Arquivo do mês: julho 2007

Medalha para as vítimas

“Os familiares e descendentes de Alberto Santos Dumont se sentem muito honrados e gratificados com a existência da Medalha “Mérito Santos-Dumont”, que visa a lembrar nosso grande pioneiro da aviação, patrimônio de todos os brasileiros. Entretanto, a família não exerce nenhuma influência sobre os critérios de escolha e concessão da medalha.

Vi no Jornal Nacional que os diretores da Anac foram agraciados com a referida medalha. Na ocasião eu me encontrava na cidade de Santos-Dumont (MG), na residência de Mônica Castello Branco, diretora da Fundação Casa Natal de Santos-Dumont. Comentei com Mônica que, em minha opinião, quem deveria receber a medalha, in memoriam, eram as vítimas dos acidentes do vôo 1907 da Gol e do vôo 3054 da TAM.

Na manhã do dia 20 eu havia participado da cerimônia em comemoração aos 134 anos de nascimento de Santos-Dumont, na casa onde ele nasceu em Cabangu. Ao lado da pequena casa caiada de branco, que foi construída por seu pai, Henrique, a Bandeira Nacional foi içada ao toque de corneta. Depois, a Bandeira baixou a meio-pau e se fez um minuto de silêncio. Todos nós externamos nosso pesar pela perda de tantas vidas, assim como fez toda a Nação (quase toda, a julgar pelos gestos grosseiros e desrespeitosos dos senhores Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar).

Espero, sinceramente, que os responsáveis pelo transporte aéreo em nosso país resolvam imediatamente os gravíssimos problemas por que o setor atravessa, para que não tenhamos de chorar por novas vítimas e para que a morte de tantos brasileiros não tenha sido em vão.

Marcos Villares, sobrinho-bisneto de Santos-Dumont (marcosvillares@yahoo.com.br)

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COMENTÁRIO DE MIRIAM LEITÃO

A jornalista Miriam Leitão falou hoje no Bom Dia Brasil sobre a decisão do governo de reduzir os vôos para Congonhas. A confusão está feita. Não se entendem Governo, Anac, Empresas aéreas, etc.
Resumindo a tragicomédia: “apertem os cintos…o governo sumiu!

ouça aqui

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FRASE DA VEZ_3/24

“Más notícias: essa crise vai longe. O Pan acaba, o pandemônio fica”.

Eliane Cantanhêde, jornalista

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Por que a corriola é inimputável?

Para conhecimento que quem gosta de um texto direto e capaz de estimular a reflexão e a busca da verdade. É de Dora Kramer, que brilha nas constelações superiores. Abre aspas:

“Lula demora a falar e, quando o faz, quase leva a Nação a concordar com seus assessores que por três dias após o desastre o aconselharam a “mergulhar” para ver se afastava de si o cálice da repercussão negativa. Em todo o transcurso da crise, o presidente aceitou toda sorte de absurdos verbais e gestuais por parte de seus auxiliares sem manifestar sequer desconforto quando os ouvia dizer na televisão que não existia crise, que o melhor era o brasileiro relaxar e aproveitar seus efeitos, que tínhamos até motivo de comemoração, pois o caos indicava progresso, que enfrentávamos apenas os acasos da “lei de Murphy”, que não podíamos nos deixar levar pela “pressa neurótica”.

Não esboçou um mínimo sinal de desagrado diante de um Ministro da Defesa, superior hierárquico do Comando da Aeronáutica, a desafiar, irritado, que se procurasse na lei onde estava escrita sua responsabilidade sobre tráfego aéreo; não ponderou à sua ministra-chefe da Casa Civil que o momento não era de exibir seus atributos de dama de ferro em forma de rudeza (“não seremos fonte de especulação imobiliária”) e sim de informar com serenidade que não existe ainda um local escolhido para o futuro aeroporto de São Paulo; não estranhou a condecoração aos ineptos da Anac; não viu mais que um ato “infeliz” no gesto de Marco Aurélio Garcia a mandar todos para aquele lugar.

O Presidente passou por cima de tudo e mais um pouco, mas achou por bem apelar à “compreensão” geral e alertar para a irresponsabilidade do público que debate, desconfia e cobra aquilo que nada mais é do que seu direito inalienável à vida, à segurança, à liberdade de ir, de vir e de se expressar. E por que a corriola é inimputável? Porque na concepção preponderante no governo suas atitudes são tomadas em defesa de um projeto político cuja razão de ser começa e termina na preservação do exercício do poder pelo poder. Seja qual for a verdade que “virá à tona”, como assegurou Lula, sobre o acidente, nada muda essa realidade consolidada pelos fatos, um após o outro, ocorridos desde o início da crise – datada de 29 de outubro, dia do segundo turno da eleição presidencial – para cá”.

Dora Kramer, jornalista

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Comentário (II)

Os intocáveis

“A possibilidade de demitir os diretores da Anac, principal sugestão de mudança no funcionamento da agência feita em decorrência da crise aérea e da tragédia em Congonhas, tem pouca chance de ser aprovada, afirmam parlamentares ligados à questão. Segundo eles, isso abriria precedente para que o mesmo acontecesse nas agências dos setores elétrico, de telecomunicações e de petróleo. Dados os lobbys envolvidos, não haveria “ambiente” no Congresso para votar tamanha correção de rota. Uma medida que os parlamentares discutirão a sério é a proibição de contingenciamentos no orçamento da Anac. Ou seja: garantir contínuo repasse de recursos a uma agência rendida aos interesses que supostamente deveria regular”.

Renata Lo Prete, jornalista (painel@uol.com.br)

Pelegos dão um “jeitinho” para aparar (ou amparar?) Waldir

Quando se trata de mexer com quem tem medo, Lula da Silva é mais tucano do que os tucanos: fica sempre em cima do muro. E está empoleirado há dez meses sem ter coragem de fazer o que até um medíocre estadista já teria feito, demitir o indolente e inoperante ministro da Defesa, Waldir Pires. Dizem que existe uma grande amizade entre ambos, o que não é bem verdade; o relacionamento é recente, da quarta eleição de Lula para cá. Seja lá como for, os aspones do Planalto garantem que a demissão agora sai, e até já arranjaram uma “boquinha” para Waldir no melhor estilo petista…

A idéia é que o Jacques Wagner – cuja mediocridade já está gravada na cabeça dos baianos – precisa de alguém de renome, que imponha respeito popular a um secretariado onde falta alguém nessas condições. Não é para trabalhar, não, porque Waldir não é disso e a permanente e ininterrupta festividade soteropolitana não exige muito das suas personalidades. Então, um cargo honorífico cairá bem. O Governador e os pelegos que o cercam estão bolando uma posição que qualquer um gostaria de ocupar: um bom dinheiro no bolso e pouquíssima responsabilidade.

Isto resolvido, restará para Lula da Silva encontrar alguém à sua feição. Subserviente. Nelson Jobim, convidado, não quis fazer este papel; restaram em cima da mesa das decisões Celso Amorim e Paulo Bernardo. Aliás, pela pequenez de ambos, os nomes ficam sobre a mesa e eles por baixo. Mas Lula não pode prescindir de Amorim na próxima rodada Doha, e Paulo Bernardo não é bem recebido pelo oficialato da FAB ligada à tropa; a pelegagem dele no caso da greve dos controladores ainda está atravessada na garganta dos que zelam pela hierarquia.

Miranda Sá

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FRASE DA VEZ_2/24

“Está estabelecido que a desordem nos serviços aéreos tem dez meses, data do choque entre chefiados e chefes no controle aéreo, em seguida à derrubada do avião da Gol pelo Legacy”.

Jânio de Freitas, jornalista

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Governo desacreditado

“O que de pior aconteceu para o presidente Lula não foi o novo apagão aéreo duas horas depois de sua tardia aparição em rede nacional, na noite de sexta-feira, quando anunciou, mais tardiamente ainda, o pacote de medidas para debelar a crise de 10 meses na aviação comercial brasileira. O pior foi a desmoralização do governo, pelo descrédito generalizado da opinião pública em relação à sua capacidade de levar a termo as decisões anunciadas e à sua eficácia para debelar a pane que tomou conta do setor, como nunca antes se viu na história deste país – a ironia é inevitável.

E não se acusem os céticos de torcer contra, por um imaginário desejo de se desforrar do esquema lulista de poder, querendo imitar pelo avesso o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia e um seu subordinado ao acharem que o noticiário isentava o Planalto de qualquer responsabilidade pela catástrofe de Congonhas. Pois são de todo procedentes as razões para duvidar de que o governo será capaz de implementar as iniciativas aprovadas pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). O que deixa a sociedade pessimista é a seqüência de fracassos da administração federal no campo da infra-estrutura, que está toda ela em estado igual ou pior que o do setor aéreo.

Desde o primeiro dia do primeiro mandato do presidente Lula até hoje, literalmente, nada do que foi prometido para o setor se cumpriu. Sob um chefe de Executivo conhecido por sua imensa dificuldade para executar os planos anunciados um depois do outro com foguetório, autolouvação e, não raro, empáfia, é como se as obras e a modernização dos sistemas de gestão se materializassem a golpes de retórica – a palavra como substituto do trabalho, da persistência e da capacidade de fazer o que se espera do ocupante do mais alto cargo da República”.
(Editorial Estadão)

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Comentário

Basta um erro qualquer para o colapso

“Um sargento da manutenção mexe em alguma coisa errada no Cindacta-4 e -puf!- o sistema inteiro cai. Não por dois ou três minutos, mas por duas horas e justamente no início da madrugada, quando os vôos internacionais que partem de Guarulhos e do Galeão sobrevoam a Amazônia.

Um pandemônio, com aviões de companhias estrangeiras voltando para o Sudeste ou para os EUA. Ou o sistema é uma porcaria e basta um erro qualquer para entrar em colapso, ou andaram tirando proveito desse erro para transformar uma pane que seria rápida numa grande dor de cabeça nacional, com reflexos nos vôos domésticos e nos aeroportos de todo o país”.

Eliane Cantanhêde, jornalista

FRASE DA VEZ_1/24

“Em outra época de ufanismo idiota, similar ao do atual governo, dizia-se “ninguém segura este país”. Nem precisa dizer: se o país é incapaz de segurar um avião na pista, vai segurar o quê?”

Clóvis Rossi, jornalista

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