Thiago de Mello
Os astros íntimos
Consulto a luz dos meus astros,
cada qual de cada vez.
Primeiro olho o do meu peito:
um sol turvo é o meu defeito.
A minha amada adormece
desgostosa do que sou:
a estrela da minha fronte
de descuidos se apagou.
Ela sonha mal do rumo
que minha galáxia tomou.
Não sabe que uma esmeralda
se esconde na dor que dou.
A cara consigo ver,
sem tremor e sem temor,
da treva engolindo a flor.
Percorre a mata um espanto.
A constelação que outrora
ardente cruzava o campo
da vida, hoje mal demora
no fulgor de um pirilampo.
Mas vale ver que perdura
serena em seu resplendor,
mesmo de luz esgarçada,
a nebulosa do amor.
- Comentários desativados em Thiago de Mello
- Tweet This !
ALGORÍTIMO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Você quer passar o resto da sua vida vendendo água com açúcar ou quer uma chance de mudar o mundo? ” (Steve Jobs)
Algoritmo foi indicada como “a palavra do ano” pelo dicionário “Oxford”, uma das referências mais importantes do mundo para a catalogação de novas palavras e expressões. É, entretanto, uma palavra antiquíssima, usada na Mesopotâmia e Egito antigos.
Foi usada e popularizada matematicamente por Euclides, um dos grandes professores da famosa escola de matemática de Alexandria, conhecida como “Museu”.
Todavia a sua etimologia é mais recente e discutível: uns pesquisadores citam sua origem no sobrenome Al-Khwarizmi, do matemático persa do século IX Mohamed ben Musa; outros defendem a origem da palavra em Al-goreten (raiz – conceito que se pode aplicar aos cálculos).
O “algorithmus infinitesimais” ´é utilizado para significar “maneiras de calcular com quantidades infinitésimas” (pequenas), uma invenção de Leibniz. Também é conhecido no meio financeiro, como “algos”.
Para se popularizar com a força que tem atualmente, o termo entrou na economia, na política e até ilustrado em receita culinária, como registra Alecio Soares Silva na sua tese de conclusão do curso na Universidade Federal de Campina Grande (Paraíba).
Essa “simplicidade”, porém, não é tão simples… Os algoritmos podem ser muito complexos. Eles “repetem passos (fazem interações) ou necessitam de decisões (tais como comparações ou lógica) até que a tarefa seja completada”.
Essa complexidade está, por exemplo, no conceito de um algoritmo que foi formalizado em 1936 pela Máquina de Turing de Alan Turing e pelo cálculo lambda de Alonzo Church, que formaram as primeiras fundações da Ciência da computação.
Embora não represente, necessariamente, um programa de computador, foi neste campo que matamos a charada: a Ciência da Computação define o uso do computador na realização de várias tarefas e, quando se trata de formar opinião pública, torna-se uma gigantesca força política.
O processo, segundo Christian Sandvig, professor de ciência da informação da Universidade de Michigan, é que “O algoritmo e o usuário coproduzem o feed”: “O computador te observa e aprende com o que você clica. Ao mesmo tempo, você decide como responder ao que ele mostra a você. ”
O Facebook – a rede social mais popular do mundo, com 1,59 bilhão de pessoas conectadas – reconhece que “o volume de conteúdo criado e compartilhado é proporcional ao número de usuários. Assim, o algoritmo é uma forma de permitir que cada pessoa tenha acesso ao que julga mais importante”.
É aí que reside o poder das redes sociais. Muitos tuiteiros desconhecem que a sua atividade comentando, analisando ou denunciando, tornam-se algoritmos, códigos baseados em inteligência artificial que ficam gravados nos sites de comunicação social.
Os algoritmos podem realizar a tarefa usando um conjunto diferenciado de instruções em mais ou menos tempo, espaço, ou esforço do que outros. Dessa maneira, o volume de mensagens se torna uma interação e uma força de expressão notável.
Foi assim que se realizaram as manifestações registradas na “Primavera Árabe” e, no Brasil, a convocação que levou milhões de pessoas às ruas protestando contra a corrupção e a incompetência administrativa do governo Dilma. Também a intervenção das redes sociais contra a nomeação de Lula da Silva para a Casa Civil para livrá-lo da Lava Jato, teve êxito. E assim saiu o impeachment, acabando com a Era PT.
É perfeita a lição de Diego Beas ensinando que “A rede social dotou o cidadão de uma nova e magnífica ferramenta que necessariamente subtrai poder ao Estado”. O algoritmo deve ser abastecido de mensagens contra a corrupção, os privilégios e a impunidade; pela prisão dos corruptos e do seu chefe Lula da Silva. E conquistaremos esta meta!
- Comentários desativados em ALGORÍTIMO
- Tweet This !
Junqueira Freire
SONETO
Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável
A vil calúnia, pérfida inimiga.
Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.
Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome não preciso;
Sei insultar uns cálculos insanos.
Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso.
- Comentários desativados em Junqueira Freire
- Tweet This !
Paul McCartney – Ob-La-Di, Ob-La-Da
- Comentários desativados em Paul McCartney – Ob-La-Di, Ob-La-Da
- Tweet This !
Repercussão do artigo “Morte”
- Comentários desativados em Repercussão do artigo “Morte”
- Tweet This !
MORTE
Miranda Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima”. (Rui Barbosa)
Dois grandes luminares da inteligência brasileira, Ruy Barbosa e Machado de Assis nos trazem com seus pensamentos reflexões sobre a morte. Nosso epigrafado abre a perspectiva espiritual de sua continuidade enquanto Machado zomba com a sua repercussão.
Diante da perda de Teori Zawascki, Ruy nos anima pela visão de que com ele nada está aniquilado e renova a esperança de que aquilo que estava fazendo será renovado com mais força; Machado agita a ideia da hipocrisia reinante entre aqueles que o enaltecem agora, como não faziam antes: Escreveu: “Está morto: podemos elogiá-lo à vontade”.
Multiplicam-se os elogios a Teori, morto. Há controvérsias, muitos apontam favorecimentos nas suas decisões. O juiz Sérgio Moro, austero e comedido, não lhe regateou elogio: “Foi um herói”.
É tão difícil o julgamento do Ministro, como a decisão que deveria tomar no caso das delações premiadas da Odebrecht que estudava com os juristas, seus auxiliares. E pela complexidade dos julgamentos, uma coisa é certa: A Lava Jato está perigando.
O ministro do STF, Teori Zavascki, morreu no dia 19 num acidente de avião no litoral do Rio de Janeiro com mais quatro pessoas, em local próximo ao acidente aéreo que nos levou Ulisses Guimarães.
Segundo consta, ele havia decidido interromper as férias para se debruçar no processo da Operação Lava Jato, do qual era relator no STF, como responsável por passos decisivos da megainvestigação relacionados a altas autoridades do País, detentoras de foro privilegiado.
Entre os que deveria julgar estão os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, constando da lista os presidentes da República Michel Temer e do Senado, Renan Calheiros, além de dezenas de parlamentares.
A Infraero informou que a aeronave prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, decolou às 13h01 do Campo de Marte, na capital paulista, e a queda ocorreu por volta das 13h45, quando o bimotor estava a 2 km de distância da pista do aeroporto de Paraty.
Não obstante a falta de provas de que o desastre não tenha passado de um acidente causado pelas condições meteorológicas, a reconhecida habilidade do piloto, também falecido, e outras versões pouco consistentes, exige-se uma investigação rigorosa e que haja garantias de que a apuração dos crimes persista com integridade.
O Ministério Público, a Polícia Federal e um órgão de investigação da Aeronáutica apuram as causas do acidente que é temido pelo filho de Teori Zavascki como uma sabotagem. No ano passado chegou a publicar um tuíte afirmando temer que algo acontecesse ao pai.
O que ocorre é que nos meios políticos haviam temores pela decisão de Teori, e tal circunstância levanta suspeitas diante de fatos não esclarecidos, coincidentes e duvidosos. Fala-se em “teoria da conspiração”, mas a personalidade, o caso e as consequências da sua falta criam uma situação para isto.
O ministro Teori Zavascki era relator da Operação Lava Jato no STF. Muitos políticos estão envolvidos na delação premiada da Odebrecht e a sua morte virá prejudicar obrigatoriamente o processo da investigação e até mesmo alterar o seu curso.
O poder republicano está com uma batata quente nas mãos: Temer negaceia em assumir a nomeação do novo ministro e espera que Cármen Lúcia decida sobre quem exercerá o cargo de relator da Lava Jato.
O Brasil (83% dos pesquisados defendem a continuidade das investigações) demanda e espera que não se atrevam a tocar na faxina anticorrupção que o juiz Sérgio Moro, o MPF e a PF realizam com eficiência e independência!
- Comentários desativados em MORTE
- Tweet This !
John Lee Hooker – Boom Boom
- Comentários desativados em John Lee Hooker – Boom Boom
- Tweet This !
Comentários Recentes