Quem quer o Brasil moderno?

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Vamos abrir aspas para o professor Gaudêncio Torquato, que sabe das coisas e tem um jeito especial de transmiti-las ao seu público leitor. Este texto é esclarecedor com respeito à medida aritmética da miséria, uma soma interminável de esmoleres que se ancoram no adjutório governamental sem perspectiva de escapar da vergonhosa servidão. Dizem que já há herdeiros de segunda geração com direito á inscrição no Programa… MIRANDA SÁ

“Há no País uma mania de torcer pela desgraça? O autor deste desatino, expresso em mais uma fala extravagante, é ninguém menos que o presidente da República. Que desalmado é capaz de torcer por tragédias aéreas, pela violência que consome a precária reserva de segurança dos habitantes das metrópoles ou pelo tétrico desfile de pessoas desesperadas nos corredores dos hospitais da Paraíba e de Alagoas, onde médicos em greve cruzam os braços diante de pacientes em estado grave?Lula se queixa de uma torcida contra seu governo. Pode até haver críticas injustas a ações governamentais, principalmente de adversários políticos, mas não há como negar que certos projetos exibem traços eleitoreiros. E que continua no palanque, como denota sua fala no encerramento da Marcha das Margaridas, em Brasília.

O mandatário-mor passa boa parte do dia usando o verbo e prometendo verbas. A liturgia eleitoreira impregna a alma lulista. E ela é responsável por exageros e generalizações. Possivelmente o perfil de Lula como eterno candidato passe despercebido das platéias que o ouvem, principalmente quando se trata de multidões em praças públicas. A massa deixa escapar o senso crítico. Diante dela, o sentimento do líder em relação à sua própria multiplicação ganha força. Em se tratando de Lula, a hipótese chega às alturas. O ex-metalúrgico tem obsessiva necessidade de lembrar que é o maior, o melhor, o único capaz de conduzir o povo à Terra Prometida. Lembra João Agripino, ex-ministro e ex-governador da Paraíba, montanha de vaidade, que costumava dizer: “Deus estava com mania de grandeza quando me criou.”

Críticas aos programas sociais do governo apontam o caráter mercadológico e assistencialista que favorece a cultura da acomodação. Quem não se lembra do espalhafatoso Fome Zero, que se perdeu no baú do esquecimento? O Bolsa-Família beneficia 46 milhões de pessoas com uma injeção de R$ 72 mensais para as famílias. Alguns técnicos o consideram um bom programa de transferência de renda. Mas é distributivismo em forma pura, descolado do compromisso com avanços. Joga as pessoas na sacola da mesada mensal. Basta anotar que, em vez de diminuir, o programa se expande. Que lógica é esta? A pobreza, então, aumenta?”

Gaudêncio Torquato, jornalista e professor

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