DAS DROGAS

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MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Segundo a mitologia greco-romana, arte de curar com drogas preparadas com ervas medicinais se deve ao filho do deus Apolo com a mortal Corônis, Esculápio, abandonado pelos pais e criado pelo Centauro Quíron.

Seu nome latino deriva do grego Asclépio. Segundo a mitologia ele aprendeu a arte de curar com o seu tutor e passou a atender enfermos com remédios simples, fazer cirurgias até ressuscitar mortos. Postas no Panteão, as suas insígnias eram a serpente ao redor de um bastão, figura que nos círculos médicos e farmacêuticos vigora até hoje mundo afora.

Conta a lenda que Zeus – o rei dos deuses – ficou enciumado pelos triunfos obtidos por Esculápio e matou-o com um raio. Pela subversão da ordem natural das coisas, após sua morte, ele foi recebido no Olimpo como um deus….

Também da antiga Grécia reverenciamos a presença de Hipócrates de Cós (c. 460 a.C. – c. 370 a.C.) médico grego da era de Péricles reconhecido no mundo ocidental como o “Pai da Medicina”. Vigorava com Sócrates a Filosofia e a arte teatral de Sófocles e Eurípides.

Talvez não ensinem hoje a vida de Hipócrates que, segundo seus biógrafos, revolucionou a Medicina ao separá-la da superstição, da magia e da religião, estabelecendo-a como uma disciplina científica baseada na observação clínica.

Nas suas anotações trouxe várias citações sobre o tratamento medicamentoso usando remédios, fármacos, medicações e drogas preparados por plantas medicinais, como o ópio, a mandrágora e a beladona.

Hipócrates também deixou um importante legado, seu famoso Juramento, recitado ainda hoje por todos os formandos de Medicina dos países europeus e os países por eles colonizados…. O Juramento é um documento ético que estabelece os princípios da conduta médica e a responsabilidade profissional.

Ao longo da minha vida conheci médicos que cumpriam o Juramento, com decência, honestidade e, sobretudo, humanismo; vi também o avesso, charlatães da ciência médica explorando os pacientes.

Um desses personagens do bem, meu contemporâneo nos tempos estudantis e depois de formado em Medicina foi residir numa reserva indígena na Paraíba, e contou-me ter vivido a experiência de aprender com um Pajé estudioso da fauna e da flora, de onde recolhia elementos de cura.

De valor incomensurável, segundo o meu colega, vem das abelhas selvagens polinizadoras das plantas nativas, o mel, alimento completo e, como remédio, tem comprovada eficácia no alívio da tosse, cicatrização de feridas e cura de infecções.

De acordo com pesquisas científicas, a sociedade das abelhas é um impressionante exemplo de organização no mundo animal. Seu Estado é a Colmeia, onde vivem três castas principais: a rainha, as operárias e os zangões. Chega a dispor de milhares de indivíduos.

A rainha é responsável pela reprodução, podendo pôr milhares de ovos ao longo da vida; as operárias, estéreis, realizam todas as tarefas: coletam néctar e pólen, produzem mel, constroem os favos e defendem a colmeia. Já os zangões têm a função de fecundar a rainha.

Achei na arte cinematográfica uma interessante ficção sobre a apicultura, a Colmeia e a política. É “Beekeeper: Rede de Vingança“, filme de 2024 dirigido por David Ayer, que traz ação e suspense envolvendo o suicídio de uma curadora de entidade humanitária, que se suicida por ver roubado de sua conta bancária o dinheiro sob sua responsabilidade.

Um vizinho o apicultor Adam Clay, a quem ela cedeu parte de sua propriedade para cuidar de abelhas, se revolta e decide se vingar e agindo descobre uma organização criminosa que atuava com golpes online sobre as aposentadorias e pensões de idosos.

Como ex-agente de uma poderosa sociedade secreta, os“Beekeepers”, Adam descobre os responsáveis e os persegue, punindo-os e conseguindo a informação de que o chefe é o filho da presidente dos EUA. Ele cumpre um dos princípios básicos dos “Beekeepers”, que é garantir o Estado e o Governo como uma Colmeia, e quando os poderes falham por causa de filhos degenerados da rainha, ela precisa ser eliminada.

Este filme abre um cenário interessante e simbólico: Vendo a degenerescência da Colmeia brasileira que em vez de mel nutritivo e medicamentoso, produz drogas viciantes e letais através dos poderes corrompidos, cabe aos verdadeiros patriotas punir as abelhas desonestas, os zangões corruptíveis e a rainha depravada.

 

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