Artigo

GUERRA E PAZ

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Não trato do esplêndido livro de Liev Tolstói – de quem guardo profunda admiração – dos amores romanceados por ele, de aventuras, de Napoleão na Rússia enfrentando o general Inverno; mas as consequências de uma guerra.

Como inimigo de qualquer conflito armado, faço a leitura do besteirol (outros acham caduquice) de Joe Biden, numa entrevista à CNN, afirmando que o seu governo, mesmo enfrentando o Congresso, continuará enviando armamentos, inclusive bombas de fragmentação, para a Ucrânia.

Revelou ainda que esta “ajuda” visa acabar a guerra sem contar com a unanimidade dos aliados da Otan. Disse ainda que gostaria que o apoio ocorresse para justificar uma intervenção direta contra a Rússia ao lado do governo de Zelensky.

– “Se a guerra estivesse acontecendo com um membro da Otan, estaríamos todos em guerra com a Rússia”, enfatizou Biden. O porquê destas declarações coincidem com o anúncio de que é a produção e a comercialização de equipamentos bélicos que estão salvando os EUA da recessão.

Do outro lado, esse retorno idiota à “Guerra Fria”, vimos Putin se garantir com o apoio político, diplomático, econômico e militar dos países de economia emergente e da China; e que está à espera de que cresça a insatisfação dos europeus contra o manobrismo norte-americano na Otan.

Pela fala tresloucada destes protagonistas no palco ucraniano, com o envelhecido script que revive o temor de uma guerra atômica mundial. Por eles exala o fedor nauseabundo de ameaças de uma catástrofe contra a civilização .

Esta asquerosa contaminação se espalha pelos ares do Oriente Médio quando inadvertidamente (ou criminosamente) os “duros” do Exército Israelense enviam drones sobre o Líbano ferindo a soberania do país com a justificativa de matar líderes do Hamas ali domiciliados.

Alguém já disse que este ataque  um país neutro se trata de mais um desequilíbrio fomentador de conflitos na região aonde se sedia o Hisbolá; obteve grande repercussão na Europa, e, no Líbano, Antony Samrani, editor-chefe do jornal L’Orient-Le Jour, deixou claro num editorial: “Se o Hisbolá não fizer nada, abre o caminho para mais ataques desse tipo em sua fortaleza. Mas se a reação for forte demais, abre o caminho para a guerra total.”

É preciso advertir o mundo para este perigo. Internamente no Estado de Israel já se multiplicam as manifestações pacifistas contra a fúria extremista de Netanyahu. Estes protestos deveriam ser copiados pelos amantes da Paz contra a insanidade armamentista fomentada pelo complexo Industrial-Militar dos EUA.

Igualmente provocadores de guerra, temos também no Extremo Oriente, a China e sua consideração de que Taiwan é uma “província rebelde” que poderá sofrer uma intervenção militar; e, como no caso da Ucrânia, os EUA intervêm lá, apoiando Taiwan.

Como testemunho de ações e pretensões bélicas, tivemos agora na Península Coreana, o chefe de governo da Coreia do Norte, Kim Jon-um, pedir uma prontidão militar para enfrentar uma guerra; e exigiu maior eficácia na produção de armas ofensivas. Ao seu redor, encontra-se também os EUA dando cobertura à Coreia do Sul e ao Japão.

Vemos que esta polarização planetária aumenta o perigo de uma guerra atômica mundial, que se trata Trata de uma oposição ao humanismo, à alegria, à concepção e à felicidade, tanto individuais como nacionais, em todos os povos do mundo.

Enfrentando o galope do Apocalipse, coloco-me contra a mortandade de civis e a destruição de cidades. Este cuidado leva-me a Einstein, genial físico e ainda melhor pensador lúcido e independente, que preveniu: – “A próxima guerra mundial trará uma nova arma secreta, depois da qual a arma secreta da outra guerra será uma atiradeira de arremessar pedras…”

 

A UTI DA LINGUÍSTICA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasasa@uol.com.br)

A minha pretensão de contar leitores próprios para os meus textos, levou-me a pensar que todos sabem da minha mania de visitar a UTI da Linguística no Hospital da Gramática…. Ninguém vai estranhar que para projetar a futurologia para 2024, fui tirar de lá a palavra “Blefe”.

O verbete dicionarizado é um substantivo masculino significando a ação de blefar, isto é, de enganar, principalmente procurando iludir no pôquer fingindo ter boas cartas. É vasta a sua sinonímia: engano, disfarce, logro, simulação, tapeação….

A etimologia leva ao holandês, “Blufffen” (“exagerar a própria capacidade”). Ao atravessar o Canal da Mancha foi batizada de “Bluff na Inglaterra.

Os puristas do idioma mantêm uma discussão sobre a diferença entre mentir e blefar, embora ambos tenham a mesma intenção de enganar e lograr alguém; no campo do Direito se distingue seus aspectos concebendo que o Blefe é imoral no seu propósito de falsear, e a mentira é um ato criminoso com intenção de prejudicar a quem se refere.

Apesar de criminosa, a mentira vive no cotidiano social e o mentiroso tem o intuito muitas vezes planejado de adulterar, atraiçoar e desvirtuar. Temos um exemplo muito interessante disto num filme antigo, de 1997, “O Mentiroso”.

É uma divertida comédia filmada sob a direção de Tom Shadyac estrelado por Jim Carrey, indicado ao Globo de Ouro como Melhor Ator de Comédia. Discorre sobre o comportamento de um advogado inescrupuloso de Los Angeles, Fletcher Reede, e sua relação com a esposa Audrey e o filho Max, a quem dedica profundo amor.

Acusado pelos que lhe cercam como incapaz de cumprir uma promessa e farto divulgador de mentiras teve o casamento desfeito pela mulher não tolerar este comportamento. No seu aniversário, Max também revoltado pelos problemas causados pelo pai, cria, ao soprar as velinhas, o desejo de vê-lo falando a verdade por 24 horas…. E daí temos um final feliz que pode ser conferido assistindo a fita…

Na linguagem morfológica e psicológica, a Mentira se faz presente no convívio social, mas a sua expressão grosseira e revoltante se encontra na cena política, impudica, com seus agentes praticando-a nos palanques eleitorais, nas tribunas parlamentares e nos pronunciamentos presidenciais e ministeriais.

A mentira mais nojenta e revoltante sai da língua mentirosa da polarização eleitoral que o sistema impõe à Nação Brasileira. No seu lado fonético estimula o fanatismo dos indivíduos, levando-os ao culto da personalidade dos líderes de facção.

Estes desvairados ególatras, Bolsonaro e Lula, cada um do seu modo e linguagem peculiar, mentem descaradamente. Fazem-no com a intenção criminosa de se manter no poder usufruindo vantagens pessoais e familiares.

É escandalosa a mentira gerada pelo maquinismo polarizador, com uma percussão diabólica cujas escalas maiores e menores atordoam os ouvidos dos democratas autênticos e penetram nos neurônios dos desavisados, promovendo o derrame sanguíneo da demência.

Mentindo, Lula e Bolsonaro, polarizadores da falsa direita e da falsa esquerda, soltam aos quatro ventos o discurso do mal; e assim fazendo, nos roubam até o mito da Caixa de Pandora que, após espalhar todas as desgraças do mundo manteve no fundo o único dom, a Esperança.

Esta ficou ao pé da Árvore-de-Natal, projetando a sadia expectativa para 2024; mas será trágico se ao abrir tardiamente um presente esquecido, achemos na modesta embalagem, bem escondidinho, o Blefe de 2024.

DISCUTINDO A RELAÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Renovadas as esperanças de que tudo melhore no Ano Novo, temos várias opções: a fundamental, no meu entender, é cuidar da saúde; e a seguir vem a conquista da paz de espírito, com uma convivência saudável entre parentes e amigos.

É óbvio que não se pode deixar de lado a manutenção da mente aberta, independente e livre; o que nos leva ao alerta de Brecht quando disse que o que os malfeitores da vida pública mais querem é a nossa omissão da política.

Assim não nos custa definir uma posição política para 2024. Pela deterioração dos poderes republicanos, todos três, penso em lutar pela convocação de uma Assembleia Constituinte.

A “Carta de 88” já era. Primeiro, não tem nada de cidadã, traz favorecimentos insólitos aos políticos que viraram profissionais, com privilégios pessoais e até recebendo aposentadorias e pensões “mais iguais do que as dos outros”; e, segundo, priva-nos da segurança pela leniência para o crime e os criminosos.

Também são muitas e se multiplicam como uma colcha de retalhos as brechas intercaladas nos seus capítulos, jeitinhos que beneficiam governantes e parlamentares que fazem mal uso do dinheiro público. Incita claramente a corrupção e a garante a tolerância para os corruptos e corruptores, tornando impossível a aplicação de uma Justiça boa e perfeita.

Por tudo isto, faz-se necessário escrever uma nova constituição mais enxuta e realista que nos permita citá-la com a inicial maiúscula. Mas é preciso muito cuidado com a eleição dos constituintes e rejeitar o que fizeram os que assinaram a Constituição da República de Bruzundanga, fato descrito magistralmente por Lima Barreto.

Escreveu Lima que “os bruzudanguenses quiseram uma nova lei básica para governar o país; então foi convocada uma constituinte “com toda solenidade”, participando dela “jovens poetas, transandando à grossa boemia; imponentes tenentes de infantaria, ainda ‘cheirando’ aos cadernos da Escola; velhos possuidores de escravos cheios de ódio ao antigo regime que os libertou; bisonhos jornalistas da roça recheados de uma erudição à flor da pele e alguns colegas da capital entusiastas por caudilhos políticos”.

“Um dos artigos por eles sancionado na Magna Carta, trouxe, nas disposições gerais, que toda vez que um dos capítulos da Constituição ferir interesses de parentes das pessoas da situação, ou membros dela, fica subentendido que ele não tem aplicação no caso….”

“Com este artigo, a Lei Suprema de Bruzundanga tomou uma elasticidade extraordinária; os presidentes das províncias que apoiavam o Presidente, fizeram tudo o que queriam, e se alguém apelasse contra seus malfeitos à Justiça (lá se chamava Chicana) logo os ministros interpretavam a Lei Máxima garantindo o direito considerado errado”.

“A Carta de Bruzundanga foi copiada de um país de gigantes, mas às três páginas daquela, acrescentou-se 580, e assim foi obedecida de modo religioso”.

Lembra ainda Lima Barreto: “A Constituição da Bruzundanga era sábia no que tocava às condições para elegibilidade do Mandachuva, isto é, o presidente”.

Para discutir a relação da Constituição, Justiça e eleições na República de Ficção com o que ocorre no Brasil, nestes campos da atividade, temos aqui a obscena reeleição, o foro privilegiado e uma Justiça “garantista” julgando o “andar de cima”.

Quanto à convocação de uma constituinte para elaborar uma Constituição de verdade, temos que evitar que façam parte dela cúmplices do crime organizado, donos de cartório, filhos e netos de fazendeiros desmatadores, militares que sonham com uma ditadura e oportunistas de todos os naipes.

Assim, deixando de fora do poder gente egocêntrica, religiosos indiferentes, mulheres luxentas, intelectuais levianos e sindicalistas preguiçosos, eu gostaria de uma definição: A nova Constituição deve vir preocupada tão somente em realizar o dístico da nossa Bandeira: “Ordem e Progresso”.

UMA FESTA PAGÃ

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Escrevi uma crônica leve, cheia de pitorescas curiosidades para ser lida na data em que se comemora o Natal que reverencio como todos os que sofrem a influência do cristianismo. Repetindo anos anteriores nos reunimos em família, mulher, filhos, netos e bisnetos.

Poderia ter usado isto como tema; não o fiz porque considero o que celebramos uma festividade pagã, lembrando que o 25 de dezembro fazia parte do calendário civil romano como o Dia do Sol Invencível.

Homenageava o deus Mitra, patrono da justiça e da aliança e condutor da luz com farras orgíacas. Ele era representado materialmente pelo sol. Estas festas pagãs duraram até que o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano.

Então, o deus que vigiava a ordem cósmica, as estações do ano e a alternância do dia e da noite, foi substituído por Jesus Cristo divinizado; e o culto ao Sol Invencível foi proscrito pelo Edito de Teodósio, no ano 380.

Mesmo proibido, o mitraísmo continuou sendo a religião popular em mais da metade da parte ocidental do Império, sendo que muitos cristãos aderiam às festividades do Solstício de Inverno que ocorrem em dezembro no Hemisfério Norte.

A hierarquia católica sentiu isto e se apropriou da data, decretando o dogma da Natividade. Foi o trigésimo-sexto papa, Libério, que reinou sobre a Igreja Católica Romana de 352 até 366, que impôs o dia 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus Cristo.

Libério e seus acólitos estabeleceram a Natividade junto com as demais festividades católicas, como a Páscoa da Ressureição e o Pentecostes herdado dos judeus (que dignifica o recebimento por Moisés das Tábuas da Lei), adaptando-o para a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

Pretendendo despertar e conquistar os pagãos para Cristo, o seu nascimento poderia ter sido em qualquer data. Antes, recebia a atenção de diversos seguimentos cristãos para o 7 de janeiro, o 3 de março ou o 13 de abril, adotados por antigas seitas cristãs.

Lucas no seu evangelho (Lc, 1, 26) expõe que o arcanjo Gabriel anunciou a vinda do filho de Deus a Maria, seis meses após o profeta João Batista ter nascido, o que ocorreu a 24 de julho. Portanto, por uma gravidez normal de nove meses, a noite do nascimento de Jesus dificilmente teria sido em dezembro.

Vê-se então que a adoção do 25 de dezembro, atendendo ao interesse expansionista do papado, não foi a única concessão ao mitraísmo. O sacerdócio católico vestiu-se igualmente ao vestuário dos prelados e do pontífice de Mitra, com os papas usando o turbante mitral, de que os rabinos judeus já haviam também se apossado.

Diversas vertentes do cristianismo discordam e contrariam a adoção da Natividade a 25 de dezembro no Ocidente, Europa e Américas; mas aceitam-na a Igreja Anglicana, a maioria das Igrejas ortodoxas e tendências protestantes nórdicas.

A Reforma protestante, proibiu a celebração do nascimento de Cristo admitida pelo Papado que segundo Martin Lutero. era uma das fraudes papistas e denunciou-a como uma volta ao paganismo.

Austero, o luteranismo combatia também o Carnaval por sua inegável ligação com o catolicismo. Tal como é festejado no Ocidente, antecede a Quaresma criada na Alta Idade Média por um período de 40 dias antes da Páscoa.

Como o culto do Sol Invicto, o Carnaval tem também a sua origem greco-romana e era celebrado em Roma no solstício de Inverno, como a Lupercália, que ocorria em fevereiro.

Tudo visto e pesquisado não se trata de uma crítica, nem uma condenação como fez Lutero; trata-se apenas de um registro histórico sobre as festas pagãs. Da minha parte, festejo o 25 de dezembro com os meus parentes e amigos. Trocamos presentes e semeamos alegria com comida e bebida.

NINHOS DE SERPENTE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Neste segundo milênio da era cristã, com o fervilhar de notáveis avanços científicos e surgimento de grandiosos aparatos tecnológicos, a nossa Pátria Mãe acolhe na Praça dos Três Poderes, em Brasília, ninhos de serpente.

Constatar isto nos indigna e revolta assistindo os monstruosos ofídios por ovos e ver o nascimento de serpentezinhas no ninho, unidas com peles serpentiformes avermelhadas e verdosas, se diferenciando somente pela cor.

A coloração diferente dá-lhes uma ajuda para atrair e conquistar a opção de inocular o veneno de fanatismo nos desavisados, propagando a toxidade polarizadora que provoca o ódio entre os que se enfrentam nos confrontos eleitorais.

Desenha-se assim a metafórica contenda dos extremismos populistas, bolsonarista e lulista, que serpenteiam no Planalto. Contra Bolsonaro e Lula não devemos arquivar perífrases nem usar reticências. É obrigatório denunciá-los e combatê-los porque já não há dúvida de que ambos ultrapassam os limites da exploração de ideologias deturpadas à direita e à esquerda.

Estes dois populistas rejeitam princípios éticos e morais e devem ser acusados para evitar que trapaceiem a massa que se deixa enganar cativada pelo colorido e musicalidade de promessas demagógicas nunca cumpridas.

É preciso acusá-los de manter a população na ignorância pelo desprezo à Educação que lhes ajuda a manobrar o País. É por isto que peço licença aos críticos de Leonel Brizola, para citá-lo quando disse que “a educação é o único caminho para emancipar o homem; desenvolvimento sem educação é criar riquezas apenas para alguns privilegiados”.

Também o tribuno baiano João Mangabeira nos legou uma louvável proposta, ao afirmar que “no dia que os filhos do pobre e do rico, do político e do cidadão, do empresário e do trabalhador, estudarem na mesma escola…. Neste dia, o Brasil será o país que queremos”.

Para que nenhum cretino de plantão resmungue que cito apenas opiniões do centro e da esquerda, declaro meu respeito à política educacional teorizada em 1974 pelos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, atendendo à aspiração de libertar o povo pela instrução.

Entretanto, para os populistas que se revezam no poder, a incultura lhes garante a permanência no abominável cenário político que atravessamos. Assim, o serpentário traz uma distorcida concepção de Democracia, chegando até adjetiva-la, como fez Lula concebendo a ditadura venezuelana como uma “democracia relativa’, e Bolsonaro articulando um golpe contra o Estado de Direito.

Há quem apoie tais disposições deles e há quem se cale diante disto. Felizmente surgem aqui e acolá protestos, mesmo longe de atacar estruturalmente o esquema populista; é plausível, porém, que muitos entendem que só se conquista a Democracia pelo seriado educativo da conscientização e da alforria intelectual.

Precisa-se para isto de uma reformulação científica nos currículos escolares, estimulando o alunato e qualificando os professores, remunerando-os com os padrões mundiais (em Singapura o piso equivale a R$16 mil). Sem que isto se faça, tudo continuará no mesmo ramerrão de uma política educacional de fachada.

No plano internacional, lembro Dwight D. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, quando, no fim do seu mandato fez uma autocrítica digna de citação, dizendo que um dos maiores erros e mais notáveis que cometeu, foi em não ter dado prioridade à Educação.

O herói da guerra contra o nazifascismo conscientizou-se de que somente com a Educação poderemos manter a Democracia e programar o desenvolvimento econômico. Tivemos também um presidente que se preocupou com isto, Epitácio Pessoa, semeador no seu governo de escolas públicas Brasil afora. Mais tarde, não custa louvar Darcy Ribeiro que revolucionou o Rio de Janeiro com os CIEPs.

Estas personalidades nos ensinaram a eliminar as serpentes da ignorância que se aninham ameaçadoras com 60% de analfabetos funcionais no País; e são aliadas dos populismos auto assumidos “de direita” e “de esquerda”. Exterminá-las é uma prioridade fundamental; parece redundância, e se for, reforça a afirmação.

  • Comentários desativados em NINHOS DE SERPENTE

FÁCIL OU DIFÍCIL ?

MIRANDASÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Não venho tratar de problemas de palavras cruzadas nem do Sudoku, mas de uma das lições mais inteligentes que recebi sobre as dificuldades ou facilidades de aprender, fazer e entender, é um pensamento de George Santayana que guardo comigo desde a adolescência (que vai muito longe): “O difícil é o que se pode fazer facilmente; o impossível é o que exige um pouco mais de tempo…”

Não conheço qualquer pesquisa de opinião ou estatística sobre isto, mas a minha grande dificuldade no estudo foi a Matemática, principalmente a sua etapa superior; e fiquei satisfeito em compartilhar isto com Shakespeare que disse: “Deixei de gostar da matemática depois que “x” deixou de ser sinal de multiplicação”.

Sou melhor que ele, porque gostava (e gosto) das expressões matemáticas em equações de primeiro grau que buscam a igualdade entre duas quantidades. E  amo a Geometria, o que me levaria a conviver com os antigos filósofos gregos….

Na alvorada da minha vida tive uma fácil compreensão geográfica e histórica; pena que a Geografia Política mudou do meu curso primário para cá com a descolonização na África e na Ásia e as consequências da 2ª Guerra na Europa.

A História ficou. Como o passado não muda, apenas enriquece com novas informações, tenho estudos arquivados na massa folheada dos meus neurônios, guardando curiosidades e anedotário sobre personalidades que se sucedem por gerações….

Lembro, por exemplo a narrativa do historiador pioneiro, Heródoto, sobre o primeiro grande faraó, Keops, que se vendo em dificuldade financeiras para concluir a construção da sua pirâmide, levou sua filha à prostituição, cujos honorários cobrados eram pedras de dez por dez metros…

Coisa pouco conhecida, como a consagração do Ovo que se transformou em caríssimas joias no reino czarista e foi adotado pelo cristianismo imperial como símbolo da Páscoa. Surgiu por uma coincidência: um ovo vermelho de galinha posto no dia do nascimento do imperador romano Alexandre Severo, que reinou nos anos 235 da Era Cristã e foi bastante influente na Igreja Católica Romana.

Para matar a curiosidade não podemos deixar de estudar e, satisfeitas as pesquisas feitas, é uma obrigação divulga-la. É necessário não deixar qualquer vácuo na informação; todas as coisas são importantes para o interlocutor.

Cumprindo a minha tarefa de descobrir coisas de interesse geral, descobri uma coisa simples para uma palavra que está internada na UTI da Linguística, mas em certas regiões brasileiras ainda é usada, a palavra Ponche.

Pensava que era francesa. Ledo engano: a sua etimologia é indiana significando cinco; isto mesmo, o número cardinal que fica entre o quatro e o seis…. Simplesmente se refere aos cinco ingredientes que o compõem: açúcar, água, canela, limão, rum, e bastante gelo.

Como tratamos de diversão, encontramos também uma sutil diferenciação nos termos usados na Ciência Médica, na Botânica e na Zoologia. A primeira adota o grego e as duas outras latim; e é interessante a adoção do grego nas referências às manias e fobias pela psicanálise e psicologia – talvez por influência de Freud.

A fobia – fóbos/ou, medo, + ia – é a aversão exagerada por alguma coisa (o dicionário registra “receio patológico persistente”). Ultimamente na linguagem comum usamos o termo Homofobia combatendo o preconceito aos homossexuais. Aparentados, temos Agorafobia o medo da altura; Quenofobia, medo da escuridão, Claustrofobia, medo de lugares fechados e Oclofobia, medo mórbido de multidões.

O medo psiconeurótico, irracional e doentio, dificulta os portadores da Oclofobia impedindo-os de assistir um clássico do futebol; mas facilita a higiene mental no campo da política; não vai às manifestações extremistas, comícios e invasões a prédio públicos.

Isto é fácil de entender, embora dificílimo de evitar outras enfermidades fóbicas, algumas até benvindas, como a Bolsofobia e a Moluscofobia, ambas trazendo o medo de manter a continuidade da polarização patológica destas bactérias populistas e demagógicas.

RÉGUA & COMPASSO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

É muito conhecido o axioma “O homem é a medida de todas as coisas” que hoje para agradar as radicais (e hipócritas) antimachistas, tipo Dilma Rousseff, poderíamos dizer “O ser humano é a medida de todas as coisas” ….

Este enunciado é do brilhante sofista da Grécia Antiga, o filósofo Protágoras de Abdera, oposto as teses de Sócrates como defensor da verdade absoluta e das verdades de valor universal.

A expressão vem expressa num texto extensivo, que completo é “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Uma lição sobre o relativismo, a compreensão de cada pessoa pela maneira própria e específica de ver.

Pela régua e compasso da minha concepção das coisas, há uma exceção: não se pode mensurar o fanatismo político e religioso. Exemplifico com a correspondência de um pastor evangélico que criticou a minha afirmação de que a longa vida dos patriarcas judaicos é uma fantasia.

Como “homem de fé”, este contendor mostrou-se mais sofista do que cristão, usando uma hipótese para me contrapor. Seu argumento é de que o ser humano pode alcançar o tempo de vida que a Bíblia relata; seu raciocínio leva em conta que o cachorro vive 14 vezes a mais do tempo em que atinge a idade adulta, chegando aos 16 anos.

Esta falácia considera que o ser humano é adulto aos 20 anos, tempo que multiplicado por 14 dará 280 anos de vida….  É interessante esta comparação, mas não alcança os 777 anos de Matusalém…

Da minha parte, prefiro filosofar sobre a altura, espessura e largura das pessoas pelas suas dimensões corporais, ou ver no comportamento delas a sua formação, honestidade, integridade e lucidez.

Já imaginaram levar esta avaliação para os nossos políticos? Para Lula, de quem Brizola disse que pisaria no pescoço da mãe para se eleger; ou para Bolsonaro, usuário de rachadinhas e condecorador de milicianos?

Para mim, os políticos são incomensuráveis. O alfaiate pode tomar suas medidas para lhes fazer um terno e um sapateiro medir seus pés para produzir um sapato; mas é impossível um observador da política dimensionar o comportamento destes protagonistas da polarização eleitoral.

Como venho de longe, conheço o seu jogo. Os métodos deles são invariáveis: têm por base a demagogia populista, o uso do dinheiro e corrupção; então prefiro compará-los aos trapaceiros.

A trapaça é uma arte que esses vigaristas usam muito bem. Se pararmos para pensar, lembraremos que há trapaças criminosas e trapaças simpáticas. Criminosas são as que exploram toda uma Nação, roubando gente besta e gente esperta, pobres e ricos, contribuintes que pagam impostos na compra de um chiclete ou caixa de fósforos, em carros de luxo, jatinhos ou iates oceânicos.

Pagantes de impostos não veem como é aplicada a sua contribuição; veem apenas a exorbitância de benesses para os “mais iguais do que os outros”, juízes, parlamentares e ministros. E não há coisa mais revoltante do que pagar aposentadoria para políticos, porque política não é profissão.

Para esfriar as chamas da indignação falemos dos “trapaceiros simpáticos”, aqueles que enganam delinquentes como eles. No correr deste texto lembrei-me de um clássico dos contos de vigário, a história de um humilde músico de rua que entrou na padaria com um violino debaixo do braço e tirando trocados do bolso, comprou um pão.

Após comer ali mesmo, pediu ao gerente o favor de guardar seu instrumento por algum tempo, enquanto resolveria uns problemas. O violino exposto perto do caixa chamou a atenção de um freguês que após examiná-lo pergunta se está à venda e oferece uma desmedida quantia pelo o que reconheceu, como colecionador, um Stradivárius.

O Padeiro diz que o violino não é seu, mas iria esperar o dono para propor o negócio; e quando o músico voltou, convenceu-o de vender o instrumento por um quinto da quantia oferecida pelo colecionador, e este jamais voltou à Padaria; era apenas o coadjuvante do golpe que rendeu vultuosamente aos dois trapaceiros.

Assim lucram com o dinheiro público os falsários do patriotismo, da liberdade e até da religião. São patriotas que só pensam em si mesmos, defensores da liberdade, de olho em tornar-se ditadores, e religiosos adoradores de santos do pau oco.

… Ou os brasileiros acabam com estes trapaceiros ou a Pátria desmorona por eles.

IDADE DA RAZÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Michel de Montaigne, filósofo, escritor e humanista francês, autor dos antológicos “Ensaios”, expressou nos seus escritos um pensamento notável, embora pareça óbvio: “Basta viver setenta anos para se ver tudo e o seu oposto”.

Daí, mesmo sem precisar da Inteligência Artificial, criei um personagem de ficção (gente como a gente, não um robô) e dar-lhe algo mais do que a simples vivência neurônica, através da palavra que se lê com as lentes da realidade: “Estudo”.

Na vivência sócio-política que atravessamos, vê-se que a educação dos filhos e netos tem agitado o pessoal do “X”. Tuiteiros até abrangeram sobrinhos-netos, o que me despertou a atenção, trazendo-me para participar desta discussão saudável no corredor da inteligência.

É ponto pacífico que todos querem a felicidade dos seus descendentes – e os mais altruístas estendem este desejo a todas crianças do mundo. É um sentimento nos leva a perguntar: – “O que é a felicidade?”.

Em todos estágios civilizatórios sempre se procurou conquistar a felicidade pessoal ou coletiva; mas a amplitude e complexidade da sua definição nos leva ao seu aspecto psíquico.

Seguindo Jesus, os cristãos defendem que a conquista da felicidade é amar o próximo, sem nada exigir em troca; os ateus pensam como o sociólogo argentino Christian Ferrer, que considera a felicidade um estado emocional e estabelece o princípio de que o ideal de felicidade é a reciprocidade de uns e outros.

Vendo a vida pelo avesso do alto dos meus 90 anos, considero que a alegria e a tristeza, estes sim, são estados emocionais; mas não vejo como enquadrar a felicidade nisto. Indo ao dicionário, encontramos o verbete Felicidade como um substantivo feminino significando “estado de uma pessoa feliz” com diversas definições relativas, êxito, sucesso, sorte e ventura.

O criador da Psicanálise, Freud, cuja importância no estudo da saúde mental dispensa apresentação, defendeu que todo ser humano é movido pela busca da felicidade através do princípio do prazer; e foi pessimista, considerando esta ansiedade um fracasso, pela impossibilidade efetiva de satisfazer a todos os desejos.

Do lado metafísico, as religiões entregam a Deus a probabilidade de conquistar a felicidade; e o budismo ateu é tão exigente quanto Freud, pois o Mestre ensinou que a felicidade só será obtida pela superação do desejo em todas as suas formas, o que é dificílimo para o ser humano.

Temos um cruel episódio protagonizado pelo último rei da Lídia, Creso de Mermnada. que a História registra. Conta que ele, aprisionado por Ciro na guerra que destruiu o seu país, foi condenado à morte; e, diante do carrasco, proferiu: – “Dada a incerteza das vicissitudes humanas e a inconstância da sorte, ninguém pode se assumir como feliz enquanto não chegar a sua hora final”.

Expressou o pensamento do poeta Sólon, o sábio fundador da democracia ateniense; e também do pessimista Nietzsche, que escreveu: – “A luz das estrelas mais distantes chega tardiamente aos homens; e antes que chegue, o homem nega que ali haja estrelas”. Triste negativa de que seja possível aspirar a felicidade à luz das estrelas….

Como a compreensão vem com a velhice, segundo Platão, creio que poderemos ser felizes, sim; considero-me um homem feliz.

Conquistei isto formando a consciência da realidade. Desprezei a relatividade das coisas e e o egocentrismo dos que só enxergam a si mesmos. Na Idade da Razão vê-se que a felicidade pode tardar a vir como a luz das estrelas, mas certamente chegará o dia da iluminação; e ela chega.

RELIGIÃO & ANTIBIÓTICOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Talvez pela idade, talvez pelo meu repúdio a qualquer tipo de charlatanismo, guardei um pensamento de Aldous Huxley que divulgo de vez em quando: “Dizem que é o medo da morte, e do que vem depois da morte, que leva os homens a voltar-se para a religião à medida que os anos se acumulam”.

Embora arreligioso, fica longe de mim qualquer pensamento antirreligioso; obrigo-me, porém, a criticar a pregação ilusória de futuras benesses post mortem encontradas nos estudos da religião escandinava que promete o Walhalla, com bebedeiras de hidromel ao lado de lindas mulheres.

O futuro dos mortos também dá prêmios no complexo religioso judaico-cristão. O misticismo rabínico afirma que as almas são imperecíveis e promete a reencarnação dando outro corpo para a “alma dos bons”, enquanto os maus vão para a “Gehenna” – o “Inferno” – onde serão julgados.

As vertentes protestantes seguem mais ou menos a pregação do judaísmo, e a Igreja Católica tem um postulado que vê a morte como uma passagem para os que seguirem Jesus Cristo conquistarem a vida eterna ao lado de Deus.

O Islamismo abre recompensas valiosas para os que se entregaram aos ensinamentos do Profeta. A Surata 56, versos de 12 a 39, do Alcorão, descreve o paraíso que os espera como: – “Nos Jardins da Delícia. Uma multidão dos primeiros (profetas e povos que os seguiram). E um pouco dos derradeiros (os seguidores do profeta Maomé). Estarão sobre leitos de tecidos ricamente bordados; neles reclinados, frente a frente (…) E haverá húris (virgens) de belos grandes olhos, iguais a pérolas resguardadas, em recompensa do que fizeram para Alah “.

Sentar-se frente a Deus nem se fale! O catolicismo medieval oferecia a maravilhosa companhia com as onze mil virgens de Santa Úrsula para o devoto que pagasse por isto; e, em paralelo, a visão “pagã” de um futuro radioso para o defunto escrito nos astros nos astros, como os astrólogos preveem para seus consulentes.

A comercialização do futuro sobrenatural é altamente rendosa. Nova Iorque, a capital do Mundo Ocidental, abriga nada mais nada menos do que 110 mil centros espíritas e congêneres, prometendo contato com pessoas mortas. Tivemos um exemplo disto num filme de 1990,  “Ghost: Do outro lado da vida”, dirigido por Jerry Zucker e estrelado por Patrick Swayze, Demi Moore, Tony Goldwyn, Rick Aviles e Whoopi Goldberg.

Englobando no roteiro drama, fantasia, mistério, romance e suspense, a película conta a história do espírito de um bancário assassinado que consegue ser ouvido por uma mirabolante “consultora espiritual”; e esta, por sua vez, se revela como médium auditiva.

Oda Mae Brown, interpretada por Whoopi Goldberg, rendeu o Oscar para ela; e nos mostrou a existência do sistema comercial da “assistência mística” para os que são atraídos pelo sobrenatural.

Entre os vivos, de pés no chão, as religiões guerreiam entre si, e sufocaram as heresias dos seus crentes no passado, punindo-os a ferro e fogo. Vale a pena relembrar o caso do papa Inocêncio 3º e seu emissário Simon de Monfort, que foi combater os albingenses. Simon perguntou o que fazer com os que não participaram do movimento…. E o Pontífice ordenou – “Mate-os todos; Deus saberá escolher os seus”.

Futuro duvidoso este, sem dúvida. Melhor faziam os índios guaranis acreditando que desejar a morte de alguém é prolongar-lhe a vida, uma crença repudiada pelos comerciantes dos óbitos.

Neste prolongamento lembramos a anedota do papa-defunto que indagado como iam os negócios, respondeu: – “Ruins, estou quase indo à falência; esta desgraçada invenção de antibióticos e vacinas adiam cada vez mais a morte…”

 

 

 

 

FALSO TESTEMUNHO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Jolly Roger” é um jogo que nunca se deu bem em Portugal nem no Brasil, mas foi bastante popular na França e na Grã Bretanha. Joga-se com cada um dos jogadores se assumindo como membro da tripulação de um navio pirata e dependendo de como o eleito conduza a embarcação, qualquer um dos participantes pode discordar dele e iniciar um motim, e se tornar o próximo comandante….

Não é tão complicado como parece e há explicações detalhadas dele no Google, que pode ser realizado somente com as intervenções pessoais ou o manuseio de cartas, parecido com a Bisca. O interessante é o uso de uma bandeira, de onde vem o nome do jogo.

“Jolie Rouge” é uma expressão francesa, que significa “vermelho bonito” para uma das bandeiras, todas com a caveira e as tíbias cruzadas. Tem a branca, a preta e a vermelha, sendo esta última a mais temida; branca e preta anunciam assalto; vermelha é assalto sem misericórdia.

Os lances requerem golpes de inteligência com valor imponderável de surpresas. Tem muita parecença de um tribunal (onde se aplica a lei de verdade) com acusado, acusadores, testemunhas de acusação, defesa e um juiz.

Assisti certa vez jogarem o “Jolly”; lembro-me de como atuaram os concorrentes. Agora me vem à lembrança que ocorre atualmente no navio pirata chamado Brasil. Jogam os togados do STF no camarote de Gilmar Mendes, coordenados ideologicamente por ele.

Nos meus tempos de estudante de Direito admirava o STF pela cultura jurídica e integridade dos seus membros. Tive alguns dos togados como professores, como Hermes Lima e Evandro Lins e Silva, e mantenho na certeza de que nenhum deles toleraria as decisões monocráticas, criadas para favorecer o crime e corromper o juiz.

Considero, por exemplo, que é inadmissível a anulação de uma sentença condenatória baixada em três instâncias jurídicas, baseadas em evidências, depoimentos acompanhados de delações premiadas e documentos. … Anulada com uma canetada só do Dias Toffoli.

Assim, os ventos e as marés do inconformismo provocam insatisfação popular contra a Corte e levam ao Congresso, principalmente no Senado Federal, o desejo de corrigir os erros seriados dos ministros nas decisões individuais. Senadores avançaram aprovando a PEC 8/2021, que limita o julgamento monocrático.

Inusitadamente, levantaram-se ministros togados raivosos, exclamando acusações e cobranças, com xingamentos aos senadores, em paralelo às autopromoções de donos da Democracia. Houve até insinuação de responsabilidade deles pela eleição de Lula….

Isto gera um clima anormal entre os três poderes da República e, pior, mostra-nos uma situação condenável, acompanhada com indignação, porque é defendida pelo ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do Tribunal.

Com isto, não bastasse o corporativismo que levou cônjuges, irmãos e parentes próximos dos togados a advogar na Corte, um privilégio abusivo, pratica-se no STF intervenções visivelmente políticas e até de falso testemunho. É o que ouvimos agora nas defesas feitas pela censura imposta às liberdades constitucionais de Expressão e Imprensa.

É demais para um magistrado ter uma conduta contrária à administração da justiça. O falso testemunho é um crime. Nas brechas da legislação inserida na Constituição de 88, leniente com os crimes e os criminosos, está escrito: – “Se o acusado de falso testemunho desistir da mentira e contar a verdade, no processo que ele mentiu e/ou omitiu, o crime deixa de existir.

Assim, os censores da Suprema Corte e seus cúmplices já ensaiam uma emenda para escapar, mas as suas tenebrosas transações já condenadas até pela nossa Pátria Mãe tão distraída!

Graças aos defensores do Estado de Direito atuando corajosamente nas redes sociais, a História mostrará a vampiragem que atua no STF à margem da Justiça vendada, sem enxergar os crimes que cometem em seu nome.