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Problema para os deuses dos estádios (1962×1970)

Copa dos Sonhos II

*Por UGO GIORGETTI

O jogo entre a seleção de 62 e a de 70 seria difícil e um empate não seria improvável.
Eu, se tivesse que apostar, apostaria nele.
Os pontos fortes das duas equipes eram os ataques.
E no ataque, dois nomes de cada lado: de 62, Garrincha e Amarildo. De 70, Pelé e Tostão.
As meias canchas eram mais ou menos equivalentes. Zito, Didi e Zagalo, contra Clodoaldo, Gerson e Rivelino.

As defesas não eram grande coisa: a de 62, lenta e envelhecida, a de 70, mais jovem, mas tecnicamente bem mais fraca.
A pergunta é: como evitar que Pelé, Tostão (e Jairzinho) ficassem mano a mano contra os veteranos Mauro Ramos de Oliveira, Nilton Santos e o fraco Zózimo?
A questão do outro lado é: teriam Brito, Piazza e Everaldo alguma chance contra Garrincha, Amarildo (e Vavá)?

Tenho a impressão que Clodoaldo iria jogar junto de Everaldo para o primeiro combate contra Garrincha, o que obrigaria Rivelino a recuar muito para compor o meio de campo com Gerson e, consequentemente, enfraqueceria um pouco o ataque.
Em compensação, do outro lado, ninguém estava acostumado a marcar jogadores sem posição fixa, abrindo grandes possibilidades principalmente para Tostão e Jair nos contra ataques.
Aparentemente a seleção de 70 leva alguma vantagem pela juventude.

No banco, porém, a de 62 tinha um treinador que enxergava o jogo como poucos: Aimoré Moreira.
E finalmente um ponto importantíssimo.
A seleção de 62 tinha um grande goleiro, a de 70 não.
Suponhamos, porém, que Felix estivesse num de seus grandes dias (como contra a Inglaterra), daí tudo ficaria de novo equilibrado.

E o resultado ficaria por conta dos deuses do futebol, caprichosos e imprevisíveis.
Acho que ao ver tantos craques em campo os deuses não deixariam o acaso, o lance isolado, a falha inesperada, decidir o resultado.
Generosamente optariam pelo empate.

*Ugo Giorgetti é colunista de “O Estado de S.Paulo”, diretor de cinema de mão cheia. E poeta.

Fonte: Juca Kfouri

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