Poesia

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A LEMBRANÇA

 

 

Manda-me uma lembrança, para que minha esperança viva,

Ou meus turvos pensamentos possam dormir e descansar.

Manda-me algum mel para adoçar a minha colmeia,

Para que na minha paixão o melhor possa esperar

Não peço uma faixa tecida por tuas próprias mãos,

Para enlaçar nossos amores na teia da fantasia

De recém-desflorada juventude; nem anel para dar a medida

Da nossa afeição, igualmente clara e circular,

Pois nossos amores devem encontrar-se com simplicidade;

Não, nem os corais que envolvem o teu pulso,

Entrelaçados juntos, harmoniosamente,

A mostrar o entendimento de nossos pensamentos;

Não, nem o teu retrato, embora muito gracioso,

E ainda mais desejado, porque se atraem os iguais;

Nem versos espirituosos, já por demais copiosos

Nos escritos que me tens enviado.

 

Não me envies qualquer coisa para aumentar os meus bens

Mas jura que acreditas que te amo, e nada mais.

 

John Donne

 

(Tradução de Helena Barbas)

 

O Poeta

 

Incompreendido em sua própria época e esquecido por quase trezentos

anos, John Donne ressurge como uma voz do nossotempo, com angústias existenciais que poucodiferem das que afligem o homem contemporâneo, e com técnicas audaciosas, em grande parte incorporadas à poesia moderna.

 

Ao transfomar emoções religiosas numa poesia metafísica de rara beleza

e profundidade, Donne seduz, comove – e fazpensar. E se gigantes como T.S. Eliot  jamais negaram a influência desse extraordinário contemporâneo de Shakespeare, Ernest Hemingway, foi buscar na sua prosa o título para o romance Por Quem os Sinos Dobram.

 

Leia mais sobre John Donne

 

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