Artigo de Miranda Sá p/”Jornal de Hoje”

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Olha o dinheiro do Pan aí, minha gente!

O crime organizado da política obedece aos mesmos rigores da Honorabile Società, a velha máfia siciliana, mãe de todas as máfias. Na chamada “classe política” domina um princípio: a solidariedade. Que bom exemplo tivemos agora, no início do processo de quebra de decoro parlamentar que o PSOL move contra o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. Renan procedeu mal na vida privada e na vida pública, cometeu adultério acumpliciado com um lobista de grande empreiteira e prevaricou para satisfazer seus próprios interesses.

Todos os seus colegas senadores tomaram conhecimento disto, mas tudo fizeram para que escapasse das denúncias. Para salvar-se, Renan chantageou, corrompeu, falsificou e fraudou. Mesmo assim mantém sobre o seu comando um numeroso grupo que o defende com unhas e dentes batizado pela imprensa como “tropa de choque”. É triste se ver as esquizofrênicas intervenções na tribuna do Senado para tapar o sol das evidências e distorcer a verdade. Cumpre-se a solidariedade dos bandidos.

O Presidente da República usou essa prática mafiosa para salvar seus companheiros do mensalão, as sanguessugas, os ministros autores de fatos delituosos, os “aloprados” do Dossiê Vedoin, filho, irmão e compadres. Como nunca antes neste país o solidarismo do crime funciona de cima para baixo com perfeição.

A secreta e silenciosa lei dos malfeitores obriga os beneficiados pela solidariedade criminosa, respondê-la sem discussão. E é obedecendo às regras da Mão Negra que o capo do Comitê Olímpico Nacional, Carlos Arthur Nuzmann, correligionário de Lula da Silva acorre para tentar esconder as vaias que o povo carioca lhe deu na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, agitando o Maracanã com um protesto saliente, definido e rumoroso.

As classes médias do Rio de Janeiro, livres da servidão do Bolsa-Família, sempre independentes e altivas na ação política e, acima de tudo conhecendo do que são capazes os pelegos do PT-partido, representou o Brasil livre no protesto contra a impunidade, a inépcia e a incompetência do Presidente da República. Os apupos foram para Waldomiro Diniz, Zé Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério, Zé Genoíno e Antonio Palloci, fortalecendo o princípio de que o povo não perdoa quem o atraiçoa.

Mas Nuzmann, como é para ser, não se conforma com isso. Pretende organizar uma “manifestação popular” em defesa de Lula da Silva. Para não deixar o parceiro que liberou três bilhões de reais para o Pan, que estava orçado em R$ 720 milhões! Obriga-se o cafetão dos desportos a reabilitar o seu padrinho, “Capo de tutti capi”. O plano é “convidar” Lula para o encerramento dos Jogos, através de um vídeo onde participarão atletas dando depoimentos de elogios ao Presidente e repudiando as vaias.

“Nós estamos fazendo sondagens para ver quem gostaria de participar, como tudo o que é feito na delegação brasileira. Então ainda estamos definindo como seria o formato desse apoio a Lula”, explica Marcus Vinicius Freire, chefe da missão Pan 2007. Não é para menos que a quadrilha do COB tem interesse nisto. Como Nuzmann pode ser mal agradecido a quem lhe deu régua e compasso para tirar o máximo em menos tempo das verbas públicas? Logo ele, sob as vistas, por irregularidades, do TCU…
Nuzmann, cuja cunhada, Mônica Conceição, é figurinista da equipe olímpica, faturando uma nota? Que contratou a agência de passagens de sua amiga íntima Cristina Lowndes para atender ao Comitê? Que é dono de uma empresa, a CO-Rio, que organizou a peso de ouro todos os eventos do Pan? Que através de uma carta-convite pagou a amigos R$ 720 mil só para “idealizar” as medalhas do Pan?

Enfim, Nuzmann, o amigo de Lula da Silva que está de olho na privatização da Vila Olímpica e da Marina da Glória! Só quero ver se será concretizada a “solidariedade” de Nuzmann a Lula, para gritar: “Olha o dinheiro do Pan aí, minha gente!”

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