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Grampos: um general pretoriano na Abin

MIRANDA SÁ, jornalista

E-mail: mirandasa@uol.com.br

Escrevo sobre as mesmas idéias que transmito em conversas telefônicas com amigos, mesmo sabendo, eu e meus interlocutores, que nossos telefones podem estar grampeados. No meu caso, isso ocorre desde o regime militar, pois tive confidências de um sargento que serviu no SNI e, pasmem, esta investigação “política e social” é continuada.

Represento aquilo que os fascistas abominam: sou socialista autêntico, libertário, antiimperialista e contestador. Por isso preciso ser espionado – apesar dos 75 anos de idade! Essa prática totalitária só não se deu no curto governo Collor, com Itamar e nos três primeiros anos do primeiro mandato de FhC.

No segundo mandato tucano e com Lula da Silva, os grampos estão escrachados. Agora, têm disso certeza os presidentes de dois dos três poderes da República, o senador Garibaldi Filho, do Congresso Nacional, e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

É claro que o presidente Lula da Silva como sempre de nada sabe, o que não é por idiotia, mas pela esperteza inata dos pelegos sindicais. No fundo, porém tem conhecimento de tudo como agente do obscurantismo, informante ardiloso das transnacionais européias (leia-se alemães) e espião da AFL-CIO.

Dois a um é o placar do jogo que se trava na crise institucional dos grampos. Já no segundo tempo, aparece o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, negando a arapongagem da Abin, a herdeira do antigo SNI. Este general não passa de chefe da guarda pretoriana do Palácio do Planalto.

A negativa é para uso externo. O General calou-se nas reuniões emergenciais convocadas por Lula, que se mostrava desgostoso com as pressões sofridas, numa repetição enfadonha do caso Vedoin da burrice inconseqüente dos companheiros aloprados.

Félix não defendeu seus auxiliares da Abin afastados para dar satisfação pública para Lula da Silva se livrar de qualquer culpa. Saíram o diretor-geral, Paulo Lacerda, seu vice, José Milton Campana, e o diretor de Contra-Espionagem, Paulo Maurício, sem que o general pretoriano lhes defendesse.
Este silêncio cúmplice do general Jorge Felix rendeu-lhe a permanência na guarda palaciana, de onde – se a indignação do Pelegão fosse verdadeira – deveria ser demitido e, aí sim, arrastar consigo seus ajudantes-de-ordens.

Como uma caricatura da História, o lulismo-petismo precisa de militares como Jorge Felix, do jeito que o nazismo hitlerista precisou do marechal Göering para controlar a polícia da Prússia… Mas a Abin não tem a força daquela; quem realmente poderia ocupar espaço para o golpe continuísta é a Polícia Federal.

A PF, porém, está sob o controle matreiro, mais firme, do ministro Tarso Genro e recebeu de Lula a tarefa de abrir inquérito para apurar a denúncia de que a Abin grampeou os telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Foi outra paulada na moleira do general pretoriano Jorge Félix. Quem vai espionar para o PT-governo não é a Abin, mas a PF, que está encarregada de diligenciar e inquirir sobre a grampagem do STF, do Senado e de uma possível participação do banqueiro Daniel Dantas no episódio…

Esse panorama tragicômico se desenrola com apoio da propaganda fascista para blindar Lula da Silva. Os jornalistas chapas brancas apresentam um Presidente “irritado” com as escutas clandestinas, e enfático no pedido de investigação para descobrir os responsáveis pela espionagem!

Ocorre que o inquérito é mais piada. Repete pela enésima vez os inquéritos instituídos nos casos de Waldomiro Diniz, das sanguessugas, do mensalão, dos aloprados, de Delúbio, Zé Dirceu, Romênio e Paulinho da Força… Pobre Brasil!

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