Aeroportos: Conversa fiada para enganar “trouxas”
“Desde que se instalou a crise no sistema aeronáutico brasileiro vemos pipocar, a todo instante, dezenas de recém-chegados “experts” fazendo análises as mais teóricas e apontando causas e soluções as mais esdrúxulas, distantes, na prática, da real situação em que se apresenta o problema. Em 20/7, assistimos à senhora chefe da Casa Civil desempenhando o teatral papel de grande conhecedora do assunto, como se entendesse alguma coisa do que dizia. Às tantas, prometeu a construção de um novo aeroporto em São Paulo. Pergunto: onde? Não existem, há mais de quatro décadas, sítios disponíveis na cidade para um novo aeroporto.
Por isso se construiu o de Cumbica, na área da antiga base aérea. A solução para o sistema aeroportuário em São Paulo é uma só: construir a terceira pista e o terceiro terminal de passageiros em Guarulhos. Limitar a esse aeroporto, exclusivamente, os vôos nacionais e os internacionais de curto alcance, ou seja, dentro da América do Sul. Em Viracopos, ampliar e modernizar os terminais de passageiros e pátios para suportar todas as demais operações internacionais. Construir uma linha de trem de alta velocidade entre Viracopos e a cidade de São Paulo. Em Congonhas, reduzir a operação à do tipo “cities pair”, ou seja, a ligação entre São Paulo-Rio, São Paulo-Belo Horizonte e São Paulo-Brasília. Não permitir a operação em Congonhas de aeronaves de porte superior ao EMB190. Transferir toda a aviação geral (executiva) para o Campo de Marte ou Jundiaí. Era mais ou menos isso o que se pensava na década de 80, quando se construiu o aeroporto de Guarulhos.
Como o governo não vai ter dinheiro para fazer tudo isso, a solução é passar às mãos da iniciativa privada a construção e operação do sistema acima citado. É isso aí. O resto é conversa fiada para enganar “trouxas” e amealhar votos”.
Aristeu T. de Mendonça, coronel-aviador reformado (atm@ajato.com.br)
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