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POLÍTICA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política, e não a manobra de se aproveitar dos outros em proveito próprio”

O povo na sua sabedoria usa o termo “político” como uma pessoa esperta que tem a habilidade de relacionar-se com os outros para engana-los e obter vantagens.

A política, entretanto, é, na teoria, a arte ou ciência de governar e responsável pela organização, direção e administração de nações ou Estados. O verbete “Política” e dicionarizado como um substantivo feminino originário do grego antigo, politikḗ, ciência dos negócios do Estado.

A política seria uma atividade destinada a guiar ou influenciar o modo de governo, a organização de um partido, influir na opinião pública e conquistar eleitores. Como é exercida por políticos, cabe a eles essas tarefas. Por que o político (do grego politikós) ou estadista, é quem se ocupa da política.

Segundo Sócrates, político é um homem público que lida com a chamada “coisa pública”. Segundo Platão, é o filiado a um partido ou a uma “ideologia filosófica de conduta”.

Se escolhido pela vontade do povo, o político deveria atuar como membro ativo de um governo ou em oposição a ele, influenciando a maneira de como a sociedade deve ser governada. Abrange também especialistas e técnicos que ocupam cargos de decisão no governo.

Voltados para a verdade histórica, é inegável que o mundo anda carente desses representantes ou sub-representantes da sociedade. No Brasil de antigamente tivemos nomes de alto valor, até entre os bacharéis filhos de barões e depois dos coronéis, eleitos nas eleições de bico de pena…

Havia idealismo e não vassalagem ao poder e as benesses que o poder oferece. Hoje assistimos a corrida pelo dinheiro fácil da cooptação governamental ou das propinas empresariais, que levam o político a vender sua consciência e se corromper.

Seria fastigioso enumerar no Brasil os políticos detentores de foro privilegiado envolvidos em corrupção com denúncias acumuladas no STF, reservo-me a enumerar, os senadores, por ordem alfabética:

Antônio Anastasia, Benedito de Lira, Ciro Nogueira, Edison Lobão, Fernando Collor de Mello, Garibaldi Alves, Gladson Cameli, Gleisi Hoffmann, José Agripino, Lindbergh Farias, Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp, além da ex-senadora Roseana Sarney e seu pai “Imortal”…

Graças à patriótica Operação Lava Jato os corruptos vão caindo um a um como moscas alvos de DDT. E além dos deputados que pululam como sanguessugas na lama, ainda há governadores e ex-governadores às pencas.

É triste constatarmos que o autor da frase “quem vota em bandido não é eleitor, é cúmplice” está certo. Há uma espécie de gente, sobretudo pessoas fáceis de persuadir que adotam de forma desprezível o culto da personalidade, permitindo aos demagogos – camelôs do convencimento – aproveitar-se disto, prendendo-a com as algemas do fanatismo…

Não há exemplo mais do que perfeito nos adoradores de Lula da Silva, corrupto e corruptor. É uma fração constituída de indivíduos patinando no pântano do analfabetismo político, na cegueira cívica ou marchando mercenariamente como chaleiras do Pelegão.

São os chamados “lulopetistas”, que adoram ser enganados e têm o atrevimento de se indispor com os que combatem a corrupção de seus companheiros de partido que imagina subtraírem valores “em nome da causa”.

O filósofo Voltaire, lúcido, disse que “A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”. Nós vemos isto quando a política adentra nos tribunais…

GLOBALISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Vivemos tempos em que a guerra ideológica era capitalismo versus socialismo. Hoje vivemos na era do nacionalismo versus globalismo” (Matheus Marinho)

Relendo a coletânea de crônicas do economista e erudito baiano Armando Avena Filho, surpreendi-me mais uma vez com a inesgotável fonte de conhecimentos do autor, principalmente ao abordar “os incríveis pensadores e suas ideias maravilhosas”.

No seu livro, Avena vai de Marx a Adam Smith, perpassando pela evolução da teoria econômica à sua maneira, que qualifica como uma “obsessão de ‘deshermetizar’ o famigerado economês permitindo aos não-iniciados decifrar a linguagem cifrada dos economistas”.

É interessantíssima a colocação sobre o desastre da experiência marxista na URSS e nas burocráticas “Repúblicas Populares ” (lembrando que Marx disse: “Eu não sou marxista”), e a evolução do capitalismo do século XIX para cá.

Na verdade, a exploração dos trabalhadores à época do lançamento d’ “O Capital” era selvagem. E ainda haviam restos dessa grosseria nos albores do século XX, o que deu margem à desesperada proliferação das ideias socialistas com vários matizes.

Ao lado do movimento comunista internacional surgiram manifestações de caminhos nacionais para o socialismo, a começar do fascismo na Itália que inspirou Hitler e o seu Partido Nacional dos Trabalhadores Alemães na Alemanha.

O socialismo russo se burocratizou e instituiu uma ditadura policialesca; a Itália, enlouqueceu com sonhos de Mussolini pela restauração do Império Romano e, na Alemanha, descambou para o racismo e aliança com grandes industriais e empreiteiros na corrida armamentista e a guerra.

Enquanto isto, o capitalismo mostrou uma incrível adaptação aos novos tempos, cedendo às reivindicações da classe operária. Melhorando a qualidade de vida dos trabalhadores, com a redução da jornada do trabalho e o pagamento de salários acima do nível de subsistência.

As lutas operárias inspiradas da teoria marxista arrefeceram com as melhorias conquistadas pela classe trabalhadora, que além de um salário digno obtiveram o seguro desemprego e educação e assistência médica patrocinadas pelos estados de influência capitalista.

Nos estertores do chamado “socialismo real” da URSS, surgiram movimentos saudosistas do revolucionarismo nos países subdesenvolvidos. Guerra de guerrilhas e partidos extremistas pregando um populismo fascistóide com chamamento “socialista”.

Esses movimentos caricaturais usam táticas para iludir as massas populares das grandes cidades e até em setores rurais, serviram um caldo de cultura esquizofrênico, desligado da realidade. É o que assistimos na América Latina e o maior exemplo é o “cocalero” Evo Morales. No Brasil temos o Partido dos Trabalhadores que logrou assumir o poder e como se vê, fracassou.

Na conjuntura mundial, inspirado pelo capital financeiro e a indústria bélica, surgiu o “Globalismo”, prometendo de um lado o fortalecimento das empresas transnacionais e, do outro, instigando o ressurgimento do esquerdismo e até do terrorismo nos países ricos em petróleo.

O globalismo é uma palavra recém-criada. Um substantivo masculino dicionarizado como uma forma de propiciar uma interligação planetária com redes de comunicação internacional. Ainda oculta, a sua sinonímia leva à influência política de um cartel ideológico, o internacionalismo e o imperialismo.

Este engodo conquistou a despreparada “intelectualidade esquerdista”, os pelegos sindicais e a politicagem populista corrupta. Se Marx vivesse hoje, se envergonharia dos frutos pecos da árvore que plantou…

DE VOLTA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios” (Montesquieu)

Como um filme, ainda passa nos meus olhos e na minha consciência, a luta que mantivemos nas redes sociais denunciando os roubos da quadrilha Lula-Cabral-Ricardo Teixeira-Paes nas Olimpíadas e na Copa do Mundo. Enfrentamos, além desta poderosa ORCRIM, a maré popular, ingênua e cega, encantada pela propaganda e um falso ufanismo.

É com alegria que vemos voltar à cena as denúncias de corrupção naqueles dois eventos, fazendo realidade a ficção exposta no excelente filme “De Volta para o Futuro” dirigido e escrito por Robert Zemeckis e a viagem no tempo de Marty McFly  com as invenções malucas do Dr. Emmett Brown.

Não é só aqui que estão pipocando memórias e delações premiadas. Conforme noticiou o Le Monde na semana passada, a Justiça francesa investiga suspeitas de pagamento de propina na escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

O pau já nasceu torto. Vimos Lula, no auge da sua popularidade, sempre cobiçoso, explorar a Copa do Mundo sediada no Brasil e se postou na linha de frente da gangue que corrompeu o Comitê Olímpico.

De braços dados com Ricardo Teixeira, o mafioso da CBF, e ao lado de Cabral, notório assaltante dos cofres públicos, Lula discursou em Johanesburgo dizendo que “A Copa será uma grande oportunidade para acelerar o crescimento em infraestrutura necessário para o desenvolvimento do nosso Brasil”.

Foi o aval necessário para a compra da eleição do Rio como sede olímpica. A transação foi executada por Arthur Cesar de Menezes Soares, amigo e sócio na roubalheira do ex-governador Sérgio Cabral.

É inegável que o assalto não teria se consumado se não fosse no palco da Fifa, a arqui-corrupta Federação Internacional de Futebol, e no COL, o não menos criminoso Comitê Olímpico.

Parafraseando Lula, na escandalosa roubalheira praticada pelos seus comparsas “foi uma grande oportunidade para estabelecer uma desenfreada corrupção e o fortalecimento da quadrilha que afundou o Brasil”.

É isto que agora aparece e se comprova de volta para o futuro. Assiste-se como era feito o favorecimento para empreiteiras, os sobrepreços, as propinas e o caixa dois. É com indignação e revolta que lembramos a construção e a reforma dos 12 estádios entre junho e julho de 2014. Desses 12, somente dois escaparam da sanha maldita dos quadrilheiros, o Beira-Rio, em Porto Alegre, e a Arena da Baixada, em Curitiba.

Delações da Odebrecht e da Andrade Gutierrez envolveram figurinhas carimbadas, além de Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Entrou também na divisão do butim Eduardo Cunha, e Lula, este sempre poupado nas delações das grandes construtoras, embora tenha escorregado na lambança do Tríplex do Guarujá com outra beneficiária de obras, a OAS.

Ficou esclarecido o preço das propinas estabelecido por Sérgio Cabral: 5% do valor orçado nos empreendimentos, tanto em 2014 como em 2016. O montante do desvio criminoso, só na reforma do Maracanã, foi de R$ 30 milhões.  Nas listas do Departamento de Propinas da Odebrecht com o pseudônimo “Nervosinho”, Eduardo Paes recebeu R$ 15 milhões, e Cunha, segundo a Procuradoria-Geral da República, R$ 1,9 milhão.

Diante deste quadro horrendo, voltemos ao passado com Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

 

 

OS IGUAIS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

    “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” (Rosa Luxemburgo)

Um presente sempre lembrado nos aniversários de pré-adolescentes, filhos e netos dos meus amigos, o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, é uma referência na minha estante. Li-o pela primeira vez em 1948, na edição portuguesa emprestada por um colega de colégio.

Só vim a possuir um exemplar 32 anos depois, o lançamento no Brasil em 1980 da Editora Globo S/A, de Porto Alegre. A “Revolução dos Bichos” é uma fábula moderna, digna de constar do panteão que homenageia Esopo e Fedro, os azes de ouro do gênero. Não canso de relê-la.

A fábula (do latim fabula, história, regras, lição) é uma narrativa que surgiu no Oriente e levada à Grécia no século VI a.C. através de um escravo chamado Esopo, improvisador de versos, tendo como personagens animais que dão lições de moral aos homens.

Os textos, escritos ou orais, são geralmente curtos. Mais tarde, renasceram através do francês La Fontaine, o escocês Robert Louis Stevenson, o russo Liev Tolstói, os portugueses Sá de Miranda e Bocage, e o nosso excepcional representante, o brasileiro Monteiro Lobato.

Na Revolução dos Bichos, Orwell abordou com muita ousadia o tema da igualdade, em 1945, no pós-guerra, quando o poder soviético atraía a curiosidade e conquistava a simpatia de muitos. E veio justamente do sistema stalinista, ditatorial e policialesco, traidor dos princípios da revolução de 1917, o estímulo criador para desmascará-lo.

A palavra “igual”, vem do latim aequalis. É adjetivo de dois gêneros designando aquilo que tem as mesmas características e o mesmo valor, seja legal, matemático ou moral. Numa Democracia, é, por princípio o direito de um povo. A Igualdade no Brasil é prevista no artigo 5º da Constituição Federal, chamado de “Princípio da Igualdade” e que diz serem todos iguais perante a lei.

É evidente que o texto constitucional não se trata de igualdade da matemática e da natureza, mas da igualdade política e social. Que se torna difícil de garantir por que relaciona os indivíduos comuns e os ocupantes do poder.

Desgraçadamente a sociedade é regida por leis que sempre têm brechas capazes de privilegiar alguns, por que são feitas por eles próprios. Esses “alguns” são aqueles que Orwell mostrou na sua “Revolução dos Bichos”, os porcos que lideraram a revolução sob a égide de sete mandamentos entre os quais “Todos os animais são Iguais”.

Comandada por um porco ditador, a burocracia política e administrativa da Granja dos Bichos foi-se acomodando, se corrompendo, e traindo todo o ideário da revolução, com os porcos se humanizando, abolindo os mandamentos e substituindo-os por uma só divisa: “Todos animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”…

Se ficarmos desatentos, tropeçamos nas valas do “todos somos iguais”. Começa com os possuidores do “foro privilegiado”, mais iguais dos que nós. Temos uma pá deles no Congresso Nacional com processos engavetados no Supremo Tribunal Federal; e não aparece um meritíssimo para julgá-los cumprindo a Constituição.

Nos tríplex dos andares de cima do edifício social há pessoas criminosas e sem ”foro privilegiado”, que também são mais iguais do que as outras… O julgamento deles dura o tempo suficiente para a prescrição dos crimes. Há uma enorme fila de espera para se safar como FHC e Sarney o fizeram… Lula está entre eles.

Na moral da fábula orweliana vê-se que a igualdade é associada à não-discriminação; e vem daí a dificuldade de implantá-la entre os humanos. Papai Balzac já dizia:  “A igualdade pode ser um direito, mas não há poder sobre a Terra capaz de a tornar um fato”.

 

REFORMAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                                “É o progresso das ideias que traz as reformas, e não o progresso dos males públicos que as torna inevitáveis.” (Alexandre Herculano)

“Reforma” é a ação e o efeito de reformar. Este verbo, por sua vez, significa voltar a formar, refazer, modificar algo, emendar ou corrigir algo que está superado; tanto estrutural, de entidades, ou em relação à pessoa. É derivado do latim, do particípio passado de reformāre, «dar a primeira forma a, restabelecer; mudar, reformar, alterar. Em português, “reforma” é um substantivo feminino: a mudança introduzida em algo para fins de aprimoramento e obtenção de melhores resultados. Exemplificando a palavra, temos a recente reforma ortográfica no idioma…

A maior significação histórica de reforma registra-se no século 16, com o início das reformas religiosas provocadas pelos abusos papais conduzindo a Igreja Católica. Foi um notável fruto do pensamento renascentista.

A personalidade mais notável desta reforma foi o monge alemão Martinho Lutero, que contestou os dogmas do catolicismo, afixando críticas à doutrina vaticana na porta da Igreja de Wittenberg.

Em reação ao movimento protestante, a igreja católica respondeu com a contrarreforma, criada 38 anos depois e que, sem conseguir reverter a iniciativa de Lutero, deu margem a expansão do protestantismo e suas diversas expressões, luteranismo, calvinismo, anglicanismo e as modernas manifestações nascidas do pentecostalismo e da “Nova Era”: as igrejas evangélicas.

Mais tarde, no século 19, vieram as reformas políticas, como as revoluções francesa, americana e russa. Esta última, inspirada no marxismo, abriu um processo de luta interna ideológica conhecido como “reforma ou revolução”, a partir de um texto de Rosa Luxemburgo, publicado em 1900, e posteriormente a tese do teórico Bernstein, que produziu o “Manifesto de Champigny”.

A proposta reformista contradisse o princípio revolucionário de Lênin, defendendo a tese da conquista do socialismo através de reformas graduais do capitalismo. Previu assim, que o próprio capitalismo industrial faria as concessões que a classe trabalhadora goza nos dias de hoje.

No Brasil atual, vivemos a ânsia de reformas para modernizar a legislação social. O primeiro avanço veio recentemente com a reforma trabalhista que, entre outras coisas, acabou com o famigerado Imposto Sindical, obrigatoriedade fascista fixada na superada Consolidação das Leis do Trabalho.

A finada contribuição sindical sustentava uma pelegagem oportunista enraizada nos sindicatos, dominando-os com trapaças e prejudicando o verdadeiro sindicalismo. Foi defendida apenas pela ORCRIM lulopetista, a minoria ruidosa que assusta os débeis governantes, mas foi derrotada pela pressão das redes sociais.

O Projeto de Lei da Reforma Trabalhista (PL 6787/2016) foi relatado e defendido pelo deputado norte-rio-grandense Rogério Marinho, aprovado na Câmara Federal e habilitado pela CCJ do Senado Federal.

Enfrentando a “vanguarda da retaguarda” dos autodenominados “revolucionários”, temos pela frente outra reforma: a reforma previdenciária, que infelizmente não consegue estabelecer uma relação igualitária, sofrendo pressões corporativas, de militares e dos servidores públicos dos poderes Legislativo e Judiciário.

Concomitante, temos ainda a exigência nacional da reforma política para derrubar as leis elaboradas pelos políticos favorecendo a si próprios, com o financiamento dos partidos, privilégio revoltante do “foro privilegiado” e manobras para garantir reeleição dos seus mandatos desmoralizados tipo “Listra Fechada”, a “Lei da Ficha Suja” e o “Distritão”.

Os brasileiros conscientes querem o fim de toda desigualdade, por uma Previdência que respeite a cidadania como reza a Constituição, e uma atividade política que acabe com o financiamento de partidos que devem viver da contribuição dos seus aderentes.

 

 

ORCRIM

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

          “O crime organizado não é nada mais do que uma guerra de guerrilha contra a sociedade”  (Lyndon Johnson)

Listei 14 dicionários de siglas, abreviaturas e afins, e tem muitos mais. Na minha estante de referência há quatro deles. Folheando-os é possível que cheguemos a milhares dessas reduções de palavras e expressões obedecendo a regra geral de escrever a primeira sílaba e a primeira letra da segunda sílaba, seguidas de ponto abreviativo.

Só de órgãos públicos no Brasil, um dos dicionários vistos recolheu cerca de quatro mil, afora os vinculados referindo-se a profissões, como termos matemáticos ou empresariais, e termos bancários.

Nesta Torre de Babel encontram-se siglas de associações, fundações, conselhos, partidos e organizações estudantis e sindicais; enfim, as abreviações dos vocábulos usadas à maneira de fácil entendimento. Devem ser inteligíveis.

Este recurso foi aproveitado sabiamente nas redes sociais desde os velhos tempos (parecem tão antigos!) do Orkut… No Twitter, a criatividade é incrível, começando pelo romântico “bjs” (beijos); e o uso de abs (abraços), c/ (com), FB (Faceboock), msg (mensagem), msm (mesmo), ñ (não) obg (obrigado), pq (porque), qquer (qualquer), tb (também) e a gíria dos bilhetes formais como cc (com cópia) e p/ (para).

Estas abreviações ajudam sobremodo as mensagens de 140 toques, sem nenhum prejuízo para a compreensão do interlocutor. Emprega-se também a terminologia dos jornais populares, como cel (celular), cine (cinema), foto (fotografia), micro (computador individual), moto (motocicleta) e para xingamentos, o infalível FDP (filho da puta).

Foi igualmente no twitter para uso das mensagens de análise e informação, que apareceram o CN (Congresso Nacional), LJ (Lava Jato), MP (Ministério Público), PF (Polícia Federal), SM (Sérgio Moro) e ORCRIM (Organização Criminosa).

Basta se escrever ORCRIM que a abreviatura leva rapidamente a pensar no Partido dos Trabalhadores, uma organização criminosa que assaltou o Brasil durante 14 anos, e o seu chefe, Lula da Silva, condenado da Justiça a nove anos e seis meses.

O terror – ideológico – do lulopetismo, defende o seu dirigente com fanatismo e o uso de chicanas jurídicas para desmerecer a robusta acusação que garantiu uma ampla defesa e a sentença do juiz Sérgio Moro, comprovante de três mil evidências, 13 casos e R$ 80 milhões em propina.

Não foram como dizem e repetem mil vezes como ensinou o doctor Goebbles querendo impor uma verdade mentirosa. São documentos, diálogos gravados e vários depoimentos e não precisa tanto, como diz o jornalista Jânio de Freitas: “É mais fácil encontrar motivo da condenação de Lula fora dos autos”.

O povo brasileiro vê em todos os setores políticos a avassaladora onda de corrupção aprimorada e institucionalizada nos governos de Lula da Silva em seu nome e no de Dilma Rousseff. Vê, principalmente, o enriquecimento dos parentes de Lula, dos hierarcas do PT, a “ajuda eleitoral” aos diversos representantes de partidos aliados.

É com satisfação que os brasileiros conscientes recebem a condenação de Lula e, consequentemente, da ORCRIM, que veio acompanhada do fim da contribuição sindical que engorda os pelegos privilegiados que dominam e paralisam os sindicatos.

Engrossamos os 83% dos pesquisados que pedem a prisão de Lula, mas não se satisfazem apenas com isto. Querem mais; a continuidade das investigações para levar com ele os seus cúmplices, ativos e passivos, que compõem a ORCRIM lulopetista.

HERANÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)                         

 “Ninguém tachou de má a caixa de Pandora por lhe ter ficado a esperança no fundo. Em algum lugar há de ela ficar” (Machado de Assis)

Desde que instalei o meu Blog libertei-me do jornalismo informativo e investigativo a que me consagrei de corpo e alma profissionalmente, e nessa atividade obtive o generoso reconhecimento dos colegas das redações em que trabalhei e prêmios que me orgulharam.

A nova atividade veio de duas experiências anteriores: o colunismo diário e um programa de debates na televisão. Com eles, adquiri a prática da síntese e o raciocínio instantâneo que contribui para os artigos políticos que escrevo e caíram no gosto da rede social.

Esta introdução explica o meu uso de certos chavões. Um deles foi o batismo de “herança maldita” para referir-me aos males deixados no Brasil pela corrupção e a incompetência dos governos lulopetistas.

O Partido dos Trabalhadores nunca me enganou. Conheci muitos dos seus fundadores e logo soube que entre eles havia a busca utópica, idealista, mas também lhes sobrava a avidez pelo poder, uma visível corrida pela fortuna. Pior, um total despreparo para a condução da coisa pública.

A “militância” buscava a justiça social não encontrada na realidade brasileira, mas seus “dirigentes” iam ao encalço do poder pelo poder; e, como sua maioria era de pelegos sindicais, preocupavam-se somente em armar trampolins para a carreira política ou o enriquecimento fácil.

Sempre comparei a hierarquia lulopetista com a figura mitológica de Pandora – a primeira mulher – que, enviada por Zeus transportando uma caixa para a humanidade, esta garantiria a paz e o amor entre os homens, contanto se conservasse fechada. Embora orientada pelo Criador para que não abrisse o presente, a curiosidade não conteve a mensageira que, abrindo-a, libertou todos os males do mundo, em vez da felicidade prometida.

Assim, Pandora deixou imperar o ódio e a violência. Igual ao PT, que em vez do futuro auguroso prometido, deixou-nos como herança a cultura da fraude, da corrupção, do ódio racial e de gênero, da desunião, e, pela incompetência, a consequente crise econômica.

É esta a “herança maldita”. Como se sabe, a herança é a parcela de bens, direitos e obrigações transferidos por um morto a seus sucessores. Em termos jurídicos é a disciplina dessa transmissão. Trocando em miúdos, a herança – é o patrimônio que se transmite.

Uma ideia comum leva-nos a pensar que se trata da transferência de um patrimônio de uma pessoa para outra pessoa ou um conjunto de pessoas. Mas há um tipo de herança cultural civilizatória que é passada social, política, e economicamente de geração em geração.

Podemos elencar esta herança cultural nas sete maravilhas do mundo antigo, na literatura religiosa, com o Livro dos Mortos, o Kama Sutra e a Bíblia; no Direito, o

Código de Hamurabi, o Direito Romano e o Código Napoleônico. Na ciência, a Astronomia e a Matemática dos egípcios e astecas e a tecnologia dos chineses.

Uma das heranças socioculturais, restauradas e guardadas nos conventos da Idade Média, foi a filosofia helênica, com o neoplatonismo adaptado pelos doutores da Igreja ao pensamento cristão.

O inverso desses patrimônios dos povos legados pelos antecessores, é a herança carregada de obrigações, com a imposição do “politicamente correto” totalitário, a negativa do mérito em favor de carreiristas e a política de sujeição coletiva a uma ideologia malograda.

Quando batizei os males trazidos pelo lulopetismo de “herança maldita” cumpri uma tarefa histórica, que deve ser completada: Soltos os males do lulopetismo, resta no fundo, como na caixa de Pandora e nos nossos corações, a Esperança.

 

 

TROVAS BURLESCAS

Luís Gama –  (“Trovas Burlescas” –  “Quem sou eu?)

“Não tolero magistrado,

Que no brio descuidado,

Vende a Lei, trai a Justiça

– Faz a todos injustiça –

Com rigor deprime o pobre

Presta abrigo ao rico, ao nobre,

Só acha horrendo crime

No mendigo, que deprime.”

SENTENÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                       “Se você quiser saber quem realmente são os seus amigos, obtenha para você mesmo uma sentença de prisão“ (Charles Bukowski)

A palavra “Sentença”, vem do latim “sententia, sentire” referindo-se a sentimento, verdade, sinceridade. Com ampla aplicação na linguagem, é um substantivo feminino, sinônimo de proposição, provérbio, máxima, axioma.

Também denominada frase, “sentença” é um enunciado de sentido completo, a unidade mínima de comunicação que encerra um pensamento de ordem geral e, como provérbio, de valor moral.

A religião judaico-cristã registra “sentença” ao julgamento divino a respeito dos atos humanos; e popularmente refere-se a qualquer despacho ou decisão, ou resolução inabalável; a gíria usa “cagar sentenças” para quem dá opiniões sem fundamento ou impertinentes.

No Direito, é o julgamento ou decisão final de qualquer juiz ou tribunal, recebendo a designação de “acórdão” nos tribunais de segunda instância. No Direito Romano os magistrados davam a sentença (sententiam dicere) condenando o réu, ou o absolvendo.

Foi pela influência de Montesquieu que se adotou a separação dos poderes, executivo, legislativo e judiciário, e com isto, o Código Napoleônico imprimiu ao Direito três elementos básicos: o fato, a norma e a sentença, consolidando a ordem e segurança ao ordenamento jurídico francês.

Adotado pelos estados de direito, o silogismo contido no Code Napoleón criou duas premissas, da acusação e da defesa, que resultam numa terceira, a conclusão ou a sentença.

O atual ordenamento jurídico brasileiro acolhe a sentença como o pronunciamento por meio do qual o juiz extingue o processo sem exame do mérito, extingue a execução, ou que resolve sobre o mérito, mesmo que não extinga o processo.

Este conceito, instituído no Brasil pelo novo Código de Processo Civil, vê a sentença além do seu significado instrumental e formal; favorece o contraditório e incentiva discussões de teoria do direito envolvendo o papel do juiz, sua legitimidade e discricionariedade.

É aí que a porca torce o rabo… Quando a Justiça é posta à mesa do Supremo Tribunal Federal, o arbítrio e a legitimidade do juiz vêm provocando polêmica não somente no mundo jurídico, mas entre as pessoas bem informadas e até de leigos assombrados com as últimas sentenças pronunciadas lá…

Inconformado com o ioiô que sobe e desce nas últimas resoluções do STF – para não falar da masturbação no juridiquês e na genealogia das ideias –, apelo para Rui Barbosa, a quem admiro mais e mais, quando folheio seus livros:

Diz Rui: “O povo sabe que não tem justiça; o povo tem certeza de que não pode contar com os tribunais; o povo vê que todas as leis lhe falham como abrigo no momento em que delas precise, porque os governos seduzem os magistrados, os governos os corrompem, e, quando não podem dominar e seduzir, os desrespeitam, zombam das suas sentenças”.

Como é triste aprender isto e chegar ao tribunal da última instância, na última corte de revisão das decisões da justiça brasileira…  Os “considerandos” dos togados, com suas sentenças vulgarmente políticas, levam-me de novo a Rui:  “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.

VENDILHÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus! / Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus?!” (Castro Alves)

Há uma lição inesquecível no Novo Testamento registrando que Jesus Cristo expulsou do templo os vendedores e os cambistas por duas vezes em três anos. (João 2:13-16; Mateus 21:12-13.

De chicote na mão, Ele, na sua simplicidade, justificou: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.”

Nas religiões, seitas e entre os estudiosos dos evangelhos nem todos aceitam esta passagem, que aos contestadores deixa a dúvida se Jesus era um espírito transcendental ou um ser humano comum.

Os kardecistas aceitam que o fato ocorreu realmente e que foi bem feito, explicando que “um pai que age duramente com seu filho rebelde e desobediente; e como Jesus via o templo como a casa de Deus, perguntam: “Se alguém invade a sua casa você não vai expulsar o invasor? ”

Fabuloso ou não, metafórico com certeza, o caso nos faz refletir que cumpre à autoridade punir e segregar os corruptos, os traficantes e criminosos em geral, principalmente quando influenciam e compram ocupantes do poder, como fizeram com Anás, sumo sacerdote do Templo de Jerusalém, que recebia propinas.

Com os pés na terra, aqui e agora, assistimos que empresários, fraudadores da Lei e negocistas da Bolsa e do Câmbio atuam livremente no País, a nossa Pátria, nosso Templo, financiando legal e ilegalmente mandatários cobiçosos.

Os poderosos no Brasil vão além do varejo da corrupção. Uma informação oficial, do Incra, nos diz que 4,3 milhões de hectares do território brasileiro pertencem a estrangeiros. E mais: 1.200 hectares são comprados por dia por empresas e cidadãos do Exterior.

Grande percentual desta negociata está na Amazônia, que pertence aos brasileiros por tratados internacionais aceitos pelo concerto das nações e ratificados pela ONU.

Porque os governos da Era Lulista e o atual, continuação dos mesmos, insistiram e insistem neste comércio impatriótico e ainda defendem que se façam “doações” e “concessões” de terras a nacionais de outros países?

Representante desta traição à Pátria, o ministro Aloysio Nunes e os seus parceiros no Senado Federal apreciam um projeto que permite uma atuação política de estrangeiros no Brasil, com direito a voto e a formação de partidos.

Num artigo que prende a nossa atenção, a professora Guilhermina Coimbra pede que se informe ao ministro Aloysio para que “não tente agradar amigos de fora do País –qualquer que seja a nacionalidade”, diz bem Guilhermina, por que o território brasileiro está fora de qualquer negociação.

Na verdade, é preciso enxergar que os vendilhões da Pátria estão sozinhos na empreitada de escancarar as nossas fronteiras, e que o povo brasileiro saberá resistir a isto, repudiando a ideia de tornar-se mais tarde refém de forasteiros.

Cabe aos patriotas denunciarem o falso humanitarismo com refugiados que revoga o Estatuto do Estrangeiro, impondo um descarado entreguismo que fere a nossa soberania, ao permitir participação política de estrangeiros, que podem “se ausentar do Brasil, e regressar independentemente de novo visto”; a ponte para a recolonização do Brasil.

Vamos empunhar o chicote da nacionalidade contra a ideologia deturpada ou má-fé, nos contemporâneos vendilhões, que esperam lucrar com essa traficância associando-se e privilegiando os novos bárbaros.