Artigo saído n’ O METROPOLITANO
As pessoas comuns, Lula e Sarney
MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)
Faz 4 meses que uma maré de escândalos inundou o Senado, enlameando a vida política do país. O sistema de corrupção e a prática de atos ilícitos praticados por servidores e parlamentares corruptos revoltam a todos que sonham com um Brasil melhor.
Não é este o caso de Lula da Silva que defende José Sarney, responsável e usufrutuário das ilegalidades que são o alvo das denúncias. A amoralidade do Presidente levou-o a criticar a imprensa mais uma vez, acusando de “denuncismo” as reportagens investigativas, esteio da democracia.
Esta posição de Sua Excelência mostra o seu espírito pequeno-burguês ao dizer, como defesa prévia, que “Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum”.
Fica transparente para nós, pessoas comuns, o domínio de uma máfia política que os cúmplices da imprensa chamam de “corporativismo”. Esta constatação mostra ao país que hoje Lula é o 301º picareta, não surpreendendo ao se alinhar com Sarney porque não tem escrúpulos. Sem formação familiar, educado na escola do peleguismo sindical, não poderia tomar outra posição senão ficar do lado dos corruptos.
Este alinhamento é antigo Ocorreu com as sanguessugas, os mensaleiros, os aloprados, com Severino Cavalcanti, Jáder Barbalho e Renan Calheiros. Para o novo PT é uma política de resultados, o pagamento antecipado do apoio do PMDB para as eleições de 2010. Conquistando Sarney ganha os peemedebistas fisiológicos.
Ninguém de bom senso, com um mínimo de decência, deixa de se indignar com os abusos da burocracia do Congresso associada aos parlamentares patrimonialistas. E apenas se referindo a isto Lula tem razão quando disse que a crise é “um processo de denúncias sem fim”. Porque realmente as descobertas de ilegitimidades se multiplicam a cada dia.
E as matérias jornalísticas apóiam-se no quadro de permissividade pintado pelo PT-governo. Não se resume ao Congresso a falta de moral e de ética, a rotina dos subornos, e a decomposição da vida pública. Temos agora as suspeitas de ilicitudes que seriam levadas a efeito pela atual diretoria da Petrobras ampliando o desacerto entre a ansiedade dos brasileiros de colocar o país nos trilhos e o comportamento daqueles que ocupam o poder.
Entre os dois lados há um imenso hiato de condutas: pela ética individual, o cidadão honesto se diferencia muito dos profissionais da política, amorais e insensíveis. Há, entretanto, uma concordância com Sarney quando diz que a crise não é só dele.
É verdade que a crise é geral e epidêmica no conjunto das ações governamentais e partidárias dos ocupantes do poder. Esta é a razão de nós, pessoas comuns, discordarmos de Lula da Silva, quando fala que “Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.
O Presidente assume uma tremenda discriminação contra o povo trabalhador, funcionários, operários, médicos, moto-boys, professores, engenheiros e babás. É o deslumbramento do metalúrgico que chegou ao paraíso…
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