POESIA

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Troversando

Do sucesso na subida
nunca te orgulhes demais
muito difícil na vida
é conservar o cartaz
(…)
Eu não explico a ninguém

pois ainda não compreendi
porque te chamo meu bem
se sofro tanto por ti.
(…)
Entre nuvens no infinito,

sofro a prisão mais prisão…
Sinto-me pássaro aflito
na gaiola de um avião.

Não rias do que te digo
mas sempre na nossa alcova
eu quisera estar contigo
como escova sobre escova.

(…)
Do meu coração me espanto!

O amor só me deu pesar,
como tendo amado tanto
tenho ainda amor para dar?!…

Gilka Machado

Gilka da Costa Melo Machado poeta fluminense(Rio de Janeiro 1893 – Idem 1980) foi uma mulher avançada em relação ao seu tempo. Como poeta, foi combatida veementemente por parte dos escritores modernistas, mormente pelo poeta, romancista e ensaísta paulista Mário de Andrade (São Paulo 1893 – 1945) que a achava escandalosa. Os poemas audaciosos de Gilka desafiavam os preceitos e a conduta moral de seu tempo colocando pânico nos falsos moralistas do início do século (hoje existem muitos ainda).

Seus versos falam da condição feminina, expondo de forma ousada para a época o desejo da mulher se libertar das amarras machistas daqueles tempos. Em 1933, Gilka foi eleita “A Maior Poetisa do Brasil”, por concurso da revista “O Malho”, da cidade do Rio de Janeiro. Em 1979, a escritora foi agraciada com o prêmio “Machado de Assis”, da Academia Brasileira de Letras.

(…)Publicado no livro Velha poesia (1965).

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