Publicado n’ O Jornal de Natal

Comentários desativados em Publicado n’ O Jornal de Natal
Compartilhar

O circo político abafou a CPI da Petrobras

 MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Muitos senadores já estavam com as passagens no bolso para viajar aos seus estados de origem quando sem nenhum brilho se instalou a CPI da Petrobras. Nem os maiores defensores da nossa empresa-símbolo, querendo livrá-la dos desvios da corrupção, tomaram conhecimento disto.

É que o circo político foi um espetáculo extravagante, embora indecente, no correr da semana do fim do recesso parlamentar. A apoteose durou dois dias; na 4ª feira, José Sarney exibiu seu talento de mistificar; e na 5ª feira Renan Calheiros e Artur Virgílio duelaram, ocupando o procênio.

O choque das forças antagônicas produziu o equilíbrio de uma carta aberta de um grupo de senadores de oposição levou a Sarney, expressando o desejo de vê-lo afastado da presidência para permitir a independência na apuração das denúncias contra ele.

O interessante é que a moção oposicionista coincide em gênero, número e grau com a proposta do senador Aloísio Mercadante, mas não contou com uma só assinatura petista. Uma questão de forma: se tivessem pedido ao líder da bancada do PT para redigir a carta, o conteúdo seria praticamente o mesmo.

Mercadante, inclusive, fez críticas ao documento nesse sentido, considerando que faltou humildade aos oposicionistas para reconhecer a convergência com a posição dos petistas. Tive a oportunidade de retrucar, dizendo não se tratar de humildade, mas falta de método dialético de análise.

Esta falta de visão dos dois lados do problema é também uma carência dos petistas quando se trata de investigar as denúncias que pesam sobre a Petrobras. A tese de que é preciso apurar possíveis fatos sob suspeição na estatal, não tem como antítese um ataque à estatal. Pelo contrário, passar a limpo certas práticas atualmente vigentes é uma síntese patriótica.

A Petrobras não é só grande do ponto de vista econômico; é gigantesca como símbolo da emancipação nacional. Por isso não pode pertencer a um partido nem deve ser controlada por uma burocracia corporativista.

Os verdadeiros donos da estatal somos nós, os brasileiros. Assim sempre pensaram o nacionalistas que lutaram por ela e hoje, consolidada, pertencendo aos 700 mil acionistas. Acredito que todos querem uma CPI distante da politicagem senatorial.

Nem interesses lobistas nem muito menos o pânico que domina as hostes governamentais podem se atrever a barrar as investigações.  Sejam de que partidos forem, os membros da Comissão serão responsáveis perante a Nação.

Gosto de dizer que a credibilidade do Poder Legislativo está em jogo. O Senado, falando pela Federação, é obrigado a ser ético, e não somente sê-lo mas mostrar-se como tal, defendendo os interesses nacionais e populares, revelando a política seguida pelos atuais diretores da Petrobras.

É imperioso explicar o empréstimo feito na Caixa Econômica Federal, a misteriosa alteração contábil sob protestos da Receita Federal e o anti-democrático aparelhamento partidário nos cargos de mando na administração. Não deve-se deixar sem resposta as suspeitas levantadas pelo Ministério Público, o Tribunal de Contas da União e a Polícia Federal.

Faz-se  necessário e fundamental apurar-se  os contratos de construção das plataformas de petróleo, o superfaturamento da Refinaria Abreu e Lima e o abundante caudal de verbas distribuídas a entidades ligadas ao PT , partidos dependentes e a capangagem dos pelegos sindicais.

Vamos ver se nesta semana que entra, o patriotismo ocupe o tablado da interpretação política. Que cada senador – principalmente os que teem assento na CPI – seja cobrado pelos eleitotes desejosos de repor a Petrobras na cena majestática da História do Brasil.

 

Os comentários estão fechados.