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Artigo
Homenagem a Darwin… E ao irmão Macaco
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
BLOG: www.mirandasa.com
Para homenagear o grande Charles Darwin, libertador do pensamento científico, o mundo civilizado festeja com manifestações de todo tipo. Neste artigo, faço a minha reverência através do irmão Macaco, que fez a sociedade conservadora do século 19 revoltar-se contra a teoria de Darwin.
É que os reacionários da Igreja Anglicana espalharam o boato de que Darwin teria escrito que o Homem descende dos gorilas, quando na verdade a proposição darwinista é de que homens e gorilas descendem de ancestrais comuns. O que hoje é cientificamente comprovado.
O sábio ucraniano Teodosius Dobzhanky no seu livro O Homem em Evolução conta uma anedota corrente em Londres à época em que o livro de Darwin, A Origem das Espécies fazia sucesso nos círculos acadêmicos da Grã Bretanha e do Continente Europeu.
Conta Dobzhanky que uma lady da sociedade londrina, ao tomar conhecimento da teoria darwinista, e ser apresentado ao autor, exclamou: “Descendentes de gorilas!” E virando-se para o sábio, disse: “Meu caro, espero que não seja verdade. Mas se for, rezemos para que isso não se torne público!”.
Ocorre que vigorava na Era Vitoriana uma triste lembrança – entre outros tristes legados da Idade Média – um imenso preconceito contra os macacos. Os cristãos medievais não viam com simpatia os macacos, a quem os pregadores religiosos atribuíam à condição de um homem degradado por vícios e prática de pecados capitais.
E no mundo cristianizado persiste através dos anos essa visão do macaco, sua libertinagem e astúcia, malícia e manhas, que atravessou os mares sem manter esta discriminação. No Brasil, o mestre Câmara Cascudo fez com açúcar e afeto, a referência brasileira aos macacos, irmãos do Homem. Para ele, o Macaco “é a figura da agilidade e da astúcia, infalivelmente vitorioso pela rapidez nas soluções imprevistas”.
Na Guatemala, os indígenas contam que os macacos são homens antigos, irmãos de Deus, e na Índia, o macaco é um animal sagrado. Dizem que ele descobriu a manga, furtando-a do jardim secreto de um gigante chamado Ravana.
Os antigos egípcios mumificavam os macacos babuínos, que representavam o deus Hapi – um dos quatro deuses protetores dos mortos. Em Bali, são animais intocáveis e respeitados como heróis de uma lenda que os fazem amigos de Buda. No paraíso balizense existem danças com os dançarinos possuídos por espíritos de macacos.
Em Bornéo existe um povo que adora os orangotangos e no idioma malaio, “orangotango” significa ”homem do mato”. Esse povo afirma que o orangotango representa o espírito ancestral do homem.
A relação homens-macacos também existe nas altitudes tibetanas, onde existe a lenda do macaco Mani Bka’ Bum e sua mulher, Tara, que tiveram seis filhos, meio-homens, meio-macacos. Essa descendência perdeu o pelo pouco a pouco e deu origem à humanidade.
Na Mongólia se fala que o macaco representa a consciência do Homem em seu estado bruto. Isto se junta às inúmeras histórias folclóricas que convergem para o parentesco do homem e o macaco, ambos partícipes da Natureza mutante no caminho da perfeição…
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