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Chega de enganação

É até vergonhoso dizer, mas as notícias que lemos sobre o governo federal a cada dia nos causam mais engulhos. Na Quarta-Feira de Cinzas, lemos duas matérias sobre os famigerados cartões corporativos, que se tornaram eficiente instrumento para indecente locupletação com o dinheiro público. De um lado, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) solicita uma CPI para acabar com a mamata, com argumentos sensatos e bem comedidos em suas perspectivas sobre a apuração dos fatos. Do outro, a informação de que o Presidente determinou a distribuição indecente de cargos públicos para o PMDB, que não se perde por falta de oportunismo, para evitar a indigitada CPI. Ou seja, pretende comprar os votos dos deputados e senadores do PMDB à custa da eficiência e lisura na administração pública, nomeando os cupinchas dos abnegados legisladores, que, evidentemente, passarão a ter o direito de utilizar os tais cartões, ao mesmo tempo em que o tal Portal da Transparência já não vai sendo tão transparente assim.

É muita cara-de-pau, convenhamos, e Collor foi defenestrado por bem menos, se somarmos todos os escândalos até agora. Já não basta ter em sua equipe ministerial elementos que beiram o ridículo, com declarações absurdas, como a do ministro do Planejamento tentando ridicularizar a CPI como se fosse a da tapioca, quando até meu netinho percebeu como estão apavorados com a real apuração dos fatos, e não com essa enganação pueril que estão tentando nos impingir, insultando, e muito, a nossa inteligência com frases vazias e justificativas infantis? Ora, é evidente, pelo pouco que se levantou até agora, que o Tesouro Nacional sofreu um rombo considerável com essa maracutaia petista. Diversas compras realizadas pelos seguranças do presidente são tão ridículas ou mais do que a prosaica tapioca, uma vez que foram efetuadas com dinheiro público.

A rigor, nem o combustível usado pelo ex-presidente deveria ter sido adquirido com o cartão, pois bastaria o governo federal estabelecer convênios com as prefeituras e os Estados, que normalmente têm contratos para fornecimento via Petrobrás ou sua subsidiaria BR (a Prefeitura de São Paulo, com certeza), a preços menores que os cobrados do público em geral, nos postos particulares. E essa prática pode estender-se a número enorme de produtos. Seria mais produtivo o governo deixar de perder tempo com tanta enganação e conduzir melhor os negócios da Nação.

Gilberto Pacini (benetazzos@bol.com.br)

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