Poesia
LADAINHA
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-
corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
Cassiano Ricardo
O Poeta
Poeta e ensaísta ativo, membro da Academia Brasileira de Letras, Cassiano Ricardo começou parnasiano, foi modernista de primeira hora e, já sessentão, manteve intenso diálogo com as vanguardas (poesia concreta, poesia práxis etc.).
Mesmo assim, ele é hoje um escritor quase clandestino: estranhamente, não se encontra nenhuma de suas obras nas livrarias, nem mesmo uma antologia.
Cassiano Ricardo Leite, nasceu em São José dos Campos, SP, em 1895 e morreu no Rio de Janeiro em 1974
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