Arquivo do mês: abril 2008

Charge do Ênio

Fonte: chargeonline.com.br/Ênio

Artigo saído no METROPILITANO. Nas bancas

Reeleição implantará ditadura dos pelegos

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


Semana passada, reunido com a bancada do PDT no Senado, Lula da Silva disse que “se o PT me obrigar ao terceiro mandato, eu rompo com o PT”.
Isto satisfez ao senador Cristóvam Buarque, disposto com os seus colegas a combater a idéia golpista da re-reeleição. Cristóvam não é ingênuo, mas é político e tem interesses estranhos como se viu na defesa que fez do reitor Timothy Mulholland; sua confiança na palavra de Lula, portanto, não deve ter o aval dos defensores do sistema democrático.

Lula diz e se desdiz ao bel prazer. Ademais, quem viu a defesa que fez de Zé Dirceu, dos mensaleiros, de Palocci e dos aloprados não pode acreditar nele, ao contrário, não pode sequer confiar desconfiando… Como ter fé em quem faz parceria com Renan Calheiros e afaga uma figura execrável como Severino Oliveira?

Não será um simples comentário numa reunião informal que afastará o medo do golpe de mão do continuísmo. Ele cochicha com políticos aliados, mas não desautoriza o velho companheiro e amigo íntimo, deputado petista Devanir Ribeiro, a apresentar a Proposta de Emenda Constitucional, PEC, sugerindo mudanças na Constituição para permitir um terceiro mandato. Isto, por si só é um sinal de que sua rejeição ao golpe é para círculos restritos.

O continuísmo é a verdadeira herança maldita de FHC, que mandou rasgar seus livros e enlameou seu passado político igualando-se a Fujimori, Carlos Menem, Uribe e Chávez, democratas de opereta. Quem não se lembra quando o nipo-peruano inventou a reeleição nos fins do século passado? E só interrompeu a indesejável repescagem de mandatos porque foi apanhado e destituído por atos de corrupção ativa.

Com a repulsiva carreira interrompida, fugiu para o Japão e hoje responde a processo em seu país. O exemplo dos seus imitadores está à vista: FHC e Menem curtem um ostracismo melancólico. O daqui se mantém em público aproveitando a falta matérias nos jornais paulistas; e o da Argentina está preso domiciliarmente, acusado de corrupção.

Os que se mantêm no poder, Chávez e Uribe, assentam-se na força militar. Chávez, ele próprio coronel do Exército Venezuelano, desenvolve uma revolução virtual permanente, reprimindo violentamente as manifestações oposicionistas, enquanto Uribe se auto-justifica pelo combate ao narcotráfico e às FARC, que proporcionam uma vantajosa aliança com os EUA.

Não dá para imaginar o que ocorreria no Brasil depois de um golpe contra a Constituição e a oficialização da República Sindicalista como querem os pelegos. Afinal, apesar do hilariante quadro que os governantes latino-americanos oferecem para história de suas nações, o Brasil se impõe pela vocação democrática do seu povo. Este país não é uma Bolívia nem um Equador. Não é discriminação, não, é a constatação da realidade. Sabe-se que os presidentes dessas duas nações, Evo Morales e Rafael Correa, conspiram para se manter no poder, como fazem aqui alguns setores do PT-partido; mas a Bolívia está dividida e o Equador é um rato que ruge por uma guerra nos Andes.

O Brasil também não é a Argentina onde, em ritmo de tango, o casal Kirchner inventou um passo para se equilibrar no salão de despachos da Casa Rosada. Aqui, Lula da Silva sabe que não será fácil impor ao Legislativo e ao Judiciário a barulheira dos tambores peronistas. Nem dona Mariza Letícia é vocacionada para a política nem pretende eleger-se presidenta da República, até onde se sabe…

NOTÍCIAS DO DIA

ALIADOS, MÀ NOM TROPPO Aliados no governo, PT e PMDB devem tornar-se adversários em vários palanques da disputa municipal deste ano. Em 13 capitais, ambos têm pré-candidatos próprios. Nas maiores, como Rio, São Paulo e Belo Horizonte, a chance de aliança é inexistente ou remota.

JÁ COMEÇOU – Líderes indígenas querem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para a homologação da Reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, em área contínua, que é questionada no Brasil. Reivindicam um discurso sobre o tema em encontro realizado em Nova York.

ENVOLVIMENTO – O inquérito que investiga liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios a prefeitos sugere o envolvimento da juíza Ângela Catão Alves, de Minas. Ela teria ligação suspeita com um representante dos beneficiados pela liberação e recebido de presente um carro de luxo 0 km. A juíza diz que é vítima de “perseguição” do corregedor-geral do Tribunal Regional Federal.

BNDES ATUA EM GABA – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará a produção de etanol em países africanos. O primeiro projeto foi acertado ontem com Gana, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Acra. O projeto se destina a exportações de biocombustível para a Suécia.

MARACUTAIA DAS ONGs – O governo anuncia que, com novas medidas de controle, poderá reduzir gastos com ONGs em até R$1,5 bilhão por ano. Melhor seria se dispensasse o trabalho dessas entidades.

MST FICARÁ IMPUNE – A nova onda de invasões do MST deve ficar impune, da mesma forma que as anteriores. O Ministério do Desenvolvimento Agrário nem sequer tem registro de sanções aplicadas a quem invadiu terra, prédio público ou empresa privada. A lei que diz que área invadida não pode ser usada para reforma agrária não é aplicada. O ministro Guilherme Cassel diz que o governo não permite abusos.

DISCRIMINAÇÃO – Médias empresas brasileiras não estão mais conseguindo contratos com o governo. A lei que privilegia micro e pequenas em licitações e a concorrência das grandes, que têm preços menores, estão restringindo o mercado.

FALTA QUALIDADE – No Censo de 1980, apenas 49% das crianças entre 7 e 14 anos estavam matriculadas no Ensino Fundamental. O índice saltou acima de 97% nos anos de 1990 e o Brasil praticamente universalizou o acesso ao ensino. O ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza reconhece que o País agora tem uma escola universal, mas ainda falta qualidade.

SE A MODA PEGA… – Procuradores federais investigam indícios de enriquecimento ilícito de Alexandre Lima, ex-diretor-executivo da Editora Universidade de Brasília.

DENGUE (II)

Comércio laboratorial da prevenção

A Anvisa permite a venda de um repelente contra a dengue cuja composição ela rejeita oficialmente desde 2006, quando determinou que produtos com concentração do princípio ativo Deet (N,N-dietil-metatoluamida) maior que 30% só teriam registro após a realização de estudos de avaliação de riscos para humanos. O repelente Exposis Gel tem 50% de Deet, é vendido com autorização da própria agência, mesmo sem ter sido testado.

DESAPROPRIAÇÃO

Seria mais fácil criar uma reserva

A cinco horas de Porto Velho (RO), escondido num ponto da floresta amazônica acessível por meio de trilhas, está um pedaço de terra que nunca produziu nada legalmente e cuja indenização pela desapropriação custará R$ 371,5 milhões aos cofres públicos. Trata-se do mais alto valor a ser desembolsado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) por um único pedaço de terra. Ele equivale a um terço da quantia reservada pelo governo no ano passado para a aquisição de terras visando a reforma agrária. A indenização resulta de uma disputa judicial de duas décadas entre a União e um casal de pecuaristas, num processo marcado por suspeitas de especulação e falsificação de documentos, além de trapalhadas topográficas oficiais.

QUEM MANDA?

Lula diz uma coisa, Amorim outra

No dia seguinte à eleição de Fernando Lugo à Presidência do Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na África, que não pretende renegociar o tratado da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, principal plataforma eleitoral do paraguaio. Ontem, Lugo reafirmou sua determinação em rever o acordo e não descartou recorrer à Corte Internacional de Haia caso não obtenha êxito. Lugo defende o reajuste no valor da energia não utilizada pelos paraguaios. Cada país tem direito a 50% da produção, mas o Paraguai só utiliza 10% de sua parte (5% do total), e vende o restante ao Brasil.

DENGUE

Epidemia reduz confiança no Brasil

O jornal Los Angeles Times, um dos maiores em circulação dos EUA, comparou os índices econômicos do Brasil, como a força da moeda e do crédito, de Primeiro Mundo, à “aflição de uma doença de Terceiro Mundo” no Rio, cidade que é a “principal atração turística nacional”. Apesar de as autoridades considerarem que a epidemia de dengue está enfraquecendo, os danos à imagem no exterior já são notados pelos hotéis no feriadão: a ocupação caiu 30% em relação a 2007, com menos 60 mil turistas e prejuízos de R$ 10,2 milhões. A contagem oficial da doença no município tem 56.919 casos e 54 mortes.

MANCHETES de hoje_22.abr.08

TRIBUNA DA IMPRENSA – CPI faz blitz nos gastos da Presidência

JORNAL DO BRASIL – Dengue corrói imagem do país

O ESTADO DE SÃO PAULO – Brasil já admite renegociar tarifa
de Itaipu com Paraguai

TARDE – Paraguai e Brasil discutem tarifa

JORNAL DO COMMERCIO (PE)- Defesa de casal denuncia polícia

CORREIO BRAZILIENSE – Paraguai imita Bolívia e põe Brasil
na parede

ZERO HORA – Ministro admite negociar tarifa de energia de Itaipu

ESTADO DE MINAS – CGU vai ampliar apuração dos gastos
de ministros

TRIBUNA DO NORTE – Acidente em trecho de ultrapassagem
proibida mata quatro

O GLOBO – Lula nega mas Amorim admite renegociar o Tratado de Itaipu

GAZETA MERCANTIL – Demora para conseguir CNPJ faz surgir
mercado paralelo

VALOR ECONÔMICO – ICMS antecipado cria atrito entre a
indústria e o varejo

FOLHA DE SÃO PAULO – Lula contraria paraguaio e diz não
renegociar Itaipu

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora sem grandes segredos
dantes sem novos secretos
dentes nesta hora
eu sou como eu sou
presente desferrolhado
indecente feito um pedaço
de mim
eu sou como eu sou
vidente e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

Torquato Neto (1944-1972)

Do Correio Brasiliense

Infraero é suspeita de criar departamento para espionagem

Especialistas em estratégia militar garantem que a inteligência é a melhor arma para combater o inimigo. Essa “arma” tem sido levada a sério por diferentes órgãos do governo federal. Muito antes do Palácio do Planalto preparar o dossiê com contas sigilosas do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso e deflagrar a crise política do momento, a Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros, criou uma sessão exclusiva para coletar, produzir, analisar e interpretar dados “necessários à tomada de decisões”.

Servidores da empresa e pessoas ligadas ao setor temem estar sendo monitorados pela Assessoria Especial de Inteligência Empresarial, que funciona no mezanino do aeroporto de Brasília. Para o comando do setor de inteligência foi escolhido um coronel da reserva da Aeronáutica, Hélcio Medeiros Ribeiro, há 10 anos na estatal. Foi o ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, quem criou a Assessoria Especial de Inteligência, em 31 de maio do ano passado.

Ele argumenta que a idéia inicial era colaborar com órgãos como a Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas, armas, carga, obter informações de pessoas nos aeroportos e também trabalhar com estatísticas e dados sobre o setor aéreo.

O atual presidente da estatal, Sérgio Gaudenzi, manteve ativa a sessão de inteligência para, segundo a assessoria de imprensa da empresa, “garantir informações adequadas ao processo decisório, colaborar com o presidente da Infraero e com os diretores”.

Assinante do Correio leia mais em: Arapongas da Infraero