Arquivo do mês: abril 2008

ENTREGUISMO

Terra indígena na fronteira

Contrário à demarcação de terras indígenas em Roraima, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira está completamente certo, a meu ver, em suas opiniões sobre essa questão. Uma parte expressiva do território do Estado é constituído de reservas indígenas e não há consenso no governo nem na sociedade sobre esse assunto. É inaceitável que ONGs estrangeiras, portanto que não têm compromisso com os interesses nacionais, estejam por trás dessa discussão em Roraima e, pior ainda, interfiram diretamente. Muitas dessas ONGs, é bom que se diga, estão orientadas para explorar a biodiversidade brasileira e daí tirar algum proveito econômico.

Por outro lado, cabe às Forças Armadas zelar pela nossa soberania e integridade territorial. Órgãos estatais como o Exército e a Polícia Federal não podem, em hipótese alguma, ter de pedir licença ao cacique para entrar em áreas indígenas, ainda mais neste momento em que há riscos de invasão do território nacional por guerrilheiros ligados a traficantes. Hoje, esse problema está restrito a Roraima, onde o interesse particular dos arrozeiros foi violado, mas pode surgir em outras áreas. O próprio Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a operação para retirada dos não-índios da Reserva Raposa Serra do Sol e não tenho dúvidas de que, no julgamento do mérito, dará a vitória aos arrozeiros, que foram se instalar no Estado com a promessa de que poderiam permanecer lá, bem antes da criação das reservas.

Em face do problema atual, considero que está na hora de revermos o tamanho das reservas indígenas. Parece-me que os índios gostariam de se aculturar, ou seja, viver como vivem os brancos, e não ficar no estado de indigência como estão hoje. O índio quer os benefícios do mundo moderno. O assunto é tão complexo que, recentemente, o governo teve de intervir em uma reserva, no Norte do País, onde índios fizeram um acordo com contrabandistas para retirar diamantes de área de reserva. O ideal é que as reservas indígenas tenham seu tamanho reduzido. Elas não podem, também, por uma questão estratégica, ser situadas nas chamadas faixas de fronteira. Precisamos manter o controle absoluto sobre as nossas divisas. O general Heleno, que conhece profundamente os problemas daquela região, está rigorosamente correto.

Geraldo Cavagnari, coronel da reserva do Exército e membro do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp

P A R A G U A I

Candidato contra o “imperialismo brasileiro”

Fernando Lugo é o líder das pesquisas para a eleição presidencial do Paraguai, no domingo. Em entrevista ao Jornal do Brasil, o ex-bispo que lançou o imperialismo brasileiro como mote de campanha argumenta que o Tratado de Itaipu tem ‘um pecado original’: ter sido assinado por dois ditadores. Do seu país e do Brasil.

ÚLTIMAS

MP apura ilícitos de Haroldo Lima

O Ministério Público Federal abriu ontem investigação para apurar se houve crime do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, ao anunciar na véspera a descoberta de um megacampo da Petrobras, na Bacia de Santos, com 33 bilhões de barris – seria o 3º maior do mundo – o que causou especulação e as ações da estatal subiram até 9,5%. A empresa não confirmou as reservas. Lima culpou os especuladores e disse arrogantemente: “Eu sou autoridade e estava falando com um público especializado, eu não sou subordinado à Comissão de Valores Mobiliários de coisa alguma, eu sou membro do governo. O que eu não podia fazer, e não fiz, foi anúncio”.

UTILIDADE PÚBLICA

Contra maruins, carapanãs, muriçocas e o mosquito da dengue

Repelente caseiro usado nos tempos dos nossos avós

500 ml de álcool líquido e 25 cravos da Índia

Modo de preparo: coloque os cravos no álcool deixe em fusão por 3 horas e depois passe pelo corpo. Isso espanta qualquer mosquito, inclusive o da dengue. Não há contra indicação, é + barato que repelentes vendidos nas farmácias.

Macacos típicos descansam do alto da Pedra de Gibraltar.

Macacos tipicos descansam do alto da Pedra de Gibraltar

Maioria, base impede liberação de gastos sigilosos da Presidência à CPI e ameaça acordo

Com o aval da base aliada do governo, a CPI dos Cartões Corporativos rejeitou hoje requerimento para que a comissão tenha acesso às transações realizadas pelo gabinete do presidente da República tanto na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva como na de Fernando Henrique Cardoso – sigilosas ou não. A comissão também rejeitou pedido para que a comissão tenha acesso aos registros do Suprim (Controle de Suprimento de Fundos da Presidência da República), que reúne as informações sobre gastos do governo – de onde teriam saído detalhes do dossiê contra FHC.

Os governistas se articularam para derrubar os dois requerimentos porque argumentam que, no acordo firmado com a oposição nesta terça-feira, a comissão já terá acesso aos gastos sigilosos do governo disponíveis no TCU (Tribunal de Contas da União). “Pelo acordo que foi feito depois desses requerimentos, votamos não”, disse a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC).
A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), presidente da comissão, fez um apelo para a aprovação dos requerimentos, mas não teve o apoio da CPI. Autora do requerimento referente aos dados sigilosos do gabinete do presidente da República, Serrano disse que o requerimento permitiria a “transparência” na análise dos dados.

“Se quisermos saber o que se passa nesse país, se tivermos autoridade que a base aliada do governo nos deu de olharmos as contas, inclusive as sigilosas, eu não vejo porque os deputados e senadores que podem ir ao TCU olhar contas sigilosas não possam olhar contas referentes aos cartões e todo tipo de suprimento de fundos utilizados pelo governo federal nos dois mandatos”, argumentou Serrano.

Fonte: Gabriela Guerreiro da Folha Online

Joao Gilberto – Carinhoso

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CHARGE DO NANI

Fonte: chargeonline.com.br/Nani

Abrindo aspas para Lúcia Hippólito:

Nunca antes na história deste país

Pelo visto, as eleições de 2008 serão diferentes de tudo o que já se viu no Brasil em matéria de eleição municipal. Até hoje, uma das regras da política brasileira dizia que presidentes da República não se envolvem em eleições municipais.Em geral, essas eleições ocorrem no meio do mandato presidencial, e muitas críticas ao governo federal podem transformar-se em derrota dos candidatos de partidos governistas.

Se o governo faz a maioria dos prefeitos, o presidente capitaliza alegremente os resultados, declarando que a vitória é a vitória das políticas do governo federal. Se, ao contrário, a oposição faz a maioria dos prefeitos, o presidente alega que as eleições são locais, com preocupações locais. E, silenciosamente, inicia a correção de alguns rumos de seu governo. Assim tem sido até agora. Inclusive na eleição de 2004, quando o presidente Lula interferiu muito pouco nas eleições municipais.

Mesmo a derrota de Marta Suplicy em São Paulo, das poucas eleições em que Lula se meteu, não foi contabilizada no Planalto como uma derrota do governo, mas uma derrota de Marta. Entretanto, em 2006 a situação começou a mudar. E o agente desta mudança foi o Bolsa-Família. Nas eleições daquele ano, o PT desalojou os coronéis tradicionais do Nordeste e os substituiu por um tipo de “coronelismo federal”. Eleitores municipais, livres do jugo do coronel local, passaram a dedicar sua lealdade exclusivamente a Lula, engordando os índices de popularidade do presidente. O fato é que Lula decidiu transformar as eleições de 2008 em um plebiscito sobre o seu governo. É candidato em cada um dos municípios brasileiros. É Lula que se coloca em julgamento.

Com isso, inverteu-se a lógica da política brasileira. Em vez de a política nascer no município, com candidatos a prefeito alavancando carreiras e eleições de deputados estaduais e federais, agora é o presidente da República que joga suas fichas e suas benesses em candidatos a prefeito. Esta inversão de lógica pode ser extremamente prejudicial a partidos políticos fortemente fundados em bases municipais. O principal prejudicado por esta “candidatura” onipresente do presidente só pode ser, naturalmente, o PMDB. Herdeiro das tradições do velho PSD, o PMDB é o partido de maior capilaridade no Brasil. Dono do maior número de prefeitos, o partido é tão baseado na política municipal, que sua Convenção Nacional, por exemplo, é composta por delegados dos municípios, consolidando a lógica “do município para a União”.

A eleição de 2008 pode estar iniciando um ciclo inédito na política brasileira, invertendo a mão da lógica eleitoral, transformando o prefeito num mero agente do presidente da República e matando de vez a já moribunda federação brasileira.

Esquadrão da morte virtual

Eu vou morrer. Você vai morrer. Nós vamos todos morrer. Como se diz em inglês: de garantido, nesta vida, só os impostos e a morte. Negócio é quando. Deixemos para amanhã esse negócio de bater com as dez, sair na horizontal, vestir o paletó de madeira, e outros eufemismos supostamente engraçadinhos que servem para adoçar a pílula de cianeto (ou o enfarte, a trombose, a isquemia, o carro sem direção) e nos levar – façamos fé, acreditemos – desta para melhor.

Qual a melhor idade para morrer? Sem doença debilitante terrível, um estudo recente feito aqui entre mim e eu mesmo revelou que 100% da matéria de que sou composto escolheria lá pelos 80 anos.
Qual a melhor maneira de morrer? Durante o sono, a mesma pesquisa atesta.
De qualquer forma, a melhor coisa é não falar em morte. Pé de pato mangalô três vezes, toque, toque, toque, bate na madeira.
Só tem o seguinte: a informática não nos deixa esquecer de que somos passageiros, de que a carruagem alada do Tempo corre célere atrás de nós e, qualquer dia, brucutum, conforme se fazia quando da época das mortes menos sofisticadas.

Eu só descobri a coisa graças à morte de Charlton Heston. Graças, no melhor sentido possível. Heston, afinal de contas, embora defendesse o direito dos cidadãos americanos possuírem rifles, carabinas, arcabuzes, qualquer coisa que, disparada numa direção, varasse o “outro” de chumbo, botando-o para jambrar (outro arcaísmo), Heston, gaguejo eu, até os anos 60 era um liberal, compareceu às marchas civis, foi contra a guerra do Vietnã, tudo aquilo que era para ser o politicamente correto de então.

Depois deu aquele troço nele que costuma dar nas melhores famílias. Entortou e partiu para a direita. É a vida. Foi sua morte.

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Fonte: Ivan Lessa Colunista da BBC Brasil