Os mortos e a Nação
“Top, top”. O gesto obsceno do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia se inscreve na mesma ordem de coisas que o ‘relaxa e goza’ da ministra Marta Suplicy, com o qual compartilha a obsessão pelo ato sexual e a vulgaridade sem álibi dos bem-nascidos e bem instruídos. Essas manifestações icônicas de um tempo e de um governo revelam no plano formal o que eles pensam da Nação. Mas seus conteúdos também são esclarecedores.
A Ministra escolheu a linguagem do meretrício para dizer que os cidadãos devem renunciar aos seus direitos, inclusive o de protestar, sublimando como fatalidade aquilo que decorre das ações e omissões do governo. O Assessor Presidencial usou o mesmo registro para celebrar uma notícia que supostamente desviaria os olhares dessas ações e omissões.
Esse homem pragmático, um aparatchik da nova elite lulo-petista, não se preocupa com duas centenas de mortos e, como seu chefe, converteu a imagem pública do governo na sua prioridade absoluta.Mas essa é a moral dele, não a nossa. O interesse público exige uma nítida identificação de responsabilidades, que não se confunde com atribuição de culpa. Os culpados pela tragédia de Congonhas só serão conhecidos por meio da investigação técnica do acidente. Os responsáveis estão à vista de todos.
Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP (magnoli@ajato.com.br)
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