POESIA
MEU POVO, MEU POEMA
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova.
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar.
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro.
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil.
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta.
Ferreira Gullar.
No dia 10 de setembro, nasce o poeta Ferreira Gullar, em São Luís, Maranhão. No cartório, José Ribamar Ferreira — estreou em poesia em 1949 com o livro Um Pouco Acima do Chão
No início dos anos 60, o poeta dedica sua poesia mais a temas sociais e ao engajamento político. Como frutos dessa virada, ele escreve os poemas de cordel João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer e Quem Matou Aparecida?.
Em 1964, ele filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Em 1971, com o recrudescimento da ditadura militar, partiu para o exílio (Rússia, Chile e Argentina), de onde retornou em 1977. Na Argentina, Ferreira Gullar escreveu o Poema Sujo, livro lançado em 1976, com o poeta ainda no exílio.
Na opinião de alguns críticos, Ferreira Gullar é atualmente uma das vozes mais expressivas da poesia brasileira. Um traço forte da obra desse maranhense-carioca é a alta taxa de vida imediata que se pode encontrar em seus versos.
Saiba mais sobre Ferreira Gullar no site http://portalliteral.terra.com.br/ferreira_gullar/
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