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PROCESSO HISTÓRICO

Vídeo-tape

Quando Lenin tomou o poder na Rússia, transformando-a em União Soviética, foram por água abaixo as principais propostas dos bolcheviques. Criaram uma polícia secreta pior do que a Ockrana dos tempos do czar. A Theca promoveu expurgos, assassinatos, perseguições e terror em níveis muito superiores. A prometida liberdade de imprensa foi para o espaço, lá permanecendo por mais de 70 anos. A Assembléia Nacional Constituinte acabou dissolvida pelo próprio Lenin, assim como a terra que seria dividida pelos camponeses tornou-se propriedade do estado.

Por que se relembram episódios já pertencentes ao passado remoto, em terras distantes? Porque, guardadas as proporções, nada de novo acontece debaixo do sol, mesmo tendo-se sofisticado as agressões ao cidadão, seja russo, seja brasileiro.

Sem precisar criar uma polícia secreta, ao chegar ao poder o PT dividiu o País em dois: “eles” e “nós”. Jamais se verificou ocupação tão ampla da máquina administrativa federal, bem como tão imensa discriminação de quem não pertence ao partido. Não há censura à imprensa, mas, fora as exceções de sempre, a mídia come como nunca pelas mãos do poder estatal.

Ajustaram-se os meios de comunicação à ladainha entoada pela equipe econômica em favor do modelo que privilegia os bancos e a atividade especulativa enquanto distribui esmola às massas. De vez em quando o Congresso reage, sucedâneo para uma Assembléia Constituinte, mas, como regra, mantém-se prisioneiro de benesses, favores, nomeações, mensalões, liberações de verbas e coisa parecida. Quanto à reforma agrária, foi para as profundezas, sepultada pelo chamado agronegócio.

Tudo, registre-se, sem necessidade da explícita violência oficial, porque esta, sem dúvida, ficou por conta dos excluídos cada vez mais numerosos.

Carlos Chagas, jornalista

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