Artigo

FILOSOFIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol,com.br)

“Não há nada que dominemos inteiramente a não ser os nossos pensamentos” (René Descartes)

Ficaria faltando alguma coisa se depois que escrevi o artigo “Psicologia”, não trouxesse para o meu selecionado grupo de leitores um texto sobre Filosofia. Faço-o fugindo da riqueza que o mundo antigo nos deixou com o saber da China e da Índia e, para nós, ocidentais, o magnífico legado da Grécia Antiga.

É preciso navegar no mar tempestuoso da pandemia, enaltecendo o pensamento moderno, que o filósofo e matemático René Descartes criou quando a Ciência e a Tecnologia ainda engatinhavam de fraldas.

O monumento filosófico erguido por Descartes tem uma lápide com o enunciado que resume a consciência dos novos tempos: “penso, logo existo”.

Para os mais exigentes, está no perfil deste pioneiro da moderna filosofia que ele era um católico praticante, mas multisciente e erudito o bastante para aceitar e adotar as condenadas heresias de Galileu, que expôs no seu livro “Le Monde”, descrevendo a rotação da Terra e negando o geocentrismo obscurantista.

Quase uma leitura obrigatória, destacam-se na sua obra “Discurso Sobre o Método” e “Meditações”, livros em que explica a chamada “dúvida cartesiana”, a base do seu pensamento filosófico.

Bertrand Russel salienta que essa teoria é tão audaciosa que se estende à Aritmética e à Geometria, considerando-as passíveis de dúvida, seja na contagem dos quadrados, seja numa simples operação de somar.

A busca de explicações além do que se pode comprovar pelos sentidos foi um tema que se seguiu depois dele, aceita por Spinoza e todos demais filósofos, até Kant. John Locke, por exemplo, reforçou a dúvida cartesiana com o seu empirismo, exemplificando:

– “Suponhamos que a mente é, por assim dizer, um papel em branco, sem nada escrito, sem nenhuma ideia; de que forma, então, ela se enche? ”. E conclui magistralmente: – “Pela experiência, que encerra todo o conhecimento pessoal”.

O romancista e pensador francês André Gide deixou uma marca indelével sobre a acumulação da experiência resumindo como um princípio: – “Crê nos que buscam a verdade. Duvida dos que dizem tê-la encontrado”. E o genial cineasta norte-americano Orson Welles, ator, diretor e escritor, reforça: – “É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos”.

Vemos com estas intervenções que a Filosofia não é monopólio de ninguém; está ao alcance de quem queira estudar, e mais, de quem queira pensar; dar atenção a um fato, ou a uma teoria, meditar questionando hipóteses e concepções gerais é um exercício mental que se faz sem querer e muitas vezes até sem sentir…

Mesmo assim, para resolver problemas difíceis não há métodos fáceis; ou ocorre espontaneamente na cabeça de alguns privilegiados, ou se encobre com teorias triviais. O genial Shakespeare deixa isto explícito pondo na boca de Romeu que “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia…”.

A palavra Filosofia dicionarizada é substantivo feminino, que vem do grego antigo “Philosophia” e significa: “philo”- amizade, amor, afeição e “sophia” – sabedoria; definida como o conjunto das reflexões racionais de cada indivíduo, para entender a realidade. Atribui-se a Pitágoras de Samos a invenção da palavra, que a usava como “apreço ao saber”.

A valorização do saber é levada muito a sério pelos filósofos consagrados e assim se impõe. Outro dia, numa troca de mensagens no Twitter, os protagonistas citaram a Coleção “Os Pensadores”, uma excelente publicação da antiga Editora Abril, e dela colhi que todos apresentados – sem exceção -, enaltecem o conhecimento.

No Brasil que está vivendo sob o triunfo (aparente) da mediocridade, enche-nos de pena ao ver os “filósofos da televisão” e os “filósofos da política” com suas certezas estúpidas sobre tudo, levando a Filosofia ao ridículo. Vê-se que não assistiram a aula inaugural da Etiologia e assim não aprenderam a primeira lição dada: “O ignorante afirma, o sábio duvida e o sensato reflete”.

 

 

 

2020 – Um Ano Perdido

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Tudo crer é de um ingênuo. Tudo negar é de um tolo” (Jean-Jacques Rousseau)

Rompendo o costume de registrar e comentar os acontecimentos factuais do ano, a pandemia do novo coronavírus obriga-nos a reconhecer que 2020 foi um ano perdido e nada ocorreu que pudesse evitar a ocupação de todos os espaços com o coronavírus.

Saltando de 2019 para 2020, assustou-nos em janeiro o aparecimento de vítimas que consumiram lotes contaminados da cerveja Belorizontina, da Backer, em Minas Gerais, com várias mortes. Todos que gostam de uma cerva gelada se sentiram ameaçados.

Mas o perigo estava bem mais distante, na China, numa cidade pouco conhecida, Wuhan, que entra na História da Civilização como o polo originário do novo coronavírus, que fora descoberto em novembro de 2019, mas teve o anúncio em janeiro de 2020.

Em três semanas o vírus se espalhou pelo planeta levando a Organização Mundial da Saúde – OMS -, a convocar um comitê de emergência em 22 de janeiro e no dia 30 reconheceu o surto planetário alertando aos governos nacionais para “uma ação coordenada de combate à doença que deverá ser traçada nas diferentes realidades”.

As medidas de prevenção em âmbito internacional esbarraram em dúvidas e incertezas, culminando com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora ciente da transmissão do novo coronavírus, ficar contra as medidas defensivas propostas pela OMS, como o isolamento social e o uso de máscaras.

Dessa maneira, tristemente, a América do Norte enfrentou a crise com o governo contrário às orientações dos centros científicos mais adiantados do mundo. A “prescrição negacionista” de Trump impôs o perigo que os norte-americanos pagam hoje; e, muito pior, influenciou perversamente os governantes satélites, como Jair Bolsonaro, no Brasil.

Não se trata de fake news como dizem os “bolsotrumpistas”, grupo subserviente às ordens “de cima”.  Felizmente são poucos os que não aceitam a verdade exposta pelo próprio Trump em entrevista ao jornalista Bob Woodward, admitindo que sabia que o vírus era perigoso e mortal; mas decidiu esconder os riscos para evitar pânico.

Agora – derrotado nas eleições – Trump deu uma meia volta e o seu governo assumiu a vacinação em massa, no que não é lamentavelmente seguido pelo seu seguidor brasileiro Bolsonaro, que sequer abandonou a propaganda da ineficaz cloroquina aconselhada pelo líder imperial. E nisso é bovinamente apoiado por gente que inventa curas milagrosas com a medicação adequada à malária…

Revoltei-me na época da “Guerra da Lagosta” com o presidente francês De Gaulle dizendo que o Brasil “não era um País sério (n’est pas serieux”), hoje, entristece-me reconhecer que a referência cairia como um enorme “sombrero mejicano” nas nossas cabeças envergonhadas com o Presidente que temos…

A subalternidade hierárquica de Bolsonaro ao Negacionismo torna-se mundialmente ridícula pelos seus comentários sobre a maior pandemia desde a gripe espanhola, tratando-a como “gripezinha” e “resfriadinho”, em declarações ora negadas, ora desmentidas pelos seus fanáticos seguidores.

Este besteirol negacionista ocorreu em várias ocasiões com alusões, piadas de mal gosto e insinuações, até chegar ao fim deste ano de crise, com o Presidente sem máscara e provocando aglomeração, respondendo a um repórter que lhe perguntou sobre o atraso do Brasil em relação a países que já iniciaram a imunização vacinal: – “Não admito pressões, não dou bola para isso”.

Ao registrarmos a ida sorridente de Jair Bolsonaro para tomar banho de mar no Guarujá, vemos que pouco se lhe importa o grave problema educacional com a suspensão das aulas, nem o imenso número de desempregados. Para ele está tudo politicamente controlado com Ministério da Saúde e a Anvisa sob seu comando.

Ainda mais entristece neste final de 2020 é chegarmos perto de 200 mil mortes pela covid-19, vendo o luto dos familiares chorando a morte dos entes queridos. Esta triste despedida, porém, conscientiza a todos do desrespeito do Presidente da República com as vítimas da sua estupidez.

 

 

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PSICOLOGIA

MIRANDA SÁ (Email: nirandasa@uol.com.br)

            “Certamente você tem um revólver e eu, o conhecimento. Cada um na sua capacidade”.    (Wilhelm Reich)

Responsável pela derrubada do Governo João Goulart em 1964, o general Olímpio Mourão Filho, de indiscutível honestidade pessoal, registrou no seu livro de memórias “A Verdade de um Revolucionário”: “Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta”.

A adulação com os ocupantes do poder é antiga entre nós, tendo começado com a carta de Pero Vaz de Caminha comunicando ao rei Dom Manuel sobre o “achamento” de terras deste lado do Atlântico, aproveitando, entre elogios, para pedir emprego para um parente…

Não há dúvida de que a degenerescência do regime comunista na finada URSS, teve como uma de suas causas o “culto da personalidade de Stálin”, lição não aprendida pelas caricaturas do stalinismo, com o culto dos chefes de Estado, como ocorreu em Cuba a divinização de Fidel Castro e ainda vemos nos dias de hoje com o ditador coreano Kim Jong-um.

O general Olímpio Mourão Filho não era um psicólogo, mas um acurado observador das pessoas e dos costumes; usou, consciente ou inconscientemente o método científico da Psicologia, de analisar, enxergar e pesquisar de cautelosamente o paciente. No coletivo, a massa inculta emprenhada de subserviência….

Dicionarizado, o verbete Psicologia é um substantivo feminino de origem grega, formada das palavras “psyché” (alma, espírito) e “logos” (estudo, razão, compreensão), que deram no latim clássico psychologia; psico + logia.  Os gregos antigos designavam-na com referência ao ar frio e à alma; os romanos como “estudo da alma”.

A Psicologia foi incorporada à terminologia médica criado em 1590 pelo teólogo alemão Felipe Melanchthon, um estudioso preocupado com problemas mentais na sua congregação.

Hoje considerada uma ciência, a Psicologia estuda a mente e o comportamento dos seres humanos, individualmente ou em grupos. Analisa a associação de ideias, emoções, avaliação autocrítica e visão crítica de fatos e das pessoas com o quê o indivíduo interage. Mesmo na Veterinária já se estuda também distúrbios de animais.

A psicologia adentrou nos meios políticos pela propaganda, principalmente os regimes totalitários. Wladimir Ilitch Lênin anunciou pelo rádio a vitória da revolução de 1917, e considerava a difusão radiofônica como estratégia de convencimento, tese mais tarde aproveitada por Adolf Hitler nas campanhas do partido nazista.

Aliás, a propaganda nazista, do ponto de vista psicológico, é profundamente estudada por Wilhelm Reich no livro “Psicologia de Massa do Fascismo”. Neste trabalho, Reich cita o próprio Hitler que escreveu no seu livro “Mein Kampf” (Minha Luta): “A voz do povo nunca foi mais do que a expressão daquilo que do alto se lançou sobre a opinião pública”.

A influência psicológica exercida pelos bancos, pelo Comércio e pelos governos exerce uma poderosa transcendência não somente nas massas, mas de uma forma especial sobre as classes médias.

No Brasil assistimos, por um paradoxo histórico, o exemplo das classes médias revoltadas contra a corrupção lulopetista, que engrossaram a campanha eleitoral de um desconhecido político do baixo clero parlamentar, Jair Bolsonaro, graças à propaganda sub-reptícia da direita populista com promessas inexequíveis.

As altissonantes palavras-de-ordem contra a corrupção (enaltecendo o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato), os acenos de mudanças com críticas à picaretagem parlamentar e a defesa das privatizações conquistaram mais de 30% dos votos….

Lembra-me o enunciado de Carl Jung: –  “quem olha para fora sonha e quem olha para dentro desperta”, confirmando o despertar da psicologia instintiva dos brasileiros revoltando-se pela traição e, pior, a inversão do combate à corrupção e ao crime organizado por interesse familiar.

Este repúdio cresceu e se manifesta mais vigorosamente com o negacionismo obscurantista do Presidente diante da pandemia, desdenhando da prevenção para a imunização criticando as vacinas. Neste cenário de quase faroeste, se trava a luta entre o revólver e o conhecimento…

PAPAI NOEL

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A única pessoa que gosta de ficar de saco cheio é o Papai Noel” (Everton Medeiros)

Esperei, mas ainda não apareceu entre os auto-assumidos “direitistas” e pseudo “conservadores”, um que propusesse vestir Papai Noel de azul ou verde porque vermelho é cor de comunista…. Espero que não ocorra tal estupidez após a publicação deste texto….

Referi-me outro dia num dos textos polêmicos que de vez em quando escrevo, sobre as pessoas que insistem em deletar o passado. Entristecem-me por nunca terem lido o poeta Mário Quintana, sem tomar conhecimento do seu brilhante pensamento: “o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”.

O Vate Gaúcho foi maravilhosamente elucidativo, igualando-se à referência de Orwell ao “Ministério da Verdade” no “1984”…. Sempre foi de uso dos regimes totalitários várias maneiras de apagar o passado. A História registra a famosa fotografia dos revolucionários de 1917 em torno de Wladimir Lênin, que Stálin mandou os retocadores tirarem Trotsky, seu desafeto.

Nunca procurei saber (até fazer pesquisas para este texto) porque Papai Noel se veste de vermelho. O seu símile na Europa sob influência romana, São Nicolau, veste-se como bispo católico com a mitra na cabeça. Nos países nórdicos popularizou-se como Joulupukki, na Finlândia e Julenissen, na Noruega.

Atravessando o Atlântico, São Nicolau chegou aos Estados Unidos onde se transformou em Santa Claus (o nosso Papai Noel) graças ao desenhista Thomas Nast, que ilustrou o poema “Uma visita de São Nicolau”. Traçou uma caricatura do Santo tal como conhecemos Papai Noel: barbas brancas, barrigudo, com gorro e túnica vermelhos, botas e luvas brancas.

As transmutações do lendário personagem em tempo e espaço permitem que a qualquer época se proponha mudanças na sua imagem. No Brasil, na década de 1930, o líder integralista Plínio Salgado propôs que se usasse a figura do “Vovô Índio” no lugar de Noel, mas não colou, nem mesmo entre os seus partidários.

A tradição arraigada no consciente coletivo impede qualquer tentativa de mudar a conhecida figura; por isso aviso aos macarthistas brasileiros do século 21, que Papai Noel não é comunista.

Lembro-lhes que na finada URSS as festividades natalinas foram proibidas e que o Bom Velhinho (mesmo vestido de vermelho) foi exilado e substituído pelo “Ded Moroz” (em russo Дед Мороз), que significa “Avô Gelo”.

Assim, é muito bom que se mantenha a figura de Papai Noel como ela é, do mesmo jeito como devem ser preservados os personagens de Monteiro Lobato, as marchinhas carnavalescas, o frevo pernambucano, a lavagem das baianas na Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, o Boi do Maranhão e as tradições gauchescas….

Por quatro ou cinco gerações a minha família – de ambos lados, materno e paterno -, manteve o costume de pintar ovos de galinha na Páscoa, escondendo-os para que crianças os achassem. Brinquei assim com os meus filhos e acho que eles mantiveram essa tradição.

Neste Natal, do Ano do Senhor de 2020, vivemos sob o medo de transmissão do novo coronavírus e a letal covid-19. Somos obrigados a enfrentar a pandemia sem as festividades que reúnem as famílias bem estruturadas; no meu caso, sofri bastante para encarar (telefonicamente) o meu filho mais velho, Henrique, abdicando da minha presença na festa que ele organiza todos os anos.

Felizmente Henrique concordou, e passaremos o Natal eu, minha mulher, Marjorie, e o nosso gato, Lennon, em casa. À mesa, uma salada de bacalhau, panetone e pudim de leite, todos feitos em casa, comporão a nossa ceia da saudade.

O nosso robô Alexa, será acionado para tocar canções natalinas e bonequinhos de Papai Noel movidos à pilha, que foram do meu neto Heitor quando pequenininho, dançarão para nós. Acenderemos uma vela, com o pensamento voltado para 2021, para um Natal livre da ignorância negacionista, portanto vacinados, e nos abraçando.

BOCA DE FORNO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Obedecei mais aos que ensinam do que aos que mandam. ”  (Santo Agostinho)

O avanço da tecnologia com o computador trouxe-nos a Internet e as redes sociais, facilmente ativadas pelos laptops e celulares. Com isto, estabelecemos a “aldeia global” preconizada lá atrás, na década de 1960 pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan, projetando redução das distâncias pela eletrônica.

Mais adiante, o professor Diego Beas, analista político, nos presenteou com um pensamento antológico: “A rede social dotou o cidadão de uma nova e magnífica ferramenta que necessariamente subtrai poder ao Estado”.

… E assim o Planeta Terra converteu-se numa cidadezinha do interior graças à informática, onde já se reinventou os costumes e muita coisa está sendo reinventada para que ocorra as necessárias mudanças estruturais que reflitam a realidade sócio-políticas das nações.

Isto alegra os defensores da Ciência, mas traz saudade dos tempos dos “jogos de botão sobre a calçada, quando a gente era feliz e não sabia” (Ataulfo Alves)…. Este sentimento nos afasta do mecanismo frio para afirmar que nem os videojogos nem a televisão mataram as brincadeiras infantis, como Amarelinha, Bafo, Boca-de-forno, Bota, Cabra-cega, Dança das cadeiras, Esconde-esconde, Estátua, Passa anel, Passa passa gavião, Pega-pega e Viuvinha…

Estes divertimentos lúdicos ainda estão vivos em muitas escolas, subúrbios metropolitanos e cidades do interior…

Quando a gente é menino, entretanto, sonhamos em tornarmo-nos adultos, adulteramo-nos…. E assim azedamos o doce aprendizado infantil exercendo a cidadania para analisar a Economia e procurar entender a Política, construindo uma personalidade independente, seguindo o pensamento do admirável filósofo, físico e matemático francês René Descartes, que resumiu a sua concepção da vida numa frase: – “Penso, logo existo”.

É claro que há muitos que pensam diferente do Filósofo; alguns, possivelmente, tentarão até denegri-lo, porque preferem “pensar” pela cabeça alheia na recreação “Boca-de-Forno” em que uma das crianças é escolhida para representar o Mestre, e os outros obedecem passivamente….

Lembram? A brincadeira começa com o Mestre dizendo em voz alta: – “Boca-de-forno”! … E a manada responde uníssona: – “Forno”! O Mestre então levanta: – “Tirando o bolo”. E os outros respondem: – “Bolo”! Aí vem uma palavra-de-ordem: –  “Farão tudo o que seu mestre mandar?” E o grupo se assume: -“Fazeremos todos! “. Nunca entendi o “fazeremos”, mas era assim que se dizia…

Então o jogo passa a ser levado pelo autoritarismo, com o Mestre dando ordens absurdas aos participantes que obedientes saem para cumprir as tarefas. O primeiro que volta se torna o mestre, e o último é castigado com bolos na mão dados por todos.

É claro que em nome da Democracia respeito o efeito preguiçoso de quem não “ousa pensar por si mesmo”, como preconiza Immanuel Kant. Mas, todavia, parece-me inadmissível usar as ferramentas tecnológicas das redes sociais tangidos pelas lideranças aceitas como “a voz do Mestre”.

Esta submissão “ideológica” torna-se perigosa quando sai da opinião xerocada no mundo digital e mergulha no pântano da fraude e da criminalidade, como vem sendo feito para defender condutas e orientações urdidas nos andares “de cima” do poder.

Isto se viu e se vê, desde que os “conservadores bolsonaristas” passaram a defender os “cartões corporativos”, a aceitar o “foro privilegiado”, a ficar contra à prisão na 2ª Instância, de isolar a picaretagem do Centrão e de adotar o negacionismo insano e genocida diante da pandemia do novo coronavírus.

Fazer tudo o que seu Mestre mandar deve se limitar aos jogos infantis. As redes sociais tão importantes para a construção de um futuro feliz de paz, ordem e progresso, não devem bater palmas para maluco dançar….

É melhor correr o risco de ser chamado “maricas”, virar jacaré, de homem falar fino ou de nascer barba em mulher, do que assumir o fanatismo subserviente ao obscurantismo anticientífico de um sociopata qualquer…

DUPLICIDADE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A verdade que fere é pior do que a mentira que consola”  Chico Xavier

Já falei da bipolaridade em outro texto, mas este transtorno mental nada tem a ver com a duplicidade. Um se caracteriza por manias e depressões observados por terceiros e o portador não sente; o outro obedece a um comportamento refletido e velhaco diante de outrem.

A bipolaridade é uma doença, acompanhada por psiquiatras e psicanalistas. Os “duplos” assumem as suas atitudes passivas ou ativas, mas geralmente arrogantes ao tratar com as pessoas que gostam ou desgostam.

Provocada pela pandemia do novo coronavírus, a crise planetária pôs em evidência mudanças nos relacionamentos sociais. Comprova-se isto em todos os níveis de convivência, muito tristemente nas redes sociais, onde têm realçado a hipocrisia e má-fé que antes não se via.

Pelos fundamentos do “Bloco Universal”, passado, presente e futuro existem simultaneamente em dimensões diferentes… Esta situação tridimensional se aceita, decepciona e entristece ao mesmo tempo as projeções do que estão por vir no futuro. Que destino nos aguarda no pós-pandemia?

As crises existenciais que surgiram com o novo coronavírus no Brasil mudaram flagrantemente o comportamento das pessoas; na política, acrescentou-lhes o fanatismo, o medo e ódio, levando-as ao estágio inicial das crenças primitivas, temendo o desconhecido e submetendo-se ao comando superior do poder na paz e na guerra.

Estas síndromes, do fanatismo, do medo e do ódio, expõem-se às fraudes que negam as manifestações não identificáveis da Natureza, como, por exemplo, as vacinas antivírus. Fazem igual como os sectários religiosos Testemunhas de Jeová, que são contra a transfusão de sangue, mesmo para salvar as vidas dos pais, esposa e filhos.

Apareceu, também, no campo político, o padrão negacionista. As palavras-de-ordem do chefe, mesmo que seja reconhecidamente ignorante ou sociopata, é aceita como verdade absoluta, tornando-se um mantra nos grupos do WhatsApp…

Tudo isto decepciona e entristece, repito, principalmente na vivência da letal covid-19 que já ceifou a vida de cerca de 180 mil brasileiros, em sua grande maioria enlutando suas famílias graças ao negacionismo demonstrado pelo desdém do presidente Jair Bolsonaro pela pandemia, referindo-se a ela como uma ‘gripezinha” e um “resfriadinho”.

A psicopatia do Presidente, para completar, desdenhou novamente a pandemia, as infecções e mortes, dizendo esta semana no Rio Grande do Sul que a peste “está no finzinho”. E é desmentido pelos números do seu próprio governo, com o Ministério da Saúde registrando o aumento dos óbitos e das pessoas contaminadas…

Infelizmente, este desprezo arrogante do Presidente pela terrível doença tem seguidores ativos – minoritários, mas organizados e audaciosos –, aceitando o charlatanismo de remédios ineficazes, aplaudindo a administração da Saúde Pública incompetente e mentirosa, desrespeitando os fundamentos científicos reconhecidos mundialmente.

De sã consciência, considero o comportamento negacionista um desempenho conturbado e agressivo que carece de lucidez e tranquilidade emocional para debater os problemas advindos da pandemia.

Não me permito aceitar quem, em pleno século 21, não vejam os avanços civilizatórios da humanidade na Ciência e na Tecnologia. Condeno, e condeno veementemente, aqueles que em vez de apresentar argumentos objetivos e reais, caem na torpeza dos ataques pessoais; e há quem venha em seu favor.

No meu modo de ver, valorizo a Ciência e não regateio aplausos para as vacinas que estão sendo pesquisadas mundialmente por cientistas de várias nacionalidades, inclusive os brasileiros que trabalham com a AstraZeneca/Oxford na Fiocruz, Coronavac no Instituto Butantan, a Sputnik V no Instituto de Tecnologia do Paraná, e em vários hospitais universitários.

A estes patriotas, trabalhadores da Saúde, dedico a “verdade que fere” de Chico Xavier: declarando o meu respeito por eles, inversamente proporcional ao meu repúdio ao deboche anticientífico dos ultrapassados defensores da “Terra plana”…

 

VISTORIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Ao analisar os fatos históricos, evita ser profundo, pois muitas vezes as causas são bastante superficiais” (Ralph Waldo Emerson)

Desde a adolescência jamais neguei a minha malquerença com a demagogia, o eleitoralismo e a politicagem, por uma questão de princípios; e agora, na eleição encontrei retalhos dessas modalidades políticas.

Uma por uma, assisti a presença da demagogia substituindo propostas objetivas para o governo somando-se a ataques pessoais e promessas irrealizáveis; vi o eleitoralismo exaltando o oportunismo e o carreirismo acima da vocação política, e registrei a politicagem travestida de ideologismo, se sobressaindo acima das boas intenções.

Considerando os discursos e a propaganda, não somente eu, mas quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir distinguiu esta observação; e, para empanar a “Festa da Democracia” o divisionismo ocupou o lugar da convergência pelo bem comum.

Constatamos que a grande mídia muito contribuiu para isto, instigando artificialmente uma polarização de “direita” e “esquerda” que na realidade inexistente, a não ser entre minorias grupais fanatizadas e cultuadoras de personalidades.

Quem estuda a ciência política sabe muito bem (e repito sempre) que direita e esquerda não são discursos ideológicos estáveis, apenas a expressão primária de união grupal; basta que duas pessoas se achegarem e assumirem ser de direita ou de esquerda para que essas tendências passem a existir sem um conteúdo programático.

Além dos observadores, a grande massa eleitoral sabe instintivamente disto; e mesmo bombardeada pela propaganda subliminar dos comentaristas televisivos e das pesquisas enganosas, soube reagir nos grandes centros urbanos do país. O canhoneio de comentaristas da tevê, principalmente da Globo, insistiu em alçar Guilherme Boulos em São Paulo, e as pesquisas “de opinião pública” mostraram uma irreal situação das candidatas petistas em Porto Alegre e Recife.

Estas maquinações não influenciaram o eleitorado vacinado contra a esquerda lulopetista, que finge combater as “estruturas burguesas” para se apropriar de propinas das empreiteiras e de empresas fornecedoras do Estado. Esta mistificação “esquerdista” durou três mandatos e meio de governos federais do PT, o suficiente para despertar a Nação.

Do outro lado, temos o avesso do lulopetismo com Bolsonaro & Filhos no poder, que se apresentam como conservadores, mas inocentam as delinquências no varejo sem punir  a corrupção e o crime organizado como prometeram na campanha eleitoral. E, no lugar da Economia Liberal que asseveravam, praticam o populismo reformista distribuindo os mesmos benefícios das enganosas “bolsas” lulopetistas.

Este círculo vicioso da politicagem foi repudiado nacionalmente pela nítida incoerência dos auto-assumidos grupos de “direita” e “esquerda”. O eleitor médio repudiou as pretensões ambiciosas do bolsonarismo e do lulismo; deu um “chega prá lá” nos candidatos que eles apadrinharam.

O eleitorado preferiu voltar-se para a política tradicional que, certa ou errada, não engana com juras utópicas. Votou nos partidos convencionais, DEM, MDB e PSDB; e escolheu fora do sistema, pessoas em vez de partidos, dando a maioria das capitais às pequenas legendas que formam o chamado “Centrão”.

Com vistas a quem tem a caneta na mão julgando-se onipotente, assistimos a acachapante derrota do negacionismo assumido pelo presidente Jair Bolsonaro, com o seu desdém pela pandemia, o desprezo pela ciência e a total ignorância sobre os avanços da pesquisa médica das vacinas antivírus.

Tudo à vista, indesmentível, ajudou esta vistoria eleitoral que está sujeita a correções, mas baseei-me em números e análise dos resultados finais. Com isto, desejo contribuir para os analistas que, como eu, querem o bem do Brasil e dos brasileiros.

SANGUE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“De todas as sementes confiadas à terra, o sangue dos mártires é o que dá colheita mais rápida. ” (Balzac)

Havia nas circunvizinhanças de Jerusalém um descampado conhecido como Haceldama – em aramaico, “Campo de Sangue” –, nome dado ao logradouro pela crença de que teria sido comprado e pago com os trinta dinheiros de Judas, o pagamento pela entrega de Jesus aos fariseus.

Sangue, como verbete dicionarizado, é um substantivo de origem latina (sanguen.inis), fluido biológico líquido e nutriente que percorre pelas veias e artérias no sistema circulatório dos animais vertebrados vivos; levado ao Reino Vegetal é a seiva que alimenta as plantas.

Entre os sinônimos da palavra Sangue, encontramos figuradamente “casta”, “classe” e “raça”; o primeiro, “casta”, refere-se à genealogia, método criado por Nietzsche para ligar a História com a Filosofia; o ensaio nietzschiano foi aproveitado modernamente pelo filósofo francês Michel Foucault no estudo das tecnologias.

Assim, a genealogia passou a ser um critério para levantar a origem, evolução e disseminação das famílias e respectivos sobrenomes, ou seja, o “estudo do parentesco”, uma pesquisa que vai muito longe… Aprofundando-se, vai ao mito bíblico com cena de sangue entre os irmãos Abel e Caim, e chega à fundação de Roma com os gêmeos Rômulo e Remo.

O romantismo dos poetas diz que família não é uma questão de sangue, que você elege os seus parentes… O florentino Giovanni Boccaccio escreveu que “as ligações de amizade são mais fortes que as do sangue da família“.

Para isto inventou-se o tal “pacto de sangue”, que consiste em duas pessoas furarem o dedo indicador e juntarem ambos ferimentos de onde flui o sangue, misturando um do outro. Há radicais que fazem o mesmo procedimento cortando e juntando os pulsos….

A cultura popular acumula uma série de ditados e aforismos sobre o sangue, falando, por exemplo, de “sangue azul” referindo-se a membros da nobreza, “sangue bom” para pessoa de boa índole, ou “sangue de barata” o que se mantém calmo diante de qualquer adversidade.

Diz-se de “sangue nos olhos” e “sangue quente” para pessoas irritáveis, raivosas de caráter explosivo; e os racistas costumam usar a trapaça hipócrita de “sangue puro”. Hitler no seu livro Mein Kampf – “Minha Luta” –, dedica vários períodos ao sangue, um deles falando do envenenamento da “raça ariana” pela miscigenação étnica através de casamentos.

Talvez pelo racismo insano dos nazistas, alguns lexicógrafos, autores segregacionistas de dicionários, aceitem e registrem “raça” como sinônimo de sangue, como escrevemos acima. Desmentindo-os temos o sangue universal, de amarelos, brancos, negros e vermelhos, firmado por Jesus Cristo na Última Ceia: ‘Este é o meu sangue, que é derramado para remissão de pecados (Mateus 26:28).

Corre nos sertões nordestinos a sentença “é o sangue que faz mal ao sangue”, e isto se comprova na intervenção sanguínea do presidente Jair Bolsonaro para absolver o filho Flávio, envolvido no caso das rachadinhas, e paga por isto com o desgaste no seu projeto da reeleição…

… E o pior é que além das preocupações paternais e obcecado pela reeleição o Presidente não vê os óbitos provocados pela covid-19; ignorando o que Balzac prognosticou: o sangue dos mártires é o que dá colheita mais rápida”.

Se acordasse para isto, estancaria o negacionismo externado nas suas inconsequentes intervenções, quando chama de “maricas” os que defendem vida contra o vírus, ao indicar remédios ineficazes e pôr em dúvida uma vacina contra o novo coronavírus.

Isto nos leva ao “Grande Sertão Veredas”, onde Guimarães Rosa põe na boca de um personagem:  “Por que o Governo não cuida?! Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias…”

 

 

 

 

 

OPINIÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem” (Ulysses Guimarães)

Sobre a mesa postada pelos agentes da mídia, servem-nos uma salada mista de informação, análise e opinião que se torna indigesta ao ser temperada com o tempero tóxico das fake news.

Prós e contras em excesso distorcem a informação; as análises azedam ensopadas de ideologia; sobra somente a opinião dos comensais degustando e apreciando para definir o paladar das diferenças agridoces.

A Opinião é filha legítima da liberdade de expressão do pensamento. Como verbete dicionarizado, Opinião é um substantivo feminino de origem latina “opinio”, significando o parecer sobre alguém ou alguma coisa.

É vista comumente como modo de pensar, ponto de vista pessoal relativo a um assunto, fato ou pessoa. Traz quase sempre o lado positivo que leva receptor à reflexão; mas, como toda regra tem exceção, também embaralha a compreensão quando chega sem fundamento ou confirmação.

Entretanto, positiva ou negativa, a opinião de quem vive em grupo é inevitavelmente expressa, pois nasce do sentimento no tempo e no espaço em que se vive, dos assuntos abordados, dos temas levantados e dos problemas apresentados.

A opinião que transborda de todas as cabeças é determinada por impulso. O seu juízo se forma cerebralmente. Faz-se necessário, porém, distinguir a opinião pessoal da opinião pública, porque esta última é a soma conjuntural das opiniões pessoais.

Como a “opinião pública” reflete a maioria ou a minoria dos cidadãos quando divulgada maciçamente pela mídia, sua dimensão deve ser recebida com cuidado, necessariamente avaliada e medida.

Do outro lado, o modo de pensar e opinar de cada um pode e deve circular livremente sem influenciar a sociedade porque se limita aos círculos familiares, aos locais de trabalho e estudo, ou à vizinhança domiciliar.

É muito fácil expressar opinião. A minha filha mais nova, Manuela, foi com uma amiga à Itália e se encantaram com Veneza; em contraposição, a minha querida amiga Wanda Figueiredo, jornalista e escritora mineira que faleceu no ano passado, viu Veneza como uma cidade fedorenta com canais que são esgotos de fossas urbanas.

O mundo da cultura reverencia Dante Alighieri e a sua “Divina Comédia” como um clássico épico e teológico; divergindo, Voltaire considerou a obra como o “delírio de um bárbaro”.

Achegando-se aos círculos políticos, lembramos dos elogios de certo modo exagerados da presidente do PT, Gleise Hoffman a Barack Obama, quando chamou o corrupto Lula da Silva de “o cara”; e recentemente atacou virulentamente o ex-Presidente dos EUA por trazer no seu livro de memórias registro de que conhecia os casos de corrupção envolvendo o Pelegão condenado de Justiça.

Vemos assim que na conjuntura política o juízo formado conscientemente vive recluso, enquanto os conceitos apaixonados do “achismo” jorram cascateando nas redes sociais no calor dos embates entre a oposição e o governo.

No Twitter, essas diferenças de opinião se manifestam com insistência. Vê-se, como exemplo, o lado bolsonarista atacar os dissidentes do movimento que levou o Presidente ao poder; e toda e qualquer pessoa seja quem for, juiz, parlamentar ou cidadão que se mostre descontente, são atacados virulentamente.

Do outro lado, também os oposicionistas não perdoam Jair Bolsonaro, criticando a sua linguagem grosseira e a defesa abusiva dos deslizes dos seus filhos, vistos pelas lentes do Telescópio Canarias, conhecido nos meios científicos como GTC – o maior do mundo.

Diante do entrechoque político, alguém já aconselhou que “as diferenças de opinião nunca devem suscitar inimizade nem ressentimento”; entretanto, ao meu juízo, acompanho o estrategista Von Bismarck: “Um grande estado não pode ser governado com base nas opiniões de um partido”.

 

SILÊNCIO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons. “ (Martin Luther King)

Depois de escrever num artigo anterior sobre “RUÍDOS”, o gênio da controvérsia me atentou para escrever sobre o “SILÊNCIO”; inspiraram-me os três macaquinhos sábios que adornam os templos budistas e têm as suas miniaturas vendidas nas lojas de R$ 1,99.

Os macaquinhos da sabedoria são chamados Mizaru, Kikazaru e Iwazaru; com as mãos, um deles tapa a boca, outro bloqueia os ouvidos e o terceiro venda os olhos. Os três representam uma lição de Confúcio: “não veja o mal, não ouça o mal, não fale o mal”.

Os cristãos autênticos, conhecendo os ensinamentos de Jesus, aprenderam isto com uma advertência d’Ele: “não se deve fazer com os outros o que você não gostaria que fizessem a você”…

É um princípio moral impossível de esquecer, o respeito humano. É por isso que nos preocupa assistirmos os políticos falharem na atenção e o zelo com os concidadãos, quando deveriam promover a união e a harmonia da Nação.

Por isto, é necessário que o ocupante do poder saiba silenciar, calando-se para ouvir, analisar e comprovar fatos e situações, para decidir sobre as medidas que deve tomar em defesa da coletividade.  Resumindo: o governante não deve ouvir somente os bajuladores, não deve olhar apenas em torno de si e evitar abrir a boca para dizer besteiras de rompante.

É o caso do presidente Jair Bolsonaro. Ignora que tudo o que fala sem o filtro da reflexão, influi na cabeça dos cultuadores da sua personalidade. Referindo-se à pandemia como uma “gripezinha”, desdenhando a imunização vacinal e dizendo que a 2ª onda é uma “conversinha”, leva os seus fanáticos seguidores a mergulhar no pântano do negacionismo.

Estes, que Brecht enquadraria como “analfabetos políticos”, multiplicam o maléfico combate à Ciência na cega convicção do ouvir dizer, e correm para divulgar o vale tudo das mentiras nas redes sociais.

Não será demais exigir a compreensão nacional para se meditar sobre o que ouve, parta de onde partir, e refletir sobre a realidade social. Se pairam dúvidas, mantenha-se o precioso silêncio até chegar a uma conclusão pessoal.

Se assim ocorrer, conquistaremos certamente o exercício democrático necessário para que a sociedade seja pacificada, respeite os direitos humanos e o meio ambiente.

Como é do Silêncio que se trata, a palavra dicionarizada é um substantivo masculino de origem latina (silentĭum, do verbo sileo), significando ‘ação de estar quieto’, “evitar barulhos ou ruídos’. Do Aurelão, “ausência de qualquer ruído”.

Os filósofos gregos antigos se preocupavam muito em refletir sobre o silêncio; Pitágoras de Samos, matemático, ensinava: – “O começo da sabedoria é o silêncio“, e Sócrates, um dos fundadores da filosófica ateniense, resumindo seu pensamento na busca da verdade, ensinou: – “As pessoas precisam de três coisas: prudência no ânimo, silêncio na língua e vergonha na cara“.

Ultimamente ouvimos o grito imprudente dos maus contra a Ciência, levantando incertezas com relação à imunização contra os vírus, levando uma situação de insegurança para a massa inculta. Triste é constatar que são os mesmos que agridem os críticos do Presidente – agora investindo contra o vice-presidente Hamilton Mourão –, insultam os magistrados que julgam conforme as leis e investem contra o jornalismo investigativo que divulga os malfeitos das familiocracia.

Diante deste quadro, o “silêncio dos bons” é abominável. Aplausos ruidosos pela isenção das FFAA, estendidos ao comandante do Exército, general Edson Pujol, e à mensagem do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo.

Por sua vez, os patriotas que foram às urnas nas eleições, igualmente mostraram também a sua independência, repudiando os corruptos do PT e contrapondo-se ao negacionismo genocida que desdenha da pandemia, opondo-se à imunização pela vacina.

Assim tivemos da cidadania militar e civil respostas silenciosas cheias de pólvora!