OPINIÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Todo mecanismo social descansa, no fim das contas, nas opiniões” (Augusto Comte)
A História quando se firma nos fatos, interpretada com independência e método, vê que é o desenvolvimento do pensamento e a busca do conhecimento a alavanca que move o mundo para a evolução da humanidade.
O conceito de que é a opinião que domina o mundo vem dos enciclopedistas e do nosso epigrafado Augusto Comte. É por isto que com estudo e reflexão aproveitamos a abertura democrática que as redes sociais nos oferecem para exprimir as nossas opiniões.
No meu caso, atuando a mais de quinze anos na Internet, com meu Blog e participação na rede social com o saudoso IRC, de onde me transferi para o Twitter, não tenho papas na língua. Os antigos tuiteiros que me conhecem, sabem que manifesto o meu pensamento com liberdade e independência.
Costumo repetir que respeito a opinião alheia e nem sempre a recíproca é verdadeira, o que não me preocupa porque sou diametralmente inimigo do fanatismo, das ideias preconcebidas e do totalitarismo fascista.
A Opinião é objetiva no meu modo de ver, de analisar e de expressar como consequência da racionalidade. Dicionarizado, o verbete é um substantivo feminino derivado do verbo opinar, de etimologia latina “opinare”, possuir uma opinião. Como expressão é conceito, consideração, crença, entendimento, interpretação.
Opinião se transmite em relação a alguém, um fato ou outra opinião; é o nosso julgamento em relação a eles. Charles Darwin diz que a opinião surge sob a influência de determinadas coisas ou de situações que nos cercam, fruto da realidade.
O que inspirou este texto foi a diferença entre a opinião individual e a opinião pública. A opinião pública se prende a notícias, casos e pessoas de interesse social, nacional ou mundial.
Vivemos uma conjuntura invertida, subversiva, que criou um cenário midiático artificial, originário de ato criminoso, uma invasão de privacidade acionada pela Orcrim política ligada aos esquemas corruptos do PT para desacreditar a Lava Jato e os valorosos membros da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal.
Esta situação invasiva do roubo (um costume muito lulopetista) de informações indiscriminadas, tem o intuito de desacreditar o ministro Sérgio Moro, alvo das milícias narcopopulistas e dos fanáticos defensores do arquicorrupto Lula da Silva.
Trata-se de uma trama que vem de longe e gastou muito tempo e dinheiro para mobilizar e organizar um esquema envolvendo hackers internacionais, publicações de baixa circulação e um jornalista ligado sensualmente ao PSOL, partido-tentáculo do Foro de São Paulo.
Na minha opinião, trata-se de uma conspiração internacional financiada pelas propinas dos empréstimos do BNDES, depositadas em paraísos fiscais, ou nas mãos dos parceiros estrangeiros beneficiados pelo assalto do PT à riqueza nacional.
É hora da opinião pública, que representa 83% dos brasileiros e brasileiras apoiando em pesquisa nacional a Lava Jato, se mostre de corpo inteiro, oferecendo seu respeito ao ministro Sérgio Moro. Os patriotas não podem ficar omissos diante desse arrastão orquestrado por pessoas e entidades ligadas ao crime organizado.
Não opinar neste momento, é esfaquear o anseio nacional de varrer para todo e sempre a corrupção institucionalizada pelos governos lulopetistas.
ACÓRDÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Só quem entende a beleza do perdão pode julgar seus semelhantes” (Sócrates)
Poucas sentenças jurídicas satisfazem as duas partes de um processo, porque é decisão proferida por um único magistrado, de qualquer instância ou tribunal. A única aceita por unanimidade foi a de Salomão no caso das duas mães, de conhecimento geral.
Entre as fabulosas histórias da Grécia Antiga, temos o caso de Cicno, rei de Colonê, que acreditando em calúnias de que o filho do primeiro casamento, Tenes, o traía com a nova esposa, mandou encerrá-lo num baú e jogá-lo ao mar. Foi reconhecida injusta essa decisão, e o Deus do Mar levou o baú para a ilha de Leucofris; protegido de Netuno e salvo milagrosamente, Tenes se tornou rei da ilha que passou a se chamar Tenedo.
Tanto empolgam as histórias sobre a Justiça que alguns processos se rivalizam com as novelas, dando no Brasil uma grande audiência à TV-Justiça, que suspeitosamente alguns ministros do STF sugerem que deixe de transmitir julgamentos.
É do Supremo que saem os acórdãos, que significam a decisão plenária de um tribunal, diferenciando-se da sentença, que é uma decisão monocrática, de juiz de primeira instância, desembargador ou ministro de tribunais superiores.
O acórdão, como decisão final de um processo, serve de paradigma para solucionar casos análogos. É uma palavra forte trazendo curiosamente o acento agudo de tonalidade aberta e o sinal diacrítico til, para anasalar vogais.
Dicionarizado, o verbete acórdão é um substantivo masculino, de origem latina “cor” – coração, como termo jurídico é “saber pelo coração”, equivalente ao “de cor” e também de acordar, “cordatus”.
Usando o conto de François Andrieux, “O Moleiro de Sans-Souci”, o célebre dramaturgo Bertold Brecht pôs na boca de um dos seus personagens a expressão “ainda há juízes em Berlim”. Repito isto muitas vezes para enaltecer os juízes brasileiros que levam a sério o combate à corrupção e ao crime organizado.
Repito que estes magistrados estudam e conquistam suas cátedras aproveitados por concursos muito concorridos. São admirados pelos três “iii” que possuem, independência, inteligência e intransigência. Gosto de destacar entre eles o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.
É impossível esquecer a coragem de Moro ao sentenciar à prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente da República, Lula da Silva. Sofre até hoje a perseguição dos fanáticos seguidores do presidiário, enaltecido pelos que fazem dos companheiros corruptos “heróis”.
Como juiz, Moro foi reconhecido pelas instâncias superiores, o Tribunal Regional Federal (TRF4) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que confirmaram a condenação proferida, a despeito de pressões políticas, tramas e conspirações inomináveis dos fanáticos defensores do narcopopulismo.
Levando este texto para o desfile dos provérbios em apoio aos magistrados que praticam a justiça boa e perfeita, pesquei um caso vindo da Austrália, o julgamento em Brisbane de uma jovem, conhecida como “A Japonesa”, denunciada pelos médicos locais pela prática fraudulenta da Medicina. Sentada no banco dos réus foi inquirida pelo juiz.
– “A senhora é formada em Medicina? ”
– “Não, Excelência”.
– “Atende pessoas que buscam cura para enfermidades? ”
– “Sim, Excelência”.
– “Como atende os pacientes sem ser pela medicina oficial? ”
– “Rezo, e ajudada pela meditação, prescrevo o uso de certos chás e amuletos…”
Ouvida esta última declaração, o Promotor se apressou para pedir a condenação da ré, aplaudido pelos médicos que lotavam a sala. O Juiz-Presidente pediu silêncio e atenção; e falou:
– “Não vou atender o que reivindica o Promotor, porque de consciência não posso condenar esta mulher. Arrisco a minha posição e até a minha carreira, mas absolvo-a”, sentenciou, e justificou: – “Enquanto uma junta médica formada por ilustres professores me declararam portador de doença incurável, a Japonesa salvou-me a vida”.
ARANHAS
MIRANDA SÁ (E-mail-mirandasa@uol.com.br)
“A teia de nossa vida é composta de fios misturados: de bens e de males”. (Shakespeare)
Machado de Assis criou um personagem impressionante ao contar uma história ainda mais espetacular, inspirando-me para uma incursão nos seus domínios. Esta figura, apaixonada pelas leis que regem a natureza, envolveu-se com os naturalistas Darwin e Büchner e resolveu estudar as aranhas.
Esta decisão veio acompanhada de um discurso atacando todos os demais insetos, mosquitos, pulgas e até a exaltada formiga dos provérbios. – “A aranha”, disse, “é diferente. Não nos aflige, nem defrauda; apanha moscas, nossas inimigas, fia, tece, trabalha e morre. Que melhor exemplo de paciência, de ordem, de previsão, de respeito e de humanidade? ”
O pesquisador foi além da curiosidade científica. Não somente ampliou em quantidade e qualidade a sua coleção de aranhas, como descobriu a linguagem fônica delas; e uma, particularmente, trouxe-lhe fácil entendimento; dissertou pelo idioma aracnídeo sobre a forma de governo adotado pelas aranhas.
Descreveu o processo eleitoral que entre elas é muito simples. Fazem um saco e nele coloca-se bolas com os nomes dos candidatos. Tradicionalmente, eram apenas dois, porque a República Arachnida, da Ordem Araneae, só reconhece dois partidos, o Partido Retilíneo e o Partido Curvilíneo.
O PR defende que as aranhas devem fazer as teias com fios retos; e o PC, ao contrário, dispõe que as teias sejam feitas com fios curvos. A disputa entre os dois é acérrima e permanente. Cada um puxa para si a defesa do bem, da justiça, da integridade e do respeito igual para todos; e acusam os outros de incentivo à bajulação, a deslealdade, a fraude e o patrimonialismo…
Este costume foi interrompido pelo surgimento de um terceiro partido, que embora também se apresentasse como geométrico, era menos anguloso, menos exclusivista, sem extremismos, propondo combinar os contrastes pela simultaneidade das linhas como se encontra no mundo físico e moral. O surgimento deste “tercius” terminou indo para a Corte de Justiça, porque no sistema das teias, tudo é judicializado.
O resultado do julgamento não foi divulgado porque não interessou ao contador de história; ele fora advertido que a teia da justiça era submissa ao bipartidarismo; eu então nem continuei a ler o conto do Machado, “A Sereníssima República”.
Sabia que dali por diante, a narrativa convergiria para coisas do nosso conhecimento, pois a democracia dos araneídeos se parece com a dos Estados Unidos, que Gore Vidal descreve como: “A Democracia nos EUA é o direito de escolher entre o Analgésico “A” e o Analgésico “B”. Mas ambos são aspirinas”.
E tem uma certa semelhança com o nosso decantado Estado de Direito, onde a gente vê que o pragmatismo legislativo e o judiciário seletivo caírem em cima de quem tenta se colocar entre a direita e a esquerda.
Entre nós, chega a ser hilário, que cada um dos tradicionais protagonistas políticos sempre se mostra teoricamente simpático a colar com o centro. Não sei se já notaram que o lulopetismo, corrupto e corruptor, mais sujo do que pau de galinheiro, só fala agora em “centro-esquerda”?
Na tentativa de se limpar, esconde que confunde “centro” com “centrão” e corre para o abraço com os mesmos parceiros corruptos de sempre…
A TECLA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins” (Jean-Jacques Rousseau)
A ficção é como uma vara de pescar. Com o anzol sortido de boa isca, traz à tona peixes de que a gente nunca viu e, se tomou conhecimento alguma vez, s’esqueceu… É o caso do “Mandarim” que um personagem de Balzac citou como se fosse de Jean Jacques Rousseau, o nosso epigrafado.
Há controvérsias. O escritor italiano Carlo Ginzburg d’ “O Queijo e os Vermes”, diz que Balzac se equivocou sobre a autoria da parábola, que para ele é de François-René de Chateaubriand, autor d’ “O gênio do Cristianismo”.
No meu modo de ver, quero que seja mesmo de Rousseau, em homenagem ao escritor, filósofo e teórico político suíço que contribuiu para o Iluminismo europeu enriquecendo a cultura ocidental. Tive um querido cachorro com o seu nome.
A estória do mandarim se resume a uma pergunta: “Se para você se tornar o único herdeiro com a morte de um bilionário de quem nunca ouviu falar e para isto só precisasse digitar uma tecla de computador, faria isto? ”.
A parábola inteira, como foi traduzida do francês e eu atualizei para a Era da Internet, é a seguinte: “No interior da China existe um mandarim mais rico que todos os reis de que a fábula ou a História contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que digites a tecla que está no teclado do teu computador. Ele soltará apenas um suspiro nos confins da Mongólia. Será então um cadáver: e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição de um avaro. Tu, que me lês e és um homem mortal, digitarás? ”
Esta historieta me dá absoluta certeza de que no mundo de hoje, e no Brasil particularmente, cheio de corruptos, milicianos, oportunistas políticos e traficantes, muitos não titubeariam em fazê-lo. Será pessimismo meu, será que estou sendo injusto com a humanidade e com meus patrícios?
Deixo o julgamento aos leitores. Entretanto, como a Declaração dos Direitos Humanos de que Rousseau foi um dos inspiradores me dá direito de defesa, mostro-lhes o que está a nossa volta.
Vejo o cenário de terra arrasada pelo Brasil afora. Os tanques russos que destruíram Berlim, como os nazistas fizeram com Moscou; e a bomba atômica americana lançada sobre Hiroshima e Nagasaki vingando-se de Pearl Arbour, se rivalizam com o caos imposto ao Rio de Janeiro pela quadrilha Lula-Cabral.
Morador do Rio, devo me conformar e perdoar o que vejo aqui? Não; porque conhecendo os membros do bando desses dois facínoras, todos, sem exceção, são capazes de assassinar um mandarim chinês à distância por dinheiro.
Indo para o plano nacional, ouvimos nos últimos dias o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o Brasil é ingovernável sem conchavos. A oposição e a mídia sempre de má fé contra o Presidente, dizem que ele exagerou.
Não creio que seja exagero falar-se do comportamento negativista dos picaretas do Congresso Nacional, ameaçando, chantageando e conspirando para obter benesses e cargos, acostumados a receber vantagens desde que Fernando Henrique inventou o Mensalão para comprar a reeleição, e depois repassou-o ao companheiro Lula.
Esses digitadores de botões, dispostos a matar qualquer um de quem possam herdar alguma coisa, se mostram de corpo inteiro. Vimos a pouco a bancada lulopetista se unir à bandidagem do chamado centrão arrancando o Coaf do Ministério da Justiça só para se vingar de Sérgio Moro, que levou o seu chefe à cadeia por corrupção.
Diante do exposto, peço absolvição por suspeitar da humanidade e dos meus patrícios, porque faço o que recomendou Rousseau ao dizer: – “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele”.
Manuel Bandeira
Porquinho-da-Índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…
– O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
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Ferreira Gullar
Madrugada
Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite
a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes
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Augusto dos Anjos
A Obsessão do Sangue
Acordou, vendo sangue… – Horrível! O osso
Frontal em fogo… Ia talvez morrer,
Disse. Olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! certamente não podia ser!
Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!
No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão …
E amou, com um berro bárbaro de gozo,
O monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!
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Manoel de Barros
Mundo Pequeno
(do livro “O Livro das Ignorãças”)
I
O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.
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TRAPAÇA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Se não se punirem os crimes, encorajar-se-á a desonestidade”. (Públio Siro)
Não perguntem o porquê, mas dou uma preferência especial aos velhos livros que procuro nos sebos, leio os que ainda não li e relei-o os que gostei e mantenho na estante como referência. Um poeta diria que a pátina do tempo valoriza o estilo.
Isto não quer dizer que desprezo os novos autores, somente aqueles que Carlos Drummond condenou ao dizer que “Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante”. Vejo isto na feira de livros usados armada na saída da Estação Carioca do Metrô para a Avenida Rio Branco; são dezenas de livros novos, com belas capas, amontoados nas barracas.
Nas minhas rondas pelo Centro do Rio atrás de acumular conhecimento, folheio tudo que me chama atenção e sempre tem algum livro que salta sobre o obstáculo do desprezo, e me faz comprador. Outro dia me ocorreu isto, ao encontrar uma referência inteligente sobre a patifaria.
A trapaça, já disse alguém, é uma das belas artes. E o escritor que me chamou atenção me parece estreante na literatura pois nunca vi o seu nome, e que não o cito porque dele só aproveitei um pequeno trecho que transcrevo: “Denunciar as patifarias de um indivíduo se chama delação; denunciar as patifarias da sociedade, chama-se anarquia”.
Sou do tempo em que Anarquia se escrevia com o “A” maiúsculo, e os anarquistas eram admirados por sua rebeldia, envolvendo grandes pensadores como Bakunin, Kropotkin, Malatesta, Max Stirner, Proudhon, Tolstoi e William Godwin, que, pelo menos para mim, dão gosto de ler.
Conhecendo-os, considero-lhes humanistas. É preciso não confundir estes filósofos utópicos ao condenável terrorismo dos nossos dias, nem à ralé vandálica tipo Black-Blocs. Pode-se discordar de Proudhon, ou de Tolstoi, mas há que reconhecer que eles merecem um lugar de honra nos capítulos da História do seu tempo…
Também são antológicos os confrontos de Bakunin e de Malatesta com Karl Marx, denunciando o autoritarismo e o coletivismo propostos como necessários para estabelecer uma sociedade igualitária e justa.
Voltando, porém, ao livro que comprei, seu autor traz um comentário cheio de números sobre o instituto da delação premiada, consagrado no Direito Positivo dos países civilizados. Uma informação valiosa, ao tomarmos conhecimento da delação de Antônio Palocci, o ex-ministro petista dos governos Lula e Dilma. É de fazer a gente explodir de raiva.
Palocci denuncia práticas criminosas inomináveis dos governos do PT. Dá detalhes das trapaças feitas pelos que ocuparam o poder federal por 16 anos, infiltrando os seus tentáculos em vários estados, como o Rio de Janeiro, que foi arrasado pela quadrilha Lula-Cabral.
Na operação Greenfield, deflagrada em 2016, os procuradores em Brasília ouviram de Palocci informações sobre a corrupção desenfreada dos hierarcas petistas nos fundos de pensão ligados a empresas estatais.
O ex-Ministro relatou mais tarde, em 2018, que Lula da Silva ordenou a dirigentes de fundos ligados a bancos e empresas estatais para investir sem fazer qualquer análise no projeto de criação da Sete Brasil, empresa que construiria os navios-sonda para explorar a área do Pré-sal e pronta para se tornar uma fonte de propinas.
Noutras revelações Palocci falou de vendas de medidas provisórias levantando recursos para as campanhas do PT; e explicitou a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria da Petrobras, a fim de garantir desvios para políticos dos partidos aliados.
Semana passada, Palocci foi convidado pela CPI do BNDES – um dos mais importantes órgãos de investigação da atualidade –, mas o ministro Edson Fachin, do STF, concedeu-lhe o direito de ficar calado.
É suspeitoso, porque no caso dos empréstimos criminosos para Cuba, Venezuela e ditaduras africanas, ele poderia entregar a chave para abrir a “caixa-preta” do banco. Com duas colaborações premiadas homologadas e uma terceira na espera, Palocci já goza das prerrogativas jurídicas; mas muitos dos envolvidos em crimes contra o Brasil continuam imexíveis. Dizem que isto é trapaça, e das boas!
Cora Coralina
Considerações de Aninha
Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos
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