Arquivo do mês: setembro 2008

Conflitos políticos na distante Birmânia dos anos 1920 dão forma ao romance de estréia de George Orwell

George Orwell - Dias Na Birmânia

Autor de títulos memoráveis como “A Revolução dos Bichos” (1945) e “1984” (1949), George Orwell (1903-1950) começou sua vida de escritor com “Dias na Birmânia” (tradução de Sérgio Flaksman, Companhia das Letras). Publicado originalmente em 1934 no Brasil o livro andava restrito aos empoeirados sebos, até que uma nova e bem cuidada edição apareceu este ano no mercado. Já era sem tempo.

Nas 349 páginas desse romance, George Orwell, pseudônimo do indiano educado na Inglaterra Eric Arthur Blair, se vale de sua experiência como funcionário do império britânico na hoje rebatizada Mianmar. O autor integrou a Polícia Imperial entre 1922 e 1927, quando o país estava rebaixado à condição de província da Índia.

Para quem se impressiona com as poucas notícias que chegam daquelas bandas (há 46 anos sob regime ditatorial militar), a exemplo do devastador ciclone Nargis que atingiu a região no início do ano, o cenário apresentado pelo escritor não é menos desalentador.

LEIA TRECHO DE DIAS NA BIRMÂNIA

Cotidiano Federal

 

História – há 39 anos…

Morre Ho Chi Minh, revolucionário e estadista vietnamita

Ho Chi Minh
Nascido em uma pequena aldeia vietnamita, filho de um professor rural, seu nome verdadeiro era Nguyen Sinh Cung, mas também foi chamado de Nguyen Tat Thanh, Nguyen Ai Quoc e Ly Thui. Posteriormente recebeu o pseudônimo de Ho Chi Minh, que significa “aquele que ilumina”.

Em 1911 começou a trabalhar como cozinheiro num navio francês, o que lhe deu oportunidade de conhecer vários países, inclusive o Brasil. Aos 21 anos de idade foi para Paris, onde viveu como jardineiro e garçom. Envolveu-se com os movimentos socialistas e ajudou a fundar o Partido Comunista Francês.

Quando ocorreram as Conferências de Versalhes, em 1919, para fixar um novo mapa mundial, o jovem Ho Chi Minh, solicitou aos negociadores europeus que fosse dado ao Vietnã um estatuto autônomo. Ninguém lhe deu ouvidos, mas Ho Chi Minh tornou-se um herói para o seu povo. Em 1923 foi para Moscou onde aprendeu táticas de guerrilha e entrou para o Comintern, braço internacional do Partido Comunista da União Soviética.

Dois anos depois foi enviado para a China, onde foi preso por atividade subversiva e escreveu os “Diários da Prisão”. Expulso em 1927, viveu em vários países até chegar a Hong Kong, de onde dirigiu o movimento antiimperialista na Indochina, dominada pela França desde 1854. Em 1930, Ho Chi Minh fundou o Partido Comunista Indochinês e em 1941 o Vietminh (Liga da Independência do Vietnã), para resistir à ocupação francesa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, com seus companheiros mais próximos, Pahm Van Dong e Nguyen Giap, lutou contra os japoneses e em 2 de setembro de 1945, ocupou Hanói (a capital do norte) e proclamou a independência do Vietnã.A França contra-atacou e a Guerra da Indochina só terminou em 1954, com a vitória do Vietminh. O país foi dividido em dois. Ho Chi Minh, presidente do Vietnã do Norte, treinou e aparelhou as forças da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul (Vietcong), que visavam reunificar o país, o que levou à intervenção norte-americana e à Guerra do Vietnã.

Ho Chi Minh morreu em Hanói em 3 de setembro de 1969, de um colapso cardíaco, seis anos antes da reunificação do país. Em 30 de abril de 1975 um tanque norte-vietnamita entrou no palácio presidencial do governo sul-vietnamita, encerrando o sangrento conflito onde os americanos perderam mais de 58 mil soldados e os vietnamitas, mais de 3 milhões de pessoas, entre combatentes e civis.

Saigon, a capital do antigo Vietnã do Sul, foi rebatizada posteriormente com o nome de Ho Chi Minh.

Artigo publicado n’ O JORNAL DE HOJE de 2ª feira

As atuais eleições e a reforma politica

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


As eleições estão aí, ocupando todos os espaços da nossa vida. Enchem os meios de comunicação; tevê, rádio e jornal só falam nisso, tornando obrigatório o tema nas conversas do dia-a-dia.

Os bem-informados sabem que a maioria dos brasileiros é contra o voto obrigatório. Basta ao eleitor um mínimo de consciência democrática para sentir-se algemado a um sistema político que rejeita e até repele.

Esta contrariedade está refletida na dispensa dos jovens entre 16 e 18 anos do direito de votar. São as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral que apontam para a desesperança da juventude diante da política e dos políticos.

Ocorre com a cidadania de maneira geral o mesmo cansaço dos jovens em ver as bandalheiras dos políticos e o descrédito com os governos, principalmente o maior gerador de corrupção, o governo federal, cujo chefe passa a mão na cabeça dos corruptos.

Além disso, quando chega o momento eleitoral a coisa piora, porque os candidatos retratam o cinismo dos atores e a falsidade das promessas. Uma das coisas mais irritantes é o marketing que esconde a ficha-suja do candidato e realça – como um mérito – as realizações obrigatórias dos homens (e mulheres) públicos (as).

Algum entre a meia dúzia de três ou quatro leitores desta coluna sabe como se sente um aposentado ou pensionista, por exemplo, ouvindo o discurso e vendo a cara cínica de um parlamentar que votou contra seus direitos?

Como eleger os que defenderam a reforma da Previdência e roubou cinco anos de aposentadoria dos trabalhadores como queria o FMI?

É uma obrigação da cidadania consciente olhar o comportamento dos moços e respeitar os idosos. A sociedade como um todo, mas particularmente os velhos e as crianças, deve receber da administração pública alimentação, educação, saúde e segurança pública. E isso deve ser a direção do sufrágio popular.

Verdade que não é de pão que vive o homem (e a mulher). Seria muito bom que fosse assegurado a cada um o direito à cidadania, ao trabalho, à cultura e ao lazer. A dignidade humana requer também respeito e liberdade.

Esta semana chegou ao Congresso Nacional uma proposta do presidente Lula da Silva visando a reforma política. Como sempre, a velha experiência de pelego sindical leva-o a transferir para outrem as suas tarefas. Então serão os parlamentares os responsáveis pelos remendos que o lulismo-petismo propõe.

São remendos, sim, porque não se aprofundam nas reais necessidades de mudanças no sistema político. Não fala de dar segurança de conferência do voto nas urnas eletrônicas, não traz qualquer referência ao voto obrigatório e nem sequer sugere a adoção do voto distrital.

O conteúdo do projeto governista, portanto, não passa de água-de-flor-laranja. É reforma para deputados e senadores corruptos sorrirem e aceitarem, mas não o povo.

Será eficaz o modelo que apenas lembra as listas fechadas para candidatos, fim das coligações proporcionais e piso eleitoral para as legendas partidárias? É evidente que não, porque as janelas estão abertas para a eventual saída.

Está nas mãos do povo unido (que jamais será vencido) o fim da corrupção organizada do sistema político, banindo para todo o sempre os personalistas, aventureiros e charlatães.

As eleições só serão legitimadas com a comprovação do voto informatizado, com eleições distritais e sem candidatos fichas-sujas ou perjuros. Enquanto se mantiver o sistema atual, a democracia continuará enferma, sem legitimidade.

E será sempre doloroso a gente comparecer às secções eleitoriais para validar a sujeira da aliança nojenta do caciquismo e da pelegagem neste país.

NOTICIÁRIO

Lula ‘inaugura’ pré-sal e não fala em novas regras
Sem citar a hipótese de novas regras para o setor, o presidente Lula inaugurou, numa plataforma a 112 Km da costa, a produção do primeiro paço poço a extrair petróleo da camada pré-sal. O poço fica no campo de Jubarte, na parte da bacia de Campos situada no litoral capixaba.

Governo quer culpar Dantas pelo grampo
O Palácio do Planalto iniciou ofensiva para responsabilizar o banqueiro Daniel Dantas pelo grampo clandestino feito contra o presidente do STF. A tática de Dantas seria “desestabilizar” a Operação Satiagraha, segundo o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).

Brasileiro crê numa vida melhor
O jovem brasileiro de 15 a 29 anos é o de maior esperança de felicidade para os próximos cinco anos, informa estudo comparativo de 133 países divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas. O resultado é creditado ao aumento da renda e do tempo de estudo no Brasil.

General admite grampo
O general Jorge Félix, ministro ao qual a Abin é subordinado, negou na CPI que a agência tenha grampeado o telefone do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. Mas admitiu que algum agente pode ter feito a escuta se autorização.

400 médicos deixam as emergências na sexta
Após breve trégua, categoria realizou ontem à noite assembléia no Recife rejeitando a proposta de reajuste. E os médicos ainda prometeram sair da rede pública. Para piorar, outros servidores da Saúde ameaçam greve para a próxima semana.

Grampo pode ter saído do Senado
Ganhou força ontem entre os órgãos de investigação a hipótese de que o suposto grampo no telefone do presidente do STF, Gilmar Mendes, tenha sido originado no sistema de telefonia do Senado.

RECONHECIMENTO

Abin tem maleta de gampo, diz Jobim

A informação de que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) adquiriu ilegalmente maletas de interceptação telefônica, segundo afirmou o ministro Nelson Jobim (Defesa) em reunião de coordenação política do governo, foi decisiva para o afastamento do diretor da agência, Paulo Lacerda. Por lei, a Abin é proibida de fazer escutas telefônicas.

ABIN

Chefe interino trabalhou com Daniel Dantas

Escalado para assumir interinamente o comando da Abin, Wilson Trezza já trabalhou com o banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha, da PF e da qual participaram agentes da própria Abin, informa Fernanda Odilla. Trezza declarou que não se relacionava com Dantas.

REINO DOS BANQUEIROS

Farra dos bancos na sua conta: tarifas sobem até 433%

Tirar um extrato, usar talão de cheques, transferir dinheiro de uma conta para outra. o preço desses serviços bancários básicos sofreu uma escalada e mais do que quadruplicou nos últimos seis meses. Após levantar as tabelas das principais instituições, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central acusa o BC de fazer vista grossa ao “tarifaço”.

DECISÃO INÉDITA

STJ manda juiz analisar união estável de gays

Como a Justiça estadual se negava a examinar processo de reconhecimento civil movido por casal homossexual, alegando que união de pessoas do mesmo sexo não é prevista em lei, Corte superior foi acionada e determinou que o caso seja examinado à luz do direito de família.

ECONOMIA

Meirelles defende metas de inflação

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, defendeu ontem o regime de metas de inflação. “Pela primeira vez, o Brasil está aproveitando os benefícios da estabilidade econômica e tem condições de enfrentar a crise internacional. Estamos num momento de ajuste, de acomodação, mas algumas coisas vieram para ficar, como o regime de metas de inflação”, disse o presidente do BC durante seminário em São Paulo.