Arquivo do mês: abril 2008

Depoimento de Dilma no Congresso será um bom teste para sua possível candidatura em 2010.

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HISTÓRIA – há 32 anos…

14/04/1976 – A legitimidade como marca

“Libertei-me da inquietação de não saber quem sou e de não saber até onde posso chegar. Agora, conheço melhor as pessoas e reconheço também a minha força”. Zuleika Angel Jones.

Zuzu Angel morreu em um acidente com o seu Karman-Guia, aos 55 anos, no Rio de Janeiro. Seu nome figurava na relação exclusiva dos grandes criadores. Sabia até onde poderia chegar em termos profissionais, mas havia também tomado uma decisão inabalável: mais do que qualquer coisa, era e seria sempre a mãe de um jovem filho único desaparecido. Viveria sempre para honrar a sua memória, e lutar para que outros jovens não tivessem o mesmo destino.

Pela causa de Stuart Edgar Angel Jones, Zuzu havia entregue em mãos ao Secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, durante a sua visita ao Brasil, um minucioso relato dos acontecimentos. Seu último ato de coragem que, como alguns outros, a ela própria causava perplexidade: “Sempre fui muito medrosa, mas não sei explicar… é como se uma força interior comandasse os meus atos”.Dona Zuleica era uma mineira que costurava muito bem. E não gostava de copiar figurinos. Veio para o Rio e montou um ateliê de alta costura em Ipanema, frequentado por clientes elegantes que já encontravam as roupas prontas, sem precisar encomendar.

Pode-se dizer que ela criou para a alta costura um prêt-à-porter sem repetição de modelos. Com ele, rompeu as barreiras do mercado internacional.Zuzu Angel mostrou sua moda, caracterizada principalmente pela originalidade, destacando-se por uma linha inspirada em coisas nossas. Em 1970, furou a barreira do mercado internacional, vendendo uma coleção de 55 modelos para o magazine Bergdorf & Goodman.

O Anjo como símbolo da pureza

A partir de 1971, Zuzu alterou as características de sua produção, mudando-se da alta costura para a boutique. Engajada e decidida a protestar pelo desaparecimento de Stuart Angel, em 1971 apresentou em um desfile em Nova Iorque pássaros engaiolados, balas de canhão disparadas contra anjos, figuras de quepes militares e crianças macilentas segurando pombas negras. Foi a metáfora que ela encontrou para simbolizar, no seu trabalho, a história de seu filho.O anjo, como símbolo de pureza e imagem do filho perdido, iria se multiplicar pelas roupas e acessórios.

Debatendo o 3º mandato

Analisando conjunturalmente a re-reeleição

Lula está em plena campanha pelo PAC, inaugurando obras inexistentes e criando símbolos, como se assim pudesse passar à opinião pública a idéia de que algo está sendo feito. O que, porém, está sendo feito senão a campanha de si mesmo, a campanha de alguém empenhado num processo eleitoral de promoção de si mesmo?Não se pode creditar a Lula a virtude da coerência ou o cumprimento da palavra. A palavra só serve como instrumento retórico, de convencimento do “povo”. Eis por que acreditar num líder carismático como Lula é prova de ingenuidade. Ele diz uma coisa e outra sem o menor compromisso com a verdade.

Legítima é, pois, a pergunta: o que faz ele com seus discursos? Desde a sua eleição, jamais abandonou uma postura eleitoral, algumas vezes criticando o governo, como se não fosse o responsável por ele. O que fala é o seu comportamento. O seu fazer é o de alguém que tem um projeto pessoal de poder, pronto a tudo se as condições políticas lhe forem favoráveis. Lula não permanece em Brasília, na rotina própria de um presidente, mas faz campanha em todo o País, recolhendo os frutos de sua popularidade e criando condições para que esta suba ainda mais. Os seus altos índices mostram que o seu “fazer” produz bons resultados. Ele pode dizer pessoalmente que não quer a reeleição, mas, se o “povo” quiser, aí, sim.

Editorial do Estadão

OPINIÃO

Terras indígenas na fronteira

Está na hora de revermos o tamanho das reservas indígenas. Parece-me que os índios gostariam de se aculturar, ou seja, viver como vivem os brancos, e não ficar no estado de indigência como estão hoje. O índio quer os benefícios do mundo moderno. O assunto é tão complexo que, recentemente, o governo teve de intervir em uma reserva, no Norte do País, onde índios fizeram um acordo com contrabandistas para retirar diamantes de área de reserva.

O ideal é que as reservas indígenas tenham seu tamanho reduzido como defende o comandante do Exército na Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira . Elas não podem, também, por uma questão estratégica, ser situadas nas chamadas faixas de fronteira. Precisamos manter o controle absoluto sobre as nossas divisas. O general Heleno , que conhece profundamente os problemas daquela região, está rigorosamente correto.

Geraldo Cavagnari, coronel da reserva do Exército e membro do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp

Comentário (I)

Entrega de 20% do território brasileiro

É inacreditável o que está ocorrendo no Congresso Nacional. Deputados e senadores revelam total desconhecimento sobre a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pelas Nações Unidas em setembro de 2007, com apoio do Brasil. Na última quinta-feira, o índio Marcos Terena, piloto da Funai, defendeu ardorosamente a tal Declaração, ao depor na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Usando de eufemismo, Terena disse que a “regulamentação” do documento da ONU pelo Congresso Nacional será “um grande ato da Nação brasileira e início de um diálogo franco, com direito a controvérsia, mas respeitoso, que não coloque o índio como selvagem da soberania brasileira”.

Tudo errado, mas ninguém aparteou Terena, houve concordância geral. Na verdade, o Congresso não “regulamenta” tratado internacional apenas ratifica ou rejeita. No caso da Declaração dos Povos Indígenas, terá que rejeitá-la, porque o documento da ONU concede independência às nações indígenas, com leis próprias e governo autônomo. Além disso, nas terras indígenas até mesmo as Forças Armadas ficariam proibidas de cumprir seus deveres.

Estrategicamente, Terena silenciou a esse respeito. Mas sabe que se o Congresso ratificar o tratado, ele se torna automaticamente uma norma constitucional (art. 5º, § 3º) e terá que ser cumprido, concedendo-se independência imediata a 216 “nações” indígenas.

Hélio Fernandes, jornalista

OPINIÃO

“Desde os escândalos do mensalão até agora, todas as feridas, embora continuem abertas, curiosamente jamais infeccionaram. Nesse ínterim, o próprio presidente Lula ainda foi premiado com a reeleição. Por muito menos o presidente Collor foi impiedosamente apeado do poder”.

João Mellão Neto, jornalista (j.mellao@uol.com.br)

FRASE DA VEZ_1/14

“A crise americana mal mostrou todas as garras. O pior ainda está por vir”.

Nouriel Roubini, analista econômico

Artigo saído n’ O METROPOLITANO. Nas bancas

Reeleição implantará ditadura dos pelegos

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Semana passada, reunido com a bancada do PDT no Senado, Lula da Silva disse que “se o PT me obrigar ao terceiro mandato, eu rompo com o PT”. Isto satisfez ao senador Cristóvam Buarque, disposto com os seus colegas a combater a idéia golpista da re-reeleição. Cristóvam não é ingênuo, mas é político e tem interesses estranhos como se viu na defesa que fez do reitor Timothy Mulholland; sua confiança na palavra de Lula, portanto, não deve ter o aval dos defensores do sistema democrático.

Lula diz e se desdiz ao bel prazer. Ademais, quem viu a defesa que fez de Zé Dirceu, dos mensaleiros, de Palocci e dos aloprados não pode acreditar nele, ao contrário, não pode sequer confiar desconfiando… Como ter fé em quem faz parceria com Renan Calheiros e afaga uma figura execrável como Severino Oliveira?

Não será um simples comentário numa reunião informal que afastará o medo do golpe de mão do continuísmo. Ele cochicha com políticos aliados, mas não desautoriza o velho companheiro e amigo íntimo, deputado petista Devanir Ribeiro, a apresentar a Proposta de Emenda Constitucional, PEC, sugerindo mudanças na Constituição para permitir um terceiro mandato. Isto, por si só é um sinal de que sua rejeição ao golpe é para círculos restritos.

O continuísmo é a verdadeira herança maldita de FHC, que mandou rasgar seus livros e enlameou seu passado político igualando-se a Fujimori, Carlos Menem, Uribe e Chávez, democratas de opereta. Quem não se lembra quando o nipo-peruano inventou a reeleição nos fins do século passado? E só interrompeu a indesejável repescagem de mandatos porque foi apanhado e destituído por atos de corrupção ativa.

Com a repulsiva carreira interrompida, fugiu para o Japão e hoje responde a processo em seu país. O exemplo dos seus imitadores está à vista: FHC e Menem curtem um ostracismo melancólico. O daqui se mantém em público aproveitando a falta matérias nos jornais paulistas; e o da Argentina está preso domiciliarmente, acusado de corrupção.

Os que se mantêm no poder, Chávez e Uribe, assentam-se na força militar. Chávez, ele próprio coronel do Exército Venezuelano, desenvolve uma revolução virtual permanente, reprimindo violentamente as manifestações oposicionistas, enquanto Uribe se auto-justifica pelo combate ao narcotráfico e às FARC, que proporcionam uma vantajosa aliança com os EUA.

Não dá para imaginar o que ocorreria no Brasil depois de um golpe contra a Constituição e a oficialização da República Sindicalista como querem os pelegos. Afinal, apesar do hilariante quadro que os governantes latino-americanos oferecem para história de suas nações, o Brasil se impõe pela vocação democrática do seu povo. Este país não é uma Bolívia nem um Equador. Não é discriminação, não, é a constatação da realidade. Sabe-se que os presidentes dessas duas nações, Evo Morales e Rafael Correa, conspiram para se manter no poder, como fazem aqui alguns setores do PT-partido; mas a Bolívia está dividida e o Equador é um rato que ruge por uma guerra nos Andes.

O Brasil também não é a Argentina onde, em ritmo de tango, o casal Kirchner inventou um passo para se equilibrar no salão de despachos da Casa Rosada. Aqui, Lula da Silva sabe que não será fácil impor ao Legislativo e ao Judiciário a barulheira dos tambores peronistas. Nem dona Mariza Letícia é vocacionada para a política nem pretende eleger-se presidenta da República, até onde se sabe…

INFORMAÇÃO

CPI dos Cartões analisará gastos “estranhos”

Levantamento preliminar feito por integrantes da CPI dos Cartões Mista mostra uma série de despesas feitas com os cartões corporativos do governo federal, desde o final de 2002 até 2007, consideradas “estranhas” por parlamentares oposicionistas da comissão.
De acordo com o documento, há gastos de servidores públicos de cerca de R$ 750 mil em farmácias, R$ 43,3 mil em padarias, R$ 14,9 mil em sapatarias, R$ 4,9 mil em bares, R$ 40,5 mil com assinatura de TV a cabo, R$ 4,6 mil em lojas de roupas de criança e R$ 33 mil em floristas. Em supermercados, as despesas ocupam 276 páginas do documento e os valores chegam a R$ 991,6 mil.

Na compra de doces e chocolates, como os da loja Kopenhagen, os gastos somaram mais de R$ 8 mil. Em lojas de instrumentos musicais, os servidores gastaram R$ 24,4 mil; em comércios de jogos e brinquedos, os gastos totalizam R$ 22,2 mil; em lojas de departamento de roupas femininas, como as Lojas Marisa, os cartões foram usados para compras de R$ 7,3 mil somente nos últimos dois anos. Em lava-jatos foram gastos quase R$ 14 mil. (Tribuna da Imprensa)