POESIA

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Felina

Minha animada boa de veludo,
minha serpente de frouxel,
estranha, com que interesse as volições te estudo
Com que amor minha vista te acompanha!

Tens muito de mulher, nesse teu mundo,
lírico ideal que a vida te emaranha,
pois meu ser interior vejo desnudo
se te investigo a mansuetude e a sanha

Expões, a um tempo langoroso e arisca,
sutilezas à mão que te acarinha,
garras à mão que a te magoar se arrisca

Guardas, ó tato corporificado!
A alta ternura e a cólera daninha
do meu amor que exige ser amado!


Gilka Machado (1893 – 1980) Publicou seu primeiro livro de poesia, Cristais Partidos, em 1915. Na época, já era casada com o poeta Rodolfo de Melo Machado. Em 1932 foi publicada em Cochabamba, na Bolívia, a antologia Sonetos y Poemas de Gilka Machado, prefaciada por Antonio Capdeville. Em 1933, Gilka foi eleita “a maior poetisa do Brasil”, por concurso da revista O Malho, do Rio de Janeiro. Poeta simbolista, Gilka Machado produziu versos considerados escandalosos no começo do século XX, por seu marcante erotismo. Para o crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, ela “foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma”.

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