Artigo saído n’ O JORNAL DE NATAL desta semana
Mais uma traição de Lula da Silva
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Quebrando os acordos feitos com a oposição, o PT-governo nada mais fez do que repetir a prática de trair os acordos feitos a nível congressual. A PEC paralela da Previdência Social foi a primeira deslealdade pública, assumida pelos senadores que se fingem éticos, mas votam do jeito como quer a pérfida líder Ideli Salvatti. Nomes? Arns, Mercadante, Suplicy, Paim e Tião. Só se diferenciam da Cleyde, da Ideli, da Serys e do Sibá pelo discurso hipócrita e os projetos sociais cata-votos.
A posição de Lula da Silva não se discute. Pelego é pelego; busca apenas vantagens pessoais. No momento em que escrevemos este artigo, a excelente assessoria de imprensa da mídia petista distribuiu a notícia que Sua Excelência “deseja” um diálogo com a oposição para garantir a aprovação do aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Orçamento de 2008.
Não acredito numa oposição que precisa dos votos tucanos para formar maioria. Para negar quorum para as PECs e obstruir seções legislativas. Porque os tucanos, conforme a música; assim se viu na votação da DRU; o governo fez promessas – que não pensava em cumprir – e o PSDB fingindo que acreditava em Lula, aprovou a química contábil que mistura as verbas orçamentárias.
Diante deste quadro, não há o que negar que assistimos mais uma grande maracutaia do Pelegão. Primeiro, ficou comprovado que os pelegos não sabem perder; e, segundo, que não cumprem promessas. Os brasileiros mostraram nas pesquisas de opinião pública que eram contra a CPMF. Os senadores, sob pressão, evitaram a prorrogação dela e, quando foram examinar a DRU, caíram no conto do vigário.
O convívio democrático exige o contraditório: o governo governa e a oposição fiscaliza. Da parte do governo fica cada vez mais claro que o partido que ocupa o poder não se dá bem com a Democracia; para seus dirigentes não é aceitável perder politicamente. A maior prova disso vê-se agora, com o inconformismo em aceitar o fim da CPMF.
Do outro lado, espera-se que a oposição assuma o seu destino. Vêm aí outras votações de interesse do PT-governo e os tucanos não podem desta vez ficar só no discurso. Que Arthurzinho Virgílio mantenha a ternura, vá lá, mas tem que endurecer.
Não é possível aceitar-se a astúcia capciosa que somente os banqueiros pagarão sobre seus lucros. As operações de crédito das pessoas físicas, o IOF, será duplicado. E será pior com o aumento de 9% para 15% da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro. Tudo que o governo cobra da burguesia financeira, comercial e agroindustrial é automaticamente repassado aos consumidores por diversas formas.
O anúncio do pacotão para contrabalançar a perda da CPMF não traz apenas aumento de impostos, estabelece também o aumento da contribuição social dos aposentados e pensionistas. Será este o humanismo de Lula da Silva? Ou a social democracia da Carta do Recife? Ou o socialismo de frei Beto? Ou a filosofia dos obreiristas da USP? De maneira nenhuma. É o neoliberalismo envergonhado dos pelegos, que só engana quem não tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
A ação governamental fica cada vez mais transparente e só cai na conversa do lulismo-petismo os miseráveis ignorantes do Bolsa Família. Quem recebe um mínimo de informação sabe que para compensar a CPMF só será aceitável o corte de despesas, o que Lula da Silva não quer. Pelo contrário: ao apagar as luzes de 2007 tomou duas medidas imorais: a ampliação do Bolsa Família para jovens de 16 e 17 anos e a suspensão da fiscalização e controle das verbas distribuídas pelo governo às ONG´S fajutas do PT.
Essa maracutaia que alimenta ladrões com dinheiro público envergonha a Nação. Ampliar a distribuição de ajuda social aos novos eleitores desempregados e ajudar ONG´s penduradas em verbas oficiais sem prestar contas do que recebem, são medidas que só podem ser aceitas pela burocracia estatal e partidária dos pelegos no poder.
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