Poesia
Tive uma jóia nos meus dedos —
E adormeci —
Quente era o dia, tédio os ventos —
“É minha”, eu disse —
Acordo — e os meus honestos dedos
(Foi-se a Gema) censuro —
Uma saudade de Ametista
É o que eu possuo —
Emily Dickinson
(Tradução: Augusto de Campos)
A Poetisa A americana Emily Dickinson (1830-1886) é um dos poetas mais cultuados em todo o mundo. Desafio dos tradutores, ela já teve versos transpostos para o português por nomes quentíssimos como Manuel Bandeira, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Paulo Henriques Britto e uma série de outros poetas menos conhecidos.
Creio que o interesse dessa seleta plêiade de tradutores já seja o suficiente para apresentar essa incrível poetisa oitocentista. Nascida em Amherst, Massachusetts, onde viveu toda a vida, Emily é vista como uma excêntrica. Quando tinha cerca de 30 anos, encerrou-se na casa dos pais, de onde nunca saía. Retirava-se quando chegavam visitas e só era vista em trajes brancos. Embora avessa ao contato social, escrevia muitas cartas.
De seus poemas, escritos em verdadeira clausura, somente sete foram publicados durante sua vida (no total, são cerca de 1800 poemas). Inovadora na linguagem, ela desenvolveu formas originais de expressão. Até sua pontuação, marcada por travessões, é diferente de qualquer outro poeta de sua época. Para alguns analistas, a poetisa usava os travessões como uma forma de marcar o ritmo.
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