Artigo publicado ontem n’ O JORNAL DE HOJE
A escola que Cristóvam Buarque quer…
MIRANDA SÁ, jornalista (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
O senador Cristóvam Buarque, que usa a legenda do PDT, assumiu a desonrosa posição – pública – de falta de palavra e de caráter retirando a sua assinatura de convocação da CPI da Petrobras. Envergonharia decerto o grande líder trabalhista Leonel Brizola se vivo fosse.
Infelizmente para os verdadeiros trabalhistas este opróbrio não é isolado. Faz parte do comportamento dos pelegos que ocuparam o partido brizolista para atender interesses pessoais, vantagens políticas imediatistas e, porque não dizer, dar curso à vocação de sabujo do poder dominante.
Cristóvam Buarque com o seu escapismo não perdeu apenas a sua credibilidade; humilhou àqueles que ainda acreditavam no seu empenho pela Educação Pública democrática e de qualidade como sonhavam Brizola e Darcy Ribeiro.
Hoje se vê que a escola que o senador de Brasília quer vai ensinar a falta de patriotismo, dar lições de covardia e a fuga da responsabilidade política e social.
Senão vejamos. É ou não é covardia fugir da necessidade de investigar o assalto que os pelegos do lulismo-petismo fazem na Petrobras? É ou não fugir à responsabilidade argumentando cinicamente questões de forma para trair um compromisso?
É, acima de tudo, falta de patriotismo varrer para debaixo do tapete as suspeições de gestão desonesta na grande empresa estatal que apresenta visíveis indícios de fraudes em licitações de plataformas e superfaturamento na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
É falta de patriotismo esconder os sinais de adulteração nos pagamentos dos royalties manipulada pelo diretor da ANP, Victor Martins, para favorecer no repasse alguns municípios – seus clientes.
É falta de patriotismo o uso de ardis fiscais para pagar menos imposto, falsificando a contabilidade da empresa e sonegando tributos federais.
Esse comportamento anti-nacional, fica consubstanciado na tentativa de barrar a convocação da CPI da Petrobras. E deixa translúcida a sofreguidão desonesta do lulismo-petismo manobrando para adulterar a convocação da CPI, ameaçando e corrompendo, com o manobrismo típico da pelegagem sindical.
Escrevo este artigo com os olhos no passado de lutas em defesa do monopólio estatal do petróleo e da Petrobras nos anos 50 do século passado. Costumo dizer que quando ameaça chuva, ainda me dói na testa uma cacetada que levei da polícia de Dutra ao participar de um comício da Liga de Emancipação Nacional na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro.
As manifestações cívicas que nos levavam às ruas fazem-me evocar a memória dos meus pais e minha irmã, que saíamos de casa de mãos dadas e ardor patriótico para as reuniões populares em defesa das riquezas naturais do Brasil, eterna cobiça dos aventureiros transnacionais.
Com esta moral histórica quero repudiar o péssimo educador Buarque e o seu abominável exemplo de poltronice; quero também louvar os 29 senadores que assumiram as investigações que farão a assepsia necessária na nossa Petrobras.
Cristóvam Buarque é como mulher de malandro quanto mais apanha mais gosta. Foi demitido por Lula da Silva do Ministério da Educação por telefone. Foi preterido pelo Planalto em seus planos na Unesco e continua subserviente.