Míriam Leitão comenta
Babá do mercado
As empresas salvas da falência neste fim de semana pelo Tesouro americano têm um tamanho igual a 40% do PIB dos EUA. A chantagem de “grande demais para quebrar” cabe perfeitamente nelas. A operação é uma enorme transferência de renda para os mais ricos, para os credores das dívidas imobiliárias. A operação se enquadra no que o economista americano Dean Baker define como “o Estado babá”.
Ninguém tem dúvidas de que Fannie Mae e Freddie Mac são os dois pilares do sistema financeiro americano, mas elas só chegaram à situação de terem que ser resgatadas com um cheque de US$ 200 bilhões porque o mercado, o Tesouro e o Fed falharam.
Os bancos burlaram regras prudenciais, aceitando que seus avatares nos mercados de mais riscos assumissem posições inceitáveis. Os fundos fraudaram a confiança dos investidores maquiando ativos podres com um pouco de papéis bons. As agências de classificação de risco falharam por má-fé ou incompetência quando deram boas classificações a estes papéis híbridos.
Fannie Mae e Freddie Mac falharam quando aumentaram sua exposição a todos esses riscos. O Fed e o Tesouro falharam porque não viram a bolha, os riscos e as fraudes. Bom, agora só resta a eles todos saber o que fazer com o discurso conservador (ou liberal, como se diz no Brasil) de que o mercado tem correções para seus próprios erros.
Leia a íntegra em Panorama Econômico
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