Crime e corrupção
“O jovem que se vê desamparado pelo Estado se aproxima do crime, que lhe fornece melhores meios de vida, em que, pelo menos, pode levar à sua mãe um pouco de conforto. A sedução pela vida mais fácil, ainda que perigosa, é o que arrebata o jovem sem expectativas. Daí a perda de valores que deveriam imperar. Pátria e família passam a ser artigos de luxo. Justiça nem sonhar. É mais fácil e rápida a solução do “tresoitão”. Para que perder tempo com futilidade, se ele pode resolver tudo de forma rápida e eficiente? Por quanto tempo se pode aguardar soluções do Estado? Ainda mais deste Estado corrupto e que protege os mais iguais, à imagem de George Orwell (“A Revolução dos Bichos”).
A vida certa não compensa. A senda criminosa oferece mais conforto, melhor situação perante os iguais, uma vez que dá respeito. Se não tem o respeito do Estado como cidadão, irá ter o dos outros, seus asseclas. A conseqüência da perda de valores se equipara ao bandido oficial que desvia recursos públicos. Quem é mais culpado? Ambos agridem a sociedade. Um, pela perda do paradigma; outro, por desvio de comportamento. Um é pobre e foi violentado pela sociedade; o outro é rico e desconhece limites.
Ambos são criminosos. O periférico agride a sociedade em que vive porque não é por ela respeitado. O central impede que o outro possa ter recursos para dignificar sua vida. Um tira a chance do outro. Ambos são culpados. Um leva o perdão da cruz. O outro deve ser crucificado”.
Regis Fernandes de Oliveira, desembargador aposentado e professor titular da Faculdade de Direito da USP
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