Artigo do jornalista Hélio Fernandes
Depois de 2 anos da habitual inércia e omissão
O ministro Joaquim Barbosa, “permite” julgar mensaleiros
O Supremo Tribunal Federal começa a examinar hoje, a denúncia do procurador geral, Antonio Fernando de Souza, contra os 40 envolvidos no escândalo que “marcou uma Era”, dos mensalões. Está muito bem fundamentada. (Antigamente, o procurador geral da República muitas vezes acabava no Supremo, o que podia acontecer com o atual, na vaga de Sepulveda Pertence.) Só que Lula quer nomear um índio, depois de uma mulher e um negro.
Lula quer completar o que chama de “meu ciclo democrático na Justiça, uma mulher, um negro e um índio”. Como já revelei, estão procurando nas malocas um índio que saiba ler Constituição.
O negro é Joaquim Barbosa, naturalmente nenhuma restrição racista. Mas Frei Betto, nas suas memórias, (ressentidas e que não deveriam ter sido escritas), ataca quase todos os amigos com quem trabalhou, agora ex-amigos. Conta como é que Joaquim Barbosa foi escolhido.
Está no livro de Frei Betto, textual, e o ministro não contestou, publicamente, como foi publicado no livro que ninguém leu.
Frei Betto, assessor importante de Lula, ficou revoltado de não sair dessa condição de assessor, conversou sobre o assunto com o presidente Lula. Como o presidente Lula ouviu mas não tomou providências, depois de algum tempo, pediu demissão. E escreveu o livro.
Conta histórias que não deveria contar, mas o critério, a decisão, e os direitos autorais pertenciam a ele, só ele poderia ser o promotor e o juiz da sentença de publicar.
Textual no livro: “Uma vez o presidente Lula me pediu que “arranjasse” (a palavra exata) um negro que pretendia indicar para ministro do Supremo. Um dia, no aeroporto, me apresentaram a um negro advogado, perguntei a ele se queria ser ministro do Supremo”.
Conhecendo o país onde nasceu e vive, Joaquim Barbosa, sem saber quem era Frei Betto, ficou indignado. Revoltado, disse que não admitia ser gozado dessa maneira. Frei Betto mostrou a carteira de assessor do Planalto e do presidente, acalmou o advogado, respondeu: “É verdade, o presidente quer nomear um negro para o Supremo, vou indicar você”.
Não estão em dúvida as credenciais de Joaquim Barbosa, o seu possível e exigido “notável saber jurídico e ilibada reputação”, pois nada foi examinado. Joaquim Barbosa viajou para o destino inicial já garantido como ministro do Supremo. (Ainda bem que não voou pela TAM ou pela GOL.)
Joaquim Barbosa está com o processo contra os 40 mensaleiros, desde maio de 2005. Levou portanto mais de 2 anos para colocar em pauta, hoje, a denúncia do procurador geral a respeito de um dos momentos mais corruptos de toda a história brasileira. É lógico que o Supremo receberá a denúncia do procurador geral, julgará os 40 personagens acusados de corrupção e muitos outros crimes correlatos.
Única dúvida: quanto tempo o Supremo gastará para examinar e julgar 40 pessoas, algumas que são poderosas e continuam influentes? Se o relator levou mais de 2 anos, para dizer, ACEITO a denúncia, ou REJEITO a denúncia, de quanto tempo precisarão os 11 ministros?
Fonte: Tribuna da Imprensa
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