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Genoino diz sofrer denúncia política

Em depoimento sobre o esquema de propina, deputado volta a negar envolvimento nas irregularidades

Em depoimento de quase duas horas na 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, o deputado federal José Genoino (SP), ex-presidente do PT, negou ontem qualquer participação no núcleo central da “quadrilha” – termo usado na denúncia do Ministério Público Federal – acusada de pagar o mensalão a parlamentares e partidos em troca de apoio a projetos do governo. Genoino responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e formação de quadrilha.

Pela manhã, já havia sido tomado o depoimento do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que presidia a Câmara à época do mensalão. Ele também negou envolvimento no esquema. “Considero um absurdo essas denúncias, visto que a prova mais cabal da correção da condução da Câmara foi a minha absolvição no plenário e, posteriormente, (ter sido) o deputado mais bem votado do PT de São Paulo”, disse João Paulo. Figuras centrais do inquérito, os dois foram interrogados três meses e meio após a acolhida da denúncia pelo STF. João Paulo, conforme o Ministério Público, foi responsável pela aproximação entre o empresário Marcos Valério, de quem seria amigo íntimo, e o PT. O deputado recebeu R$ 50 mil do empresário, valor sacado no Banco Rural por sua mulher, Márcia Regina. Responde a processo por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato.

Genoino, acusado de ser um dos cabeças do esquema, negou ter feito indicações para cargos no governo, atribuição que disse ter sido do secretário de organização do PT, Sílvio Pereira. Negou, ainda, ter combinado com Marcos Valério empréstimos para esquentar a origem de recursos. “Acho que fui denunciado pelo que eu era, não pelo que eu fiz”, afirmou ele, se dizendo vítima de denúncia política. Interrogado pela juíza Maria de Fátima Costa, Genoino atribuiu a outros dirigentes as atividades irregulares. Afirmou que não tinha a atribuição de lidar com dinheiro ou administração financeira, alegando que a tarefa era do secretário de finanças, Delúbio Soares. “Não cuidava das finanças, da administração da sede, nem fazia indicações para cargos no governo.”Genoino disse ter convicção de que será absolvido. “Confio na Justiça e na verdade.

Em Brasília não consigo sequer comprar um carro. Em 21 anos de mandato, meu patrimônio não cresceu. Desde que fui presidente do partido até hoje, meu patrimônio até caiu”, disse. Hoje, serão ouvidos mais três acusados: o deputado Pedro Henry (PP-MT) e os ex-deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Paulo Rocha (PT-PA).

Fonte: O Estadão

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