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Abrindo aspas para Lúcia Hippólito:

Falta combinar com os russos

A reunião da oposição ontem em São Paulo mostrou que, por razões inteiramente distintas, Planalto e oposição estão concordando em não mexer nas regras eleitorais. Quem diria…Do lado da oposição, há muito tempo Fernando Henrique alerta para o risco. Extinguir a reeleição e adotar mandato de cinco anos pode agradar a José Serra e Aécio Neves, organizando a fila tucana, mas abre caminho para o presidente Lula tentar o terceiro mandato já em 2010 – e com grandes chances de vitória.

Do lado do Planalto, começa-se a construir um raciocínio muito semelhante, pelo menos nas premissas. Adotar os cinco anos sem reeleição é organizar a fila para o PSDB, entregando de bandeja uma solução que agrada a José Serra e Aécio Neves. Com cinco anos, se conseguir o terceiro mandato – o que não é nada simples, do ponto de vista constitucional – o presidente Lula deixa o poder em 2015 ou 2016 (se houver prorrogação de um ano). No entanto, a permanecerem as regras atuais – quatro anos com uma reeleição –, Lula deixa o cargo em 2010 e volta em 2014, sendo reeleito em 2018. Portanto, deixaria a Presidência da República em 2022. Bom à beça.Para tanto, nas eleições de 2010, ou bem a oposição elegeria seu candidato, ou Lula elegeria um poste, apenas para esquentar lugar.

Evidentemente, em 2014 o poste devolveria alegremente a Presidência da República a Luiz Inácio Lula da Silva. Bom, como todos os exercícios táticos, é preciso combinar com o adversário, com o eleitorado e com a situação econômica, em grande parte responsável pelos estratosféricos índices de popularidade do presidente. Índices que sustentam toda esta construção político-eleitoral. São inúmeras as variáveis a serem controladas, mas o essencial é que parece que oposição e Planalto estão convergindo no respeito às regras vigentes. Por razões inteiramente distintas e visando a objetivos também inteiramente distintos.

Mas o Planalto não abrange toda a base governista. É preciso combinar também com os amigões do presidente Lula, como o deputado Devanir Ribeiro, que com seu projeto de terceiro mandato pretende se cacifar para a reeleição como deputado em 2010, pegando carona em cauda de cometa.
Ou como o atual prefeito de Recife, João Paulo, petista que pretende ser governador de Pernambuco, contra o atual governador Eduardo Campos.Enfim, como dizia Garrincha, falta combinar com os russos.

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