Artigo
DO DESPERTAR
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Das lições que os democratas progressistas adotaram após a desestalinização na antiga URSS e a consequente queda do muro de Berlim, foi a convergência para o Centro Democrático, apoiando-se politicamente na defesa da paz entre os povos, do meio ambiente e de uma economia que proporcionasse ao mundo do trabalho o bem-estar.
Este quadro tecnocolorido foi pintado com traços vigorosos nas experiências vividas pela social-democracia do Norte Europeu. Isto nos faz lembrar dos esquerdistas atuais que se dizem marxistas, mas nunca estudaram Marx nem mesmo os trabalhos publicados pelos que cantam loas ao autor d’ “O Capital”.
O escritor e filósofo francês Jean Paul Sartre, pai do Existencialismo e dissidente do stalinismo, pensou dialeticamente e definiu com perfeição as duas principais correntes econômicas, dizendo que: – “Se o capitalismo é a realidade o marxismo é a melhor teoria”.
Esta dicotomia cabe perfeitamente no campo da Economia; quando envereda nas trilhas da filosofia e da sociologia, nada se vê de “melhor teoria” nas propostas coletivistas e no materialismo histórico. O coletivismo mata a individualidade e o “materialismo histórico” não passa de uma ilação ficcionista tendo como móvel a luta de classes.
À época em que foram levantadas, tais teorias convenceram de imediato um grupo de intelectuais preguiçosos no pensar, mas excelentes propagandistas de uma obra discutível e criando o culto ao seu ídolo.
No dizer de Bakunin “os propósitos ditirâmbicos desses personagens” impediram-nos compreender a evolução que o capitalismo delineava com o avanço da revolução industrial. Isto deu ao mundo trabalho novas perspectivas que não a ideia esdrúxula de uma sociedade identitária, sem classes, com um governo complexo para administrar a economia e a distribuição dos valores produzidos.
Viu-se, então, que para executar o projeto “comunista”, tivemos a primeira experiência na URSS, onde criou-se um “Estado Banqueiro” e o surgimento de uma nova classe para sustentar um governo hierarquicamente totalitário. O que se viu, e o Relatório Kruschev atestou, que o reino stalinista foi na verdade um regime ditatorial, abusivo, arbitrário e despótico.
A propaganda internacional alardeava outra coisa. Um paraíso artificial vivendo as benesses do “Pai do Povos Amantes da Paz”, para qualificar o Ditador como um dos mais simples designativos. Isto deixou seguidores enviuvados do “comunismo” soterrado nos escombros do Muro de Berlim”.
O marxismo-stalinista escondeu a realidade que se estabelecia na Europa, profetizada pelo notável pensador alemão Edouard Bernstein que desafiou os principais aspectos do pensamento de Karl Marx e é considerado o profeta da social-democracia.
Como ideólogo, Bernstein se diferenciou dos “apóstolos fiéis” da igreja stalinista, mas seus seminaristas atuais dessa igreja continuam rezando o credo stalinista.
Veem assim nas ditaturas populistas o extrato da utopia. Então, a teoria marxista cobriu-se de pó nas prateleiras nas prateleiras cedendo lugar à doutrina “woke”, não mais reconhecendo a “luta de classes”, mas a defesa de minorias injustiçadas supostamente pelo capitalismo.
O termo Woke, nascido na comunidade afro-americana significou inicialmente a ideia de “acordar, despertar” para “todas as injustiças”; ganhou mais tarde uma definição mais ampla ao ser adotado pela gíria novaiorquina com o atributo individual de “ser” ou “estar woke”, dependendo da condição social e política com as quais se identifica.
Surgiu então organizadamente uma expansão massiva com o propósito propagandista de atrair a massa das sociedades subdesenvolvidas como proposta socialista, submetendo as mentalidades colonizáveis.
Genialmente, Millôr disse que quando uma ideologia fica velhinha lá fora, vem morar no Brasil. E foi assim que a cultura Woke chegou aqui, após ser ignorada na Europa e repudiada nos EUA pelas grandes empresas e órgãos governamentais.
Entretanto encontrou aqui no campo fértil da polarização eleitoral do lulismo e o bolsonarismo, a sua existência, mostrada de um lado com a bandeira populista da pelegagem sindical e, do outro, no paternalismo surfando nas ondas do oportunismo da picaretagem parlamentar das rachadinhas.
É desta maneira que a massa ignara conduzida pela pelegagem lulopetista enxerga as maravilhas nas ditaduras populistas fantasiadas de marxismo. Os regimes bananeiros de Cuba, Nicarágua e Venezuela refletem apenas o fracasso da teoria marxista quando levada à prática.
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DA CENSURA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
No Brasil, com o fim da ditadura militar e chegada a sonhada redemocratização, os autênticos defensores da Democracia levantaram o slogan “Censura, Nunca Mais!”, amplamente divulgado e naturalmente seguido por diversos grupos ideológicos que estiveram entre os perseguidos pelo regime autoritário.
Hoje vemos que muitos seguimentos não eram tão democratas a ponto de defender a liberdade de opinião; namorados de ditaduras, auto-assumidos como “de direita” e “de esquerda” usaram a divisa nas suas propagandas, assumindo o poder abandonaram-na, aliás, deletaram-na dos seus programas.
Temos atualmente o mais-do-que-perfeito exemplo disto, vendo o Governo Lula, eleito com promessas de defesa da Democracia contra as ameaças fascistas do bolsonarismo, assumir a censura das redes sociais, onde participam pessoas livres da mídia corrompida pelo mercenarismo; são jornalistas ainda independentes, intelectuais progressistas, políticos(as) liberais e jovens defensores da Liberdade.
A resistência que assistimos de 76% da nacionalidade ao arbítrio totalitário dos hostis adjetivadores da Democracia, que qualificaram a ditadura chavista da Venezuela de “democracia relativa” é notável. O atentado à Democracia, movido pelo nefasto Consórcio Lula-STF-Picaretas tenta há dois anos implantar essa repressão fascistóide sem êxito.
Os brasileiros estão conseguindo barrar a marcha obscura da ditadura, coisa que os alemães não o fizeram na década de 1930, quando, ao conquistar o governo, os nazistas trouxeram um tsunâmi de decretos e regulamentos ameaçando graves punições para quem ousasse escrever críticas e denúncias ao novo regime.
A História nos leva a lembrar a sinistra figura de Joseph Goebbels que ocupou o Ministério da Propaganda e Informação do 3º Reich, usando a Câmara de Cultura para perseguir escritores, filósofos e poetas impedindo-os de exercer a livre manifestação do pensamento.
Foi do dr. Goebbels que nasceu e foi executada a ideia da queima de livros – a “Bücherverbrennung” – uma manifestação de nazistas que levou à fogueira obras de Brecht, Einstein, Erich Maria Remarque, Hemingway, Heine, Ibsen, Freud, Stefan Zweig e Thomas Man.
As novas gerações não ouvem falar disto. E por ignorar a História (que parece ocultar propositalmente este fato) permitiram que os nazistas ressuscitassem intitulando-se antifascistas, do modo como Churchill profetizou.
E é preciso combate-los, custe o que custar, lembrando os discurso-denúncia que o bravo paraibano José Américo de Almeida proferiu em 1937 empenhado na sua candidatura presidencial. Ele alertou a Nação antevendo o golpe de Vargas que cancelou as eleições e instaurou o Estado Novo, dizendo: – “É preciso que alguém fale, e fale alto, e diga tudo, custe o que custar!”
Esta divisa deveria ser uma tarefa dos amantes da Liberdade. Ninguém deve calar-se nestas antevésperas do julgamento do STF com seus ministros associados ao projeto populista de continuidade do lulopetismo no governo central.
Esta trama levará à criação de uma “Brazuela”, um país infelicitado por copiar a ditadura Maduro que Lula e seus sequazes reverenciam antidemocraticamente, envergonhando a Nação Brasileira perante o mundo.
Venho repetindo à exaustão o alerta memorável do importante independentista e liberal norte-americano John Adams, eleito sucessor de George Washington: “Liberdade, uma vez perdida, estará perdida para sempre.”
Mesmo com limitações para influenciar pessoas, lembro que, com o suicídio, Goebbels escapou do Tribunal de Nuremberg, mas os inconfidentes defensores da censura magistrados e políticos, serão julgados e sentenciados como assassinos da Democracia no Tribunal da História.
DO DESTINO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Um dos meus queridos camaradas da Tribo do Bem – Comunidade virtual que vem dos tempos da primeira versão do Twitter – achou estranha a expressão “caçuá cheio de Esperança” que usei na primeira postagem de 2025.
Muito usado no Nordeste, o termo Caçuá se refere a um cesto de cipós que serve de cangalha dos jumentos para carregar mercadorias ou objetos de uso pessoal do dono do animal. Dicionarizado, o verbete é gramaticalmente um substantivo masculino de etimologia desconhecida.
Ainda hoje nos sertões, os caçuás além de servir de armação de transporte de cargas, é usado como berço, facilmente balançado para acalmar bebês chorões… E é como berço esplêndido que o Brasil vem deitado, o hino fala “eternamente”, sem reagir aos desmandos da política corrupta e corruptora.
Não creio que seja imorredoura a letargia nacional diante da criminosa polarização, que muda de contendores e agora confronta os políticos populistas e corruptos, Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Não é este o destino da nossa Pátria.
Embora o conceito de Destino seja antiquíssimo, sempre discutido, estudado e pensado pela civilização, na nossa cultura ocidental é herdeira da filosofia grega, a sua concepção tem a mesma visão filosófica dos antigos estoicos, Crispo, Posidônio e Zenão; “é uma ‘causa necessária’ de tudo”, ou, “a razão pela qual o mundo é dirigido”.
No panteão da Mitologia Grega havia três deusas primordiais, as Moiras, cujas decisões não podiam ser contestadas nem mesmo por Zeus, senhor de todas as forças da natureza e todos seres viventes. Eram irmãs, e traçavam o destino dos deuses e dos seres humanos.
A irmã mais velha, Cloto, se responsabilizava por tecer o fio da vida de cada pessoa a partir do nascimento; a do meio, Láquesis, media rigorosamente o fio da vida e determinava o tempo que a pessoa passaria na Terra; a mais nova, Átropos, se encarregava de cortar o fio da vida no momento da morte.
Como verbete dicionarizado, a palavra Destino é um substantivo masculino com vários significados, como fatalidade, determinando os acontecimentos superiores acima dos propósitos humanos; seus sinônimos são: Sina, Sorte, Futuro, Fatalidade, Fortuna; e “moira”, no singular, também significa destino.
Conforme observou Homero, o destino é um fio que se enrola em cada pessoa. E esse fio é tão inamovível quanto fiel ao comprimento que Láquesis mediu. A inevitabilidade de tudo que acontecia, acontece e vai acontecer.
No contraditório, para o budismo – uma religião sem deuses – não há destino, tudo é causa e consequência; o que vivemos numa vida se manifesta em outra vida, com outra identidade, com repercussões e efeitos. Na visão de Buda, o importante é que a pessoa pode mudar seu karma, pode modifica-lo pelo comportamento.
Tenho certeza que as Moiras respeitam o Destino da nossa Pátria, dedicando-lhe bons augúrios ao seu povo miscigenado pelo sangue de origem diversa, amarelo, branco, preto e vermelho, a brava gente que constrói o futuro do país a despeito da degenerescência política dominante.
Sob o pendão verde amarelo a maravilhosa Nação Brasileira, nos leva ao poeta Olavo Bilac, que com o seu ufanismo de patriotismo sincero e ingênuo, lembra que mesmo nos momentos de dor, tremula uma mensagem positiva de esperança, paz e grandeza.
Comungo com a declaração de amorosa esperança do poeta e como ele poetou, alguém via me inquirir: – “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!”, ao que respondo que as ouço de olho nos espíritos dos nossos heróis vagando no espaço.
E, parodiando Charles Bukowski – o velho safado da poesia norte-americana, um pássaro azul que do meu peito quer sair cantará o destino radioso do Brasil.
DA DEFINIÇÃO
MIRANDA Sá (E-mail mirandasa@uol.com.br)
Quatro leitores do meu artigo “DA TRANSCENDÊNCIA” cobraram-me uma definição sobre a minha crença religiosa; três deles são novos no meu mailing list e assim é evidente não têm de acompanhado meus textos sobre a religião, assunto que abordei muitas vezes
Então vai: sou um a-religioso assumido. Depois de muitos, diversos e longos estudos; dei uma atenção preferencial às religiões monoteístas ocidentais, originárias do culto primitivo do sol e adotado com a burocracia e a hierarquia sacerdotais pelo faraó Akenaton, disciplinando o que já era reconhecido pelo seu bisavô, Amenófis II.
O historiador Will Durant escreveu que as reformas de Akenaton apareceram como “a primeira expressão clara do monoteísmo – setecentos anos antes do profeta Isaías –, um avanço intelectual gigantesco na Idade Antiga, por suplantar as velhas divindades tribais e o politeísmo controlado pelo poder estatal.
Esta “transformação religiosa dramática e revolucionária”, como aprendemos em salas-de-aula, não foi bem assim. Estudioso do tema, Freud reconheceu a existência anterior do culto de Aton; a novidade foi que Akenaton oficializou-o como organização monacal com o preceito até então desconhecido, o monoteísmo universal.
Compreendemos então que o que Akenaton fez foi levar adiante o projeto da 18ª Dinastia do Novo Império que teve com Amenófis II o início dos confrontos entre o faraonato e os sacerdotes de Amon que realmente governavam; ele recusou-se a à situação do “reina, mas não governa”.
Assim, conseguindo vencer a demanda, Amenófis II reduziu o poder dos patrocinadores de Amon e passou a cultuar nos círculo íntimos palacianos o culto deAton – o Disco Solar -; esses ritos influenciaram seu bisneto, Amenófis IV (1353-1336 a.C.) que assumiu o trono e, no quinto ano de reinado pôs o culto a Amon e divindades secundárias fora da lei e aboliu todos os privilégios dos seus sacerdócios.
Assim, condenando a devoção a Amon, Amenófis IV proclamou Aton como uma única divindade, fazendo-se seu intérprete como a encarnação viva dele. Trocou o próprio nome de Amenófis IV, assumindo-se como Aquenaton, faraó e sumo-sacerdote.
Então a religião estatal estabeleceu princípios éticos e rituais criando uma espécie de mandamentos, onde encontramos na primeira categoria – “Não reconhecerás nenhum deus além de mim, e outra, como – “Não cultuar objetos, animais ou estátuas”, e mais – “Não rezar à noite, nem usar o nome do deus nas horas de descanso”. Além do mais, condenou a mentira e o roubo com castigos físicos na terra e eternos após a morte.
Este cenário de um deus único e verdadeiro que iluminava os dias, abrangia toda a Natureza, animais, homens e plantas; o que levou estudiosos e pesquisadores fazerem uma comparação entre Aquenaton e Moisés, pelo abandono de deuses e mera ficção, adotando o monoteísmo.
Temos, por exemplo, uma curiosa teoria levantada pelo pesquisador e autor de obras históricas, Ahmed Osman, no seu livro “A História Secreta” levantando a hipótese de que Moisés e Akenaton foram a mesma pessoa. Diz que se baseou em descobertas arqueológicas, documentos históricos e estudos de Freud.
Osman relata que ambos personagens nasceram no Gósen, e lá foram iniciados nos mistérios de ATUM, a divindade primordial venerada no Templo de Om, em Heliópolis; e este aprendizado participativo incutiu-lhes a crença de um Deus Único.
Ocorre que Moisés foi reconhecido como patriarca na Torá – O Velho Testamento -, enquanto Akenaton sofreu uma queda misteriosa do trono e o seu nome foi apagado dos registros e proibido de ser pronunciado. As referências a ele eram: Grande Herege, Faraó Herético e Faraó Rebelde.
Foi tão forte, entretanto, a adoção do Disco Solar como divindade única e universal que a condenação sofrida por Akenaton persistiu, e há quem o encontre algo dela nos ensinamentos de Baruch Spinoza, *1632 – + 1677), filósofo de origem judaico-lusitana, filho de uma família perseguida pela Inquisição.
Spinoza nos legou a ideia de identificar Deus como Natureza como um ser cósmico de infinitos atributos; contradiz a visão católica (e tendências protestantes) de um deus sendo adorado com a imagem e semelhança do homem.
A concepção divina da Natureza spinoziana foi aceita por Einstein e Freud, aos quais me junto humildemente; e, assim, deixo respondido o quesito religião….
DA MÍSTICA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Uma teoria científica do comportamento humano diz que os poderes republicanos no Brasil usam coletes à prova de denúncias aos seus feitos para ocultar a situação que o país atravessa, sem patriotismo entre legisladores, com exagerado personalismo dos juízes no STF e o inato despudor do presidente da República.
Entristece-nos esta situação que leva muitos às experiências místicas indescritíveis, envolvendo-se com a manta do escapismo, e como avestruzes, enterrando a cabeça na areia da abstração.
Para os estudiosos dos fugitivos da realidade a vivência mística é subjetiva, não passam de uma experiência psicológica mergulhada no individualismo avessa ao instinto social dos seres humanos, isolando-se.
Hoje pouco encontrada nas conversações, a palavra Mística é um verbete dicionarizado como substantivo feminino, relativo ao estudo das coisas espirituais; e também como adjetivo, visando mistérios e razões incompreensíveis. A origem é grega “mystikós” vinda do verbo “myo”, que significa “fechar” e, no caso, “fechar os olhos”.
Na Teologia Cristã, mística e misticismo levam às situações que fogem da compreensão por serem desconhecidas pela razão. O doutor da Igreja, Tomás de Aquino, ensina aos cristãos que Mística é “uma vista simples e afetuosa de Deus ou das coisas divinas”.
Do outro lado, Shakespeare em “Henrique IV”, dá uma definição no verso: – “O pensamento é escravo da Vida, e a vida, o bobo do Tempo; e o Tempo, que vigia o mundo inteiro, precisa ter um fim”.
Assim, sem nada enigmático e nem ininteligível, o grande poeta e dramaturgo inglês conclui com o fim, lembrado também pelo nosso Ulysses Guimarães ao dizer que “a Nação quer mudar, a Nação deve mudar, a Nação vai mudar”.
Traz uma proposta revolucionária, sem dúvida, porque nos obriga a fugir do misticismo conformista no caminho da paixão pela Liberdade. Vivemos atualmente a negação da Democracia arbitrariamente usada pelos ministros do STF, auto assumidos como “Guardiães da Democracia”.
Isso leva a cidadania a se encolher, fugindo da participação partidária militante e não expressando sua defesa dos princípios patrióticos. É lamentável que isto ocorra. A Ética e a Filosofia do Direito, tão importantes para o convívio social numa atmosfera democrática, estão em falta; e a culpa é, sem dúvida, do desânimo que grassa nacionalmente.
Os autênticos defensores da liberdade se obrigam a insistir no óbvio, como foi sugerido por Brecht, que alertou: – “Nos omitirmos da política é tudo o que os malfeitores da vida pública querem”, e cercam com a mística arames farpados de sigilos centenários.
Sitiando com essa aramada ignorância, estonteiam as pessoas de baixo QI, oferecendo condições para os “influencers” (em bom brasilês, influenciadores digitais), fazer-lhes a lavagem cerebral “Woke” de estúpida insensatez. Com ela influenciam o negativismo ideológico da paranoia identitária e, a partir daí, exigem submissão total aos interesses de organizações minoritárias.
Esta febre do diversionismo leva os “andares de cima” a se movimentarem para criar o conformismo aos seus desmandos, desviando as atenções do povo para realidade transformando-o numa claque para aplaudir ilusórias promessas de igualdade.
A partir daí, sobe ao palco das iniquidades a influência da mídia mercenária como vimos na anunciada contratação milionária de uma agência de propaganda para o Governo, comprovando a necessidade da baboseira woke para manutenção do poder.
O espírito de Goebbels persiste, provoca e pesa no proceder dos que têm o “espírito de rebanho.”
A mística do despertar para ver apenas coisas miúdas cria fantoches levando-os à cena da polarização eleitoral dos populistas corruptos; enfrenta-os aqueles que esperam esperançosos a verdadeira Filosofia do Amor, lembrando a poesia de Maiakóvski que cantou: – “Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor”
DO FASCISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
É fascista o grupo político que adota o slogan “Deus, Pátria, Família” da Ação Integralista Brasileira, partido criado por Plínio Salgado como uma cópia tupiniquim do Partido Nacional Fascista (Partito Nazionale Fascista), de Benito Mussolini. É também verdade que no Brasil as esquerdas lulopetistas se fascistizaram namorando com o totalitarismo.
Pela adoção de camisas pretas o mussolinismo, e depois seus imitadores nazistas ficaram conhecidos como “fascistas negros” e, pela adoção das tradicionais bandeiras vermelhas da esquerda, o lulopetismo pode ser batizado de “fascismo vermelho”.
O que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação de uma ditadura totalitária, de grupos políticos, econômicos e financeiros. Nasceu na Itália (1922) e teve a sua maior expressão na Alemanha com o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP). Daí teve seguidores em vários países, notadamente na Bulgária, Espanha, Hungria, Polônia, Portugal e Romênia.
Na Itália, atuou como imperialista levado pelo ímpeto personalista de Mussolini, querendo reviver o Império romano; e na Alemanha, pelo racismo e o conceito da “raça superior”, na Bulgária, Espanha e Finlândia com caráter militar; na Hungria e em Portugal, com base na mística do catolicismo ultramontano.
Aonde se estabeleceu no poder, o fascismo usou a máscara de “nacional socialismo” para disputar com a influência comunista, socialista e social-democrata entre os trabalhadores; e estes opositores ideológicos foram presos, torturados e assassinados.
Sob o manto nacional-socialista houve uma disposição comum, nacionalismo extremado, racismo e anticomunismo. Criou-se uma cultura própria que influenciou os círculos científicos, culturais e estudantis.
Seria exaustivo enumerar os malefícios trazidos pelo nazismo, estendendo-se do antissemitismo ao ódio letal aos ciganos, chegando ao horror dos campos de concentração, das câmaras de gás e a escravização de prisioneiros russos e de outros povos eslavos.
Hitler e Mussolini, divinizados e cultuados pelos seus seguidores discursavam para as massas verbalizando um “revolucionarismo verbal”, mas, na verdade, praticavam internamente, a corrupção e uma vida íntima próxima à oligofrenia mantida por drogas.
Encontramos nos discursos dos mandatários fascista e nazista, Mussolini e Hitler, coisas curiosíssimas. Em discurso o Duce vociferou: – “Muitos italianos ainda conservam o pensamento podre de uma Democracia; nego a estes senhores o direito de falar em liberdade”. Quanto ao Führer, temos no seu livro Minha Luta (Mein Kampf) a loucura:
“As causas exclusivas da decadência de antigas civilizações são a mistura de sangue e o rebaixamento do nível da raça” e chega a uma conclusão criminosa por quem tem cabeça de pensar: – “Só depois da escravização de raças inferiores será para eles ter a mesma sorte dos animais domesticados”.
A predisposição autoritária dos líderes do “Fascismo Negro” veio acompanhada de promessas de uma “ruptura radical com o passado”, e copiou a “Ditadura do Proletariado” da URSS stalinista.
Esta legenda de fachada foi, na verdade, uma ditadura unipessoal com juntou, assemelhou e misturou Hitler, Mussolini e Stálin. As atrocidades dos dois primeiros estão descritas acima e, do “Pai dos Povos”, é mostrada no livro “A Revolução Traída”, de Trotsky, publicado m 1937, e posteriormente, em 21 de junho de l955, no “Relatório Kruschev”, a personificação do Fascismo Vermelho…
Há cópias histriônicas e façanhudas dos dois tipos de fascismo pelo mundo afora, sempre danosas pelas práticas de mentiras e ameaças. A experiência histórica registra no Brasil a triste caricatura populista dos dois fascismos polarizando eleitoralmente com Bolsonaro e Lula. Só eleitoral, pois são iguais no avesso das cores….
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DO SOCIALISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A minha visão do Socialismo é científica; vou ao laboratório e levo o prisma político e ideológico à mesa, com a luz da liberdade explodindo em cores…. Aí lembro 1864 e a fundação da AIT – Associação Internacional dos Trabalhadores, também conhecida como Internacional Socialista ou Primeira Internacional.
Abrindo as janelas, após uma tarde chuvosa, vejo uma cortina de poeira líquida também refletindo o arco-íris multicolorido do socialismo original pela convergência dos fundadores da AIT, representando diversas correntes ideológicas da Esquerda: anarquistas, blanquistas, comunistas, cooperativistas, democratas radicais, lassalianos, owenistas, sindicalistas revolucionários, socialistas agrários e reformistas.
Nada mais atraente para os jovens. Seis anos depois, em 1870, a organização possuía mais de 200 mil membros na Europa, verificando-se entre 1871 e 1872, 50 mil na Inglaterra, 35 mil na França e na Bélgica, 6 mil na Suíça, 30 mil na Espanha, 25 mil na Itália e 17 mil na Alemanha; atravessando o Atlântico, 4 mil nos Estados Unidos.
No interior da organização, com a crescente influência de Bakunin, ficaram explícitas as divergências entre seus partidários e os de Karl Marx. O anarquista foi veemente na defesa do individualismo contra o coletivismo proposto por Marx. O confronto atingiu o seu auge em 1872, após a realização do congresso de Haia, ocasionando a ruptura entre as duas correntes; os anarquistas continuaram na AIT e os marxistas, liderados pelo alter ego de Marx, Friedrich Engels, criaram a Segunda Internacional.
No correr dos anos, tanto a “Primeira” e a “Segunda” decaíram pela brutal reação dos governos e, internamente, pelas crises ideológicas e cisões organizativas. A decadência das duas entidades acabou o que havia de mais importante na época, a convivência para o debate entre as inúmeras tendências de esquerda.
E pior. Mais tarde, assistiu-se o fim do prisma ideológico sob as botas stalinistas contra a livre expressão do pensamento, fundou-se a Terceira Internacional. A partir de então imperou o chamado “centralismo democrático”, a voz de comando do PCUS para seus membros cativos, os partidos comunistas estipendiados por Stálin.
Aí, as correntes de opinião discordantes passaram a ser criticadas, os críticos foram chamados de “colaboradores do capitalismo” e execrados politicamente como “reformistas”. O mais destacado opositor do “pensamento único” foi Eduard Bernstein (1859/1932), um dos principais teóricos alemães. Revisionista do marxismo, foi o idealizador da social-democracia, e merece ter a suas teorias estudadas….
Os aprendizes das lições bernsteinianas adotaram a convergência do socialismo para o Centro Democrático, apoiando-se nos princípios pela paz entre os povos, a defesa do meio ambiente e por uma economia proporcionadora do bem-estar; com isto, traços tecnocoloridos e vigorosos pintaram o quadro da social-democracia no Norte Europeu.
Em contraposição, tristemente, ressuscitaram da putrefata ideologia stalinista, múmias vagueando mundo afora fazendo a cabeça dos Meninos Perdidos que não conseguiram sair da Terra do Nunca; metáfora para os que passaram dos 35 anos com o stalinismo na cabeça, em vez de assumir a vida adulta, pensante e realizadora.
O comportamento infantil dos herdeiros da “ditadura do proletariado” fechou-os numa bolha que descambou para a chula teoria “Woke”, nascida nos guetos afro-americanos de Nova Iorque significando “acordar, despertar”, usado contra o racismo sofrido dos encapuçados da progênie Ku-Klux-Klan….
A adoção de significados mais amplos do Woke pela boemia intelectual dos EUA, inspirou palavras-de-ordem de protesto contra “todas as injustiças”; e terminou se enredando nas causas das minorias, principalmente dos imigrantes ilegais, desempregados pontuais, LGBT+, descontentes em geral e peripatéticas sombras da contracultura. Deixaram para os pastores evangélicos a luta contra o racismo….
Assim, luta de classes e os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade do ideal socialista mergulharam sob o tsunami wokeísta e a esquerda de fancaria dividiu-se como “direita” e “esquerda” por discordâncias eleitorais, mas semelhantes pela intolerância acreditando serem intelectualmente superiores aos demais.
Infelizmente é este restolho politiqueiro do populismo ianque que desembarcou no Brasil trazendo na bagagem toda sorte dos malefícios em que a esquerda se envolveu e, por cretinice da militância lulopetista, acrescentou-lhes a linguagem neutra e o politicamente correto….
Desta maneira, temos triste fim dos policarpos quaresmas socialistas, convivendo e contribuindo com a grotesca polarização dos populistas corruptos Bolsonaro e Lula; e os Meninos Perdidos das tornozeleiras eletrônicas do baixo QI, fanáticos seguidores da dupla, alimentam com a ração Woke a fraudulenta disputa dos dois.
DAS LIÇÕES
MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)
Como não podia deixar de ser, foi nos Estados Unidos, que nesses inícios do século 21 os ideais sociais democráticos de justiça trabalhista, liberdades cidadãs e progresso econômico se desviaram pelos atalhos áridos, empedrados e espinhosos como mostravam as antigas estampas do caminho do céu….
Desta vez levou para o inferno com a submissão do pensamento social-democrático tornando-se servil de minorias políticas agressivas. Esta situação retratou, em 2024, o termo “Woke”.
Quem sabe tenha sido abertura dos armazéns do subconsciente de um país onde a escravidão negra foi mais explorada, castigada e com revoltante consequência na História Contemporânea pela formação de uma cultura racista marcada nas pegadas das sinistras cavalgadas da Ku-Klux-Klan.
O uso do termo “Woke”, passado do verbo Wake, surgiu de uma gíria usada pelas comunidades afro-americana com o significado literal de “acordar, despertar”. Depois queria dizer “estar alerta para a injustiça racial” e processualmente se ampliou para “todas as injustiças”….
Sofreu, em empo e espaço, mudanças multifacetadas, referindo-se às diferenças raciais e sociais mais agressivas naquela época. É fácil encontrar-se isto no filme “Faça a Coisa Certa”, de 1989 – uma tragicomédia escrita e dirigida por Spike Lee, que veio a ser um clássico que mostra as tensões num bairro negro de Nova Iorque. Profetizou o caso ocorrido com a morte de Rodney King, três anos depois, 1992.
Resumindo, foi uma revolta nascida pelos protestos de um ativista inconformado em ver a decoração de uma pizzaria apenas com artistas brancos, quando deveria exibir atores afrodescendentes, com o quê, o proprietário italiano “Sal” Fragione, não concordava; e, numa confusão nascida de protestos, chegam policiais e matam Buggin’ Out, um negro que arrancou algumas estampas na parede do estabelecimento.
Ainda no cinema, cinco anos depois, temos a espetacular película Forrest Gump – O Contador de Histórias, dirigido por Robert Zemeckis, com roteiro de Eric Roth, com Tom Hanks no papel-título, coadjuvado com Robin Wright e Gary Sinise, mostrando o lado da despreocupação popular quando se tem emprego e comida na mesa.
Exalta o pacifismo do povo norte-americano protestando contra a Guerra do Vietnã e a expulsão de Forrest, um herói, pelos panteras negras, por socar um agressor de sua namorada.
Causou espécie entre os “wokeístas” a imponente corrida de Gump de Oceano a Oceano, acompanhado ao meio por admiradores. Repórteres de tevê e rádio perguntam a ele se fazia um protesto e qual o motivo político e social para isto. A reposta foi curta e grossa: – “Corro porque tive vontade de correr…”.
Dividiu-se a opinião pública (e por incrível que pareça, acadêmica) sobre a adoção do Woke como sinônimo de políticas liberais relativas à justiça social e racial, sendo que o termo – já dicionarizado pelos dicionários Oxford – (“DESPERTO!”).
Então, caiu nas graças dos socialistas novaiorquinos (como seriam aqui, os do Leblon) levantando palavras-de-ordem pela igualdade racial e social, feminismo e o movimento LGBTQIA+.
O pior de tudo foi o ódio desta auto-assumida esquerda contra a indiferença pelas suas tentativas de impor uma agenda nacional exigindo normas culturais deles próprios. Quem não concorda com eles é fascista, preconceituoso, racista ou transfóbico…. Isto levou as pessoas simples, tratadas pelo identarismo como “minorias” e não como cidadãos ou trabalhadores, a votar nos republicanos. Alguém escreveu que “Trump faturou esse sentimento”.
No palco realístico da política brasileira, a cultura Woke foi uma sopa no mel no prato lulopetista. Não poderia deixar de ser; o partido não adota uma ideologia a não ser o oportunismo, pois nasceu da genialidade do general Golbery para evitar a expansão do PCB de Prestes e o PTB de Brizola.
É esta a lição: criou-se o PT com o pelego da Volkswagen Lula da Silva cultuado pelos obreiristas da esquerda católica, filha de um conúbio do Tomismo e a Rerum Novarum de Leão 13. Agora adota o wokeísmo que que o levou à acachapante derrota das últimas eleições, que nem ocorreu nos States…
DOS SONHOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Reconhecido como um dos pilares da cultura mundial, o filósofo grego Aristóteles desenvolveu várias teses no campo do conhecimento da sua época; com ele, a Filosofia foi definida como “amor à sabedoria”, a Ciência das ciências.
Aristóteles considerou que o aprendizado da infância e juventude deveria se basear na imitação tendo como exemplo os adultos, somando-se à observação das coisas ao seu redor. Para ele, “nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos”.
Uma passagem curiosa do ensino aristotélico foi sua reprimenda aos escolásticos, dizendo que eles eram como aranhas, tecendo teias com fios que saíam das próprias cabeças sem consideração com a realidade.
Hoje, passados dois mil e quinhentos anos, os “especialistas em tudo” da informação televisiva fazem a mesma coisa, expandindo pela telinha da tevê conceitos extraídos dos interesses das empresas em que trabalham pouco ligando para a conjuntura.
São analistas da bolha em que vivem sem ter a mostram de ser independentes e adotar a razão de ser e de haver. Fogem do “sono da Razão que produz monstros”, que o pintor, gravador e filósofo Francisco Goya citou, referindo-se aos quadros que pintava retratando os horrores da guerra.
Do sono que produz monstros, apelamos para a interpretação dos sonhos de Freud, que os considerou produtos de perturbações que levam à realização onírica de desejos inconscientes.
Em confronto com esta visão freudiana, o crítico do politicamente correto, o filósofo esloveno Slavoj Zizek, concebeu críticas, dizendo que sonhar significa fantasiar para evitar o enfrentamento com o real, mesmo aceitando o princípio de que “o sonho é um exemplo privilegiado de um processo primário produzido pela diminuição das necessidades físicas e o desligamento do exterior”.
Esta dedução é uma das armas que a psicanálise freudiana ensina que para entender o inconsciente, para analisar os sentimentos, as emoções e mesmo os pensamentos íntimos de cada um; e nada melhor do que os sonhos para desvendar os seus significados.
Nossa modernidade encontrou no cinema diversas exposições sobre a perspectiva dos sonhos, como temos num dos filmes pioneiros do tema – “Spellbound” (Quando Fala o Coração) -, rodado sob a direção de Hitchcock em 1945. No seu roteiro, mostra a amnésia e o uso da psicanálise para estudar a guarda de um segredo. O famoso sonho no filme foi desenhado por Salvador Dalí, refletindo a influência do surrealismo.
O pastor da Igreja Batista no Alabama, imolado pela intolerância racista nos Estados Unidos, usou na sua retórica discursiva o sonho para defender a união e a coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro do seu país.
Os brasileiros também sonham em ver a Pátria quebrar as algemas das desilusões, da demagogia, das mentiras e das promessas vãs que a politicagem reinante imprime. Nós sonhamos em ampliar o protesto efetivo dos mais de 30% do eleitorado que votou em branco, anulou o voto ou se absteve de votar.
Isto surpreendeu o TSE, que vive na escuridão das abstratas interpretações pessoais dos seus componentes, sem reconhecer o desejo de libertação dos brasileiros que assistem os direitos constitucionais cederem lugar à formação ideológica dos juízes togados; e assim, para eles assistirem, levamos ao palco do pensamento o clássico dos clássicos, Hamlet, de Shakespeare:
“Morrer — dormir; dormir, talvez sonhar — eis o problema: pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida”.
O Dramaturgo insiste, com o seu Macbeth que o sonho é o principal alimento no banquete da vida; e, da minha parte – e muitos pensam como eu –, diante da infame formação jurídica e política que temos, achamos que o sonho é uma doce sobremesa na mesa frugal da Esperança.
DA LITERATURA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Teve e tem carradas de razão Émile Zola quando escreveu que “os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa”. Para quem interessa, Zola apresenta as credenciais de criador e representante mais expressivo da escola literária naturalista, cuja expressão está em sua obra “Germinal”.
O livro traz a visão humanista do socialismo, cujas ideias estavam disseminadas na classe operária da época e o influenciaram a descrever uma greve de mineiros explorados trabalhando de sol a sol e sofrendo a brutalidade dos capatazes.
Foi criticado e perseguido pelos ocupantes do poder político e econômico. Mais tarde, convicto da inocência do capitão Dreyfys, oficial do Exército Francês acusado de traição, mas na verdade sofrendo a perseguição antissemita reinante entre oficiais militares de alta patente.
Em 1898, Zola escreveu uma carta aberta ao presidente da República, Félix Faure, publicada na capa do jornal literário L’Aurore, levando à reabertura do processo que decidiu pela reabilitação do oficial.
Além da participação política que o levou ao exílio, Zola escreveu vários textos da Inglaterra, aonde se exilou, publicados em jornais literários, na defesa da literatura e dos escritores. Diante desta valorização da literatura, já reconhecida pelas antigas sociedades grega e romana, leva-nos a perguntar: – “O que vem a ser literatura?
A palavra tem origem latina, literatura,ae, de littera, “letra, significando a ação de traçar as letras, ou “arte de escrever”; é gramaticalmente encontrada em brasilês como substantivo feminino, indicando uso estético da linguagem escrita.
Na prática, esta experiência visa a produção de obras de ficção, fatos e anedotário históricos e de experiências vividas ou conhecidas do autor, e esse campo de atividade exige não somente a correção do idioma e o estilo, mas notadamente informações humanísticas e independente coordenação com a ciência, a filosofia e a política.
É aí que mora o perigo. Os ocupantes do poder, em qualquer regime, prezam pela ignorância do povo, e para isto procuram calar qualquer referencial enciclopédico aos letrados, para impedir a sua divulgação.
Como manifestação crítica, utilizando uma linguagem accessível às classes populares, a literatura é perseguida pelos poderosos. Vale chover no molhado falar sobre a Idade Média Católica, quando o Concílio de Trento, em 1564, criou Index Librorum Prohibitorum (índice dos livros proibidos).
Imaginem que esta política anticristã da hierarquia eclesial proibiu livros de Alexandre Dumas, Charles Darwin, Gustave Flaubert, Montesquieu, Renê Descartes e Thomas Hobbes. Falar da “Origem das Espécies” ou do “Espírito das Leis” foi considerado um pecado mortal…
No século passado assistiu-se a repetição desta barbárie no esplendor do totalitarismo fascista, nazista e stalinista, com Hitler assistindo a “Bücherverbrennung” (Queima de Livros), que levou à fogueira obras de Brecht, Erich Maria Remarque, Hemingway, Heine, Ibsen, Freud, Stefan Zweig e Thomas Mann… E não esquecer Alexander Soljenítsin, escritor e dramaturgo russo, perseguido porque denunciou com seu livro Arquipélago Gulag, os campos de concentração mantidos por Stálin.
Não podemos esquecer que é através da Literatura que se desenvolve a linguagem, expandindo o vocabulário e firmando a língua pátria através da escrita. Some-se a isto o conhecimento transformador; é a leitura que leva à reflexão sobre a realidade.
A Literatura é uma das ferramentas intelectuais que mais incentiva a crítica e promove a reflexões sobre as mudanças pessoais, sociais e políticas; envolve todo sentimento de transformação das coisas erradas na Administração Pública, na Justiça e nos Meios de Comunicação e Informação.
Com a Literatura recebemos imaginação e criatividade que trazem novas ideias e enriquecem o nosso pensamento, mesmo assim assistimos no Brasil tentativas de censurar livros com argumentos que não calam Oscar Wilde que disse: – “Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos”.
… E a iluminada herança de Rui Barbosa nos ensina: “A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade”.
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