Artigo
REMÉDIOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A história exata é sempre vista como paradoxal. O bom historiador está sempre em contradição com o seu meio” (Nietzsche)
Fui hóspede de um querido amigo em Natal, no Rio Grande do Norte, e numa conversação à mesa, a mulher dele reclamou que ele não estava tomando os remédios prescritos pelo cardiologista após a colocação de stents em artérias do coração.
Eu, que me submeti ao mesmo procedimento médico quase ao mesmo tempo que ele, tomei um susto, pois rotinizei obrigatoriamente a medicação diária. Como o meu amigo imprudente, conheço muita gente que é contra os remédios; mas ainda não tinha visto alguém se recusando a cumprir uma prescrição médica vital.
Partindo do ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, há também pessoas que negam os avanços da farmacologia e a eficiência dos medicamentos. Eu tenho um primo vegano defendendo “ideologicamente” que os remédios “só fazem bem aos laboratórios estrangeiros…”
Confesso em que houve uma época que eu também refutava as “bolinhas” até o dia em que precisei delas… Combatê-las é, a meu ver, um contrassenso; não reconhece a milenar prática medicinal negando através dos tempos, desde os xamãs europeus, videntes indianos e tibetanos, curandeiros africanos e pajés brasileiros.
No nosso rico País onde a Natureza é pródiga, a fitoterapia estudada entre os indígenas pelo etnólogo amazonense Nunes Pereira, revela a existência da farmácia da floresta, o mítico Noçoquén – horta de plantas curativas –, que, segundo a lenda, é guardada “por uma jovem e bela mulher conhecedora de processos curativos e da oração pela defesa do mundo vegetal”.
A mitologia das tribos Apiacá, Maué, Munducuru e Mura, ensina-lhes como remediar as doenças com a flora, assim como fizeram os geniais Pasteur e Hahnemann, patronos da Medicina moderna.
Antiquíssimo, vive ainda nos nossos dias o Buda da Cura tibetano, apontando o caminho da salubridade com o chá de certas ervas mágicas e a meditação. Além de salvar o corpo físico, o budismo ensina a cura e a evolução da alma pelas sucessivas reencarnações, trazendo o exemplo evolucionário do próprio Sidarta Gautama – O Buda –, na sua passagem pela Terra.
Conta-se que Sidarta pregava sobre a conquista da santidade pelo espírito assumindo uma nova vida material após a morte, quando um dos presentes lhe indagou qual fora a sua primeira encarnação, e ele respondeu: – “Foi uma lebre”.
… E relembrou: – “Caminhando pelo campo, vi um pobre homem botar uma panela no fogo com um pouco d’água. A água ferveu e o miserável nada tinha para acrescentar-lhe; tive pena dele e pensei que uma lebre lhe serviria; então atirei-me à panela”.
Este comportamento altruísta é raro no mundo, pois necessita de ações voluntárias de solidariedade humana, pessoais e coletivas, como o Cristo enfrentou o martírio e a cruz para salvar a humanidade.
Pelo visto, é contraditória a visão terapêutica dos povos ditos primitivos e a desconfiança atual pela farmacologia, seja alopática ou homeopática, que é indispensável no combate de inúmeras enfermidades.
Na verdade, ocorre que só não há remédio para a morte e muito menos para o crime antissocial. Nem o altruísmo budista, nem o sacrifício da autoflagelação de algumas seitas impedem o castigo para os bandidos, traficantes, ladrões, corruptos e corruptores que desrespeitam, infringem e violam os direitos da cidadania.
Que o falso humanismo dos cúmplices da corrupção não nos impeça de sugerir que sejam ministradas aos corruptos, milicianos e traficantes doses cavalares de curare, ao contrário do que fazem alguns ministros do STF, remediando com a impunidade presos condenados pela Justiça em instâncias inferiores.
SINAIS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Às vezes os problemas são sinais de que chegou a hora de o guerreiro iniciar uma nova batalha” (Roberto Shinyashiki)
O historiador judaico-romano Flávio Josepho, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador Vespasiano, traz no seu livro, “Antiguidades Judaicas” um depoimento sobre o judaísmo no século I.
Josefo menciona uma voz do santuário que era chamada pelos rabinos de bath kol, que literalmente é “filha da voz”, significando evocação ou eco, vozes celestiais ouvidas ao longo da história de Israel.
O Bath kol é também um princípio mágico da Cabala Judaica e está presente no Novo Testamento, referindo-se às vozes do céu ouvidas por Paulo e Pedro (Atos 9: 4; cf. 22: 7 e 26:14; 10: 13,15).
A Teologia Esotérica expõe este mistério batizando-o em latim de ‘Filia vocis’, sinal que o indivíduo recebe inconscientemente dando-lhe uma orientação. Este sinal tem a ver com a que se discutia outro dia no Twitter sobre Semiótica e Comunicação; informando sobre algo, ou prevê alguma coisa.
Os sinais nos permitem conhecer, reconhecer ou prever fatos e presenças; são como signos, dando informações e avisando como se deve conduzir diante de um acontecimento. Ambos levam as pessoas a uma ação, o que fazer ou não fazer.
O verbete Sinal, dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina, (signālis, e) ‘que serve de signo, de sinal’. No cotidiano, é pôr em alarme, chamar a atenção.
Sinais transmitidos silenciosamente, acumulam histórias do dia-a-dia, contadas por parentes e amigos, ou através de gerações. Todos ouvimos falar do caso de alguém que teve um pressentimento e desistiu de uma viagem, sabendo depois que o veículo em que ia sofreu um desastre com mortos e feridos.
Demócrito de Abdera, filósofo e matemático da Grécia Antiga, foi discípulo e depois sucessor de Leucipo de Mileto. Sua fama chegou aos tempos modernos como criador da teoria atômica, o chamado ‘atomismo’.
De Demócrito conta-se uma história: Caminhando ele pelo campo, apreciou e se encantou com a maneira com que um jovem selecionava a lenha e fazia cuidadosamente o seu feixe; foi um sinal. O filósofo convidou-o para ser seu aluno. Era Protágoras, que se tornou um dos mais célebres sofistas gregos.
Qual de nós também não recebeu um aviso, um aceno, um toque, ou teve um pressentimento, para o bem ou para o mal? As predições são tão comuns como comentários de mesas de bar.
Os profissionais da política sabem muito bem disto, e pior, aprenderam a transmiti-los, com informações de interesse próprio. Os politiqueiros são como placas que indicam direções; apontam um lado para o eleitor, mas seguem pelo outro.
Nas últimas eleições tivemos exemplos disto. Conservadores e liberais se uniram para derrotar a quadrilha lulopetista e varrer definitivamente a corrupção e o crime organizado do País. Alguns eleitos nesta onda patriótica cedo trocaram de camisa, e outros sabotam a Lava Jato.
Assistimos no Congresso a atuação sórdida dos presidentes das duas Casas engavetando os projetos da Nova Previdência, o Pacote Anticrime e a CPI Lava Toga, para investigar ministros do STF suspeitos…
No STF, os ministros advogam em causa própria, blindando-se e ameaçando seus críticos. As medidas tomadas contra o ex-procurador Rodrigo Janot são claramente inconstitucionais e os conchavos de Dias Toffoli para soltar o presidiário Lula da Silva, condenado em três instâncias, é criminoso.
É pesaroso vermos defensores disto entre os achegados ao poder; alguns deles deletaram o slogan “O Brasil Acima de Tudo”. Assim, caminhando pelo desconhecido, o ladrar dos cães é sinal de perigo…
POLITICAGEM
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eu não entendo nada de política. Mas percebo todas as politicagens…” (Millôr)
Em alguns artigos, entre mais de quinhentos que escrevi desde que criei o meu Blog e aderi ao Twitter, refiro-me muito à estante de livros do meu pai. Era uma coletânea rica em obras sobre as religiões e tinha, talvez, o melhor acervo de obras anarquistas do século 19. Após a sua morte, guardei muitos deles como a herança sentimental e cultural.
Voltando de viagem a poucos dias, ávido por uma leitura, encontrei uma brochura de páginas amareladas, sem capa e remendado no dorso com uma faixa de papel craft. Era “Napoleão e Cromwell”, de Thomas Carlyle, com o esplêndido prólogo de Jean Trolet, “Crepúsculo dos Deuses”.
Não havia anteriormente folheado o livro, e surpreendi-me com vários comentários e sublinhados escritos à mão pelo meu saudoso genitor. Um deles, curiosamente, registrava o pensamento de Carlyle: “Não foi somente a fome que produziu a Revolução Francesa; não, e sim o sentimento de insuportável Falsidade que tudo invadia” (sic).
Esta afirmação corajosa que vai de encontro a vários textos históricos, me trouxe aos dias que estamos vivendo no Brasil; e puxando as conclusões em linguagem atual, temos enfrentado, não só as desonestidades e trapaças deixadas pelo lulopetismo, mas a ideia que sobrou na cabeça de vários políticos e magistrados, de que o nosso País é uma propriedade do Charlatão e dos charlatanismos.
São estas figuras que praticam a politicagem, a negação da Política, com “P” maiúsculo. Politicagem é o jogo da troca de favores e ações que favorecem interesses parentais, pessoais ou grupistas.
Disto, transparece a insistência insana do esquerdismo lulopetista que defende a inocência do presidiário Lula, condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, numa campanha organizada e repetida à la Goebbels influenciando os poderosos-de-dia.
A politicagem se reflete na blindagem que o STF impõe em defesa de alguns dos seus ministros, que por sua vez defendem com argumentos capengas os corruptos presos pela Lava Jato, e despertam a revolta popular e dos próprios magistrados, algemados à pérfida Lei de Abuso de Autoridade.
Esta politicagem ocorre com a aceitação tácita dos presidentes das duas casas do Congresso. Foi a ação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o projeto para dificultar as prisões preventivas de criminosos e corruptos.
Assim, em correlação com o Judiciário, o Legislativo engaveta o fim do foro privilegiado, a CPI das Togas e o Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro; e aprova privilégios imorais para parlamentares e partidos políticos como o pagamento de advogados pelo Fundo Eleitoral e engessa as investigações das contas eleitorais.
É triste constatar que toda esta balbúrdia politiqueira ocorre sob o silêncio do Executivo, a partir de decisões do ministro Dias Toffoli que favoreceu o senador Flávio Bolsonaro e estabeleceu e ampliou a livrança dos políticos corruptos com vistas ao criminoso Lula, aos tucanos de proa como Aécio Neves e aos ministros sob desconfiança como Gilmar Mendes.
O grande orador paraibano José Américo de Almeida trouxe na sua antologia discursiva a frase: – “É preciso que alguém fale, e fale alto, e diga tudo, custe o que custar”. Este apelo patriótico não é seguido pelos fanáticos, pelos convictos e pelos covardes.
Clamo aos céus que o povo desperte e volte às ruas enfrentando o movimento golpista para matar a Lava Jato, símbolo da luta contra a corrupção e o crime organizado. É preciso impedir o fim do slogan “O Brasil Acima de Tudo” que levou o presidente Jair Bolsonaro à vitória nas urnas eleitorais.
A FAMA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A fama dos grandes homens devia ser sempre julgada pelos meios que usaram para obtê-la” (La Rochefoucauld)
Quem disse que em Nova Iorque a televisão não traz reprises de filmes? Para relaxar, encontrei uma noite dessas “Um Lugar Chamado Notting Hill”, comédia romântica anglo-americana dirigida por Roger Michell com Julia Roberts e Hugh Grant.
Assistir mais de uma vez um bom filme tem certas vantagens para quem gosta de cinema, a gente sempre encontra algo de novo que chama a atenção.
Da minha parte, neste pensar, achei um tesouro no diálogo de recusa de Will Thacker (Hugh Grant), dono de uma modesta livraria londrina, quando Anna Scott (Julia Roberts), famosa atriz americana, lhe oferece amor. Numa determinada deixa, ela diz: “A fama não é real”.
Essa pérola encontrada dá em que pensar: Uns idiotas se rasgam para conquistar 15 minutos de fama sob os holofotes da mídia; os realmente famosos são aqueles que agem desprendidos por autossatisfação, e são reconhecidos pelos que se satisfizeram também nos seus trabalhos escritos ou interpretados.
Muitas pessoas pagam o preço do ridículo pela fama transitória. É um fato que se repete continuamente nos meios sociais e, grotescamente, entre os profissionais da política. Os novos ricos e os politiqueiros que exibem a fama nas colunas sociais nunca esperam que a sua aquisição seja avaliada pelos meios usados para isto.
No Brasil, os figurantes que perpassam nas novelas do Projac se escondem em nichos, do mesmo jeito como fazem alguns políticos querendo engavetar as denúncias das delações premiadas na Lava Jato ou nos malfeitos encontrados pelo Coaf…
Não sei se o raciocínio é correto, mas creio que tem muito na nossa herança neolatina esta ânsia por aparecer… São tantos casos que os cariocas usam a expressão “pendurar uma melancia no pescoço” referindo-se a pessoas que tatuam o corpo inteiro, multicolorem os cabelos e põem pegador de roupa no nariz…
Em Nova Iorque também transitam esses maluquetes, mas em contraponto me lembra o Rio antigo, da minha adolescência, quando a gente via atrizes e atores nos ônibus da Light, caminhando na Rua do Ouvidor, indo para o Cassino da Urca de bonde e lanchando nas confeitarias Cavé e a Colombo.
Eu queria que vocês vissem o consagrado ator, cineasta, escritor e músico, Woody Allen, andando pelas ruas do Queens…. Cruzei com ele e me deu vontade de voltar aos 12 anos para pedir-lhe um autógrafo…. Pensei cá comigo que anos atrás eu teria encontrado um dos meus ídolos, Louis Armstrong…
Para os narcisistas, a fama encanta e extasia. Dicionarizada, a palavra Fama é um substantivo de dois gêneros oriundo do latim, fama.ae , reconhecimento favorável, pelo talento, habilidade ou saber de alguém ou desfavorável (má fama).
Nietzsche diz que a fama se cria “quando o reconhecimento de muitos por um único afasta qualquer pudor”; e o sábio dos Pampas, Mario Quintana, completa: “quem pretende apenas a gloria não a merece”.
Mesmo sendo inútil lembrar as lições daqueles que conquistaram a fama pela vocação, esforço ou sapiência, no Hemisfério Sul surgiu uma moda repugnante: jornalistas, humoristas e blogueiros invadem a privacidade das pessoas para aparecer, e a mídia escrita imprevista e decadente lhes cede espaços, e a presença de 15 minutos na TV.
Esses penduricalhos usados por maus profissionais são, infelizmente, alimentados pelas personalidades boquirrotas das novelas, da magistratura de nomeação e dos políticos picaretas.
Com isto, acreditam conquistar fama, que na realidade é uma má fama, lembrada pelo grande Miguel Unamuno: “A má chaga cura-se, a má fama mata”.
AVALIAÇÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Podereis avaliar um homem tanto pelos seus inimigos, como pelos seus amigos” (Joseph Conrad)
A palavra Avaliação é dicionarizada como um substantivo feminino com origem no verbo avaliar, direto e bitransitivo que, por sua vez, provém do latim, (a + valere) que quer dizer “dar valor a …”.
Esticando no uso comum, avaliação é calcular a grandeza, a intensidade, a qualidade a alguma coisa, ou a força de alguma ação, e para a professora Isadora Moreira vai além de uma medida de valor: “é muito mais ampla que a medição ou qualificação; não é um processo parcial nem linear. ”
Assim, pela abrangente definição, a sinonímia de avaliar é riquíssima, indo de ajustar, apreciar, estimar, calcular e cotejar, para análise, exame, opinião, prova e até crítica! E, no mundo em que vivemos, nos deparamos com vários tipos de avaliação, que vão do processo ensino-aprendizagem ao crescimento econômico de um País.
O tempo, por exemplo, é o avaliador da História, como o interesse avalia os homens, as coisas e os eventos. Conta André Maurois que visitando um observatório, ouviu de um astrônomo uma interessante definição do tempo sem comparação ou números; o cientista modelou:
– “Cole um selo sobre uma moeda de dez centavos (estou adaptando) e ponha a moeda em cima de um obelisco (como o da revolução constitucionalista de São Paulo). Se a altura do conjunto, selo, moeda e obelisco, representa o tempo de existência da Terra, a espessura da moeda figura o tempo do surgimento do homem e a do selo a idade da vida social, intelectual, artística e moral da civilização. ”
A metáfora da grossura no selo nos leva a refletir sobre o comportamento de pessoas, observando como se conduzem nas redes sociais. Não são poucos os que se dizem “democratas” e reagem com brutalidade diante de uma crítica às suas convicções.
Nietzsche, rejeitado por certos círculos pelas críticas feitas à religião e a cultura; mas como filósofo adeja acima disto. É dele o admirável pensamento: – “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”.
Na minha opinião pessoal, as excessivas convicções se refletem na conduta de indivíduos antissociais que ultimamente se achegam como um enxame nos sites e aplicativos da Internet.
Fôssemos psicanalistas, diríamos que uma avaliação psicológica os classificaria como psicopatas e sociopatas. Entretanto, devido à minha predileção pela ironia e a metáfora, reservo-me a mostrar apenas as diferenças entre eles e o seu exemplo maior.
A literatura clássica da psicanálise mostra que enquanto os sociopatas sentem remorso e culpa, os psicopatas são calculistas e frios, desconhecendo delitos e arrependimento.
O modelo da psicopatia melhor desenhado é Lula da Silva. Com seu carisma pessoal aliado à inegável esperteza de pelego sindical, aprimorou a astúcia e a malícia diante dos auditórios, tornando-se convincente e perigoso.
Os brasileiros vimos que além dessas qualidades, ele teve às mãos e usou habilmente no varejo político, bilhões de reais dos assaltos à Petrobras e propinados de empreiteiras corruptoras! Com este dinheiro comprou a mídia, cooptou os movimentos sociais e as Ongs, e subornou parlamentares e juízes.
Assim, não é por acaso que essa compra de consciências mantém uma massa saudosista da divisão dos assaltos ao Erário. Suas viúvas não se envergonham de fazer a campanha “Lula Livre”, enaltecendo a corrupção.
Isto representa o valor e o preço de uma herança maldita, a sombra de uma personalidade psicopática que ocupou despudoradamente o poder por 16 anos.
O PERDÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Nada encoraja tanto ao pecador como o perdão” (William Shakespeare)
A Primavera está chegando ao hemisfério sul no dia 23 de setembro; os oceanos vão aos poucos aquecendo e a temperatura amena favorece o acasalamento nos reinos animal e vegetal… Para os poetas é a estação das flores e dos amores…
Um bom momento também para a multiplicação demagógica dos discursos políticos, pedindo perdão, numa autocrítica que no dizer de Nelson Rodrigues, “traz a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto”.
O massacre dos povos pré-colombianos organizado sob a cruz de Cristo e as bênçãos do Vaticano, teve o pedido de perdão do papa Francisco, citando o seu antecessor, João Paulo II, desculpando-se “pelas ofensas da própria Igreja contra os povos originários, e também pelos injustificáveis crimes cometidos em nome de Deus durante a chamada conquista da América”.
Mas parece dubiedade do Pontífice latino-americano, pedindo aos fiéis na República Dominicana que perdoem os que “cometeram crimes e causaram dor e sofrimento aos antepassados”; e recebe como presente de Evo Morales na Bolívia uma cruz em forma de foice e martelo, símbolo do massacre presente na Venezuela.
Na Europa Central outra representação do pedido de perdão. O presidente alemão, Frank Walter Steinmeier, também pediu perdão referindo-se à invasão da Polônia em 1939 pelo exército alemão com seis milhões de poloneses mortos, vítimas do nazismo e da tirania hitlerista.
Teatralizou-se, também, que os Estados Unidos e os talibãs estariam próximos de um acordo para encerrar os 18 anos de conflito no Afeganistão, mas sem informar qual das duas partes pedirá desculpas por atentados com milhares de mortos. Disseram que os talibãs dariam garantias de segurança em troca da retirada dos 13.000 soldados americanos do País; cinco dias depois, um atentado talibã mata um jovem soldado norte-americano…
A palavra perdão é santificada, doce e poética. Como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina, (perdonare) que significa a ação de pedir desculpas, aceita-las redimindo um malfeito ou uma ofensa.
Mas, embora simultâneo com a Primavera, o perdão não é um removedor de sujeira, desengordurante e bactericida, como água sanitária, capaz de limpar a mancha dos males causados.
Nos casos citados, a História não deletará as carnificinas dos conquistadores espanhóis no México, na América Central e nos Andes, nem ressuscitará os povos trucidados pelo nazi-fascismo, e muito menos aceitará condenações e absolvições de terroristas de acordo com as conveniências do momento.
Quem irá pedir perdão ao povo brasileiro pela exploração literalmente selvagem das Ongs que atuam na Amazônia, umas abjurando as crenças originais dos indígenas, outras favorecendo a exploração do subsolo por estrangeiros.
Quem reclamará perdão pelo atentado terrorista sofrido pelo presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, em Juiz de Fora? E o perdão do Presidente aos inimigos da Lava Jato nomeando um crítico da operação para a Procuradoria?
Qual “artista” se desculpará no futuro por ter feito a campanha pró-impunidade do “Lula Livre”, seja na imprensa, no Congresso, ou nas ruas, acumpliciando-se com o assalto perpetrado contra o Erário pela quadrilha do ex-presidente condenado em três instâncias por corrupção?
GESTOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Falar é fácil quando se tem palavras que expressem a opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos. ” (Carlos Drummond de Andrade)
Antigamente havia uma espécie de brinquedo com troca-palavras, que começava por “é preciso não confundir”. Lembro-me de alguns, como “é preciso não confundir a prima Vera com Primavera” e/ou a dos meus tempos de estudante, “é preciso não confundir habeas corpus com corpus christi”…
Atualizando, acho que não se deve misturar “Gesto” com “Mímica”. Li certa vez a proposta de uma linguista dinamarquesa (ou seria sueca?), prevendo um possível encontro com alienígenas, dizendo que vamos nos entender “por meio de gestos”.
A pós-doutora escandinava usou a palavra Gesto no sentido de Mímica. Na sua sinonímia, o substantivo masculino Gesto (do latim “gestu”) tem um triplo sentido, vai de aceno, mímica e sinal; até aparência, ação, ato, e maneira de se expressar.
Da mímica, extraí uma anedota antiga, que conta um diálogo feito por gesticulação entre um embaixador da Inglaterra, estudioso da mímica, e o governador da província de Fianarantsoa no sudoeste de Madagascar.
Nem o Inglês falava o dialeto local, nem o Malgaxe entendia o britânico, de maneira que dialogaram por mímica. O embaixador iniciou mostrando um dedo e o governador expôs dois dedos; a seguir o embaixador apresentou três dedos e o governador, fechou vigorosamente o punho erguendo-o à altura do rosto do interlocutor.
Voltando à Grã-Bretanha, o especialista em linguística apresentou na Academia de Ciências o resultado da sua pesquisa. – “Não trocamos uma só palavra”, disse, “mas nos entendemos perfeitamente”. Relatou que mostrou um dedo afirmando a existência de um só Deus, e obteve como resposta dois dedos aludindo ao Pai e o Filho; para significar o Pai, o Filho e o Espírito Santo, apresentou três dedos; então o outro cerrou o punho afirmando que eram três num só.
Em Madagascar, o Governador comentou com seus assessores o encontro e a conversa silenciosa. – “Ele me mostrou um dedo ameaçando enfiá-lo em mim; respondi que meteria dois dedos nele; ele insistiu dizendo que me enfiaria três; aí eu fechei o punho e ameacei dar-lhe soco na cara. Ele então se retirou com medo. ”
As duas versões mostram que a mímica é inconfiável. Então vamos aos gestos, no sentido de ação, no modo de proceder dos três poderes da República, ao meu modo de ver elogiáveis ou condenáveis.
A civilização trouxe uma maravilhosa simbiose do gesto e da mímica com a língua de sinais que atende pessoas surdas, reconhecida pela linguística como língua natural.
O gesto como ação, pode ser admirado e condenado entre os ocupantes do poder. Compare: Na Justiça, enquanto o STF, que viola o próprio regimento, arquivando os processos de suspeição de 111 ações contra ministros, temos do outro lado o ministro Sérgio Moro, dizendo que com a condenação em última instância do réu, após todos os recursos advocatícios, ou ele escapa antes de morrer ou do crime prescrever.
Também na Suprema Corte, tivemos o gesto de Dias Toffoli, que julgando processo do senador Flávio Bolsonaro, aproveitou para fazer a defesa das escapadas de alguns togados e parentes, impondo restrições ao Coaf, um órgão fiscalizador…
No Legislativo, alcançamos o gesto repugnante do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que enquanto engaveta o projeto AntiCrime, apressou a votação e a aprovação do infame projeto do Abuso de Autoridade para impedir a atuação de policiais federais, promotores e juízes da força tarefa da Lava Jato.
Por fim, no Executivo, o presidente Jair Bolsonaro acena em trocar o slogan “Brasil acima de Tudo” por outro qualquer, ao nomear um procurador-geral vira folha, amigo de hierarcas petistas e crítico da Lava Jato, e aplaudido por Dias Toffoli e Rodrigo Maia…
Os mau gestos dos ocupantes do poder no Brasil bem que estão merecendo os gestos pornomímicos dos patriotas brasileiros…
A PROPINA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não podemos tolerar ou conviver com essa naturalização do pagamento da propina.” (Sérgio Moro)
De origem latina, a palavra Propina (propina, ae) designava estalagem, tasca, taberna, lugar aonde se bebia e comia. Chegou ao idioma português como um substantivo feminino significando gorjeta, gratificação extraordinária por serviço prestado a alguém; rendimento além do valor fixado.
Por ironia com a politicagem, tornou-se um brasileirismo de exportação, indicando quantia que se oferece ou paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos; suborno.
Mascarou-se deixando o dinheiro fora da transação por informações privilegiadas, negócios lucrativos, obras públicas e troca de favores ilícitos. Poderia ser um Triplex em praia privilegiada ou sítios confortáveis para férias e fins-de-semana…
Folheando um dos velhos livros que guardei para a leitura na velhice encontrei uma passagem sobre a propina mascarada na China do século 18, retratada por um missionário evangélico, pastor Cirus Wetersland, citado pelo acadêmico Thomas Henry Huxley, avô de Aldous, um dos meus autores preferidos.
A crônica sobre os antigos costumes chineses traz uma fantasia sobre a propina, que chegou às Américas com os conquistadores europeus e foi institucionalizada no Brasil pelos governos lulopetistas, do próprio Lula – preso por corrupção e lavagem de dinheiro -, e do seu “poste”, Dilma Rousseff.
Conta o pastor Cirus: “Recebido em audiência pelo Mandarim, confidente do Imperador, um empreiteiro de obras lhe diz: – “Ofereço-lhe 50 mil taels para obter a concessão da ponte sobre o rio Amarelo”.
Com indignação, o Mandarim reage: – Oh! Cidadão vil e desprezível! Ordeno-lhe que se retire imediatamente ou sofrerá o castigo que merece! …curvando-se, o construtor pede mil desculpas e solicita aguardar um pouco porque estava desprevenido para enfrentar a neve que ameaçava cair.
– “Nevará? Falou curioso o Mandarim, vendo pela janela o sol a brilhar. – “ Nunca cai neve nesta época do ano”, completa. O empreiteiro se volta e afirma que a neve vai chegará logo, e sugeriu: – “Vamos apostar 50 mil taels, como cairá em cinco minutos? ”
– “Aceito”, disse com solenidade o Mandarim, de olho no relógio. Passado o tempo regulamentar, o construtor interrompe o silêncio: – “O senhor tem razão; não nevou. Ganhou a aposta, e passou-lhe um maço de notas envolvido num lenço de seda”.
Segundo a narrativa, uma semana depois, o empreiteiro alegrou-se vencendo a concorrência para a construção da ponte…
Esta historieta poderá ser repetida dezenas, talvez centenas de vezes, para cada uma das denúncias constantes da delação premiada do ex-ministro petista Antônio Palocci, já homologada pelo ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no STF.
Segundo depoimentos de Palocci à Polícia Federal, em cada ato dos governos corruptos do PT e seus aliados, igualmente desonestos, havia pagamento de propinas. Parece exagero, mas provas apresentadas mostram que empresas até levavam pronta a redação do que queriam aprovar em medidas provisórias.
Palocci garante que o empreiteiro Marcelo Odebrecht, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, e Rubens Ometto, magnata do setor de distribuição de combustíveis, compraram a MP nº 470, no governo Lula.
Este acordo de delação premiada é minimizado e até escondido pela grande mídia. É volumoso; consta de vários anexos citando transações criminosas de 12 políticos e 16 empresas, alcançando 330 milhões de reais de propinas ao PT e parlamentares aliados.
Se a imprensa – em parte também envolvida –, silencia. Os brasileiros esperam que o Supremo Tribunal Federal não se omita, mesmo sob pressão de alguns togados que têm birra com as investigações do MPF, do Coaf e da Lava Jato.
– “O juiz não é nomeado para fazer favores”, disse Platão. E a Bíblia (Provérbios 17,23º) adverte que “o ímpio aceita um presente debaixo do manto para distorcer o Direito”.
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QUALIDADE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A primeira boa qualidade do soldado é a sua resistência para suportar a fadiga; a coragem vem em segundo lugar” (Napoleão Bonaparte)
Memorizando nossos estudos de História encontramos a figura de Napoleão Bonaparte, um militar filho da Revolução de 1789 que se tornou um líder político e imperador dos franceses. Sob seu comando, a França ocupou pelas armas a maior parte do continente europeu. Foi combatido e derrotado por uma aliança formada pela Inglaterra, Prússia, Rússia e Áustria.
O seu legado histórico, porém, não foram as campanhas militares e sim por ter outorgado o Código Civil Francês, mais tarde conhecido como Código Napoleônico, inspirado nos textos liberais dos enciclopedistas. Tem uma influência positiva na legislação argentina, brasileira, chilena, mexicana, paraguaia, peruana e venezuelana.
A qualidade do seu texto merece um estudo que, infelizmente, não é mais feito nos meios jurídicos, a não ser como especialização. A palavra “qualidade” apesar do conceito subjetivo, está relacionada com as percepções, necessidades e resultados de cada pessoa.
Como verbete dicionarizado, Qualidade é um substantivo feminino, de origem latina, (qualitate), e é utilizado em situações distintas. Nos interessa, sobretudo, o seu sentido de valor ou nível, cuja sinonímia alcança atributo, característica, importância, nível, padrão, etc.
Para explanar sobre a qualidade busquei inspiração no filósofo francês Michel de Montaigne cuja produção intelectual se voltou para o humanismo contrário às injustiças, à violência, à crueldade e à corrupção.
É de Montaigne o conceito dialético de qualidade ao nos legar seu pensamento: “Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade. ”
Parece uma contradição, mas é fácil ver que a qualidade depende de cada opinião pessoal e do contexto em que é utilizada. Assim temos como características positivas a contribuição dos indivíduos para a coletividade e o comportamento de cada um no meio em que vive.
O desamor, egoísmo, o orgulho e a preguiça, são qualidades negativas, por serem nocivas e opostas à condição ética relativa às sociedades civilizadas, que exige um comportamento altruísta e a solidariedade humana para o seu desenvolvimento e a garantia de uma Justiça que alcance todos igualmente.
É, entretanto, o negativismo o que encontramos atualmente em todos os quadrantes planetários, e, em especial, no Brasil, onde o nosso povo sofre sob as distorções, os equívocos e os crimes herdados dos dezesseis anos de governos lulopetistas.
O padecer nacional recai principalmente sobre a qualidade de vida, que atinge todas classes sociais. Estudioso da necessidade de segurança, Felipe Sandrin adverte: “Qualidade de vida não é poder ganhar dinheiro e morar em condomínios fechados. Qualidade de vida é você caminhar à noite em sua cidade sem medo de ser assaltado”.
No Brasil, diante do crime organizado, do tráfico de drogas e das milícias, e o perigo real que impõem, se explica a vivência inquieta da cidadania e se vê a incoerente obstrução parlamentar ao projeto AntiCrime, numa espécie de cumplicidade com a corrupção que grassa no seu meio e, em consequência, com o crime organizado.
No Congresso distinguem-se variados tipos de qualidade em razão de cada um indivíduo, da formação deles, da sua origem e adoção ideológica. Então se detecta ali a qualidade negativa majoritária reinando e prejudicando a nacionalidade.
É por isto que o pacote AntiCrime na Câmara Federal, que reluta, negaceia, adia, e o seu presidente Rodrigo Maia finge não entender que o combate ao crime não pode ser adiado indefinidamente.
Como assistimos há pouco, também o STF vem impondo à Nação Brasileira a execrável impunidade nos crimes de corrupção, contraditando a sentença condenatória por receptação de propinas do corrupto Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.
Os ministros togados que assim decidiram, sequer apreciaram as provas de prática corrupta apresentadas no processo, prendendo-se às filigranas jurídicas a gosto dos rábulas.
Em defesa da iniciativa do ministro Sérgio Moro, vemos que a sua aprovação depende de nós e da influência que possamos ter junto às pessoas com quem convivemos e que precisam ser convencidas para a conquista de uma qualidade que falta aos detentores do poder: a Honestidade.
IMPUNIDADE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A impunidade é segura, quando a cumplicidade é geral” (Marquês de Maricá)
Há uma fração do Supremo Tribunal Federal – que batizei de “O Bando dos Quatro” – que quer legalizar a impunidade no Brasil anulando o eficiente combate aos corruptos da Lava Jato.
Não se trata apenas da idiossincrasia de ministros alçados aos tribunais superiores pelo favoritismo político, invejosos dos juízes concursados de primeira e segunda instâncias; é uma visível ação política para soltar os comparsas da quadrilha lulopetista envolvida com empreiteiros para usufruir propinas.
O exemplo mais do que perfeito disto é a decisão da 2ª Turma do Supremo suspendendo a condenação do corrupto Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, num dos processos da Operação Lava Jato.
Foram três votos contra um na decisão dos togados; o relator do caso, ministro Edson Fachin, foi voto vencido, e a favor, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.
Vê-se assim como é fácil o trabalho dos jeitosos e generosamente pagos advogados que atuam no STF em defesa dos empresários e políticos denunciados e punidos por assaltos aos cofres públicos… Contam sempre com a simpatia dos julgadores.
Desta vez, entretanto, é assustador o modelo desenhado pela 2ª Turma. Os que votaram contra a condenação de Bendine pelo juiz Sérgio Moro, nem sequer apreciaram as provas dos crimes de corrupção contidas na sentença. Limitaram-se a uma filigrana técnica da precedência nos depoimentos do réu e dos delatores da Odebrecht.
Com um cinismo semelhante a uma piada licenciosa, o argumento vitorioso resumiu a intenção de anular a condenação dizendo que: “No processo, Moro deu o mesmo prazo para o ex-presidente da Petrobras e seus delatores da Odebrecht apresentarem alegações finais, a última manifestação no processo. Para garantir a ampla defesa, Bendine deveria ser o último a se manifestar. ”
Na Aritmética, a ordem dos fatores não altera o produto; este axioma deveria ser também uma regra jurídica, impedindo o uso de lupas para descobrir minúsculas fragmentações na técnica processual dos depoimentos e dos prazos e assim escancarar as portas da impunidade.
O verbete “Impunidade” dicionarizado, é um substantivo feminino de etimologia latina (impunitas,atis), significando não-cumprimento de uma pena por alguém formalmente condenado em virtude de um delito. Traz o conceito de tolerância com o crime pela falta de castigo.
A impunidade vale também para a lentidão excessiva nos julgamentos que na maior parte vai às prescrições; dá penas mais brandas do que as esperadas pela sociedade e chancela os habeas corpus preventivos de adiamentos ou escapatória.
O professor Luiz Flávio Gomes, num excelente artigo encontrado no Google, mostra o absurdo da decisão a passos de cágado do STF, que após 30 anos declarou o clube recifense Sport campeão de 1987, preterindo o Flamengo… 30 anos depois!
E o nitidamente defensor da impunidade, o ministro Gilmar Mendes, adotou uma visível inconstitucionalidade aceitando a alegação da defesa de Guido Mantega de que um ex-ministro não pode sofrer o constrangimento da tornozeleira eletrônica por ser figura pública… Embora corrupto, é “mais igual” do que nós, cidadãs e cidadãos.
Ao meu modo de ver, a perversão do “Bando dos Quatro” está antenada ao interesse político de instituir a impunidade para os corruptos, objetivando o chefão Lula da Silva, condenado em três instâncias.
Por isto, ressalto a lucidez de François Guizot: “Quando a Política adentra no recinto dos tribunais, a Justiça sai por outra porta”.
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