Comentário (III)
Relevância Histórica
“A denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, ao Supremo Tribunal Federal (STF) tem relevância histórica, pois é a primeira peça judicial que desvenda o novo padrão de corrupção política engendrado por essa elite. As redes de corrupção tradicionais operam ao redor de uma camarilha política informal, que controla um segmento do aparelho de Estado. A rede do “mensalão” operou sob a égide de uma máquina partidária centralizada, dirigida a partir do âmago do Poder Executivo e ramificada em diversos órgãos públicos e empresas estatais. A operação não estava a serviço do enriquecimento imediato de um grupo de pessoas, mas da consolidação e reprodução futura da nova elite – como, usando outras palavras, constatou Delúbio Soares em sua defesa diante da direção do PT, na hora da expulsão inevitável.O plenário do STF deliberará, nos próximos dias, sobre a abertura da ação penal. Juridicamente, o que está em jogo é a conversão em réus de 40 indivíduos, entre eles algumas figuras que conservam acesso amplo ao núcleo do governo. Mas, no plano político, começam a ser definidas as regras do jogo da “circulação das elites” no Brasil. Os juízes do maior tribunal podem fazer História. Ou, alternativamente, reduzir o Judiciário à condição de Poder subordinado”.
Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP(magnoli@ajato.com.br)
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