Ao Debate (2):
Uma nova elite política
“Antes, fiéis à linguagem marxista, os petistas invocavam os “trabalhadores”. Depois, provavelmente sem o saber, tornaram-se “paretianos” e passaram a invocar o “povo” ou os “pobres” – isto é, as “massas”. O discurso reinventado reflete adequadamente a novidade de fundo: a ascensão de uma nova elite política. “Elite”, assim no singular, que se reproduz ao longo de séculos, sempre igual a si mesma, só existe na matreira delinqüência intelectual de Lula. Na sociologia existem elites políticas, econômicas, intelectuais, religiosas.
Há, sobretudo, uma “circulação das elites” – um fenômeno cujos indícios, entre nós, abrangem o elegante declínio dos quatrocentões paulistas, que consomem as rendas vestigiais de antigos patrimônios, a decadência ruidosa dos usineiros nordestinos, pendurados nos favores indecorosos dos governantes de turno, e também a configuração de uma “classe política” que faz do cargo público uma plataforma para a ascensão social. Renan Calheiros, um homem de origem humilde, é a ilustração mais atual deste último processo”.
Demétrio Magnoli, articulista do Estadão
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