Arquivo do mês: fevereiro 2008

CARTÕES CORPORATIVOS

Abin dobrou gastos em 2007

As despesas sigilosas do governo federal mais do que dobraram nos últimos quatro anos, informa Marcelo de Moraes. Foram de R$ 16,9 milhões em 2004, quando o Portal da Transparência começou a registrar esse tipo de gasto. No ano passado, chegaram a R$ 35,7 milhões – o que representou uma expansão de 42% em relação a 2006, ano em que somaram R$ 25 milhões. Os gastos secretos se concentram em órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal que têm boa parte dos custos protegidos por segredo porque suas atividades são consideradas estratégicas para a segurança nacional. Essas despesas podem ser feitas com os cartões corporativos do governo, mas não se restringem a eles. Em 2007, a Abin efetuou gastos sigilosos de R$ 11,5 milhões por meio de cartões, ante R$ 5,5 milhões em 2006. O governo argumenta que o aumento se deve ao uso dos cartões feito por agentes durante os Jogos Pan-Americanos do Rio. (Estadão)

PEGA NA MENTIRA

Brasil vai importar vacinas

Ao mesmo tempo que dizia ser suficiente o estoque de vacinas contra febre amarela, o governo brasileiro negociava a importação do produto com a Organização Mundial da Saúde. O lote solicitado foi de 4 milhões de doses, segundo nota oficial da OMS. O Brasil chegou a suspender a exportação da vacina para atender ao mercado interno.

MANCHETES do dia_09.fev.08

FOLHA DE SÃO PAULO – PT e PSDB abrem disputa em torno de CPI dos cartões

VALOR ECONÔMICO – BNDES exigirá garantia inédita no crédito à Oi

ESTADODE MINAS – Mordomos da Presidência gastaram R$ 2 mi no cartão

ZERO HORA – Saques em dinheiro são metade dos gastos com cartões federais no RS

TRIBUNA DO NORTE – Saúde reforça ações contra dengue em bairros de Natal

JORNAL DO BRASIL – CPI dos Cartões é inevitável

O GLOBO – Cartão corporativo: regras confusas facilitam abusos

GAZETA MERCANTIL – Cesp faz Serra e Aécio entrarem em choque

CORREIO BRAZILIENSE – Libertada após 14 dias em cadeia masculina

A TARDE – Bebidas ainda são vendidas nas rodovias

DIÁRIO DE NATAL – Homicídios de janeiro continuam sem solução

TRIBUNA DA IMPRENSA – Governo desembolsou mais de R$96 milhões em três anos

O ESTADO DE SÃO PAULO – Conta de gastos secretos do governo dobra em 4 anos

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Comércio do Agreste afunda com lei seca

FRASE DA VEZ_5/8

“O ministro Orlando Silva, dos Esportes (será perseguição porque é mulato baiano e se parece com o Barack Obama?), teve que devolver R$ 8,00 porque comprou uma porção de tapioca. Bem mais barata que a tapioca dos Lula da Silva”.

Sebastião Nery, jornalista

EDUCAÇÃO

Intercâmbio universitário

As universidades federais brasileiras devem ter em 2009 um sistema que permitirá ao estudante de uma delas cursar parte da graduação em outra. O programa é inspirado na Europa e futuramente poderá incluir universidades estaduais privadas. Atualmente, tentativas de integração são demoradas, exigem avaliação por comissões e nem sempre dão certo.

POESIA

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana

Mário de Miranda Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias.

Considerado o poeta das coisas simples e com um estilo marcado pela ironia, profundidade e perfeição técnica, trabalhou como jornalista quase que a sua vida toda. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em busca do tempo perdido de Marcel Proust, Mrs. Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e sangue, de Giovanni Papini.

Em 1940 lançou o seu primeiro livro de poesias, A rua dos cataventos, iniciando a sua carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966 foi publicada a sua Antologia poética, com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus 60 anos, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o poema Quintanares, de sua autoria, em homenagem ao colega gaúcho.

Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da obra. Viveu grande parte da vida em hotéis, sendo o último deles o Hotel Majestic, no centro velho de Porto Alegre, que foi tombado e transformado em centro cultural e batizado como Casa de Cultura Mario Quintana, em sua homenagem, ainda em vida.

Em seus últimos anos de vida, era comumente visto caminhando nas redondezas. Segundo o próprio poeta, em entrevista a Edla van Steen em 1979, seu nome foi registrado sem acento. Assim ele o usou por toda a vida. Todavia, segundo as normas ortográficas atualmente em vigor, prescreve-se o uso de acento agudo no prenome “Mário”, após a morte do autor.

CORRUPÇÃO

Fato corriqueiro atualmente

Além de desfilar em carro aberto do Corpo de Bombeiros nas comemorações da vitória no carnaval, o presidente de honra da Beija-Flor, Aniz Abrahão David, o bicheiro Anísio, recebeu a proteção de outro órgão público: a Guarda Municipal de Nilópolis, cuja prefeitura é administrada por um irmão do bicheiro.

Comentário (I)

Chega de enganação

É até vergonhoso dizer, mas as notícias que lemos sobre o governo federal a cada dia nos causam mais engulhos. Na Quarta-Feira de Cinzas, lemos duas matérias sobre os famigerados cartões corporativos, que se tornaram eficiente instrumento para indecente locupletação com o dinheiro público. De um lado, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) solicita uma CPI para acabar com a mamata, com argumentos sensatos e bem comedidos em suas perspectivas sobre a apuração dos fatos. Do outro, a informação de que o Presidente determinou a distribuição indecente de cargos públicos para o PMDB, que não se perde por falta de oportunismo, para evitar a indigitada CPI. Ou seja, pretende comprar os votos dos deputados e senadores do PMDB à custa da eficiência e lisura na administração pública, nomeando os cupinchas dos abnegados legisladores, que, evidentemente, passarão a ter o direito de utilizar os tais cartões, ao mesmo tempo em que o tal Portal da Transparência já não vai sendo tão transparente assim.

É muita cara-de-pau, convenhamos, e Collor foi defenestrado por bem menos, se somarmos todos os escândalos até agora. Já não basta ter em sua equipe ministerial elementos que beiram o ridículo, com declarações absurdas, como a do ministro do Planejamento tentando ridicularizar a CPI como se fosse a da tapioca, quando até meu netinho percebeu como estão apavorados com a real apuração dos fatos, e não com essa enganação pueril que estão tentando nos impingir, insultando, e muito, a nossa inteligência com frases vazias e justificativas infantis? Ora, é evidente, pelo pouco que se levantou até agora, que o Tesouro Nacional sofreu um rombo considerável com essa maracutaia petista. Diversas compras realizadas pelos seguranças do presidente são tão ridículas ou mais do que a prosaica tapioca, uma vez que foram efetuadas com dinheiro público.

A rigor, nem o combustível usado pelo ex-presidente deveria ter sido adquirido com o cartão, pois bastaria o governo federal estabelecer convênios com as prefeituras e os Estados, que normalmente têm contratos para fornecimento via Petrobrás ou sua subsidiaria BR (a Prefeitura de São Paulo, com certeza), a preços menores que os cobrados do público em geral, nos postos particulares. E essa prática pode estender-se a número enorme de produtos. Seria mais produtivo o governo deixar de perder tempo com tanta enganação e conduzir melhor os negócios da Nação.

Gilberto Pacini (benetazzos@bol.com.br)

FRASE DA VEZ_4/8

“O uso indiscriminado dos cartões corporativos por todos os escalões das instituições da República explica por que o grito indignado da classe mais esclarecida do País morre na praia”.

Elza Ramirez (elzaramirez@hotmail.com)

FUTUROLOGIA

Cartão de Gil: R$ 278 mil

Gilberto Gil pode ser o próximo a cair por uso abusivo do cartão corporativo oficial: R$ 278 mil. Ele se irritou ao ter de explicar como seus assessores diretos torraram R$ 278 mil no BB Visanet “chapa-branca”. Disse ainda, tentando sair pela tangente, que ganha esse valor em dois shows. Mas, no caso, se trata de dinheiro público. Só com bebidas e carne um assessor especial de Lula gastou R$ 114 mil. Até agora abafaram que o Planalto gastou mais de R$ 53 mil para a primeira-dama, Marisa Letícia, incluindo botox para tirar as rugas e cremes do Leste Europeu, mais cosméticos made in USA e franceses. E assim caminha nossa alta cúpula.

Conrado de Paulo (conrado.paulo@uol.com.br)