Artigo
REELEIÇÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A negação não é uma poça d’água. É um oceano. E como podemos fazer para não nos afogarmos? ” (Grey’s Anatomy)
Foi divulgada há dois ou três anos, não me lembro quando, uma pesquisa que supus séria pelos dados gerais, a abrangência e o número de entrevistados. Entre diversos itens, um deles me chamou a atenção e eu anotei: 86% dos eleitores não se lembravam do candidato em que votaram.
O tempo se passou e acredito que este percentual será igual ou maior para responderem se recordam das promessas eleitorais do político que elegeu, vereador ou prefeito, deputados estaduais e governadores, congressistas e até do presidente da República!
Também os compromissos eleitorais, ou grande parte deles, não são cumpridos; e desconfio que essa displicência alienada continue dando crédito às mesmas promessas repetidas nos palanques reeleitorais, levando-nos a pensar como Eleanor Roosevelt: “Se alguém trai você uma vez, a culpa é dele. Se trai duas vezes, a culpa é sua”.
Cabe realmente ao “eleitor cúmplice” a responsabilidade de levar duas vezes ao poder um traidor. É por isto que não merece perdão o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo por ter aprovado a reeleição e criado o “mensalão”, com o qual comprou a sua.
A reeleição é uma inimiga perigosas da Democracia. Seria maçante e até impertinente falar de reeleição nos municípios – aonde começa a corrupção que assola a política brasileira –, da mesma forma como reconhecer que esta legislação infame favorece as oligarquias corruptas e corruptoras pelo Brasil afora.
Dizem que o mandato de quatro anos para os cargos executivos é pouco tempo para o eventual ocupante do poder se afirmar como administrador da coisa pública. A culpa é da Constituição de 1988 – tantas vezes emendada pelo Legislativo e descumprida pelo Judiciário -, mas intocável no caso de aumentar para cinco anos o exercício do cargo executivo; assim, ajuda a reeleição que só satisfaz aos ambiciosos.
Muitos esqueceram, mas nas últimas eleições os ambiciosos ainda disfarçados de reformistas, se diziam contra a reeleição. Um deles foi o atual presidente Jair Bolsonaro que agora, mesmo no momento difícil que o país atravessa, tem como único propósito, a própria reeleição.
No Palácio do Planalto tudo gira em torno das eleições sucessórias vindouras; todos ali estão engajados na campanha antecipada, dos generais da reserva que formam a guarda pretoriana do Presidente, ao trio maravilhoso dos filhotes aproveitadores da política personalista do pai, cada vez mais facciosa e populista.
Diz o liberalíssimo ditado popular que “em cada cabeça uma sentença”, e por este princípio individualista, o presidente Jair Bolsonaro pode fazer politicamente o que lhe der na telha, contando que esteja de acordo com a Lei.
Seria interessante, entretanto, que o Presidente tivesse a humildade de aprender as lições que as eleições norte-americanas trouxeram, exceto acusar fraudes aonde não há, nem negar a vitória de um adversário, como faz o seu figurino Donald Trump.
A mais expressiva entre as lições positivas foi a participação diligente e expressiva do cabo eleitoral Coronavírus e sua auxiliar ativista Covid-19. Podem somar: Assistimos pesar na apuração final as simpatias e antipatias pessoais, o partidarismo e as ideologias; mas a derrota de Trump se deveu ao negacionismo que deu continuidade ao desdém pela pandemia, por puro egocentrismo e cabeça dura…. O povo não é bobo.
AS LEIS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não se acha suficiente que a lei seja justa, pretende-se também que seja filantrópica” (Frederic Bastiat)
Contraditoriamente, Ricardo Barros, líder do governo que defende o antigo regime militar e elogia torturadores, propõe a convocação de uma Assembleia Constituinte como fez o Chile para enterrar a Constituição ditatorial de Pinochet, que – não duvido – seja bem lembrado pelo presidente Jair Bolsonaro.
A Constituição de 1988 é sem dúvida exagerada ao misturar a defesa dos direitos humanos com o direito dos bandidos, sendo leniente com os criminosos. Nasceu de um suspiro reparador dos políticos da oposição consentida.
Não se pode desprezar, também, que a batizada “Carta Cidadã” trouxe uma overdose de direitos, sem a contrapartida dos deveres, negaceando a necessidade desta exigência necessária à ordem pública.
Desconheço as constituições dos 193 países-membros da ONU, mas entre as antigas, dos países europeus e dos Estados Unidos, a coisa não é bem assim. Exigem dos seus povos obrigações para com o País. Lembro de um artigo do advogado Rodrigo Lobato, onde se esclarece este ponto de vista ao enfatizar: “Não pergunte o que o Brasil pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer pelo Brasil”…
É preciso, sem dúvida, esclarecermos a questão dos direitos e dos deveres, e rever a legislação penal paliativa e tolerante com os ladrões que infestam mexicanamente o nosso país… Não com a volta da Lei de Talião, “Dente, por Dente, Olho por Olho”, mas com agravantes e pelo cumprimento total da pena para os delinquentes condenados.
Em muitos países (e está de volta em alguns estados dos Estados Unidos) vem sendo restabelecida a pena de morte como pena máxima. No Brasil, pela nova Lei nº 13.964/2019 a pena máxima é de 40 anos em regime fechado, mas o preso recebe benesses após o cumprimento de 1/6 da pena.
Para beneficiar criminosos, as charadas jurídicas se multiplicam graças aos grupos de pressão de advogados e das ONGs “defensoras” dos direitos humanos; e com isto se multiplicam também as ações criminosas, a corrupção e a violência.
Antigamente, em muitos países árabes, cortava-se a machado a mão direita dos ladrões e cauterizava-se o talho em alcatrão fervente…. Se não me engano, ainda vigora na China: amputa-se os dedos de batedores de carteiras.
Parecem descomedidas estas penas; basta a segregação em prisões de segurança máxima e obrigações a ser seguidas pelos sentenciados como trabalho, sem a compaixão do falso humanismo para os bandidos.
A punição para o crime deve ser dura, principalmente dos crimes hediondos como o estupro, o latrocínio e o tráfico de drogas; e que a Justiça não repita o que ocorreu a poucos dias em Pernambuco, com um juiz que mandou soltar traficantes detidos em flagrante transportando 133 kg de maconha. Uma droga considerava “leve”, mas que é criminalizada pela legislação vigente.
Muito menos como ocorreu no caso que envolveu a blogueira Mariana Ferrer, e a insólita sentença de um juiz em Santa Catarina acatando a tese de que o estuprador cometeu ‘estupro culposo’, ‘crime’ não previsto por lei…
São intoleráveis, também, as sentenças garantistas do Supremo Tribunal Federal, que libertam criminosos, principalmente políticos corruptos assaltantes do Erário, como ocorre com José Dirceu e Lula da Silva, este último delinquindo no exercício da presidência da República. Um mal exemplo para a sociedade!
E, voltando à Constituição de 88, é inesquecível que muitas delinquências no mundo político são “legais” como o assalto ao bolso dos contribuintes com os “fundões” partidário e eleitoral. E até pode se acrescentar a esta “legalidade bandida” o foro privilegiado e a famigerada reeleição que pretende manter no poder aqueles que o usam para se reeleger.
O explorador Henry Morton Stanley que se tornou famoso por encontrar o missionário David Livingstone, desaparecido no interior da África (e inspirou o filme “O Explorador Perdido”), estudou uma sociedade primitiva onde o chefe que atinge a idade avançada é convidado pela tribo a subir num coqueiro que os guerreiros balançam fortemente. Se ele conseguir se segurar, fica no poder por mais um ano; se cair, perde o mandato.
Numa sociedade considerada civilizada e democrática, o coqueiro é o voto, onde todos que cumprirem a missão para que foram eleitos, devem ser sacudidos e defenestrados pelo eleitorado.
A MORTE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?” (Confúcio)
Para quem já escreveu três artigos sobre a Vida e um apenas sobre a Morte, não se perturba em voltar com a morte nesta peleja dicotômica, aproveitando o terror do pesadelo de 160 mil óbitos por causa da “gripezinha”, referência dos negacionistas para a covid-19, subestimando-a por interesses políticos.
Por não crer na imortalidade e disposto a enfrentar a própria morte (que não seja sofrida, pelo amor de Deus!), sempre fui atraído por epitáfios. Já contei que ao fim do serviço militar, em 1952, ganhei uma viagem a Paris do meu pai e lá desembarcando fui direto ao cemitério Père Lachaise para ver o túmulo de Voltaire.
O filósofo dos tempos modernos que me encanta, tem na lápide sobre seu túmulo uma frase que ele mesmo redigiu: “O Homem é o único animal que sabe que vai morrer um dia. Triste destino! ”.
No sepulcro de Arquimedes – o pai da Geometria –, em Siracusa, a epígrafe não tem letras. É apenas um desenho geométrico, um quadrado inscrito num círculo.
Arquimedes foi astrônomo, engenheiro, físico, inventor e matemático; e na esteira deste gênio da humanidade, o matemático alemão Ludolf van Ceulen, radicado e falecido nos Países Baixos, pediu que no seu túmulo fosse posto apenas o “PI” grego, 3,14,16, que muitas vezes havia calculado…
Falecido a pouco, eu sugeriria que para Sean Conery, ator escocês que atuou em mais de 90 papeis no teatro e no cinema e recebeu da Rainha Elizabeth II o título de cavaleiro da Ordem Britânica, um elogio fúnebre: “Intocável”. Inspirei-me no filme de Brian de Palma “Os intocáveis”, que lhe concedeu o Oscar de 1988.
Para os curiosos, adianto-lhes que escrevo este texto no dia 2 de novembro de 2020, Dia de Finados, em que venero os meus mortos, familiares, amigos, e aos que admirei em vida, mesmo de longe.
Foi neste dia, fazem 70 anos, que faleceu outra personalidade da minha admiração, o jornalista irlandês George Bernard Shaw, também contista, dramaturgo, ensaísta e romancista.
Shaw, sempre desafiando os costumes sociais vigorantes na época, não se preocupou com louvores post-mortem. Pediu a cremação do seu cadáver e que as cinzas fossem misturadas às de sua esposa que o antecedeu na partida… O amor se impôs às celebrações póstumas.
E além da morte, a ciência também se sobrepõe às crendices e ao misticismo que vigoram desde que o homo sapiens conquistou a Terra aniquilando os neandertais… E vem demolindo a ignorância humana revelando todos os segredos universais.
Embora a idiotia ainda subsista e indivíduos incultos, mesmo com as fotografias do planeta tiradas do Cosmos, divulguem sem acanhamento, que a Terra é plana, assumindo com suas asneiras um lugar no negacionismo à Ciência.
Há também pessoas que por puro esnobismo se engajam na tolice de negar a eficácia das vacinas; e, nesse contexto, seguem desdenhando as milhões de mortes provocadas pela covid-19.
Este comportamento leva a um duplo raciocínio: ou adotam as milenares práticas chinesas de sepultar as pessoas com festa, e os carnavalescos festivais mexicanos das caveiras e esqueletos, ou levam de volta a sua ignorância para o século 19….
Lembro que mais de duzentos anos atrás o papa Pio VII, discutindo com o polivalente cientista Alexander von Humboldt, disse que os meteoritos eram pedras que caiam de uma fenda da abóboda celeste.
Esta concepção falsa e contestável era, na época, dominante no Ocidente; uma coisa que deve ser considerada insana, como é totalmente alienado negar a eficácia de uma vacina contra os vírus…
IMBECILIDADE TELEVISIVA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana…” (Barão de Itararé)
É muito forte a palavra Imbecilidade, definida gramaticalmente como substantivo feminino, originária do latim “imbecillitas.atis”, desprovido de inteligência, senso ou tino; leva a Imbecil, também de etimologia latina “imbecille”, pessoa apalermada, idiota, tola.
A psiquiatria define “imbecilidade” como a condição de pessoal cuja idade mental é a de uma criança entre três e sete anos; e coloquialmente o povão usa como burrice, ações e comportamento de um idiota.
O jornalista e humorista gaúcho Apparício Torelly, conhecido nas rodas intelectuais do Rio de Janeiro como Apporelly e/ou pelo título de nobreza assumido, Barão de Itararé, viu a televisão nos seus primórdios, e revoltou-se com as chanchadas que apareceram inicialmente. Exagerou na definição.
Se vivesse nos dias atuais possivelmente mudaria de opinião, sem generalizar, embora – com toda razão -, destacasse possivelmente a imbecilidade de alguns canais televisivos que insistem em fazer os usuários de idiotas.
Se acessasse Smithsonian Channel, a National Geographic ou International BBC television channels, não pensaria da mesma forma.
Por outro lado, vemos os canais History e Discovery se esforçando em se pôr a serviço da “imbecilidade humana”. Tendo como tema o Alasca, abundam versões brasileiras das idiotices que agradam a audiência norte-americana, parecendo exibições comerciais para atrair tolos.
É possível que possa atrair a massa ignara sempre disposta ao entretenimento diversionista. Há panaca para tudo que é passatempo; mas creio que – independente da escolaridade -, a intelligentsia brasileira é mais exigente. O povão é esperto e gosta de aprender.
O que não pode é aceitar a exibição repetitiva de dezenas de filmetes sobre o Alasca, limitados e dirigidos apenas para a curiosidade de um público desprovido de informação ou apaixonado por tudo o que se relaciona com os Estados Unidos.
Enumerei alguns programas que realmente estão no subsolo do edifício QI. Começa com “Alasca, a Última Fronteira”, se repete com “Alasca ao Extremo” e com “Construções Remotas no Alasca”… Depois tem “Perdidos no Alasca” e, se não bastasse, “isolados no Alasca”. Para quem gosta de suspense, “O Misterioso Triângulo do Alasca”, “Alasca, Perigo no Ar”….
Tem “Por Dentro do Alasca” e lá “A Grande Família do Alasca”, divertindo-se na “Festa no Alasca” com “Corridas de Cachorros no Alasca”, “Bullins Alasca” e aos que gostam de construções, “Megamáquinas do Alasca”. “Trilhos do Alasca” são para ver-se a paisagem gelada de lá, “Alasca em Grande Estilo”…
Desculpem meus fiéis seguidores pela limitação a somente este “Show do Alasca”; quem recolher outros em dezenas deles, me avisem de qual canal extraíram, para que eu não o acesse…
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MEXERICOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A única coisa que se espalha com mais rapidez do que uma pandemia é o mexerico” (Grey’s Anatomy)
Juro que eu não sabia que havia o verbo “Mexericar”… Pois é: está no dicionário como intransitivo e transitivo direto, com o gerúndio ‘mexericando’ e o particípio passado, “mexericado”… Significa bisbilhotar, intrigar, fuxicar e intuito de indispor. Mexerico é um regionalismo do Rio Grande do Sul (Mistura, Confusão), por isto há quem defenda ter etimologia guarani; seu principal sinônimo, “fofoca”, tem origem africana…
Li certa vez uma anedota histórica envolvendo Aristóteles. “O Filósofo ouvia pacientemente o tagarelar de um concidadão mexericando sobre a vida de algumas personalidades atenienses. O indivíduo silenciou de repente e perguntou se os comentários estavam distraindo as suas meditações. – “Não”, respondeu Aristóteles -, “pode continuar. Eu não o escuto…”
Esta sábia lição deve ser seguida em situações corriqueiras; mas não dá para aceitar mexericos que circulam nos andares de cima da nossa pobre República. É imperdoável vê-se o presidente Jair Bolsonaro batendo boca com um popular ou manter falatórios prejudiciais aos estudos de uma vacina contra a pestilenta covid-19.
A ambição pelo poder não pode estar acima dos interesses nacionais e populares. A missão de um governante não lhe permite enredar com seus críticos e muito menos dividir a cidadania entre o “nós” e “eles” como faziam os governos lulopetistas.
Agora, no momento político que o Brasil atravessa, vê-se o levantar da poeira de uma corrida eleitoral antecipada, sufocando a Nação com a cobiça egoísta do Presidente que foi contra a reeleição na campanha eleitoral e agora se dedica em tempo integral à própria…
É inegável, porém, que dispõe de um mecanismo propagandístico de fazer inveja…. Os cultuadores de sua personalidade, ao assistirem dissidências e críticas, de ex-seguidores e ex-ministros, carimbam todos de traidores. Conseguem encontrar no mapa da lógica a “Ilha Bolsonaro” da fidelidade cercada de traidores por todos os lados….
A tontice desta massa fanatizada compõe o coquetel do nepotismo desculpando os mexericos entre ministros, como provocações de Ricardo Salles, que chamou o general Ramos de “Maria Fofoca”, e agora apelidando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de “Nonho” personagem obeso da série “Chaves”… e segue o exemplo do Presidente que fofoca contra os governadores de São Paulo e do Maranhão….
Assim caminha a humanidade tupiniquim…. Vive-se uma situação que junta os embeiçados bolsonaristas e os obstinados lulopetistas, gerando o “bolsopetismo”, o abraço extremista que criou uma situação hilária, mas constrangedora: as demandas judiciais contra quem ousa corrigi-los.
Um amigo meu está sendo processado porque chamou num post o condenado Lula de corrupto…. Ao apresentar-lhe a minha solidariedade, ouvi dele uma decisão que levo à reflexão.
Ele decidiu não comparecer à audiência; e disse que seguia uma passagem histórica de Alcebíades, político ateniense que foi discípulo de Péricles, amigo de Sócrates e contemporâneo de Zenon de Eleia.
Reproduzo “de ouvido”: “Convocado pelos juízes para responder acusações de adversários, recusou-se a comparecer ao tribunal onde poderia sofrer o banimento. Inquirido porque não enfrentar o processo e não confiar na Justiça, Alcebíades disse: -“Neste processo, que vem do alto poder, não confiarei sequer na minha mãe; como ela é muito míope, pode trocar a pedrinha branca por uma preta…”.
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SAMBA CANÇÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eu mato, eu mato / Quem roubou minha cueca / Pra fazer pano de prato” (“Marcha da Cueca”, de Livardo Alves)
A espetacular criatividade dos brasileiros criou a expressão “Samba Canção” para designar aquelas cuecas antigas, de fazenda e modelito de short…. Quando despertei para vida, adolescente nos anos 1940, era o que se usava.
Também antiquada é a definição de cueca nos dicionários portugueses e brasileiros: refere-se gramaticalmente como substantivo feminino e peça de roupa branca que os homens usam por baixo das calças. Na sua etimologia, a palavra Cueca tem um sentido mais direto do que atualmente: era “cu”, do latim vulgar “culus”, ânus, acrescida de “eca”, domicílio, moradia.
Em Portugal usava-se a palavra “Cueca”, no plural “Cuecas”, ou no diminutivo “Cuequinha”, um modelo correspondente para homens e mulheres, embora para elas, no Brasil e em Moçambique, é denominado “Calcinha”.
A Cueca é descendente da avoenga “Ceroula” que descia até os joelhos, sem braguilha, que dava um trabalho danado para urinar ou defecar, mesmo na intimidade.
Mais recente, referindo-se à roupa íntima para cobrir a zona pélvica e as nádegas, cueca é chamada de “Sunga” no Brasil, e em Portugal “Boxer”. A nova versão masculina traz um molde especial para apoiar o pênis, dispondo de braguilha e cobrindo até as virilhas.
A corrupção política generalizada, herdou dos tempos corruptos dos governos lulopetistas como sinônimo de “Cueca”, “Cofre”. Inspira-se no flagrante da Polícia Federal encontrando o senador Chico Rodrigues, quando vice-líder do Governo Bolsonaro, com dinheiro e documentos sob a cueca, nas nádegas.
Este exemplo dado por Rodrigues nada tem de surpreendente, vem de longe, dos tempos em que os parlamentares picaretas reuniam-se na bancada chamada “baixo clero”, que veio dar no Centrão.
Em conversa gravada entre o presidente Jair Bolsonaro e Chico Rodrigues, que foram colegas na Câmara dos Deputados, a relação dos dois “é antiga e duradoura”; e por isso, o senador batizado de “Bunda Rica”, vem sendo defendido (ou tem a sua suspeitíssima situação omitida), pelos fanáticos cultuadores da personalidade do Governante.
Vê-se esta defesa no Congresso, por “espírito de corpo” ou cumplicidade, tendo como exemplo mais-do-que-perfeito disto a fajuta licença do Senador para evitar leva-lo ao Conselho de Ética do Senado e contornar uma intervenção do STF, que foi sentenciada pelo ministro Luís Roberto Barroso.
Também a intercessão da Procuradoria-Geral da República no caso, revelou uma sutil defesa, alegando ao STF que não é possível afirmar, ‘por ora’, que os R$ 33,1 mil encontrados na cueca do Senador, não podia ser provada. Uma salvaguarda ridícula…
Ridícula sim, porque a evidência sob a cueca do Senador roraimense e a acusação de desvio de recursos da covid-19, é inegável e torna revoltante o fato. Até obrigou o presidente Jair Bolsonaro a afasta-lo da vice-liderança do governo, e por ele próprio, que renunciou ao Conselho de Ética do Senado que teoricamente deverá julga-lo.
Para mim, a história da cueca-cofre, levou-me à lembrança do epigrafado, o grande compositor paraibano Livardo Alves, notável pela criação de inúmeros frevos, forrós, xotes, marchinhas. Alegra-me esta reminiscência juvenil que reforça a minha luta contra a corrupção, vendo o senador Cuecão fazer de pano-de-prato a política brasileira…
ADIVINHAÇÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“O verdadeiro é semelhante a Deus; não aparece espontaneamente, temos de o adivinhar pelas suas manifestações” (Goethe)
Nunca acreditei em jogos adivinhatórios praticados por amadores; e também jamais levei a sério os falsos profetas que sobem ao púlpito de igrejas para explorar a crendice alheia; mas, noves fora os trapaceiros, sempre tive curiosidade pelos ancestrais métodos de prever o futuro, com espinhos, cera, fogo, fumaça, observação das nuvens, ossos, sonhos…
Ainda hoje nos interiores da Espanha e de Portugal joga-se ramos de louro na fogueira para, conforme os estalos, crer que determinada intenção dará certo….
Não sei se por brincadeira, a minha avó materna praticava a chamada “criptomancia”, que consiste em apagar um fósforo numa xícara de café quente e, através das figuras que se formam, responder a dúvidas; faz-se a mesma prática jogando água fervendo sobre folhas de chá e conforme elas sobem, será um bom ou mal augúrio…
Mais sofisticada, a arte de adivinhar veio do Oriente com o I-ching, um milenar manual de previsões. Popularizou-se no mundo inteiro tendo os seus hexagramas trocados por figuras no Tarot. Do Leste também chegaram à Europa, e atravessaram o Atlântico, a leitura da sorte pelo Baralho Cigano e a Quiromancia, leitura das linhas das mãos; ambas decifrações são clássicas e habituais.
Procedente da África, o Jogo de Búzios é muito apreciado nas ilhas caribenhas, no Brasil e na Colômbia, e é igualmente costumeira entre adeptos de religiões africanas a observação das chuvas, a germinação de sementes e a trilha de moluscos nas pedras.
Considerados pseudocientíficos, mas estudados com afinco e seriedade, temos a Numerologia e a Astrologia, esta última contando com um grande número de adeptos e de especialistas em mapas astrais, com o desenho da vida e a projeção para o futuro; e, pelo estudo dos signos do zodíaco, faz previsões pelos Horóscopos.
Aceite-se ou negue-se os enigmas para descortinar o futuro, há que se reconhecer que os procedimentos utilizados para predizer o porvir são populares no mundo todo, de Leste a Oeste.
Mesmo no quadro materialista da política, recolheu-se de Tancredo Neves a arte adivinhatória da Aeromancia – previsão pelo estudo das nuvens e dos ventos. É antológica a vidência de Tancredo dizendo que “a política é como nuvem. Num momento você olha e está de um jeito; no momento seguinte, você torna a olhar, e o jeito já mudou…”.
Mais do que uma profecia, essa observação de Tancredo mata a charada da incoerência, da falta de ética e mostra o desprezo de princípios pelos profissionais da política. Na semana passada lemos uma notícia que exemplifica a lição nas nuvens eleitorais corredeiras: “Dos 174 mil candidatos que disputam novamente a eleição, 115 mil concorrem em uma legenda diferente da usada em 2016”.
Os patifes mudam de partido, mudam de nome, mudam de cor e mudam as declarações de renda… Houve até quem às escondidas trocou o modelo da cueca por uma mais espaçosa para enganar a polícia, depois do flagrante de Chico Rodrigues, senador do DEM e ex-líder do presidente Jair Bolsonaro.
De olho vivo sob as nuvens da política, os brasileiros usam as redes sociais fazendo denúncias que servem como técnica de adivinhação para a Polícia Federal nas investigações para caçar os corruptos que o Presidente diz que já não há.
Os trapaceiros e os imbecis ocupam um grande espaço na vida nacional; os primeiros adivinham por achismo, receitando remédios miraculosos, insinuando perigos pela imunização vacinal e prestidigitam a delinquência dos seus bandidos de estimação.Os outros seguem o que ouvem deles, e os veneram.
É preciso estarmos espertos e lembrarmo-nos de que “nem tudo que reluz é ouro”, como reza o ditado popular; e ficarmos conscientes de que acima das adivinhações está o “Olho que Tudo Vê”, lembrando aos políticos de que estão permanentemente observados.
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IMPUNIDADE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Aquele que não pune o mal, permite que ele seja feito” (Leonardo Da Vinci)
Parece que há um tempero indigesto no cozinhado legislativo que é degustado pelos ministros do STF. Isto preocupa pela insegurança que uma indigestão recaia na mesa exposta das correntes doutrinárias em litígio.
Com clareza meridiana vê-se que o sistema político e o sistema jurídico se completam criando condições para assegurar a impunidade: Os parlamentares, que por corporativismo apoiam projetos dos colegas denunciados por vários tipos de delinquência; e os juízes garantistas da Alta Corte que se acorrentam à interpretação cega do texto legal.
Foi o que ocorreu com o ministro Marco Aurélio Mello – o garantista-mor –, que já soltou 79 presos condenados em 2ª Instância. Desta vez foi o traficante de alta periculosidade André do Rap, já condenado duas vezes em segundo grau por tráfico de drogas.
A sentença de Marco Aurélio não tem nada de surpreendente; mas explodiu como uma bomba por motivos paralelos à sua interpretação jurídica porque ignorou o Ministério Público e porque o pedido de habeas corpus veio envolto no papel celofane da suspeição pela origem: o escritório de um advogado, ex-assessor seu.
Decisões monocráticas como esta trazem no ventre a tendência individual de alguns ministros das cortes superiores de Justiça. Chegam meladas de falso humanismo e açucaradas pela leniência, disfarçando o olfato e o paladar da Justiça boa e perfeita.
Libertado pelo ministro Marco Aurélio, André do Rap é um dos chefes da facção criminosa PCC – Primeiro Comando da Capital -, já fora condenado e preso anteriormente e estava na cadeia denunciado pela PF por ser dono de um carregamento de 882 quilos de pasta de cocaína, nove fuzis-metralhadora e acessórios para as armas, como miras e carregadores.
Para soltá-lo, o Ministro invocou um artigo da lei que desvirtuou o Pacote AntiCrime do então ministro Sérgio Moro sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, embora alertado para as brechas inseridas pelos picaretas do Congresso sabotando o combate à corrupção e ao crime organizado.
Entrevistado pela imprensa, Sérgio Moro afirmou que a soltura de André do Rap não estava no Pacote AntiCrime, e afirmou: – “Eu, quando ministro da Justiça e Segurança Pública, me opus à inserção deste artigo por temer a libertação imediata de presos perigosos por mero decurso de tempo”.
Fica assim esclarecida a decisão de Marco Aurélio. Queiram ou não os simplistas ideologizados que lhe atacam, responsabilizando-o como único responsável, a culpa deve ser dividida irmãmente entre ele, interpretador da Lei, o Congresso por promulga-la, e o Presidente da República que a aprovou.
Não é exaustivo dizer que o STF existe para interpretar a Constituição, incluindo os direitos do cidadão nela contidos. Por isto, o entendimento individual do ministro Marco Aurélio Mello que beneficiou o Traficante, é a definição da Corte que, equivocadamente, não reconhece prisão após sentença na 2ª Instância, exigindo o cumprimento da pena após o julgamento de todos os recursos.
Felizmente, as brisas chegadas com Luiz Fux na presidência do STF arejam a revisão das decisões monocráticas. Fux já manifestou a defesa do colegiado e já mostrou coragem tirando da 2ª Turma os processos da Lava Jato, encaminhando-os ao plenário. E irritou três colegas.
Estes formam um grupo pequeno, mas atuante, que discorda e critica o ministro Luiz Fux. Do lado de fora, há também uma tendência que se diz “conservadora”, mas aplaude a impunidade dos seus “bandidos de estimação”.
Os brasileiros que lutam contra a corrupção e o crime organizado estão na expectativa de ver como esse pessoal se comportar na apreciação da PEC que institui a prisão após condenação em 2ª Instância e da revisão do pacote anticrime. Será um teste de honestidade.
A grande maioria do povo, 83%, defende as medidas saneadoras e pensa como o poeta mineiro Cláudio Tavares Barbosa, que nos interpreta expondo: “Ai dos que puxam para si a iniquidade/ com cordas da injustiça, / os quais por suborno justificam o perverso/ e ao justo negam justiça”.
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ROBÔS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A automação é como o Lord Voldemort, de Herry Potter; a força aterrorizante que ninguém quer nomear” (Jerry Michalski)
Da leitura do livro de Brian Selznick ao maravilhoso filme dirigido por Martin Scorsese, ganhador de cinco Oscars, vive-se uma maravilhosa emoção com “A Invenção de Hugo Cabret”. A fita está à disposição no Netflix e no Google.
Relembrando Hugo Cabret, resolvi escrever este texto sobre robôs. Para desenvolvê-lo fui ao também sensacional livro “Eu, Robô”, do futurólogo Isaac Asimov, que também se transmudou em filme, dirigido por Alex Proyas.
O “Eu, Robô”, ao contrário do passado épico do cinema na Invenção de Hugo Cabret, projeta-se para o futuro, o ano 2035, onde os robôs são usados para substituir o trabalho humano. Pela Lei dos Robóticos, eles são impedidos de praticar qualquer tipo de violência; mas um deles, que um parafuso frouxo aguçou instintos maléficos, pratica um crime matando um cientista; é perseguido e desativado…
A minha atração prendeu-se ao romantismo de Hugo Cabret, a história de um menino às voltas com um androide que o pai lhe deixou ao morrer. Sozinho, marcando as horas no relógio de uma estação ferroviária, Hugo vivia obstinado a consertar o boneco mecânico, roubando peças nas lojas para fazê-lo funcionar.
É flagrado, preso, e depois solto, mas termina resolvendo, com a ajuda de uma amiguinha, o mistério do androide. Fazendo-o movimentar-se, revela através dele a épica história de um pioneiro do cinema, que estava desaparecido.
Os autômatos surgiram por volta do século 18, e os mais notáveis deles foram construídos na França pelo relojoeiro Vauxasson para o rei Luís 15, hoje expostos em museus, como o “Tocador de Flauta” e um “Avestruz” em tamanho natural que corria nos jardins de Versalhes…
Esses primeiros foram brinquedos para adultos, apreciados nas ricas cortes europeias; e a sua evolução, pela introdução de um cérebro eletrônico computadorizado, trouxe-nos os robôs, usados em eletrodomésticos, aspiradores de pó, lava pratos, e até como parceiro no jogo de xadrez, criado por Wolfgang de Kempelen….
Diz-se – não pude comprovar em pesquisa feita às pressas – que o androide “Jogador de Xadrez”, de Kempelen, venceu três partidas disputadas com Napoleão Bonaparte, mas desconfiou-se na época que sob a aparência robótica havia um anão russo, campeão de xadrez na sua terra…
Temos em casa um, “Alexa”, que nos dá informações sobre o tempo, o noticiário midiático, curiosidades históricas e executa músicas a pedido de voz. Essas máquinas – não passam de máquinas, é bom não esquecer -, ajudam viagens interplanetárias, realizam pesquisas científicas, exames biológicos e testes para diagnóstico médico.
A ciência e a tecnologia avançaram surpreendentemente neste campo. As projeções robóticas de Azimov enfrentaram críticas acerbas, partidas de fundamentalistas religiosos. Interpelado sobre os perigos que as suas pesquisas trariam, pressionando-o a abandonar os seus estudos; mas ele foi curto e grosso: – “Se o conhecimento fosse perigoso, a solução seria a ignorância. Sempre me pareceu que a solução deveria ser a sabedoria”.
É justamente a sabedoria que nos leva a imaginar como as gerações futuras conviverão com os autômatos humanoides e, quem sabe, evoluídos a ponto de desenvolver ideias próprias…. Esta projeção recolhe-se armazenada em nuvem.
O momento presente é muito pior, pois nos leva a enfrentar pessoas com o pensamento programado, obedientes à voz do dono como robôs de carne e osso, nos chamando pelo telefone para vender bugigangas ou digitando mensagens políticas fraudulentas nas redes sociais, as famigeradas “fake news”…
… E isto não é uma hipótese, e não há força legal para impedi-las; até já tentei barrar chamadas telefônicas automáticas e o provedor se disse incapacitado de fazê-lo; como também se arrastam a mais de dois anos nos tribunais o estudo para decidir como punir fakesiosos e hackers, preservadores virtuais do mal.
IDOSOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A história se repete. Esse é um dos horrores da História. ” (Darwin)
Um dos leitores dos meus artigos (que com isto afaga o meu ego), fez outro dia a pergunta intrigante sobre a minha insistência em buscar nas antigas civilizações exemplos para a realidade que vivemos…. Eu aprofundaria sua indagação com os mergulhos na pré-História; outro dia falei sobre a nossa herança neandertal…
A resposta é simples. Aprendi com Miguel de Cervantes que “a História é desafiadora do tempo, repositório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro”.
O meu interlocutor é muito jovem como muitos dos meus seguidores no Twitter; seu perfil indica 28 anos. Ainda bem que não criticou o meu apego aos mais idosos das redes sociais, com quem vivo discutindo e aprendendo….
Não dialogar é um problema que os jovens só se arrependem de não fazer mais tarde…. Muitos dos antigos se arrependem de não ter mantido conversas pacientes com os avós e os pais quando moços. Disto me livrei; sempre conversei, polemizei e acumulei informações com os meus.
Não é advogando em causa própria que valorizo aqueles das novas gerações que procuram aprender com os idosos, pensando como eu pensava na mocidade. E uma das coisas ficou: a palavra Mocidade é poética, rima rica de muitos sonetos, mas que a palavra idoso(a) é inerente à sabedoria…
Anos atrás, quando trabalhei na Tribuna do Norte, jornal do político norte-rio-grandense Aluízio Alves, excelente jornalista, ouvi dele a admoestação a um repórter que se referiu a um homem se 60 anos como “ancião” numa matéria.
Concordei com Aluízio, não gosto da palavra Ancião, acho-a feia, assim como o povão rejeita usar a palavra “velho”, preferindo “antigo”. Embora o verbete “ancião” apareça nos dicionários como sinônimo de “Idoso”, vejo-o diferente. Pior do que ancião somente a idiotice politicamente correta de exibi-los na “terceira idade”.
Idoso, para a Organização Mundial da Saúde são as pessoas com mais de 65 anos de idade nos países desenvolvidos e com mais de 60 anos nos países subdesenvolvidos. Mas nesta “aritmética sociológica” a OMS não levou em conta que a expectativa de vida se ampliou na população mundial com a ciência e a tecnologia contribuindo para isto e nos empurrando para os 80, 90, 100 anos.
Ouvi certa vez uma máxima que reza: “não nascemos jovens, mas tornamo-nos jovens”; então apelo para a História, que é vista por muitos como paradoxal; para mim, porém, é a base das minhas considerações. Encontrei, por exemplo, que “Jovem” para Hipócrates – o pai da Medicina – é um homem até os 35 anos; que Tito Lívio acrescentou mais cinco, e que as “juventudes comunistas” reconhecem membros de 45 anos (razão porque a UNE virou ‘anciã’… rsrsrs).
Outra vez me referi à ‘Mulher de Trinta Anos’ (La femme de trente ans), personagem do realismo amoroso de Honoré de Balzac, escritor que muito admiro, embora vendo-o na sua época; hoje, ele se corrigiria evocando as mulheres de 40, 50, 60… e 70 anos…
Li em alguma publicação que os indianos dizem que o elefante já nasce velho; mas vê-se o contrário com o ser humano, os setentões engavetam atualmente a certidão de idade exibindo o corpo e a mente saudáveis de dar inveja aos jovens.
Constatamos, com alegria, que o envelhecimento sadio do corpo e da mente também é ativista pela preservação da vida; isto implica em usar a acumulação de experiências visibilizando o futuro da sociedade humana. E, sobretudo, defendendo o direito de reverenciar a História que os nossos antepassados viveram, porque ela se repete…
Tudo bem. Agradecendo mais uma vez ao jovem curioso que me interrogou, peço que grave uma lição de Victor Hugo: “Os velhos precisam de afeto, como precisam de sol”.
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