uma representação fiel; evidencia tudo o que é sincero, ausência de mentiras. Usa-se nas argumentações uma expressão que chamamos “meia verdade”, uma premissa que não é falsa, mas que oculta alguma informação. Há um ditado popular que reza “a mentira só dura enquanto a verdade não chega”.

Na crônica “Pílulas” o escritor ítalo-argentino, Pittigrilli, de quem fui leitor compulsivo, escreveu que La Rochefoucauld nas suas máximas fez malabarismos com seus conceitos, “afirmando verdades relativas”; e completa seu comentário dizendo que verdades relativas não passam de “meias-mentiras”….

Este estudo condensado sobre a Verdade nos lembra que nos dias atuais a sua presença está esvanecendo no mundo; e rareia cada vez mais na vida política. Principalmente no Brasil.

A História nos traz muitos exemplos do reconhecimento e premiação da Verdade; lembro uma passagem com o “déspota esclarecido”, amigo de Voltaire, Frederico – O Grande: “Assistia o rei da Prússia a ida de um condenado à morte ao patíbulo, e reconheceu-o como um dos seus antigos suboficiais. Mandou que o aproximassem e perguntou-lhe: – “O que fez você? ”. Gaguejante, o preso disse: – “Roubei uma galinha, Majestade”.

– “E por uma galinha de tão pouco valor, você arriscou a vida? ”. O antigo suboficial replicou timidamente: – “Por Vossa Majestade, arrisquei muitas vezes a vida por dez cêntimos ao dia….”

O grande Frederico não titubeou em perdoá-lo em nome da Verdade: – “Deixem-no em liberdade”, ordenou, e mandou ressarcir o dono da galinha com vultosa quantia.

Assim, a Verdade pesou na balança da Justiça, coisa que as firulas jurídicas entre nós pervertem; temos certos juízes anulam processos por uma vírgula a menos, e soltam os corruptos condenados.

Inoportuno e nocivo também no chamado “País do Futuro” é o triunfo das meias-mentiras que entram em decretos suspeitos pondo em sigilo de 100 anos ações dos amigos do governo federal e familiares do Presidente. É certo que não há verdades absolutas, não existe, porém, qualquer dificuldade em se revelar a falsidade.

A liberdade de Lula e os dribles escapatórios dos sigilos de Bolsonaro, postos em debate mostram no cenário eleitoral as acusações mútuas que ambos fizeram no debate da Band…. Os brasileiros que os assistiram ouvindo verdades um sobre o outro e vice-versa, certamente “a Verdade os libertará…. ”

Diante da situação que vivemos, cresce-me a dúvida sobre o que é mentira ou verdade. Assumo o centro político ficando entre Pôncio Pilatos e Nietzsche. O romano, julgando Jesus Cristo, indagou a si mesmo o que é a verdade, e o genial alemão perguntou de si para si o que é a mentira….

 

 

 

 

STRESS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Bem-aventurados são os dóceis, porque eles herdarão a terra” (Jesus Cristo – O Sermão das Beatitudes)

A psicanálise freudiana aponta uma das neuroses doentias como “Neurastenia”, cujos sintomas provocam excitação emocional; e, nos fins do século passado apareceu outra versão, o Stress, a exaustão emocional com consequências físicas.

Pela sua origem, e posteriormente como sequela da covid-19, o Stress traz consequências mentais que afetam a qualidade de vida, provocando tensões. A palavra dicionarizada, Stress ou Estresse é um substantivo masculino originário do idioma inglês significando “tensão”, “pressão” ou “insistência”.

No Brasil adotou-se Estresse, enquanto em Portugal foi mantida a sua versão inglesa Stress, para definir a reação do organismo humano a agressões externas provocada por ansiedade, desassossego, excitação, frustração, impaciência, inquietação e preocupação.

Primo da Neurastenia, o Stress afeta o bom humor das pessoas. O seu tratamento psicoterápico é analítico; mas, paralelamente, há inúmeras indicações como a meditação e ervas de efeito tranquilizante. Nos Estados Unidos vem se usando em larga escala o canabidiol.

Pelos exemplos à volta, vê-se que não é fácil escapar do risco em adquirir a enfermidade, como é difícil de se libertar dela. As condições pessoais e sociais têm grande importância para a sua origem e o seu fim.

Ocorrências pessoais com relação a outrem provocam tensões, como o ciúme, a desconfiança, as paixões e os vícios. Entretanto, tudo é curável como demonstrou Jesus Cristo ao ser provocado pelos fariseus com a mulher pegada em adultério….

Só lembrando que Ele foi inquirido sobre a Lei de Moisés que manda apedrejar a adúltera. Contam as escrituras que Jesus abaixando-se pôs-se a desenhar a terra com o dedo e ergueu-se depois, com uma pedra na mão exclamou – “O que de vós estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”, e novamente ajoelhou-se voltando as desenhar na areia.

Passado um tempo e como ninguém tomou a iniciativa e todos se afastaram, o Nazareno ergueu-se, e virando-se para a mulher perguntou-lhe: – “Ninguém te condenou? ”, e ela respondeu: – “Não, Senhor”, e levou o Mestre ao próprio julgamento: – “Então, eu tampouco lhe condenarei; vai, e não peque mais”.

Essa parábola comove; e na nossa sensibilidade perguntamos aos adúlteros da verdade, como a “Senadora Brasiliense” (que vergonha!) Damares Alves, com a sua libido pervertida continuará a evocar mentiras para se exibir como defensora da moral. É um quadro da neurose atual, o “companheiro” Stress.

Quando apareceu no cenário político pelas mãos de obscurantistas religiosos, Damares disse que viu Cristo sentado num galho de goiabeira; por não ofender ninguém, foi uma alucinação perdoável; mas se continuar mantendo o pecaminoso adultério da verdade não receberá perdão sequer com benzedura de pastores oua água benta de padres ….

Diante deste quadro, não me canso de lembrar o notável pastor batista e ativista pelos direitos humanos, Martim Luther King, que disse: “a religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”, um recado direto aos delirantes maníacos depressivos fanatizados politicamente.

A obsessão sexual da Ex-Ministra, é a radiografia de corpo inteiro do Governo Bolsonaro. Elegeu-se apoiada pelos eleitores de Brasília para o Senado. Para estes faço uma paródia de Brecht: – “os que votam pelo desvario da demência não se enganam, igualam-se na libertinagem”.

… E se esses eleitores são “crentes”, certamente desconhecem o alerta do Sermão da Montanha em que Cristo os amaldiçoou dizendo: – “Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”.

 

 

ANTIGAMENTE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Antigamente usava-se canonizar os heróis; hoje vulgarizamo-los” (Oscar Wilde)

Recordar coisas antigas, histórias ouvidas dos pais, registros históricos colhidos na escola ou grifadas em livros de segunda mão, mexem com a nossa cabeça. De uma dessas fontes publiquei num dos meus artigos o que considero um dos exemplos clássicos do obscurantismo religioso.

Ocorreu numa visita que o célebre geógrafo alemão Alexandre de Humboldt, apaixonado pelas ciências naturais, visitando o papa Alexandre VII, seu contemporâneo do século 18, e ouviu dele o disparate de que os meteoritos eram pedras que caíam de uma fenda na abóboda celeste.

O triste é que não são apenas coisas de antigamente. Ainda hoje mentes refratárias à realidade fazem coisas idênticas; por exemplo, revolta-me saber que as Testemunhas de Jeová são contra a transfusão do sangue, levando pessoas necessitadas deste procedimento à morte…

É a contradição entre o amor pregado pelo Cristo e a desumanidade negativista da Ciência, coisa que vem ocorrendo entre nós com alguns pastores evangélicos que, por opção política, combatem a vacina contra a covid 19.

Lembro o grande Einstein dizendo que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente, provocando ilações para o raciocínio lógico.

Antigamente, na Grécia e na Roma considerava-se a Justiça uma deusa personificada por Themis, filha de Urano (Céu) e de Gaia (Terra); e bem mais tarde, quando os reinos da Inglaterra e da Escócia se aliaram, Malcolm IV assumiu o trono escocês.

Coroado, Malcolm reuniu os nobres do reinado e recebeu de um barão petição para recuperar os privilégios que perdera anteriormente; então pegou o pergaminho apresentado e mesmo sem o ler, rasgou-o.

O barão recorreu ao tribunal parlamentar que baixou uma inusitada sentença, mandando que o Rei, diante da corte, cosesse com agulha e linha o documento e assinasse a patente. Vê-se que então (no século 12) a Justiça, mesmo sem ser divina, funcionava.

Muito diferente dos dias atuais, quando a política adentra nos tribunais e a Justiça sai pela porta dos fundos…. E por isto, a desgraçada impunidade de criminosos é imposta, como vimos em relação aos corruptos condenados pela Lava Jato.

Falar sobre a Justiça é como girar numa roda gigante de baixo para cima e vice-versa; acusa-se elegantemente a pouca intimidade de muitos magistrados com o direito romano, o código processual inglês e a Constituição dos EEUU.

Não tomam conhecimento dos tribunais de exceção, nem a barbárie nazista estabelecida por Hitler, que escreveu no seu Mein Kampf que “o poder não se mantém com piedade”, e com Himler e Streicher montou os campos de concentração legalizando a escravatura, a tortura e a morte.

Na minha opinião, para ser jurisconsulto ou especialista no Direito positivo seria necessário, além de ralar a bunda na banca de estudos e folhear apostilas e livros, deveriam também conhecer os clássicos da literatura mundial. Aguçando assim a sensibilidade para os direitos humanos.

Para bem julgar com independência e humanidade,os juízes precisariam conhecer o poema do poeta norte-americano Carl Sandburg, que perguntou qual será a família dos homens no futuro; e ele próprio respondeu poeticamente:

“Só existe um homem no mundo/ E se chama Todos-os-Homens/Só há uma mulher no mundo/ E se chama Todas-as-Mulheres/ Só vive uma criança no mundo/ E se chama Todas-as-Crianças. ”

 

 

 

 

 

ABANDONO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Quem abandona a luta não poderá nunca saborear o gosto de uma vitória” (Textos Judaicos)

Sempre, em toda época e em todo lugar, aparece um curioso importuno. Outro dia li a notícia de que certa pessoa escreveu para o Papa Francisco perguntando se Deus era mesmo brasileiro. Essa alegoria é de tal modo repetida que se traveste de verdade, dando razão ao ministro nazista da Propaganda, herr Goebbles.

Até o momento em que escrevo este texto, não tomei conhecimento de que Francisco tenha se dado ao incômodo de responder ao missivista. Interessante é que andei matutando sobre o caso e acho que o abelhudo indiscreto merece uma resposta.

Se Deus é brasileiro ou não, pouco importa; mas seu filho Jesus Cristo no sofrimento da cruz, perguntou-Lhe com toda santidade: – “Eloi, Eloi, lamma sabactatani?”; (“Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste? ”).

Este abandono sofreu o povo brasileiro nas eleições; foi chicoteado e condenado a carregar a pesada cruz da insanidade polarizada onde ficará pregado pelos próximos quatro anos. Este quadro reflete a pergunta do Nazareno, abandonado pela Providência Divina.

Do alto do martírio a cidadania assistiu a cena macabra da escolha entre o ruim e o pior entre corruptos populistas, diferentes apenas pelos rótulos de direita e esquerda auto-assumidos, mas semelhantes pelas práticas.

Eis o exemplo que as urnas nos deixaram junto com o direito de perguntar ao Arquiteto do Universo na sua onisciência e onipotência, o porquê abandonou o povo que O aceita contrita e carinhosamente entre os seus nacionais.

Não foi difícil assistir a realidade – não das pesquisas enganadoras -, mas no giro de uma roleta com a bolinha de marfim atestando o número vencedor sob o olhar angustiado dos jogadores.

A bolinha saltitante atestou o fim da primeira etapa do jogo eleitoral, jogo que sabemos não é recreativo nem divertido, mas  recorda a constatação do matemático Bertrand dizendo que “a bolinha não tem consciência nem memória”.

Nem sempre os números perseguidos na mesa verde, sejam pares ou ímpares, vermelhos ou pretos, repetem-se sempre; fogem incoerentemente muitas vezes, negando as apostas. E o pior se dá quando as combinações extravagantes, misturam os cálculos políticos e a fé religiosa….

Será justo, porém, abandonar as apostas no destino por um resultado negativo? Na minha opinião, não; devemos insistir, mesmo sabendo que nunca será encontrada a fórmula matemática de se ganhar na roleta giratória.

A insistência em fugir do tormento de termos governantes egocêntricos, populistas e corruptos, evita que a eleição seja um jogo dos partidos “sopinhas de letras” e das ideologias inautênticas, mas gelatinas coloridas para aguçar apetites.

As urnas eletrônicas mostraram ser confiáveis. Se os eleitos não o são, a culpa é do eleitor masoquista que adota bandidos de estimação e goza com o sofrimento; o voto consciente e patriótico porém, ao contrário, exige educação e amor-próprio.

O futuro não é uma roleta girando, mas a consequência da ação política cidadã. Para que ele nos chegue radiante, com liberdade e justiça, devemos adotar o que ensinou Ulysses Guimarães: “A Pátria não pode se tornar capanga de idiossincrasias pessoais”.

 

JAZZ

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Meu maior medo é morrer sem que ninguém saiba de alguma contribuição que eu tenha dado para a criação musical” (Amy Winehouse)

Escrevo este texto mal saído do Museu Armstrong, onde fui reverenciar um dos meus ídolos musicais, Louis, ícone do jazz, a genial música proveniente do folclore afro- norte-americanos. O genial poeta Maiakóvski referiu-se a ele como a “alma do jazz”.

Como barítono e hábil em vários instrumentos de sopro, principalmente o trompete, Armstrong revolucionou o Blues pela improvisação harmônica e extraordinária combinação de sons. Na sua fulgurante carreira como “showman” na Broadway e no cinema foi considerado uma das personalidades mais influentes e importantes do jazz.

Como gênero musical, o Jazz teve origem nos fins do século 19 e posteriormente encontrado nos estados do sul dos EUA. No início dos anos 1900 foi adotado e desenvolvido por afro-norte-americanos, vindo das canções que os negros cantavam quando trabalhavam como escravos nos campos de algodão.

Como verbete dicionarizado, “Jazz” é um substantivo masculino que define um estilo musical único. Há diferentes opiniões sobre a sua etimologia. Alguns historiadores dizem que vem de uma gíria da região de Louisiana usada para expressar vigor, dança e dribles do Beisebol.

Outros estudiosos aprofundam mais, relatando que a palavra tem origem na África Ocidental e significa “coito”, ou da palavra hausá “Jaíza”, da cultura Hausá (povo do norte da Nigéria), significando “o som de tambores distantes”.

Bombou com a primeira ópera folclórica, Porgy and Bess, escrita por George Gershwin e estreou na Broadway conquistando os nova-iorquinos assumindo com uma posição ao lado dos produtores brancos de musicais.

É indiscutível a vitalidade do Jazz de Nova Orleans, influenciado pelo blues. Lá aparece praticado por bandas de instrumentos de sopro e percussão de latão que dão acentos melódicos ritmados.

Muitos anos atrás me arrisquei a fazer uma comparação com o frevo pernambucano, pela forte presença de instrumentos de sopro como clarinete, corneta, saxofone, trompete e tuba executando um estilo marcial improvisado; encontrei aqui a referência de que é uma mistura da música de bandas marciais e ritmos caribenhos, como o merengue e o reggae.

Não há controvérsias sobre a origem do Jazz nas canções e danças negras e que foi o cornetista Buddy Bolden, neto de escravos, que primeiro desenvolveu a fusão do blues e ragtime em ritmo sincopado. Não temos qualquer discordância também quanto a constatação de que se desenvolveu de diversas formas como mistura com outros gêneros musicais.

Não posso deixar de homenagear além de Louis Armstrong, notáveis jazzistas como Billie Holiday, Charlie Parker, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, John Coltrane, Miles Davis, Thelonious Monk.

É notável a variedade de subgêneros do jazz. Encontramos na dIscografia o dixieland, o Swing, o bebop e o fusion. No pós-guerra, Era da maior prosperidade norte-americana, surgiu o rock ‘n’ roll num saudável cruzamento do Jazz com Blues, Country; e alguns estudiosos acrescentam o Gospel. Com o rock o mundo ganhou a bela figura de Elvis Presley.

Com os olhos voltados para o Brasil, é inegável o valor do rock brasileiro, cujo maior amigo, defensor e divulgador é o tuiteiro @RadioRockPuro que, como seus parceiros pelo mundo afora, se preocupa com a realidade em que vive.

Em tempo de eleições, tão conturbado pelo extremismo Ideológico, é dele o equilibrado pensamento:  – “Discutir ideologias de um sistema político/social que vem desde o século XVIII e já esgotou, é muita estupidez. Não tem modelo a ser seguido. Precisamos é de um novo modelo. ”

É em busca disto que os verdadeiros patriotas defendem mudanças no mecanismo governamental populista (seja de direita ou de esquerda) que inevitavelmente se corrompe e contamina os municípios através da funesta rede de transmissão do Poder Legislativo controlado pelo Centrão.

 Então, sob o ritmo da liberdade que o Jazz nos proporciona harmonicamente, devemos formar uma poderosa corrente de opinião para transpor a decência, a honestidade e a retidão de propósitos para o campo político. Chega de populismo e sua companheira inseparável, a corrupção!

 

CUSTOMIZAR

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Crie seu próprio estilo visual… deixe-o ser único para você e, contudo, identificável para os outros” (Orson Welles)

Dos novos vocábulos que entraram no Dicionário da Língua Portuguesa sem bater à porta, tem um que gostei muito: “Customizar”. Este verbete é um verbo transitivo direto de origem inglesa “to customize”, que deu no adjetivo “custom” que para os norte-americanos significa “feito sob a encomenda”, “elaborado sob a medida”.

A palavra ganhou o mundo, expressando a reciclagem que leva a adaptar, modificar, transformar, alterar, mudar, reformar. Pessoas que cuidam do vestuário adoram bolar o reaproveitamento de roupas usadas.

Eu e minha mulher quando casamos inventamos adaptar as sandálias havaianas com lantejoulas e vidrilhos como acessório praiano. Péssimos comerciantes, nada ganhamos com isto, presenteamos as sobras com pessoas amigas.

Entretanto a customização pegou no mercado da moda, adequando vestidos e camisas de acordo com o gosto do freguês; hoje rasgando-as para parecerem como fizeram os hippies no século passado…. E entrou na informática pela adaptação de usuais costumes do usuário.

Customizar, como modificação e mudança, deveria entrar na política. Não sei se veremos isto no Reino Unido, após a morte da rainha Elizabeth 2ª e a assunção ao trono pelo príncipe Charles; mas no Brasil, tenho certeza, se ganharem a eleição Bolsonaro ou Lula, apenas teremos a adaptação do Centrão ao poder e a picaretagem dos corruptos se customizará.

A História mostra que na Grã-Bretanha as coisas sofrem necessariamente conversões e mutações. Lembro a passagem em que Churchill escolheu o “V” com os dedos da mão direita para simbolizar a vitória contra o nazi-fascismo e sofreu protestos de conservadores na Cornualha que consideraram a marca dos chifres do diabo.

A imensa maioria dos ingleses, porém, aceitou e usou a mímica do Primeiro-Ministro, que se espalhou mundo como ícone anti-totalitário.

Também entre nós nada é mais customizável do que a política brasileira. Uma figura notável das Minas Gerais, Magalhães Pinto, viu isto e divagou: – “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou…”

O triste é que essa costumização da política tupiniquim vai sempre para a pior moldagem; ajusta-se sempre aos interesses pessoais ou grupistas, principalmente como forma de corromper ou ser corrompido. Lembro meus tempos de menino ouvir Carlos Lacerda verberando contra os “corruptos e corruptores”.

Em verdade a coisa vem de longe, embora tenha sido institucionalizada nos governos lulopetistas e adotada pelos sucessores com as rachadinhas, os cheques suspeitos, a tentativa de compra de vacinas e as propinas dos pastores no Ministério da Educação. Nem vou falar da “Imobiliária Bolsonaro” que é manchete dos jornais.

Customizar para personalização dos detentores do poder é, sem dúvida, o estilo populista de governar e mais do que o prejuízo imediato sofrido pela Nação, sabe-se que o  populismo é o fascismo de fralda.

E por falar em fralda, sugiro que elas sejam customizadas em Brasília para cumprir o que escritor e pensador português Eça de Queiroz repassou inteligentemente: – “Os políticos e as fraldas devem ser trocados sempre pelo mesmo motivo”. Por isto apelamos para a criatividade do eleitor inteligente customize as fraldas políticas bordando-as com a negação do voto aos populistas corruptos.

Espero que um estalo leve ao brasileiro honesto preferir um terceiro nome na hora do voto, levando-o ao segundo turno contra um dos polarizadores da “direita” e da “esquerda”.

Desta maneira, com certeza,  derrotaremos a corrupção, o ódio e a violência que grassaram entre nós como uma peste maligna, infelicitando as pessoas de bem e degradando a política.

 

 

IMPOSSÍVEL

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Lembrai-vos que as grandes proezas da História foram conquistas daquilo que parecia impossível. ” (Charlie Chaplin)

Fazendo a sesta (de uns anos para cá obrigatória) chegou-me à lembrança entre um cochilo e outro a fábula dos insetos, em que quase todos, menos as borboletas, caíram na gargalhada quando a lagarta disse que ia voar. As borboletas sabem que tal milagre acontece sempre; para elas é rotineiro.

Talvez esvoaçando como uma borboleta, alguém escreveu que o impossível ocorre quase sempre. Atravessando agora a Era de plena mediocridade das elites mundiais e muito especialmente no Brasil, onde uma pororoca de idealismos insignificantes, ideologias distorcidas e personalidades medíocres parecem tornar impossível a nossa confiança no futuro.

Isto desorienta os mal informados e vacilantes. Lembramos-lhes porém que nem tudo está perdido. A Mentira reinante, de um lado e do outro, ainda não conseguiu alcançar os corações e as mentes da maioria dos brasileiros. Vamos então analisar e refletir em tempo de eleições.

Pelos inesquecíveis casos ocorridos nos governos lulopetistas, com o pelego Lula se regalando de propinas das empreiteiras, trazendo a sua condenação em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro. Quem tem memória sabe que não é por acaso que registra alta rejeição do eleitorado, apesar do ativismo condescendente da mídia e da militância.

É igualmente inegável a objeção negativista (a palavra cabe aqui como uma luva) ao capitão Bolsonaro. Pelas pesquisas de opinião de vários institutos, registra-se contra ele uma desaprovação maior que aprovação. Não tem caneta Bic, subserviência ministerial, verbas secretas para picaretas e distribuição de benesses, que diminuam este desabono eleitoral.

Vê-se assim, neste quadro surrealista, duas figuras disformes que trazem em si semelhanças indesmentíveis, com traços e cores quase iguais, na tela apreciada pelos seus admiradores míopes pelo fanatismo.

Em números contabilizados nas pesquisas igualam-se 30% para cada um, refletindo os votos cativos que possuem; e a sutil diferença percentual entre eles, reduzida, é de oito a dez por cento, sem levar em conta a margem de erro….

Nesta exposição não se justifica o ceticismo reinante ao surgimento de um “tertius” que desequilibre a macabra polarização entre o ruim e o pior. Esta descrença nos leva a divergências, censuras e até desaprovação coisas vistas antes das descobertas científicas sobre a circulação do sangue, a descoberta de bacilos e a criação de vacinas. Mas tudo foi superado ao longo da História.

Não é preciso citar também coisas que circulam na mídia, com o obscurantismo religioso combatendo o geocentrismo astronômico e mentindo sobre as vacinas; são insanidades dos que seguem uma religião mal-entendida e surfam beatamente na lama da ignorância.

Algumas opiniões mostram “que precisamos de mais pessoas especializadas no impossível”, como citou alguém que não me lembro quem e quando. Acredito que, em se achando esse especialista, ele encontrará decerto a maneira de livrarmo-nos do populismo corrupto, travestido de “direita” e de “esquerda”.

… E para derrubar as trincheiras do impossível, como foi feito com o Muro de Berlim, pensamos na renovação nas assembleias legislativas, no Congresso Nacional e mais audaciosamente na presidência da República que os dois populistas baratos Capitão Minto e o Pelego Lula, disputam, assemelhados pelos propósitos personalistas já comprovados.

ESTUDO

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

“Para nos fazer entender por um tolo são necessárias dez pauladas na cabeça; ao inteligente, basta uma palavra. ” (Provérbio persa)

Uma pessoa amiga que me segue no Twitter estranhou a minha orientação de assistir o debate presidencial da TV-Bandeirantes sem prestar atenção às mensagens, mas somente aos gestos.

É um pouco “acadêmico” explicar o aconselhamento, mas vá lá: É que gosto de seguir a psicologia dos gestos, olhares e trejeitos corporais, começando pela teoria do teólogo suíço Johann Kaspar Lavater que foi para o estudo da fisionomia o que Freud foi para psicanálise.

Um seguidor de Lavater, o médico alemão Franz Anton Mesmer, criou o conceito do magnetismo pessoal, uma força natural invisível possuída por todos os seres vivos, dando vida à proposição conhecida como mesmerismo.

Depois, sob a influência de Lavater e Mesmer, Cesare Lombroso defendeu a tese de que pelas características corporais distinguia-se o criminoso e que o “verdadeiro” delinquente, era nato.

Mais tarde, a análise bioenergética de William Reich vê o indivíduo em sua integralidade e a análise psiquiátrica pode fazê-lo encontrar-se com seu corpo, que respondendo às repressões geram tensão muscular, podendo controla-la para se adaptar às relações sociais.

… E o nosso contemporâneo Joseph Messenger, psicólogo, autor de vários best-sellers, afirma que 93% da nossa comunicação é não-verbal, e sim feita por meio de gestos, postura, expressões faciais e movimentos dos olhos.

Debulhando este rosário de laureados estudiosos e levando-os em consideração, encontro muito significado no conhecimento psicológico e biológico do caráter humano. (A veterinária que cuida dos meus gatos garante que isto se estende também aos animais).

Foi assim que observei o debate entre os seis presidenciáveis convidados pela Band, lamentando que ficassem de fora os outros seis que disputam o Planalto…. E tem mais: apesar das teorias enunciadas, acrescento que a inspeção gestual dos que foram ao show, obedece, não somente à cena estática, também ao ponto de vista do observador.

Da minha parte – admito discordâncias, pois não sou dono da verdade -, do meu modo de ver, dei atenção a esta diligência: senti, por exemplo, que o candidato Jair Bolsonaro (PL) estava mais tenso do que costuma estar e que o candidato Lula da Silva (PT) antes tão seguro de si mostrou-se com os nervos à flor da pele.

Ainda na minha opinião, achei o candidato Luiz Felipe d’Avila (Novo), se apresentando ludicamente, não por brincadeiras, mas chamando à uma recreação educativa; e que o candidato Ciro Gomes (PDT) pareceu estar na base de tranquilizantes, impondo-se cuidados e preocupado com a sua atuação.

As duas representantes do belo (respeitado e aguerrido) sexo feminino, Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil), revelaram otimismo, na firmeza de suas convicções; Soraya, garantida pelo mandato senatorial até 2027, e Simone transparecendo satisfação em expor as suas ideias como candidata â Presidência.

É assim que vi com estes olhos que a terra há de comer e exponho à maneira de me fazer entender, certo de que para os que cultivam respeito pela opinião alheia bastam umas palavras; e, dessa maneira poupo as dez pauladas para os estúpidos, por que não os tenho entre os meus leitores….